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	<title>Paulo Rebêlo &#187; Jornais</title>
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	<description>rebelox .:. jornalismo de precisão e crônicas imprecisas</description>
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		<title>Às margens da transposição</title>
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		<comments>http://www.rebelox.com/2009/11/margens-transposicao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 16:13:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornais]]></category>
		<category><![CDATA[cabrobó]]></category>
		<category><![CDATA[são francisco]]></category>
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		<category><![CDATA[transposição]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo (email) Terra Magazine &#124; 14.novembro.2009 Ao estacionar o carro debaixo de uma árvore para se proteger do sempre escaldante sol sertanejo, conseguimos avistar Tonha de longe. Fui a seu encontro muito satisfeito, não apenas por ter conseguido visitar novamente aquela família a quem eu tanto devia. Mas, também, por enfim cumprir uma promessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Paulo Rebêlo </strong>(<a href="mailto:imprensa@rebelo.org">email</a>)<br />
<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4100774-EI6578,00-As+margens+da+transposicao.html">Terra Magazine</a> | 14.novembro.2009</p>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto15.jpg"><img class="size-medium wp-image-1739  alignright" style="margin: 5px;" title="foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto15-300x199.jpg" alt="foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" width="300" height="199" /></a></p>
<p><span style="background-color: #ffffff;">Ao estacionar o carro debaixo de uma árvore para se proteger do sempre escaldante sol sertanejo, conseguimos avistar Tonha de longe.</span></p>
<p>Fui a seu encontro muito satisfeito, não apenas por ter conseguido visitar novamente aquela família a quem eu tanto devia. Mas, também, por enfim cumprir uma promessa feita um ano antes naquele mesmo local, sob aquele mesmo teto, às margens do rio São Francisco na Ilha de Assunção em Cabrobó, Sertão de Pernambuco.</p>
<p>Abri um sorriso para Tonha e apressei-me em dizer: não esqueci. Mostrei as fotografias da família dela e lembrei do desafio de seu pai quando disse que dificilmente voltaríamos para visitá-los.</p>
<p><span id="more-1731"></span></p>
<p>Minha pueril satisfação escorreu pelas margens do rio no exato momento em que percebi Tonha baixar a cabeça.</p>
<p>Chegamos tarde demais.</p>
<p>Ele se fora. Antes de ver o sonho se concretizar. Não o sonho da Transposição do Rio São Francisco, a qual a população ribeirinha, supostamente a maior beneficiada, ainda não consegue entender direito como vai funcionar. Apenas imaginam em uníssono que bastará abrir a torneira de casa para cair água &#8220;porreta&#8221;, segundo as palavras do presidente Lula em outubro deste ano durante a caravana em Cabrobó.</p>
<p>O sonho de Seu Valdemar era outro. Era o de ver Opará, como o rio São Francisco fora conhecido pelos indígenas antes da colonização, de volta a sua velha forma: pujante, abundante e vigoroso. Coisa que há muitos anos os ribeirinhos mais velhos guardam apenas na lembrança.</p>
<p>Tonha folheava as fotos do pai, Valdemar Bezerra Luna, agricultor que viveu os últimos 55 dos seus 85 anos de idade às margens do rio. Foi onde criou filhos e netos com invejável bravura, a exemplo de outras 13 milhões de pessoas que formam a população ribeirinha do Velho Chico.</p>
<p>Recordo da vívida imagem de Seu Valdemar segurando um pequeno frasco de hipoclorito de sódio enquanto nos explicava de uma época quando havia peixes para pescar e água potável para beber. Sem o uso de substâncias controladas e de difícil acesso como aquela.</p>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto04.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1748" style="margin: 5px;" title="Seu Valdemar mostrando o hipoclorito de sódio // Foto: João Carlos Mazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto04-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p><span style="background-color: #ffffff;">Antes de Seu Valdemar, muitos se foram. Depois dele, muitos ainda se vão. Até que uma certa promessa seja cumprida. Não a de imprimir fotografias e dar de presente. Sim, a promessa secular de democratizar e universalizar a água numa região do Brasil historicamente castigada pelo descaso político, abandono social e amplo desconhecimento da sociedade nascida e criada em seios urbanos.</span></p>
<h2>Um rio de decretos</h2>
<p>A bacia hidrográfica do São Francisco, em seus 2.863 km de extensão, percorre 504 municípios divididos em sete unidades federativas.</p>
<p>Nosso contato com Seu Valdemar ocorrera meramente por acaso, em julho de 2007, a partir de uma série de pesquisas e reportagens durante o início formal das obras da transposição em Cabrobó, ponto de partida do Eixo Norte, por onde haverá a ligação entre Pernambuco e Ceará através de um canal com 416 quilômetros previstos.</p>
<p>Junto ao experiente fotógrafo João Carlos Mazella, cujas fotos ajudam a ilustrar este texto, nos instalamos de &#8220;mala e cuia&#8221; junto aos trukás, poucos dias depois da célebre expulsão do Exército pelos índios no canteiro de obras, localizado em terras reivindicadas pela tribo.</p>
<p>A família de Seu Valdemar, por intermédio da filha Tonha e do Cacique Neguinho, nos abrigaram e alimentaram durante aquele período de muitas descobertas interessantes. Descobertas para nós e para eles.</p>
<p>Foram inúmeras famílias com quem conversamos às margens do rio, em milhares de quilômetros rodados nos últimos anos pelo Nordeste. Todas elas nos mostrando como era a vida real e as condições de quem dependia do rio São Francisco para sobreviver. E como essa relação, outrora harmônica, tanto mudou.</p>
<p>Sobre a transposição em si, eles ouviram as mais diferentes histórias, argumentos e opiniões. Muita gente contra. Muita gente a favor. E mais gente ainda sem fazer a menor idéia do que se trata.</p>
<p>Ainda hoje, ao percorrer os grotões do Brasil, me perguntam do que se trata &#8220;de verdade&#8221; a Transposição do São Francisco. Mas como definir uma verdade cuja existência, desde a época do Império, nunca deixou de ser um sonho para alguns e um pesadelo para outros?</p>
<p>Depois de Dom Pedro II, a noção de transpor as águas do rio foi retomada por Getúlio Vargas em 1943, ganhou destaque durante o governo de Figueiredo após a grande estiagem de 1979 a 1983, chegou ao colo do presidente Itamar Franco em 1994 e ganhou decretos durante a era Fernando Henrique Cardoso no período de 1998 a 2002. Desde 2003 voltou à agenda nacional, agora com Lula.</p>
<p>Em outubro de 2007 (ou seja, após o início formal das obras do Eixo Norte) as atribuições passam para o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, na época presidido por ninguém menos que a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.</p>
<p>Por 42 votos contra 4, o Conselho posicionou-se contra a transposição como ela se apresentava na época e estabeleceu que as águas do São Francisco só poderiam ser utilizadas fora da bacia em casos de escassez comprovada e para consumo humano e dessedentação animal. Motivo? Acentuado grau de degradação do rio. Uma situação que os ribeirinhos tanto falam, há tantos anos, mas poucos parecem escutar.</p>
<p>Nos meses seguintes, novos decretos surgiram a partir de conflitos entre as devidas competências institucionais; as obras foram liberadas, não obstante os processos judiciais ainda hoje em curso e que ninguém em sã consciência pode prever o desfecho.</p>
<p>Outubro de 2009, a transposição é chancelada pelo governo federal como &#8220;fato concreto&#8221;.</p>
<p>Difícil explicar? Sequer me atrevo. Talvez pela falta de competência discursiva em repassar as letras oficiais que ouvimos tantas vezes em audiências públicas, plenárias e outros encontros, quando emissários do governo explicavam a transposição mais ou menos assim:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Transpor as águas para abastecer partes do semi-árido nordestino e beneficiar 13 milhões de pessoas, retirando apenas 2% do volume de água do São Francisco por meio de dois canais, gerando milhares de emprego e melhoras estruturais para todo o Nordeste, ao mesmo tempo em que ajuda a revitalizar a bacia hidrográfica do São Francisco.&#8221;<br />
</em></p>
<p>Parece um sonho. Seu Valdemar ficaria orgulhoso.</p>
<p>Também ouvimos a explicação acima de um sem número de prefeitos, deputados, vereadores, profissionais liberais, engenheiros e até de poetas. Também ouvimos o oposto de igual número de pessoas em todos os Estados do Nordeste.</p>
<p>E quando tentamos extrair o sumo de todo o maniqueísmo típico de comícios e caravanas pelas profundezas do Nordeste, na minha mente sempre veio apenas a voz de Seu Valdemar nos dizendo:
</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Mas o rio é tão grande&#8230; acho que não vai faltar se tirarem um pouquinho da água aqui da gente para levar aos nossos irmãos lá de cima, não é?&#8221;</em></p>
<p>Se essa conclusão é fruto de uma imensa ingenuidade ou de uma imensa sabedoria, só o tempo irá dizer. Até lá, muitos continuarão sonhando. E nós continuaremos torcendo que sobrevivam para ver. E para cobrar.</p>
<h2>Meandros humanos</h2>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto13.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1740" title="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto13-300x199.jpg" alt="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" width="300" height="199" /></a>Em 2007, quando as obras começaram em Cabrobó, para boa parte do Brasil que desconhece o Brasil a insatisfação dos índios trukás naquela cidade parecia um fato novo.</p>
<p>Ledo engano.</p>
<p>A única novidade, de fato, fora o barulho agora gerado pela mídia nacional &#8211; em grande parte por conta da presença de um Exército acuado pela mobilização indígena e da greve de fome do bispo de Barra (BA), Dom Luiz Cappio. E, claro, com a sempre presente contribuição das hipérboles de Brasília sobre uma obra que se coloca como um aguardado messias para o Nordeste.</p>
