crônicas, artigos e reportagens .:. 1997-2010
2 Out
Se o e-mail é realmente importante para você, veja algumas alternativas para personalizar e manter seguro seu endereço principal, aquele que você não coloca em formulários na internet e nem usa em listas de discussão.
Paulo Rebêlo
Webinsider – 02.out.2009
Está na moda dizer que e-mail virou coisa de tiozinho. Em tempos de Twitter, Facebook e Gtalk, é no mínimo curioso como o planeta inteiro entra em pânico quando o Gmail sai do ar.
Se o e-mail ainda é tão importante para as pessoas, por que elas preferem depender quase exclusivamente de um serviço gratuito? Muita gente garante que é porque o Gmail ainda é a melhor opção disponível.
Talvez seja, mas é bom ter opções. Sobretudo porque em geral só temos como referência comparativa o e-mail do provedor de acesso. Vejamos abaixo algumas alternativas para quem deseja personalizar um endereço realmente importante, daqueles que você não coloca em formulários na internet e nem usa em listas de discussão.
Para os novatos, uma dica rápida: POP3 é o serviço que permite baixar as mensagens para seu computador, via Outlook, Thunderbird e outros. IMAP é o protocolo que faz sincronia entre seu computador e o servidor, ou seja, ele não baixa as mensagens, você as lê em sincronia com o servidor e, se não apagar, elas continuam lá. É um protocolo mais avançado e (um pouco) mais seguro.
O Pobox é o mais antigo do ramo. E a exemplo do Gmail, tem acertos e erros. Desde 1995 eles oferecem um endereço personalizado com dezenas de opções após a arroba, sendo o @pobox.com o mais popular e com aparência mais profissional.
Somos usuários desde 1996, sempre em contas pagas, com dois intervalos de cancelamento até hoje. Antigamente havia a opção gratuita, com apenas redirecionamento de mensagens, mas hoje só há planos pagos.
Para uso contínuo, só vale a pena contratar o serviço premium, chamado de Mailstore, onde você tem acesso a POP3, IMAP, múltiplas contas e outras firulas. Custa US$ 50 por ano e tem 10 GB de espaço. É barato se você considerar um e-mail profissional como sendo realmente importante e caso não queira depender de provedor ou do Gmail.
Com US$ 20 por ano, o serviço básico funciona apenas como redirecionamento. Todo e-mail para fulano@pobox.com vai parar em outra conta (ou várias) a sua escolha. Também extremamente útil e funcional, pois você pode mudar de provedor ou de conta sem perder o seu @pobox.
Os planos mais baratos não dão acesso POP3 ou IMAP para você ler no Outlook ou Thunderbird. As limitações são chatas e é um pouco inaceitável que o webmail seja tão atrasado tecnicamente, quase espartano. Por outro lado, para uso offline, é melhor do que o Gmail usando IMAP e SMTP.
Quer testar? Vale a pena se inscrever. Os primeiros 30 dias são grátis e você não precisa se comprometer em nada, não precisa passar cartão de crédito. Só um formulário muito simples. Não gostou? A conta é cancelada automaticamente depois dos 30 dias, sem burocracias.
Tem gente que não larga o Yahoo por nada neste mundo. E, de certo modo, com razão. Ainda hoje, há pequenos detalhes no e-mail do Yahoo que você não encontra na concorrência. Eu citaria o gerenciamento de anexos e imagens.
O Yahoo Mail sempre me pareceu um pouco mais lento do que os demais, mas nada gritante. O serviço pago custa US$ 20 por ano e é voltado a quem realmente não quer largar o endereço yahoo, porque a oferta de recursos é baixa. Não tem IMAP, apenas POP3 para baixar as mensagens num Outlook da vida.
Os filtros saem dos tradicionais 100 para 200, mas quase ninguém usa sequer 10% disso. Se você ama o Yahoo ou não quer trocar de endereço de jeito nenhum, pagar dois dólares por mês para ter acesso POP3 não é exatamente um negócio ruim.
O Hotmail, apesar da antipatia generalizada e da interface deveras poluída, melhorou muito. Se antes era horrível acessar sua conta em outro navegador que não o Internet Explorer, hoje até o Google Chrome consegue gerenciar tudo perfeitamente. E embora poucos reconheçam, o Hotmail atual é mais rápido e oferece aquela já conhecida integração total com os aplicativos online da Microsoft. Bom para quem usa aqueles bagulhos Windows Live.