<p>Por meio de seus líderes, em agosto de 2007 pelo menos três mil índios da etnia truká se rebelaram contra as obras da transposição. Oficialmente, colocaram-se contra o projeto por acreditar que a água do Velho Chico iria acabar e prejudicar a pesca e agricultura da região.</p>
<p>A tribo é uma das principais produtoras de arroz e cebola em Pernambuco, chegando a ser responsável por mais de 80% da produção deste primeiro item. Talvez nem os trukás tenham real noção do poder persuasivo que, teoricamente, possuem.</p>
<p>São dúbios os reais motivos, mas quando os primeiros sinais de uma nova transposição voltaram a surgir durante o início do governo Lula, em 2003, os trukás e boa parte da população ribeirinha já mostravam um amplo consenso negativo às obras.</p>
<p>Naquela época, contudo, o acesso às opiniões dos trukás envolvia uma complexa negociação e muito jogo de cintura. Porque até meados desta década, Cabrobó não era um dos ícones da transposição como o governo classifica hoje. Era um ícone de produção e do tráfico de drogas na região, conhecida nacionalmente pelas autoridades, pela força policial e até parte do folclore urbano em Pernambuco.</p>
<p>Os caciques trukás com quem conversamos e convivemos, durante a mobilização de 2007 contra o Exército, não sabiam ou não lembravam. O tempo havia passado, mas ali de frente a eles estava o mesmo jornalista que foi sutilmente convidado a sair da cidade por duas vezes, em anos anteriores, ao tentar entrar na Ilha de Assunção para conversar com os índios sobre o problema do tráfico que aterrorizava e dizimava famílias inteiras de índios, sobretudo os mais jovens.</p>
<p>Eram tempos difíceis. Mortes por encomenda, traficantes infiltrados, ameaças, queimas de arquivo. Capangas armados faziam a segurança da ilha e, como zelava a Constituição, ninguém podia entrar sem autorização expressa dos índios, geralmente por via da Funai.</p>
<p>O silêncio sempre reinou em Cabrobó. E neste ponto, pouca coisa mudou. A cidade melhorou bastante e continua a progredir visivelmente. O grosso do tráfico não age mais a céu aberto como antes. Contudo, ainda há certos assuntos que não podem ser discutidos. A transposição, neste caráter atual de messias do desenvolvimento nordestino, passa ao largo de tudo isso.</p>
<p>E durante a caravana de outubro de 2009, sequer uma palavra foi dita.</p>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/Image00003.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1742" title="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/Image00003-300x195.jpg" alt="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" width="300" height="195" /></a>Daquela época pouco amistosa no município, chegamos a 2005 quando a liderança dos trukás estava convicta do seu papel de se opor às obras da transposição. Obras tais que entrariam em seus territórios sem autorização, situação proibida expressamente pela Constitiução. Mas as escrituras das terras (onde reside o início do canal) nunca foram deles. Como de praxe, um conflito legal e histórico das tribos indígenas espalhadas em todo o Brasil: são donos de terra de fato, não de direito.</p>
<p>Por conta de um passado sombrio com o tráfico (porém um paraíso para os traficantes) ninguém nunca soube, factualmente, se os trukás se posicionavam desde muito cedo contra a transposição por livre e espontânea vontade ou por influência de terceiros.</p>
<p>Dois anos depois, em 2007, quando o assunto ganhou as manchetes nacionais já com o tom de guerra e de greve de fome, a mobilização dos trukás caiu como uma luva para Estados como Sergipe e Bahia, por exemplo, os quais sempre se colocaram publicamente contra a transposição, alegando que seriam prejudicados ambiental e economicamente.</p>
<p>As posições de Bahia e Sergipe, por exemplo, não estão apenas em reportagens da época. Estão em livros e documentos oficiais disponíveis para leitura de qualquer um.</p>
<p>Naquele ano de 2007, bem diferente da animosidade quando outrora fomos convidados a nos retirar da cidade, os trukás nos recebem e mostram boa parte de seus territórios &#8211; alguns trechos ainda estavam &#8220;fechados para visitação&#8221;, por assim dizer, assunto que incomodava as lideranças e causava desconforto generalizado. Ainda hoje.</p>
<p>Somos levados de &#8220;canoa motorizada&#8221; pelo Velho Chico, um caminho alternativo para conferir o início das obras e onde o Exército não poderia ver nossa chegada ao local com as primeiras escavações. Depois da mobilização indígena contra os militares, fechou-se uma porteira na área e civis não podiam entrar. Enquanto observavam qualquer movimento do Exército ao longe, os trukás reafirmavam para nós que ali naquela terra não deixariam o governo construir nada. Era deles.</p>
<p>Agora vamos dar outro pulo e chegamos a outubro de 2009. Quem viu a caravana do presidente Lula agregando tantas dissidências políticas e sem as reivindicações de outrora, fica sem entender nada. E duvida de como não há mais debate sobre problemas sérios como o tráfico de drogas, o alto índice de suicídio nas regiões de baixo IDH do Nordeste e uma máquina corruptora de instituições e autoridades na região. Mais ainda: qual foi a solução encontrada com os trukás?</p>
<p>Não se ouviu uma linha das autoridades. Não se leu uma linha na imprensa.</p>
<h2>Entre os perenes e os temporários</h2>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto05.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1741" title="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto05-300x176.jpg" alt="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" width="300" height="176" /></a>A falência das instituições também teve sua fatia de responsabilidade quando outro ícone daquela região se foi.</p>
<p>O discurso ambiental e de demarcação de terras tornara-se o lugar comum nos debates sobre a transposição entre 2005 e 2007, embora a questão seja discutida desde muito antes, independente da idéia de transpor as águas do Velho Chico. A exemplo dos tantos prefeitos naquela época, os quais igualmente patinavam nas informações mais precisas sobre as obras, os índios agricultores replicavam o massivo discurso negativo.</p>
<p><span style="background-color: #ffffff;">Em 2008, um ano depois da mobilização contra o Exército, retornamos novamente a Cabrobó. Entretanto, agora com outra tarefa: saber mais sobre o assassinato em praça pública do índio truká Mozeni Araújo, 37 anos, uma das principais vozes políticas da cidade e talvez a liderança truká mais articulada e com mais conhecimento de causa para explicar o problema do tráfico de drogas e negociar concessões com o governo sobre as terras indígenas.</span></p>
<p>Então candidato a vereador, Mozeni foi morto em agosto de 2008 com tiros à queima-roupa em frente a seu comitê de campanha, na ocasião lotado de amigos e correligionários. O crime calou a cidade de Cabrobó e levou embora uma das poucas pessoas que, quando bem questionado, falava abertamente sobre as intenções e a histórica dificuldade de negociações entre índios e governo.</p>
<p>Mozani fora uma das vozes ativas contra o uso de fazendas e terras indígenas para o tráfico de drogas na região, justamente ali onde nasce o Eixo Norte da transposição. Assunto que curiosamente não consta em nenhuma pauta das informações divulgadas sobre as obras.</p>
<p>Mozani foi um dos poucos a abrir o jogo honestamente. Não se tratava apenas de meio ambiente ou de sobrevivência do rio, mas também de negociação e benesses mútuas. Se o governo cedesse a alguns anseios, entre eles uma boa indenização pelo uso daquelas terras (apesar da falta de escrituras) os trukás poderiam sentar à mesa e discutir, quem sabe até mesmo apoiar à transposição se entendessem que ela iria realmente beneficiar a população ribeirinha.</p>
<p>Em termos de negociação com governos, os trukás e tantas outras tribos brasileiras estão calejados de ouvir inúmeras promessas, ceder e esperar por algo que nunca se concretiza. Por outro lado, os trukás também são criticados por tribos diversas (e por vários burocratas em Brasília) porque, num contexto nacional, estão entre os índios que mais tiveram terras reconhecidas como deles, mais ganharam benesses de infraestrutura, se situando num ponto relativamente confortável em termos de organização e reconhecimento.</p>
<p>Para os trukás, a transposição do jeito que os emissários federais apresentavam era como uma segunda enganação. Como bem frisou o Cacique Neguinho &#8211; agora já sabendo que o jornalista de frente a ele era o mesmo de anos atrás, quando teve armas apontadas em sua direção por outros trukás &#8211; não havia motivos para confiar no discurso de Brasília.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Já nos enganaram uma vez quando construíram a Barragem de Sobradinho, não vão nos enganar de novo. Tínhamos peixe em abundância que a natureza nos deu. Hoje, quem consegue pescar alguma coisa volta para casa agradecendo a Deus, porque neste rio daqui não há mais nada&#8221;, disparou.</em></p>
<p>Ali revelava-se, de modo sublime, o emaranhado político quando as obras sequer davam os primeiros passos no Lote 1 do Eixo Norte. Hoje, é curioso perceber como qualquer assunto relacionado aos conflitos paralelos à transposição não consta na agenda de divulgação, seja do governo federal ou dos governos locais. Assim como sai de cena, também, o conflito intermitente de conveniência com o tráfico e a latente carência social e política na região.</p>
<p>Acima dos conflitos e opiniões diversas, ainda resta uma dúvida sempre levantada e sempre respondida com pouquíssimos detalhes: depois de tudo pronto e concluído, qual será o papel dos grandes latifundiários em cujas terras, coincidentemente, passam os dois canais da transposição do São Francisco?</p>
<h2>Enquanto a água não vem</h2>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto02.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1743" title="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/11/foto02-300x199.jpg" alt="Foto: João Carlos Mazella / Ag. JCMazella" width="300" height="199" /></a>É muito fácil conhecer como funciona a política nos grotões do Brasil. Tirante as poucas exceções de praxe, você só precisa de dez minutos de conversa, com qualquer prefeito, para ter uma noção semi-exata do nível de qualificação e de consciência política deles.</p>
<p>Para quem conhece os dois lados da moeda, não difere muito dos corredores do Congresso Nacional em Brasília.</p>
<p>Não à toa, são os prefeitos desses municípios os maiores beneficiados políticos por todas as obras da transposição. Com a conclusão prevista (até agora) para 2012, cairá sob as mãos do poder executivo local (e dos orçamentos municipais) a tarefa de conduzir a gestão local do caminho do desenvolvimento prometido pela transposição.</p>
<p>É uma responsabilidade enorme e uma tarefa hercúlea a ser enfrentada pelos mandantes destes municípios ribeirinhos. Sozinhos eles não poderão fazer muito. Sem uma mobilização apartidária entre municípios, Estados e União, o sonhado caminho do desenvolvimento nordestino poderá ter que esperar outras tantas décadas a perder de vista.</p>
<p>Se lhe parece uma utopia, bem-vindo ao clube.</p>
<p>Ainda é preciso atentar a detalhes que talvez nem todos os prefeitos conheçam. Entre eles, um relatório de 2008 elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pelo qual constavam 400 obras inacabadas no Brasil no valor de R$ 3,5 bilhões. Destas, 130 eram executadas pelo governo federal e 270 por Estados e municípios, sempre com transferências federais de recursos. Todo o projeto de transposição do São Francisco, incluindo as obras de revitalização, totalizam algo em torno de R$ 6 bilhões, vale lembrar.</p>
<p>Em outubro de 2009, mesma época do périplo presidencial pelas obras da transposição, sai de Brasília outro relatório. Agora de atualização do Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC) sob a bandeira do Ministério da Casa Civil, de Dilma Rousseff. Papelada amplamente divulgada e por onde se lê que das 2.392 ações previstas para o período 2007-2010, 39% estão concluídas, 52% em andamento, 7% em situação de atenção e 2% com ritmo preocupante. Dos R$ 646 bilhões previstos até 2010, 53,6% já foram aplicados.</p>
<p>Desta salada de números, interessa o detalhe: das ações citadas pelo relatório do PAC, não estão inclusas as obras de saneamento e habitação, que são justamente duas das principais molas condutoras do prometido desenvolvimento estrutural a partir da transposição do São Francisco.</p>
<p>Se uma ampla mobilização entre prefeitos não ganhar corpo, se ou quando a transposição estiver pronta, voltaremos à estaca zero daquele período 2005-2007 quando Estados nordestinos se posicionaram em clima de discórdia entre irmãos.</p>
<p>Se lhe parece uma utopia&#8230;</p>
<h2>Vizinhos entre rios</h2>
<p>Em Monteiro, no cariri paraibano, encontramos pessoas como o casal de agricultores Ailton e Silvia Tavares. À primeira vista, os Tavares poderiam ser considerados privilegiados por morar a poucos metros de um açude. Mas a água sempre foi tão poluída e barrenta que até os animais rejeitam.</p>
<p>Para a transposição, Monteiro é a cidade-ícone do Eixo Leste, equivalente a Cabrobó no Eixo Norte. Desde 2005, a esperança de uma melhora nas condições de vida para a população rural em Monteiro tem apenas um nome: transposição.</p>
<p>Em 2007 conversamos com Vlamir Bezerra Japyassu, 40 anos vividos no cariri, enquanto ele nos mostrava, animado, o local por onde irá passar o Eixo Leste.</p>
<p>Foi também ali, em Monteiro, onde em outra oportunidade encontramos o folclórico padre Djacy Brasileiro e sua folclórica Cruz de Latas simbolizando a seca no Nordeste e a necessidade da transposição.</p>
<p>Em outra oportunidade, durante uma manhã de discursos, com dedo em riste, rosto vermelho, suando em bicas e aos berros, lá está o Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, pedindo que a população &#8220;não o confundisse com algumas lideranças políticas&#8221; da Bahia, seu Estado de origem, que se colocavam contra a transposição &#8220;para barganhar com o governo federal&#8221;, segundo suas próprias palavras.</p>
<p>Geddel garantiu que, diferentemente do que dizem os oposicionistas ao projeto, o benefício primário da transposição será matar a sede dos nordestinos, não será apenas o agronegócio.</p>
<p>É o que 13 milhões de nordestinos esperam. Há pelo menos um século.</p>
<p>Juntou-se ao coro o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e o &#8220;líder&#8221; religioso da região, Dom Aldo Pagotto, uma espécie de antípoda de Dom Luiz Cappio, falando das benesses da transposição para seu rebanho.</p>
<p>Outubro de 2009, caravana de Lula, Dom Cappio não estava presente. Exatamente ali no município de Barra, Lula discursou ao lado de Dilma Rousseff, Geddel e do governador da Bahia, Jaques Wagner. Novos tempos?</p>
<p>Faltou alguém para perguntar a Geddel se ele chamaria Dom Cappio de &#8220;inimigo número 1 da democracia&#8221;, conforme consta em artigo escrito por ele e publicado na Folha de S. Paulo no dia 12 de dezembro de 2007, em virtude da segunda greve de fome do bispo.</p>
<p>Ninguém perguntou.</p>
<p>Enquanto isso, a 50 km de Juazeiro (Bahia), na Barragem de Sobradinho, o mundo de água do São Francisco assusta a quem chega. O rio parece um mar, não tem fim. E a apenas um quilômetro da hidrelétrica, as terras são secas e rochosas, bem piores do que em Cabrobó.</p>
<p>De um lado da rodovia, pequenos agricultores suam para plantar qualquer coisa e ter o alimento diário. Do outro, grandes fazendas denotam o poderio financeiro para trabalhar com fruticultura irrigada e gerar milhões de reais na exportação de frutas.</p>
<p>Se a transposição do rio São Francisco irá contribuir para diminuir contrastes seculares como esse, resta-nos apenas refletir sobre a máxima de Seu Valdemar e a subsequente conclusão: um ato de grande ingenuidade ou de grande sabedoria.</p>
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		<title>Tamiflu, medicamento contra gripe suína, é muito pouco explicado</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2009/08/tamiflu-gripe-suina-imprensa/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 21:15:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco &#124; 09.ago.2009 Entre o ano 2000 e outubro de 2006, somente no Japão morreram 54 pessoas em decorrência de supostos efeitos colaterais relacionados ao medicamento Tamiflu. Entre elas, 16 eram crianças ou adolescentes e em boa parte dos óbitos há indícios claros de tentativas de suicídio. Os números são públicos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco | 09.ago.2009</p>
<p>Entre o ano 2000 e outubro de 2006, somente no Japão morreram 54 pessoas em  decorrência de supostos efeitos colaterais relacionados ao medicamento Tamiflu.  Entre elas, 16 eram crianças ou adolescentes e em boa parte dos óbitos há  indícios claros de tentativas de suicídio. Os números são públicos e fazem parte  do banco de dados do Ministério da Saúde daquele país.</p>
<p><span style="background-color: #ffffff;">Em 2007, o governo  japonês proibiu de vez a ingestão de Tamiflu por menores de idade, depois que  novos dois casos foram relatados às autoridades sobre adolescentes que pularam  do segundo andar enquanto se tratavam com Tamiflu. Relatos parecidos também são  encontrados em outros países, embora até hoje ninguém tenha conseguido comprovar  cientificamente uma relação direta.</span></p>
<p>Enquanto isso, o Tamiflu continua a  ganhar novos mercados, principalmente em países subdesenvolvidos que somente  agora, com a epidemia da gripe suína, estão conseguindo importar ou  comercializar o remédio que, por sinal, não é barato.</p>
<p>O Tamiflu é o mesmo  remédio que tem sido encarado pelo governo brasileiro como o santo graal da luta  contra a gripe suína. Os médicos protestaram contra as limitações e o governo  cedeu. Hoje, qualquer médico pode receitar o Tamiflu de acordo com suas próprias  conclusões. Como de praxe, vão receitar o Tamiflu aos primeiros indícios de  gripe, na esperança de que caso confirme ser a do tipo H1N1, os pacientes já  estejam devidamente medicados e a caminho da cura. É uma lógica até eficaz, mas  resta saber se todos estão devidamente informados sobre a &#8220;atuação&#8221; do Tamiflu  em outras praças. Considerando o silêncio do governo brasileiro e dos principais  meios de comunicação, é de se duvidar.</p>
<p>Na prática, o Tamiflu é um  medicamento desconhecido na América Latina e principalmente no Brasil, embora  seja bastante popular nos Estados Unidos, no Japão e em outros países dito  desenvolvidos. Quanto mais casos de morte por gripe suína são reportados na  América Latina, maior é o tom alarmista e menor é o conhecimento científico da  população sobre variáveis presentes na epidemia e na cobertura da imprensa.</p>
<p>O Tamiflu é uma das variáveis mais curiosas. Informações e  esclarecimentos sobre potenciais efeitos adversos do Tamiflu estão totalmente  fora das manchetes dos jornais, mesmo com tantos precedentes. Não se trata de ir  contra o medicamento, o qual em várias situações provou-se ser a única solução  realmente eficaz contra a gripe suína. Mas de informar a população sobre os  questionamentos clínicos e científicos os quais, até hoje, não foram explicados  com o devido rigor científico.</p>
<p>Estudos sobre efeitos colaterais do  Tamiflu em crianças e doenças dermatológicas em adultos são ignorados no Brasil  e varridos para debaixo do tapete pela imprensa. Na Inglaterra, um estudo da  Health Protection Agency (HPA) publicado agora em 2009 mostra uma &#8220;alta  proporção&#8221; de efeitos colaterais entre crianças que tomaram o Tamiflu, dos quais  o pior é a alta incidência de pesadelos e outras adversidades  psicológicas.</p>
<p>O laboratório Roche, fabricante do Tamiflu,respondeu  oficialmente às preocupações levantadas pelo estudo da HPA. Conforme mostra  reportagem do Telegraph publicada no dia 31 de julho de 2009, a Roche informa  &#8220;ainda não haver estabelecido&#8221; a relação entre o Tamiflu e efeitos colaterais  neuropsiquiátricos.</p>
<p>A falta de profundidade na cobertura da gripe suína  não é exclusividade da América Latina. Ainda em julho, um dos colunistas do  jornal Los Angeles Times, James Rainey, criticou a superficialidade da imprensa  norte-americana, condenando o excesso de alarme e a carência de informações  precisas à sociedade. No Brasil a situação é um pouco pior, porque aqui o  Tamiflu é um ilustre desconhecido. Consequentemente, os médicos têm pouco  alicerce para melhor ponderar os efeitos colaterais entre os brasileiros.</p>