Quando foi lançado, o Mandic:mail ganhou ares de serviço “premium”, para quem queria exclusividade. Ainda hoje mantém a aura exclusivista, embora minha impressão bem particular é que o serviço perdeu-se um pouco no tempo para usuários finais.
Hoje cada conta oferece tantos recursos (que quase ninguém se interessa de verdade) que o próprio site passa a impressão de que os clientes corporativos é quem sustentam a empreitada. Por outro lado, quantas pessoas você conhece que lhe mandam mensagem com a extensão @mandic.com.br?
Noves fora o paradoxo, o Mandic:mail ainda parece ser o mais avançado em recursos técnicos para quem leva o e-mail a sério demais. O plano mais simples custa R$ 60 por ano. O mais avançado (mandic:4ever) custa R$ 464 por ano, comprovando que não é algo direcionado a usuários finais.
Verdade seja dita, para os ultra-dependentes de e-mail há recursos bem interessantes que talvez você não encontre em outro lugar. Entre eles, o “e-mail registrado” funciona como uma carta registrada enviada pelos Correios. Tem o mesmo valor legal, mas é pago fora do seu plano e custa R$ 4,00 por cada mensagem. Se fosse mais barato, teria mais uso.
Outro recurso interessante é a auto-destruição de mensagens depois de lidas, as quais não podem ser impressas, encaminhadas e nem permitem print screen. Não testamos nenhum dos dois, porque durante nosso tempo de teste do Mandic:mail os recursos ainda não existiam.
E aqui vem outro paradoxo. Ao mesmo tempo em que se volta ao usuário corporativo ou ultra-dependente do e-mail, sempre me pareceu desconfortável demais ter um endereço @mandic.com.br. Primeiro por fazer propaganda gratuita da Mandic (enquanto a gente paga pelo serviço) ou simplesmente por não gostar de usar o sobrenome do dono da empresa na minha conta que, teoricamente, deveria ser a conta principal de e-mail.
Fica ao gosto do freguês.
Nos anos 90, o GMX foi um dos melhores, se não o melhor, serviço gratuito de e-mail. É da Alemanha, mas com os anos foi caindo, caindo, caiu. Antes havia interface em inglês, hoje há apenas em alemão. Perdeu-se no tempo, é lento e muito suscetível a spam. Usamos durante tantos anos que, ainda hoje, vez por outra vejo jurássicas matérias minhas assinadas com meurebelo@gmx.net circulando por aí.
A exemplo do Gmx, o Bigfoot também já foi um dos melhores. Ainda existe, ninguém sabe como. Basicamente, tornou-se um serviço de redirecionamento e webmail, embora ofereça POP3 e IMAP para contas externas. O plano mais caro (US$ 49.95/ano) libera somente 2 GB de espaço no webmail. O mais barato sai por US$ 9.95/ano.
O Runbox é igualmente de uma época que não existe mais. Manteve-se, sabe-se lá como, oferencendo seus serviços por US$ 49.95/ano e 10 GB de espaço. De diferente, tem recursos e vantagens abundantes.
O Fastmail talvez seja o único serviço de e-mail que ainda não testamos em nossa longa jornada de dependência do e-mail.
Tem sido bastante elogiado e oferece serviços para usuários finais e empresas, com um diferencial interessante: ainda há a opção gratuita para uma conta simples, de apenas 10 MB e, voilá, com acesso a IMAP e integração com o Hotmail se quiser. Creio ser o único gratuito com IMAP.
O plano mais caro sai por US$ 34.95/ano, 6 GB de espaço e vários recursos. Se você conhece o Fastmail e é usuário, relate suas experiências abaixo, no espaço para os comentários. Estamos curiosos.
Se as pessoas soubessem como o e-mail da empresa é inseguro – e provavelmente lido ao bel-prazer de pelo menos um gerente ou administrador de rede – a discussão sobre privacidade corporativa nem precisaria existir. Porque os próprios funcionários deixariam de usar a conta para enviar mensagens pessoais. Para saber mais sobre isso, leia esta reportagem.
Outro dia, pelo Twitter (!), uma colega reclamava de que o administrador de rede mandou zerar a caixa postal dela porque havia ultrapassado o limite máximo permitido pela empresa. Sem entrar no mérito da ignorância técnica de ambas as partes, fica a lição para quem realmente dá importância ao e-mail: é preciso guardá-los de alguma forma.
Se o suporte técnico de sua empresa não faz o dever de casa em lhe mostrar o caminho, é preciso trilhar por conta própria. Se a sua empresa só permite acesso pelo webmail, peça ajuda para reenviar todas as mensagens para uma conta pessoal sua. Isso pode ser feito com apenas um clique. Se você tem acesso ao Outlook, exporte as mensagens ou copie a pasta onde estão guardadas para um pendrive ou um CD.