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		<title>Enfim, o reconhecimento</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 17:33:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 03.maio.2009 Aventureiros e exploradores costumavam dizer que as relíquias mais importantes de um povo nunca seriam reveladas por completo aos forasteiros. Séculos depois, a ciência e a história provaram que tantas maravilhas naturais e históricas sempre estiveram debaixo do nosso nariz e, se não foram encontradas antes, é porque geralmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
<strong> Diario de Pernambuco</strong><br />
03.maio.2009</p>
<p>Aventureiros e exploradores costumavam dizer que as relíquias mais importantes de um povo nunca seriam reveladas por completo aos forasteiros. Séculos depois, a ciência e a história provaram que tantas maravilhas naturais e históricas sempre estiveram debaixo do nosso nariz e, se não foram encontradas antes, é porque geralmente costumamos olhar primeiro para muito longe.</p>
<p>É no mínimo curioso conferir alguns nomes do Prêmio Humberto de Maracanã &#8211; Culturas Populares do Ministério da Cultura. Somente em Glória do Goitá, a 66 km do Recife, entre três premiados há dois representantes culturais que dificilmente teriam suas histórias e artes conhecidas fora de Pernambuco se continuassem a depender somente de datas festivas, carnaval e da &#8220;boa vontade&#8221; política típica das cidades além do eixo metropolitano.</p>
<p><em><img class="alignleft size-full wp-image-1521" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip163" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/05/flip163.jpg" alt="flip163" width="266" height="308" />Até então longe dos holofotes, mestres da cultura popular têm trabalho premiado pelo Ministério da Cultura</em></p>
<p>Aos 81 anos, o Mestre Ciriaco do Coco pode se orgulhar de muita coisa que fez na vida, a começar pelos seus 24 filhos, 34 netos e 20 bisnetos. Nascido João Sebastião do Nascimento em 26 de junho de 1928, Mestre Ciriaco não existe no Google.</p>
<p>Parece besteira, mas em tempos de uma sociedade da informação cada vez mais conectada, é um reflexo notório de como ainda há tanto a percorrer pela cultura de um povo. E às vezes estamos todos tão próximos. No site oficial do prêmio, na página do Minc, o leitor encontra apenas o nome de batismo, não o nome pelo qual Ciriaco brinca e ensina rodas de coco há décadas na Zona Rural de Glória do Goitá, repassando conhecimento &#8220;até quando eu morrer&#8221;, como costuma dizer aos visitantes.</p>
<p>A saúde parece de ferro &#8211; não somente pela prole &#8211; e ajuda a esconder a idade. Ciriaco costuma percorrer à pé os 12 km que separam sua casa no Sítio Urubu até o centro de Glória do Goitá. A garganta não tem mais a força de outrora. Mesmo assim, quando começa a conduzir uma roda de coco, Ciriaco só vai embora quando desligam o som. Porque do contrário ele vira a noite cantando. E as filhas, dançando sem parar e sem cansar. Preocupa Dona Maria, a esposa, casada com o mestre desde 1954. Mas não preocupa Ciriaco. Com a humilde verba de R$ 10 mil repassada pelo Minc, ele resolveu não deixar mistérios para exploradores ou aventureiros e construiu a Casa do Coco para sua arte se perpetuar por meio dos filhos, netos e bisnetos. E quem mais quiser.</p>
<p>Além da recém-construída Casa do Coco, o dinheiro ajudou a comprar um novo equipamento de som (usado, modelo bem antigo) e algumas roupas novas para as coquistas. Em contrapartida, exigência do Ministério, deu aulas durante três dias em oficinas para alunos da rede pública de ensino no Sítio Urubu.</p>
<p>E as oficinas ajudaram a mostrar que Mestre Ciriaco do Coco pode até entrar no Google a partir de agora, mas certas coisas realmente não mudam nunca. Analfabeto e sem ter tido condições de estudar quando criança, Ciriaco entrou na sala de aula e não entendeu quando todas as 17 crianças não tinham sequer um caderno.</p>
<p>A vida difícil no interior e a falta de perspectivas do passado ilustram algumas das letras de suas músicas, mas nãorefletem no humor de Mestre Ciriaco, que já prepara uma grande festa na Casa do Coco para seu próximo aniversário com ajuda do filho Queno de Alagoinha (José João da Silva), o principal herdeiro da arte do pai.</p>
<p>Mestre Ciriaco é considerado o último representante do coco-de-roda na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Herdou a brincadeira ainda criança, quando aos 13 anos começou a seguir as rodas do pai e aos 14 conduziu sua primeira roda de coco.</p>
<p>Sobre o pai, ele desconversa um pouco, diz que não lembra tanto. Mas não deixa de cantar uma música por onde confessa a frustração de não ter sido permitido entrar numa escola, aprender a ler, a estudar. Hoje, Ciriaco é mestre e se preocupa em ensinar aos outros. E promete muito mais, agora com seu espaço próprio para os coquistas da região.</p>
<h2></h2>
<h2>Resgate do maracatu</h2>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1522" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip164" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/05/flip164.jpg" alt="flip164" width="297" height="514" /></p>
<p>José Fernando da Silva saiu de Glória do Goitá há 12 anos com um objetivo claro: resgatar uma nação de maracatu e passar a viver dela, depois de ter passado a vida inteira em outras nações.</p>
<p>Percorreu várias cidades da Zona da Mata sem sucesso. Não desistiu. Até encontrar o Maracatu Leão das Cordilheiras, em Carpina.</p>
<p>O herdeiro havia falecido e o maracatu estava mergulhado no marasmo há anos, pois a família não quis dar continuidade ao legado do mestre. &#8220;Procurei, me ofereci para tomar conta a partir dali, trazendo-o para Glória do Goitá e investindo tudo que podia&#8221;, explica José Fernando, o Zé Duarte, diretor do Maracatu Leão das Cordilheiras desde 2006, cuja sede fica justamente dentro de sua pequena casa no bairro Nova Glória.</p>
<p>Aos 40 anos, Zé Duarte está ciente de sua juventude frente ao legado que data de 1946 do Leão das Cordilheiras. E não esconde a expectativa quando admite estar desempregado, vivendo exclusivamente do pouco que consegue com o carnaval e em datas festivas em cidades próximas. Ele foi o segundo contemplado em Glória do Goitá do prêmio Humberto de Maracanã &#8211; Culturas Populares do Ministério da Cultura.</p>
<p>Com apenas cinco pessoas na família para gerenciar o maracatu, confeccionar as roupas e cuidar do orçamento, a família de Zé Duarte se une por uma causa cultural. A mãe, Maria dos Prazeres, 58, aprendeu na marra a confeccionar peças usadas pelos caboclos-de-lança, baianas, reis e rainhas. Com os R$ 10 mil repassados pelo Minc, foi difícil fazer algo de peso, além de saldar dívidas de anos anteriores. &#8220;Se não fosse o prêmio, dificilmente teríamos as condições de agora para seguir em frente, era muita dívida. Teve gente que até nos ameaçou, foi muito ruim&#8221;, explica Maria dos Prazeres.</p>
<p>Para cidades próximas, a família chega a cobrar R$ 5 mil às prefeituras por uma apresentação, montante a ser dividido entre os quase 80 integrantes quando o bloco sai completo, além de servir para zerar os custos &#8211; como bem explica a irmã Edvania Maria da Silva,professora da rede municipal e tesoureira informal do Leão das Cordilheiras.</p>
<p>Hoje eles dividem as atenções em Glória do Goitá com outro premiado do Ministério da Cultura, o Maracatu Carneiro Manso, fundado em 1950 e mais conhecido fora da Zona da Mata. Depois de 15 anos parado, o Carneiro Manso voltou às atividades apenas em 2004 com o trabalho de José Rinaldo da Silva, neto do fundador Manoel Francisco Correia. E a cada aparição eles mostram que podem voltar a ser a referência cultural de outros tempos, não apenas em Glória do Goitá, mas no estado inteiro.</p>
<h2>Tudo pela cultura</h2>
<p>Ex-secretário de cultura, ex-jogador de futebol, ex-treinador, ex-localizador de carros. Hoje, produtor de culturas populares. É assim que Lucas Alves se apresenta, após uma longa trajetória em Glória do Goitá, cidade onde nasceu e pela qual faz tudo para divulgar os mestres e as artes deste município na Zona da Mata Norte de Pernambuco.</p>
<p>Lucas Alves conhece os mestres de hoje e de ontem. É tratado quase como família e, ciente de sua vantagem educacional, procura ajudar na elaboração de projetos e fazer circular os editais e premiações. Sobre o prêmio Humberto de Maracanã, o qual premiou três manifestações culturais visitadas pelo Diario, Lucas Alves enfatiza a principal vantagem: o dinheiro não passa por prefeituras, intermediários, por ninguém. O mestre contemplado apenas abre uma conta bancária, em qualquer banco, e o Minc transfere a quantia sem burocracias.</p>
<p>Se o assunto é a difícil convivência entre política e cultura, Lucas Alves entende bem. Ex-secretário de cultura no governo anterior, garante não terinimigos e não ter nada contra a gestão alguma, mas que irá sempre batalhar pela cultura &#8211; mesmo que isso signifique não votar em aliados políticos de prefeito A ou B. Diz com a experiência de também já ter sido secretário de ação social e de esportes no município.</p>
<p>Enquanto o Recife ainda discutia a formatação de um Plano Municipal de Cultura &#8211; saiba mais no Diario de 5 de abril de 2009 &#8211; em Glória do Goitá há um plano municipal de cultura engavetado na Câmara de Vereadores desde 2004. &#8220;Fizemos conforme as diretrizes do Minc, tudo correto e visando o desenvolvimento da nossa cidade, mas não foi aprovado por questões puramente políticas&#8221;, lamenta Lucas Silva, depois de admitir que não quer mais saber de política partidária.</p>
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		<title>Disputa pelo cinema do Pajeú</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 20:54:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Afogados da Ingazeira // Cineteatro São José virou ponto de discórdia entre Diocese, Prefeitura e a atual gestão Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 26.abril.2009 O cineteatro São José, em Afogados da Ingazeira, a 380 km do Recife, é a única sala de cinema em todo o Sertão do Pajeú. Patrimônio histórico e cultural do município, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1511" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip162" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip162.jpg" alt="flip162" width="286" height="402" /><em>Afogados da Ingazeira // Cineteatro São José virou ponto de discórdia entre Diocese, Prefeitura e a atual gestão</em></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
<strong> Diario de Pernambuco</strong><br />
26.abril.2009</p>
<p>O cineteatro São José, em Afogados da Ingazeira, a 380 km do Recife, é a única sala de cinema em todo o Sertão do Pajeú. Patrimônio histórico e cultural do município, o espaço tem gerado atrito entre a prefeitura, a igreja e a comissão responsável pela gerência do cinema. O prédio onde se localiza o cineteatro pertence à Diocese da região do Pajeú e é cedido à comissão gestora por meio de comodato renovado, historicamente, por ambas as partes.</p>
<p><span id="more-1510"></span>Ciente de que o último contrato havia acabado, a prefeitura enviou, há menos de um mês, proposta à diocese para se tornar co-gestora. A comissão atual, formada por Marcos Antônio, Evanildo Mariano e Carlos Gomes, não gostou nem um pouco da ideia. Teve receio de perder a coordenação do local. A polêmica instaurou-se em Afogados da Ingazeira, sobretudo porque o administrador diocesano, Monsenhor João Carlos Acioly Paz, resolveu aprovar a sugestão da prefeitura logo de início. Até cidades vizinhas ofereceram espaço paraum novo cineteatro, caso o cinema São José deixasse de existir.</p>
<p>O ciúme aparente não surgiu do nada. Durante anos, o cineteatro esteve abandonado, a exemplo de diversos outros equipamentos culturais no interior de Pernambuco. Em 2007, Marcos Antônio, Evanildo Mariano e Carlos Gomes deram gás a uma comissão formada desde 1995 para batalhar pela restauração do cinema, conseguindo finalmente reformar o novo cinema no final daquele mesmo ano &#8211; com apoio financeiro da Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Desde então, há uma sessão todo dia. O ingresso custa R$ 4 (inteira) e R$ 2 (estudante). São 240 lugares.</p>
<p>O acerto &#8211; Oficialmente, prefeitura, diocese e comissão dizem que já conseguiram chegar a um denominador comum. Nas entrelinhas, contudo, as farpas ainda correm soltas e nem todos estão satisfeitos. Nos bastidores, sobra a versão de que seria uma briga política, já que os três gestores do cinema seriam ligados à oposição do prefeito Totonho Valadares (PSB) &#8211; argumento logo descartado pelos três coordenadores.</p>
<p>O Secretário de Turismo, Cultura e Esportes do município, Alexandre Morais, explica que a proposta da prefeitura não era para acabar com o cinema, mas virar parceira, aproveitar melhor o local. &#8220;A gente também queria diminuir os custos para o poder público, porque quem precisa do espaço tem de pagar aluguel à comissão e nem todo mundo consegue. Iríamos repassar um valor fixo para a diocese todo mês e aproveitar o cineteatro para outras atividades culturais. O cinema não ia acabar&#8221;, explica, ironizando a solução encontrada pelo chamado &#8220;Colégio de Consultores&#8221;, formado por padres da diocese. &#8220;No final das contas, a prefeitura ficou fora da coordenação, mas a receita agora será dividida entre a diocese e a comissão. E o espaço poderá ser alugado mais barato para nós&#8221;, acredita Morais.</p>
<p>Fim das polêmicas &#8211; Carlos Gomes, da comissão original, acredita que a questão está resolvida e que as polêmicas serão esquecidas. Após várias reuniões e algumas manifestações da população local,a partir do próximo mês haverá um novo modelo de gestão compartilhada. Os três gestores se mantêm, mas o espaço como um todo também será gerido por uma outra equipe de três pessoas. O padre Josenildo Nunes (da diocese) e os radialistas Nill Júnior e Tito Barbosa passam a integrar a chamada Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios. A mesma fundação, vinculada à diocese de Afogados, mantém a Rádio Pajeú, onde os radialistas trabalham. Assim, a diocese passa a atuar como co-gestora, posição antes inexistente.</p>
<p>A confusão trouxe à tona outro problema, ainda pouco explorado pelas autoridades e pela própria diocese: mesmo sendo a única sala de cinema em todo Pajeú, o espaço é pouco frequentado. Cinéfilo, o prestador de serviços Dário Lima admite a insatisfação quando chega para assistir a um filme e não encontra ninguém. &#8220;O pessoal só dá valor quando perde. Agora todo mundo se mobilizou com medo de que o cinema acabe&#8221;.</p>
<p>O radialista Nill Júnior, representando a nova gestão pela diocese de Afogados, também aposta que o grande desafio é atrair o público. Os filmes não são antigos. Neste fim de semana, por exemplo, o cineteatro exibe Alma Perdida (The Unborn, EUA, 2009), um suspense que há pouco tempo ainda estava nas salas de cinema do Recife. &#8220;Às vezes ocorre um atraso ou outro, mas os filmes são recentes&#8221;.</p>
<h2>Saiba mais</h2>
<p>O atual cineteatro São José, em Afogados da Ingazeira, foi construído em 1942 e logo foi batizado de Cine Pajeú, em alusão à região sertaneja. Por muitos anos pertenceu ao farmacêutico Helvécio César de Macedo Lima e, além de filmes, havia exibições culturais das mais diversas, com artistas amadores e novos talentos musicais.</p>
<p>Depois passou à propriedade da Diocese da região e ninguém lembra ao certo como o espaço começou a ser abandonado, a ponto de chegar a estado de ruínas. Em 1995, voluntários resolveram criar uma comissão para tentar restaurar o cinema, com apoio da sociedade e das autoridades, sem perder os traços arquitetônicos da época em que fora construído. Somente no final de 2007 o local foi finalmente reerguido, com apoio de doações e injeção financeira da Fundarpe.</p>
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		<title>Terra: magia do cinema e do planeta</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 19:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Com 90 minutos de duração, Terra, documentário com a grife Disneynature, tem pré-estreia nacional na próxima quarta-feira Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 20.abril.2009 Para os amantes da natureza e dos documentários do Discovery Channel, as imagens de Terra (Earth, EUA/Alemanha/Inglaterra, 2007) são quase entorpecentes. Dois anos depois de lançado no Reino Unido, chega ao Brasil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1503" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip02x" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip02x.jpg" alt="flip02x" width="317" height="554" /><em>Com 90 minutos de duração, Terra, documentário com a grife Disneynature, tem pré-estreia nacional na próxima quarta-feira</em></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
20.abril.2009</p>
<p>Para os amantes da natureza e dos documentários do Discovery Channel, as imagens de Terra (Earth, EUA/Alemanha/Inglaterra, 2007) são quase entorpecentes.</p>
<p>Dois anos depois de lançado no Reino Unido, chega ao Brasil o primeiro longa-metragem com a grife Disneynature, com a pré-estreia agendada para esta quarta-feira e estreia oficial na sexta.</p>
<p><span id="more-1502"></span>Terra é uma versão condensada do seriado Planeta Terra (Planet Earth), lançado em 2006 pelo Discovery Channel, com onze horas de duração e imagens inéditas. Ou seja, quem quiser ir além do longa-metragem pode procurar os DVDs ou recorrer à internet. Vale cada minuto, pois o original é bem superior ao documentário exibido agora.</p>
<p>Mas a experiência da tela grande do cinema é imbatível. E eis o maior trunfo de Terra. Se fosse exibido em três dimensões, levaria ao vício. Infelizmente, segundo os executivos da Disneynature &#8211; novo braço da Walt Disney para filmes ambientalistas &#8211; não há planos concretos para um eventual relançamento em 3D. Por enquanto, há apenas testes independentes para o IMAX, uma tecnologia ainda estranha a telas gigantes. O Brasil recebeu a primeira e única sala IMAX em janeiro deste ano e uma segunda sala deve ser aberta em Curitiba.</p>
<p>De todos as produções do gênero- e não são poucas-, nenhuma conseguiu captar, com tamanha precisão e definição, as imagens exibidas em Terra. O roteiro acompanha a saga dos animais para alimentar seus filhotes durante um ano inteiro, passando pelas quatro estações em um planeta cada vez mais quente, por causa das agressões ao meio ambiente. Apesar do tema, em Terra os ecochatos não têm vez. As mensagens positivas e o melodrama estão de fora. O destaque é mesmo o planeta e seu gigantismo natural.</p>
<p>Uma das perseguições filmadas, entre um lobo e um bezerro, parece montagem, tamanha a proximidade da cena sentida pelo espectador. É de perder o fôlego porque a cena segue por longos minutos.</p>
<p>Apesar de mostrar imagens belíssimas de vários animais, tudo é resumido para encaixar nos 90minutos de duração. Três famílias se tornam protagonistas: ursos, elefantes e baleias da espécie jubarte. Pela narração (dublada) de Antônio Moreno, ficamos sabendo como suas vidas estão interligadas e dependentes do clima.</p>
<p>A saga das três famílias é muito bem amarrada, mas são os coadjuvantes que vão lhe deixar com gostinho de quero mais. Os saltos para fora d&#8217;água do tubarão branco são impressionantes, quase aterrorizantes. Para evitar o horror e não espantar o público infantil, os diretores mostram o tubarão já com um golfinho (ou peixe parecido) na boca, com a cauda para o lado de fora, no ar. Não é mostrado o momento em que o tubarão abocanha sua presa, talvez para evitar o choque do público infantil.</p>
<p>Terra é um exemplo ilustre da magia do cinema e do planeta. Não à toa, tem sido promovido no Brasil como um filme pedagógico e, embora não da forma mais correta, de apelo infantil. À exceção dos filhotes de urso e dos pinguins (sempre eles!), não espere bichos fofinhos e carinhosos.</p>
<h2>Tecnologia militar durante as filmagens</h2>