Até meados desta década, eu guardava dois CDs com todos meus e-mails enviados. Coisa de 1 GB de e-mail (nada de HTML) em quinze anos de internet. Depois joguei tudo no lixo, mas aí é outra história.
Se você tem domínio próprio e hospeda em alguma empresa que não libera totalmente os recursos de e-mail, ou seja, contas com espaço ilimitado, acesso a IMAP/POP3/SMTP/Webmail, você está jogando dinheiro fora.
Logo, seja usuário final ou corporativo, não há comparação em ter umfulano@seunome.com.brou @suaempresa.com.br se você tem flexibilidade de usar IMAP e acessar suas mensagens em qualquer lugar e em sincronia com múltiplos clientes de e-mail, via webmail ou via pendrive.
A maior e inigualável vantagem do domínio próprio é a suposta eternidade da conta, desde que você continue pagando pelo domínio.
Se a empresa de hospedagem (hosting) é ruim, migre para a outra e assim sucessivamente, mas seu endereço não vai mudar. E com os serviços de redirecionamento, você pode continuar usando seu Gmail, por exemplo, caso seja fã do Google. Basta configurar que @suaempresa.com.br redirecione para sua conta do Gmail ou vice-versa.
Só não esqueça de sempre renovar seu domínio próprio. Uma vez perdido o domínio, recuperá-lo torna-se quase impossível. Aconteceu comigo. Um outro jurássico e-mail rebelo@pluralweb.com ainda pode ser encontrado na assinatura de várias matérias pelo Google e até mesmo aqui nos primórdios do Webinsider. Perdi e não recuperei.
Quem quiser comentar ou sugerir outros serviços de e-mail não citados nesta reportagem, favor usar o espaço de comentários para relatar a experiência de vocês. Não dêem bola para a geração Twitter, o mundo é dos tiozinhos e vida longa aos longos e-mails. [Webinsider]
18 Set
A segunda melhor coisa que fiz na vida foi abandonar o telefone fixo, há cerca de cinco anos. A primeira foi me livrar de vez da televisão em casa, bem antes.
Jogar o aparelho de telefone pela janela foi um ato que me livrou não exatamente da operadora, mas da pilantragem que todas as telefônicas fazem com milhões de pessoas no país: repassar números antigos como se fossem novos.
Não existe monge budista que mantenha a serenidade quando, às 7h da manhã de um sábado, alguém liga perguntando se é do consultório do Dr. Fulano. Seguidas vezes. Todos os sábados. E não acredita que nunca houve um Dr. Fulano com este número.
O problema é que houve um Dr. Fulano.
E além de consultório médico, também foi o número de umas três famílias diferentes, uma veterinária e um centro comercial. Eu tinha aquela linha há quinze anos e tudo corria bem, até que resolvi me mudar para umas cinco quadras adiante e a operadora trocou meu número. Garantiram nunca ter sido usado.
É claro que fora uma mentira, como tantas outras que a gente escuta todos os dias do atendimento ao consumidor. Mas como você vai provar? Gravando as ligações erradas? Qualquer pessoa pode digitar o número errado, sem querer. Mesmo que seja 300 vezes na mesma semana.
E quando você vê uma pessoa segurando um cartão de visita, com o nome do Dr. Fulano e o seu telefone? Seu ou dele? Sobram duas opções: ou você entra numa briga judicial com a operadora sabendo que vai perder a causa e ganhar dois centímetros extras de calvície; ou joga o aparelho pela janela e adeus telefone fixo.
Optei pela segunda opção e não me arrependo.
Meses atrás, me mudei de cidade. Mais uma vez. Fui muito bem tratado pela operadora (óbvio, sangue novo na praça…) mas, mesmo assim, me obrigaram a contratar um plano de telefonia fixa para voz (que eu nunca usei até hoje e nem vou usar) para poder usar a internet ADSL.
Todo mês, são R$ 55 jogados na cesta do lixo. Ou melhor, na cesta de lucros sem contrapartidas. Tive apenas duas semanas até alguém me acordar às 7h da manhã: mas esse número não é da dona fulaninha?
Não esperei sequer a segunda ligação, peguei a tesoura e cortei o fio da parede na mesma hora. Desta vez me arrependi depois, confesso, porque esqueci que um dos fios era da internet. Por sorte, a fiação é barata, comprei outro fio na esquina e agora ele está ali, desplugado, não toca nunca mais. Adeus.