<p>O orçamento do documentário Terra (na verdade, do seriado Planeta Terra) foi de US$ 40 milhões, valor inédito para um documentário. E tanto dinheiro permitiu que os diretores Alastair Fothergill e Mark Linfield pudessem usufruir de equipamentos jamais utilizados na indústria cinematográfica.</p>
<p>Cinco anos de filmagens, 70 produtores e mais de 200 locações. O resultado é uma coleção de imagens até então inéditas. E tudo foi possível por causa do uso, pela primeira vez, de tecnologia militar na produção e filmagem. Com lentes Canon 400mm acopladas a uma base giratória &#8211; a Cineflex Heligimbal -, foi possível captar imagens aéreas a quilômetros de distância, em alta definição, sem que os animais notassem a presença da equipe ou ouvisse o barulho do helicóptero.</p>
<p>Não é difícil perceber quando o recurso é utilizado e o resultado impressiona. Em entrevista por telefone ao Diario, o diretor Mark Linfield revelou que os recursos adotados nas filmagens só haviam sido usados anteriormente pelos militares. &#8220;Isso terminou gerando alguns problemas em determinados países&#8221;, admitiu Linfield.</p>
<p>O aparato militar também foi utilizado para filmagens aéreas do topo do Monte Everest, outro feito inédito. Ninguém conseguiu antes por causa da altitude, que impede o uso de helicópetros. Tentativas com câmeras acopladas a pequenos aviões não deram certo por causa da velocidade, rápida demais para as câmeras. A solução foi usar um avião-espião do Exército do Nepal &#8211; outro problema diplomático enfrentado pela equipe, pois ninguém havia tido permissão.</p>
<p>Segundo Linfield, filmar a caçada dos lobos no pólo ártico não seria possível sem os equipamentos de ponta. &#8220;De helicóptero, eles se assustam. No chão, é impossível por causa da velocidade. Filmamos a quilômetros de distância, foi uma experiência única acompanhar toda a caçada quadro por quadro&#8221;, explica.</p>
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		<title>Miles Davis // 50 anos de Kind of Blue</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 14:06:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Relíquia para os amantes do jazz e de Miles Davis chega ao país com oito meses de atraso Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 19.abril.2009 Não é de hoje que artistas se tornam ícones de uma geração ou de um estilo musical. Curioso é quando um simples álbum com somente cinco músicas, gravado em apenas duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Relíquia para os amantes do jazz e de Miles Davis chega ao país com oito meses de atraso</em></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
19.abril.2009</p>
<p>Não é de hoje que artistas se tornam ícones de uma geração ou de um estilo musical.</p>
<p>Curioso é quando um simples álbum com somente cinco músicas, gravado em apenas duas sessões, sem produção e sem pretensão de absolutamente nada, transcende o próprio artista e sua carreira. Assim é Kind of blue, o mais conhecido (e vendido) disco de Miles Davis. Com oito meses de atraso, finalmente chega ao Brasil a edição especial de 50 anos de lançamento. Uma relíquia para poucos.</p>
<p>Lançado em setembro do ano passado nos Estados Unidos, a caixa comemorativa é um verdadeiro luxo. Além de dois CDs com diferentes versões das cinco músicas originais &#8211; So what, Freddie Freeloader, Blue in green, All blues e Flamenco sketches &#8211; e gravações até hoje inéditas, a caixa traz um LP de 180 gramas (isso mesmo, disco de vinil), um pôster gigante, um DVD para colecionadores contendo cenas de making-off e a biografia de Miles, um livreto com textos escritos por especialistas e inúmeras fotos da segunda sessão de gravação do álbum histórico.</p>
<p><img class="size-full wp-image-1499 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip159" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip159.jpg" alt="flip159" width="285" height="483" /></p>
<p>Infelizmente, no Brasil, a Sony resolveu nivelar o mercado por baixo. A caixa nacional vem apenas com os dois CDs, o DVD e o livro com fotos. O preço sugerido pela gravadora é de R$ 79,90 e a caixa pode ser encontrada nas principais lojas, a partir de amanhã. Para os fãs e colecionadores, o site Submarino vende a caixa importada, com todos os extras, pela bagatela de R$ 550.</p>
<p>Entre amantes do jazz e pesquisadores, Kind of blue é uma unanimidade duplamente curiosa. Embora seja tratado como obra-prima, é o disco mais presenteado para quem não conhece ou nunca ouviu jazz. Serve como excelente introdução ao mundo de Miles Davis. Geralmente, quem escuta não demora para procurar outros artistas parecidos e ex-companheiros de banda de Miles Davis, como John Coltrane, Cannonball Adderley, Bill Evans e Paul Chambers.</p>
<p>Kind of blue também é um fenômeno inexplicável até mesmo para quem participou das gravações originais em 1959. Jimmy Cobb, 79, o último integrante ainda vivo, costuma dizer em entrevistas que o disco &#8220;parece ter sido gravado no céu, de tão bom e único&#8221;. Cobb deve vir ao Brasil em maio para tocar no Festival Bridgestone Music, em São Paulo. Embora tenha tocado com outros ícones como Dizzy Gillespie, Gil Evans e Billie Holiday, é a participação como baterista em Kind of blue que o fez (mais) famoso.</p>
<p>Não é para menos. São três milhões de cópias vendidas de Kind of blue somente nos Estados Unidos, mas o número contabiliza apenas as vendas de 1991 até hoje. Mais do que suficiente para transformar o álbum em recorde máximo para qualquer disco de jazz já produzido.</p>
<p>Nascido Miles Dewey Davis III, em Illinois, no dia 25 de maio de 1926, Miles Davis já foi chamado de muita coisa. De deus e alienígena, mas nunca de futurista. O parceiro Jimmy Cobb, em entrevista a um jornal paulista, foi direto ao ponto: &#8220;Se Miles pudesse saber que Kind of blue se tornaria tão famoso, teria exigido ao menos uma ou duas Ferraris como adiantamento para gravá-lo&#8221;.</p>
<p>Morto em 1991, Miles Davis sempre foi uma figura excêntrica e de poucas palavras. Sua personalidade quase folclórica é um motivo a mais para conferir os CDs com gravações inéditas da caixa comemorativa. Depois das cinco faixas originais, entram as versões alternativas e outras de ensaio, com rápidos diálogos entre a banda e recomeços, quando Miles acha que o ritmo está &#8220;rápido demais&#8221; ou &#8220;muito lento&#8221;.</p>
<p>Para quem pretende se iniciar em jazz, é o presente perfeito desde a primeira faixa, So what, reconhecida de longe por qualquer fã. Como bem escreveu Ashley Kahn em um livro exclusivo sobre o disco, é a música que &#8220;tem o poder de silenciar tudo&#8221;.</p>
<h2>Outras opções no mercado</h2>
<p>O pesquisador e baixista da Banda Ciné, Bruno Vitorino, é um dos insatisfeitos com o tratamento da Sony no Brasil. Além de atrasar em oito meses o lançamento, a gravadora retirou diversos extras da caixa original. Vitorino resolveu encomendar a caixa importada e não se arrepende. &#8220;As gravadoras não manifestam interesse em lançar seus títulos no mercado brasileiro. Elas não entendem que, apesar da cena jazzística nacional não ter tanta força, há um público fiel que compra regularmente discos de jazz. Para esse público, há toda uma concepção do disco como objeto de arte, para colecionar mesmo&#8221;, resume Vitorino.</p>
<p>O comportamento do mercado não é de agora. Nos anos 90, uma outra edição comemorativa de Kind of blue foi lançada nos Estados Unidos &#8211; um CD banhado a ouro &#8211; que sequer foi divulgado no Brasil. A caixa dos 50 anos foi prometida pela Sony para o final de janeiro deste ano, sendo adiada mês a mês. Chega agora em abril, sem divulgação prévia e sem informações adicionais sobre disponibilidade e logística.</p>
<p>Para quem deseja se iniciar em jazz e não quer gastar a pequena fortuna, há outras opções. A edição nacional de Kind of blue em CD, com as cinco faixas clássicas, pode ser encontrada por apenas R$ 12,90 na internet pelo Submarino. Em lojas, a faixa de preço é mais ou menos igual e a edição importada sai por R$ 70. Há apenas duas diferenças perceptíveis entre ambas. Além de acabamento melhor, o importado tem uma faixa extra: uma versão alternativa da última música, Flamenco sketches.</p>
<p>Na literatura, a dica fica para o livro Kind of blue: A história da obra-prima de Miles Davis, do produtor e jornalista americano Ashley Kahn. Ele defende a tese universal pela qual o álbum se tornou famoso: é simples e acessível a qualquer um, ao mesmo tempo em que é magistral para quem já conhece tudo de jazz.</p>
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		<title>Batalha entre vampiros e lobisomens</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 13:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 18.abril.2009 Uma sanguinária batalha milenar explode entre duas tribos poderosas e imortais. De um lado, vampiros. De outro, lobisomens. Eles não se bicam, claro, mas uma paixão entre representantes de cada lado pode mudar todo o destino da humanidade. Não é sinopse de desenho animado, mas é quase. Trata-se do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org"><img class="aligncenter size-full wp-image-1496" title="flip160" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip160.jpg" alt="flip160" width="314" height="128" /></a></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
18.abril.2009</p>
<p>Uma sanguinária batalha milenar explode entre duas tribos poderosas e imortais. De um lado, vampiros. De outro, lobisomens. Eles não se bicam, claro, mas uma paixão entre representantes de cada lado pode mudar todo o destino da humanidade. Não é sinopse de desenho animado, mas é quase. Trata-se do terceiro filme da franquia <em>Anjos da Noite</em> (Underworld), sempre com relativo sucesso de bilheteria nos Estados Unidos e no Brasil, sobretudo entre os mais jovens.</p>
<p><span id="more-1495"></span>Agora, <em>Anjos da Noite &#8211; A rebelião</em> (Underworld &#8211; Rise of the Lycans, EUA, 2009) chega ao Recife e se dá o luxo de contar com atores de peso como Bill Nighy e Michael Sheen, mas não conseguiu recuperar todo o elenco dos dois primeiros filmes. A protagonista Kate Beckinsale e seu tradicional uniforme preto de couro só aparecem em flashback, já que o roteiro se passa em uma época quando sua personagem ainda não havia nascido.</p>
<p>Depois do primeiro filme em 2003, o segundo (Evolution) veio em 2006 e agora em 2009 o mesmo diretor dos anteriores &#8211; Patrick Tatopoulos &#8211; quer mostrar como tudo começou. O espectador conhece a história dos Lycans (lobisomens) que já foram escravos dos vampiros e depois se rebelaram, dando início à série de batalhas sangrentas vistas nas aventuras anteriores.</p>
<p>A maior novidade do terceiro filme é a inclusão de outra beldade inglesa (sim, elas existem) além da Sra. Beckinsale. Rhona Mitra chega para interpretar a vampira guerreira Sonja e consegue roubar a cena dos veteranos. Não é para menos, já que a atriz tem investido pesado em filmes de ação. Fica a dica de outro filme onde Rhona Mitra realmente domina do início ao fim: <em>Juízo Final</em> (Doomsday, EUA, 2008) já disponível nas principais locadoras em DVD.</p>
<p>Histórias à parte, Anjos da noite atrai o público ávido por histórias de vampiros com muita ação e efeitos especiais, cada vez mais caprichados.</p>
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		<title>&#8220;Dúvida&#8221; expõe a pedofilia na igreja católica</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 18:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 17.abril.2009 Cinéfilos católicos, tremei. Antes que resolvam excomungar o diretor, os atores e quem for ao cinema, uma boa opção é a estreia de Dúvida (Doubt, EUA, 2008) com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman. Streep está brilhante no papel da freira conservadora que, aos poucos, começa a desconfiar do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
17.abril.2009</p>
<p>Cinéfilos católicos, tremei. Antes que resolvam excomungar o diretor, os atores e quem for ao cinema, uma boa opção é a estreia de Dúvida (Doubt, EUA, 2008) com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman. Streep está brilhante no papel da freira conservadora que, aos poucos, começa a desconfiar do padre Flynn. A dúvida começa a se transformar na estranha certeza de que o padre está seduzindo um garoto negro de 12 anos, embora as evidências não sejam claras e nem compartilhadas por outras freiras.</p>
<p><span id="more-1489"></span>Dúvida é realmente uma incógnita para dividir opiniões dos espectadores. Pouco objetivo, o filme se concentra na narrativa e na personalidade dos personagens principais, sem tomar posição. Fato é que a produção agradou a crítica internacional, talvez por causa da polêmica religiosa e pelo suspense bem conduzido pelo diretor John Patrick Shanley, também responsável pelo roteiro e por adaptar a peça de teatro para o cinema.</p>
<p>Como entretenimento, Dúvida está longede ser um filme atraente. É interessante notar, contudo, o contexto de que tudo se passa em 1964, apenas quatro anos antes da morte de Martin Luther King. Não há referência alguma no filme, mas o garoto da &#8220;dúvida&#8221; é o único negro do colégio católico, quando os Estados Unidos ainda enfrentavam um longo processo de segregação racial. Neste ponto, recai sobre a boa atuação de Hoffman e Streep as nuanças da sociedade da época e a luta do conservadorismo social e católico contra algumas posições mais liberais na igreja.</p>
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		<title>Lília Cabral novamente no Divã</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2009/04/lilia-cabral-diva/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Apr 2009 18:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Atriz recria a personagem Mercedes, sucesso absoluto no teatro, no filme que chega amanhã aos cinemas de todo o país Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 16.abril.2009 Para divulgar Divã (Brasil, 2009), cuja estreia ocorre amanhã em todo o país, a atriz Lília Cabral enfrentou uma verdadeira batalha de holofotes. De cartazes a material promocional, além [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-1493 alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip158" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip158.jpg" alt="flip158" width="282" height="417" /><em>Atriz recria a personagem Mercedes, sucesso absoluto no teatro, no filme que chega amanhã aos cinemas de todo o país</em></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
16.abril.2009</p>
<p>Para divulgar Divã (Brasil, 2009), cuja estreia ocorre amanhã em todo o país, a atriz Lília Cabral enfrentou uma verdadeira batalha de holofotes. De cartazes a material promocional, além de várias entrevistas na imprensa, ela está em todas, sempre disposta a defender este novo filme dirigido por José Alvarenga Jr. Ao menos em termos artísticos, a superexposição de Lília é até merecida. Além de protagonista do filme, é ela quem consegue segurar sozinha mais um produto milimetricamente moldado para ser uma espécie de novela na tela grande &#8211; com direito a Reynaldo Gianecchini no papel de sempre, galã quase mudo.</p>
<p><span id="more-1487"></span>O diferencial de Divã é o texto. E não poderia ser diferente, já que se trata de uma peça de teatro vista por mais de 175 mil pessoas, em 150 apresentações. A adaptação do romance homônimo de Martha Medeiros é um sucesso no teatro e a aposta da Globo Filmes é repetir a dose no cinema. A repetição é levada quase ao extremo, pois Lília Cabral também faz a personagem no teatro e o diretor das duas versões é o mesmo, José Alveranga Jr. No cinema, o roteiro é de Marcelo Saback.</p>
<p>À exceção de diferenças pontuais entre as duas linguagens (teatro e cinema), não há novidades no humor e no realismo cotidiano de classe média no roteiro de Divã. E termina sendo algo vantajoso, ao resultar em filme enxuto e objetivo sobre Mercedes, uma mulher de 40 anos (na vida real, Lília tem 51) que se considera feliz e sem problemas, mas que começa a repensar a vida quando decide procurar um psicanalista, sem motivo aparente. A partir de então, o humor se alterna entre a seriedade, sem cair na pieguice dramática, e o velho hábito de empurrar mensagens positivas como se fosse uma obrigação natural do filme feito para as massas.</p>
<p>De passagem pelo Recife há duas semanas para divulgar o filme, Lília Cabral não poupou elogios à sinergia entre a equipe e o diretor, até por causa da experiência adquirida com o teatro. &#8220;Mesmo nas improvisações, tudo deu certo. Em várias cenas difíceis, não precisamos refilmar, foi tudo de uma vez&#8221;, explicou, aliviada. O entrosamento com o resto da equipe de globais e colegas de novela &#8211; José Mayer, Cauã Reymond e Paulo Gustavo &#8211; também foi outro destaque mencionado por Lília na entrevista.</p>
<p>Ainda é uma incógnita quanto tempo Divã vai durar nas salas de cinema do Recife. Se depender dos exemplos recentes da Globo Filmes, sobretudo o fenômeno de bilheteria Se eu fosse você 2, tudo indica que o caminho já está devidamente trilhado para várias semanas adiante.</p>
<p>Voltando ao cineasta, Alvarenga já dirigiu sucessos da TV como Os normais, A diarista, Os amadores, Os aspones, Minha nada mole vida&#8230;, além de já ter dirigido Zoando na TV (com Angélica) e diversos filmes dos Trapalhões, como Os heróis Trapalhões, O casamento dos Trapalhões, A Princesa Xuxa e os Trapalhões, O mistério de Robin Hood etc.</p>
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		<title>Longa estrada para a interiorização da cultura</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2009/04/estrada-interiorizacao-cultura/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 14:51:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[interior]]></category>
		<category><![CDATA[política cultural]]></category>
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		<description><![CDATA[Gestão pública // Equipes da Fundarpe têm percorrido o Estado em mais uma tentativa de ampliar a política cultural Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 13.abril.2009 Parece um túnel do tempo. Você fecha os olhos e escuta técnicos do governo e representantes de grupos e associações culturais debatendo as dificuldades de comunicação, de captação de recursos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="size-full wp-image-1483 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip156" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip156.jpg" alt="flip156" width="286" height="498" />Gestão pública // Equipes da Fundarpe têm percorrido o Estado em mais uma tentativa de ampliar a política cultural</em></p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco<br />
13.abril.2009</p>
<p>Parece um túnel do tempo. Você fecha os olhos e escuta técnicos do governo e representantes de grupos e associações culturais debatendo as dificuldades de comunicação, de captação de recursos, de organização e sobre a burocracia inerente às gestões públicas.</p>
<p>As reuniões levam horas, em lugares e cidades diferentes. Terminam com um sem número de propostas e promessas. O tempo passa, você abre os olhos e vê que os técnicos mudaram, a cidade é outra, mas as discussões, os argumentos e as promessas parecem idênticas &#8211; embora a roupagem e os termos sejam diferentes.</p>
<p><span id="more-1482"></span>Equipes da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), órgão vinculado ao governo estadual, tem percorrido todo o Estado em (mais) uma tentativa de reverter os recorrentes problemas de diálogo e proporcionar uma política cultural mais ampla. Uma política pela qual grupos fora dos grandes eixos urbanos possam ter acesso mais simples ao governo e, sobretudo, participar de editais e apresentar projetos sem intermediários.</p>
<p>O encontro mais recente ocorreu em Goiana (63 km do Recife) nesta primeira semana de abril, durante o encerramento da primeira etapa do Festival Pernambuco Nação Cultural. O festival é uma das &#8220;novidades&#8221; da atual gestão e inclui oficinas de capacitação, reuniões e os sempre necessários shows em praça pública.</p>
<p>Representantes de pelo menos dez pontos de cultura da Zona da Mata Norte se reuniram com técnicos do Programa Mais Cultura para elaborar novas estratégias e discutir procedimentos. A próxima cidade a receber o festival será São José do Belmonte (a 479 km do Recife), Sertão Central, entre 25 e 31 de maio. Até o final do ano, a promessa da Fundarpe é realizar o evento em todas as doze regiões de desenvolvimento.</p>