A mim e a tantos outros, o telefone fixo não faz falta. Mas somos exceções. Faz falta para milhares de profissionais liberais que precisam contratar novos planos de telefonia fixa.
Ainda lembro do dia quando entrei na loja de informática para comprar aquele aparelho da Siemens, sem fio, 900MHz, bina embutido, agenda e outras funções bacanas. Custou uma nota preta, afinal, era necessário. Na época.
No Brasil, boa parte da Classe A e B usa cada vez menos o telefone fixo. A parcela aumenta nos grupos de profissionais que passam várias horas ao dia (quando não, o dia inteiro) conectado. É só celular e internet.
Nos Estados Unidos, ocorre um fenômeno similar, porém pelos motivos opostos. As classes C e D estão abandonando o telefone fixo para cortar custos, não pela comodidade ou falta de necessidade do serviço.
Um em cada quatro domicílios americanos já abandonou o telefone fixo, segundo um relato recente publicado pela The Economist. A revista calcula para o ano de 2025 o tempo de vida da última linha de telefone fixo.
Se você perguntar a um executivo do setor, ele dirá que o reflexo dessa situação é muito mais econômico do que cultural. Porque trata-se de um prejuízo certo para as operadoras, as quais até agora não mostraram ao mercado um plano a longo prazo de compensação financeira das perdas.
Acontece que as perdas só existem no discurso para o mercado, não na prática. As operadoras não trabalham no mesmo ritmo da indústria fonográfica, por exemplo, que está sempre dois passos atrás. Nos EUA, a exemplo de outros países desenvolvidos, simplesmente não há sentido ter um plano de banda larga e um telefone fixo, porque a qualidade da ligação via internet é igual.
Há muitos anos, você usa o seu aparelho de telefone fixo mas está usando, na verdade, é VoIP sem saber. Principalmente nas ligações internacionais, as interconexões entre operadoras e domicílios é feita quase que 100% usando tecnologia digital a custo zero. E você continua pagando por “pulso telefônico excedente” e planos de minutos, quando na ponta do lápis o custo é zero para 100 ou 1000 minutos de uma pessoa fofocando ao telefone.
A deslealdade com o consumidor é a mesma com que faz tantos números fantasmas serem repassados para clientes novos. Não é ilegal. É uma oportunidade aberta e escancarada pela simples falta de controle e regulação.
O resto é linha cruzada para boi dormir. [Webinsider]
17 Set
Paulo Rebêlo
Webinsider, 17.set.2009 | link original
Com planos de telefonia e internet banda larga, a GVT pode se tornar a primeira e única concorrente da Oi-Telemar na região Nordeste para internet ADSL. Isso depois de 11 anos da privatização da Telebrás, quando o objetivo declarado fora ampliar o leque de ofertas a partir da concorrência direta entre empresas e, assim, baixar o custo para consumidor.
O tempo passou, a concorrência nunca chegou e até hoje persiste a máfia com os serviços de banda larga no Brasil. Com acesso irrestrito ao sistema, funcionários ou pessoas muito bem relacionadas anunciam, por baixo dos panos, planos de conexão super rápidos para quem se arrisca a pagar “unzinho por fora”.
E o mais interessante: em qualquer cidade e independente da tal “viabilidade técnica” que as atendentes da Oi-Telemar repetidamente anunciam. Além de blogs e fóruns, há até mesmo domínios próprios (exemplos aqui e aqui) pelos quais a mutreta é oferecida, dando a entender que seja algo juridicamente legal e com respaldo da empresa.
Um dos exemplos ensina que o upgrade ocorre “através de uma equipe monitorada e supervisionada dentro da Velox, aumentando sua velocidade da sua internet diretamente no sistema Velox” … e em outro exemplo, o mutreteiro deixa claro que “o aumento da velocidade do Velox é possível porque trabalho dentro da “Oi Velox”, portanto o aumento é feito diretamente no sistema Velox, e tenho apoio de um supervisor para fazê-lo”. (sic)
As ofertas são das mais variadas e também estão em fóruns de discussão (alguns muito conhecidos), em blogs e sites caseiros.
No Nordeste, por exemplo, até hoje a Oi-Telemar só oferecia conexão de 1 MB, ao menos até o anúncio das novas velocidades agora em setembro. Com a maracutaia, você não depende da boa vontade da empresa, apenas paga uma taxa única para essas pessoas e elas, milagrosamente, aumentam sua velocidade para 4MB, 8MB ou até mais. Viabilidade técnica? Que nada.