<p>A Fundarpe segue as diretrizes do Ministério da Cultura (Minc) em garantir a ampliação dos chamados Pontos de Cultura. É um processo a envolver, além de discussão e capacitação, a abertura de um &#8220;novo&#8221; canal de comunicação entre as partes, onde a internet é peça fundamental. E também curiosa, diante da também recorrente exclusão digital no interior. Apesar de ser uma variável que transcende a capacidade da Fundarpe, serve para comprovar, ainda mais, a urgência das chamadas políticas públicas integradas &#8211; um chavão bastante propagado, porém pouco aplicado.</p>
<p>A direção da Fundarpe garante ter percorrido 4.500 km em 2008. Foram 90 cidades visitadas e com grupos capacitados a participar do edital para criação de 120 novos pontos de cultura nas 12 regiões. Antes do edital, eram apenas 36 pontos. Em valores, são R$ 9,5 milhões para a seleção dos novos pontos e os selecionados recebem um aporte de até R$ 180 mil em três parcelas anuais para a execução das ações estabelecidas pelo convênio. Na prática, o valor anual para cada ponto é bem mais modesto. Depende do método como cada proponente elabora projetos detalhando necessidades, custos, atividades, fins pedagógicos e outras exigências.</p>
<p>Via de regra, os pontos de cultura devem desempenhar um papel articulador entre as ações das comunidades que representam e o estado. Uma espécie de referência para outras entidades e grupos, inclusive pelo caráter sem fins lucrativos e com atuação autônoma. São formados por pessoas com diferentes empregos, expectativas e, claro, interesses diversos. No jargão da área, &#8220;protagonistas sociais&#8221;.</p>
<p>As áreas de atuação são bem flexíveis e passam por audiovisual, radiodifusão, gestão e formação, expressões e manifestações, cultura digital etc. A cada conquista &#8211; edital contemplado, projeto aprovado ou o simples reconhecimento &#8211; surgem problemas que tantos outros já enfrentaram. Entre eles, a burocracia (e atraso) na liberação dos recursos e a não-continuidade das ações, seja por mudanças de prioridades ou troca de governo.</p>
<p>As propostas da Fundarpe perseguem um conceito bem mais amplo, historicamente complexo e dotado de forte resistência: a consolidação de ações a longo prazo independentes da boa vontade de autoridades ou de eventuais interesses particulares de pequenos grupos. A criação de novos pontos de cultura e suas subsequentes consolidações formam apenas o primeiro passo de uma longa estrada de mudanças.</p>
<p>E as curvas estão em vários níveis de governo. Na Prefeitura do Recife, apesar das dificuldades e derrapadas aparentes, há o recente Plano Municipal da Cultura (saiba mais detalhes no Diario de 5 de abril) e, no governo federal, a revisão da Lei Rouanet (Diario de 7 de abril). Se a busca por ações a longo prazo, integradas e descentralizadas, irá finalmente engrenar, só o tempo haverá de mostrar. Hoje, fica a esperança de que não seja o mesmo túnel do primeiro parágrafo desta reportagem.</p>
<h2>Ponto de cultura, um reconhecimento político?</h2>
<p><img class="size-full wp-image-1484 alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip157" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/04/flip157.jpg" alt="flip157" width="216" height="547" />Por uma série de fatores nem sempre fáceis de averiguar, muitas vezes o aporte financeiro do estado é a única saída para associações e pontos de cultura no interior. Francisco Irineu, o Zinho, é fundador do Grupo Aláfia em Goiana e propõe um debate que vá além da simples busca financeira. &#8220;É claro que sem dinheiro ninguém faz nada, mas entendo o ponto de cultura muito mais como um reconhecimento político, antes mesmo da ajuda financeira&#8221;, explica Zinho.</p>
<p>Fundado há cinco anos para promover a cultura negra e popular, somente agora o Aláfia foi classificado como ponto de cultura, após participar e ser contemplado no edital lançado ano passado pela Fundarpe. O Aláfia, contudo, é exceção. Relativamente bem estruturado, há cinco anos promove atividades e apresentações todo segundo domingo do mês em Goiana. &#8220;O pessoal [da Fundarpe] parece comprometido e estamos confiantes no diálogo, mas a dificuldade de comunicação com o estado sempre foi um problema e não é de agora&#8221;, admite Zinho, após a reunião entre técnicos daFundarpe e representantes de dez pontos de cultura da Mata Norte.</p>
<p>A fim de tentar quebrar o ceticismo, a Fundarpe aposta, principalmente, em duas frentes com resultados esperados a médio prazo: maior engajamento das equipes no interior e mais colaboração participativa entre pontos de cultura, gestores e a sociedade.</p>
<p>Na primeira frente, o coordenador de gestão do Programa Mais Cultura, Mauro Lira, garantiu em Goiana que o canal está aberto e o diálogo irá acontecer. &#8220;Criamos uma equipe própria de acompanhamento e coordenação para atender as demandas de vocês. Façam os projetos, nos procurem, nos telefonem, insistam&#8221;, explicou aos presentes na reunião em Goiana, pouco antes do encerramento do Festival Nação Cultural.</p>
<p>Apesar do modismo no termo &#8220;colaborativo&#8221;, o site do Pernambuco Nação Cultural (www.nacaocultural.pe.gov.br) quer funcionar como base para os pontos de cultura e a sociedade. Mediante um cadastro simples, é possível enviar produções artísticas próprias sem intermediários: músicas, fotografias, imagens, textos. Ainda embrionário, o site é abastecido pelos colaboradores e por uma equipe da própria Fundarpe. Duas incógnitas ainda persistem: a efetiva capacidade de divulgação (e uso) entre os pontos de cultura no interior; e a continuidade do projeto em anos vindouros.</p>
<p>Se de um lado há questões abertas, de outro há forte otimismo na capacitação de futuros gestores e na descoberta de novos talentos. Responsável pelo setor de Literatura na Fundarpe, o jornalista Samarone Lima precisou de apenas dois dias, em Goiana, para abrir um novo leque de oportunidades para quem frequentou sua oficina. Ele revela que muita gente envolvida com cultura, no interior, não imagina como possa captar dinheiro público por meio dos editais. &#8220;Mostramos que não é difícil, qualquer um pode concorrer e o dinheiro sai. Demos dicas para fazer projetos, soluções&#8221;, explica.</p>
<p>Uma das soluções &#8211; a curto prazo &#8211; é a possibilidade de ter uma nova fonte de renda a partir do aprendizado imediato. Pela primeira vez participando das oficinas daFundarpe, Pedro Ramos ministrou o curso de adereços e fantasias para um grupo de pessoas em Goiana. &#8220;O que eles aprenderam e fizeram aqui é deles, podem começar a comercializar seus próprios trabalhos&#8221;, explica, enquanto os alunos terminam de montar um apresentação de caboclinhos com os adereços confeccionados.</p>
<p>Há três décadas envolvido com cinema de animação, Lula Gonzaga pretende ir além das promessas governamentais. Em sua oficina de cineclubismo, ele detalha o plano de coletar os melhores trabalhos no interior para, daqui a dois anos, fazer um longa-metragem de animação genuinamente colaborativo. &#8220;Em cada oficina, sempre há dois ou três que se destacam, correm atrás, mesmo quando a gente vai embora&#8221;, explica, enquanto separa os melhores desenhos da semana para retornar ao seu estúdio em Igarassu. &#8220;Hoje tenho gente qualificada, trabalhando comigo, que surgiu a partir de oficinas no bairro de Santo Amaro, por exemplo&#8221;, comprova Gonzaga.</p>
<h2>Expectativas renovadas no interior</h2>
<p>Técnicos e a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, comemoram a ampliação da política cultural no interior de Pernambuco. Seja pelos novos pontos de cultura ou em projetos aprovados pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). A conquista, embora real, ainda é tímida se comparada aos números da capital.</p>
<p>Em todo o Estado, foram 1189 projetos apresentados à Fundarpe em 2008 &#8211; a lista dos aprovados saiu em dezembro. São exposições fotográficas, peças teatrais, livros, filmagens, capacitação etc. Das 1189, foram 230 contemplados que podem resultar em mais de 400 ações ao custo total de R$ 12 milhões.</p>
<p>As estatísticas oficiais, divulgadas pela Fundarpe, mostram como é aguda a defasagem no interior. De 411 ações previstas pelos projetos aprovados, 239 são destinadas às cidades da Região Metropolitana do Recife, a maioria na capital. O Sertão será contemplado com 40 ações, enquanto o Agreste com 70.</p>
<p>De todo modo, a conta é vista com bons olhos pela atual presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo. &#8220;Agente reconhece que ainda é pouco, mas este ano tivemos 40% dos projetos (analisados) vindos do interior, um recorde&#8221;, garantiu Azevedo, em dezembro, ao comentar sobre as propostas de interiorização cultural.</p>
<p>Os 230 projetos selecionados estão distribuídos entre 185 produtores que apresentaram propostas. Destes, 116 (62,7%) são novatos, recém-cadastrados na base de dados da Fundarpe. Cleonice Maria, uma das produtoras novatas, reforça a idéia de que no interior o problema é maior do que a simples burocracia administrativa. &#8220;Há falta de informação mesmo, por aqui tudo demora a chegar e nem sempre as pessoas estão interessadas em ir atrás de oportunidades&#8221;, explica, confiante de que o cenário em curso está mudando para melhor.</p>
<p>Cleonice é uma das responsáveis pelo Cabras de Lampião. Além de ser uma exceção à regra, o grupo foi o único a ter quatro projetos aprovados ao mesmo tempo &#8211; e uma das provas de que a interiorização, embora difícil por natureza, possa render frutos culturalmente (e financeiramente) viáveis.</p>
<p>Agora transformado em fundação cultural e com recursos do Banco do Nordeste (Programa BNB de Cultura 2009), o Cabras de Lampião, a partir do próximo mês de maio o grupo parte para mais um ousado projeto: levar trupe de artistas para promover cultura e arte em comunidades minúsculas, desconhecidas da mídia e da população metropolitana. Os distritos de Varzinha, Bernardo Vieira, Caiçarinha da Penha, São João do Barro Vermelho, Água Branca, Santa Rita, Logradouro e Fazenda Saco vão receber oficinas de dança, teatro, artesanato e filmes na programação que segue até agosto.</p>
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