A garantia do serviço é flexível. Alguns garantem um ano de validade, outros não garantem nada. Vimos de perto várias dessas conexões funcionando, no Rio e no Nordeste, algumas por até três anos seguidos e com velocidades bem superiores ao limite contratado do plano. Funciona que é uma beleza e é um negócio e tanto.
A maracutaia ocorre há anos, já foi denunciada inúmeras vezes. Nada mudou.
Enquanto isso, quem não quer entrar na máfia resolve ligar para o suporte da operadora. Como resposta, ouve que “não há viabilidade técnica” para velocidades maiores. Embora o vizinho, ali ao lado, esteja com 8 MB depois de pagar uma parcela única de R$ 400 para um blogueiro que se anunciava como “alguém com acesso ao sistema da Oi-Telemar”. Há três anos.
A exemplo dele, há centenas lá fora.
Até a chegada da GVT, a conexão mais rápida na maioria dos Estados do Nordeste (1 MB) custava R$ 100 pelo plano, só da internet, sem contar a assinatura mensal do serviço de voz e outros eventuais acréscimos.
Agora, a Oi-Telemar diz que os novos planos do seu “Velox Ultra” serão entre 2 MB e 100 MB. Pelos mesmos R$ 104,90 você pode contratar o plano de 14 MB. Em tese.
Quem conhece a empresa, como consumidor, não acreditou muito nas notícias veiculadas pelos jornais sobre as novas velocidades de conexão. Então a gente foi lá conferir.
Ligamos para a central de atendimento. A primeira resposta risível é que usuários antigos do plano de 1 MB não podem simplesmente migrar para 14 MB pagando a mesma coisa, mesmo que haja a tal “viabilidade técnica”, mas a atendende frisa que “será preciso fazer uma verificação”.
Só relembrando, o valor de 14 MB anunciado é quase o mesmo do plano de 1 MB antigo. E nem podem contratar 2 MB pagando o novo valor anunciado de R$ 59,90, diz uma outra atendente, dias depois. Ao mesmo tempo, quem tem plano antigo de 300 kbps e 600 kbps (a maioria, segundo dados da própria Oi-Telemar) está feliz da vida porque, insistindo, a empresa muda para 2 MB pelo mesmo preço. Ou seja, você sai de 600 kbps para 2 MB e passa a pagar R$ 59,90 achando que fez um belo negócio.
As reclamações não param e, certamente, a postura da empresa pode mudar em relação aos clientes antigos. Mas não será agora. Só depois que muita gente comprar gato por lebre.Em 2006, mostramos como usuários no Nordeste pagavam o dobro pelo Velox de 1 Mb em relação ao Rio de Janeiro e a Belo Horizonte, também servidos pela Oi-Telemar. Operadora alegava realidade de mercado, o que comprovou-se outra firula em seguida.
Situação ainda pior estava na Região Norte. No Amazonas, onde a concorrência é ainda menor do que em outros Estados brasileiros, a conexão Telemar de 300 Kbps custava R$ 169. Para velocidade de 600 Kbps, os amazonenses pagavam o absurdo de R$ 329 ao mês.
Enquanto houver gente que pague porque não há alternativa, as operadoras vão continuar cobrando quanto quiserem. São as regras de mercado, dizem os especialistas.
As aventuras da Telefônica, em São Paulo, estão bem cobertas pela imprensa. A dor de cabeça com o Speedy é quase um quadro do CQC, beira o ridículo. E o Speedy continua sendo vendido a granel sem que a operadora tenha capacidade para suprir a demanda, mas a propaganda de uma “nova Telefônica” já está na televisão, rádio e jornal, claro.
Já houve até prisão de funcionários terceirizados da Telefônica que vendiam linhas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) no presídio, segundo a polícia. (leia aqui)
Ainda hoje, ações que apuram supostas irregularidades no processo de privatização das telecomunicações brasileiras continuam estagnadas na Justiça.
Abaixo, um pequeno recorte de reportagem de Marcio Aith publicada pela Folha de S. Paulo em abril de 2009:
A Andrade Gutierrez está entre os maiores doadores eleitorais do PT. No ano passado, o braço de telefonia do grupo, a AG Telecom, foi beneficiado por um decreto presidencial que permitiu a fusão das empresas de telefonia Brasil Telecom e Oi/Telemar. [ … ] Da fusão surgiu a gigante de telefonia BrOi, da qual a construtora é uma das controladoras. [… ] Em 2005, a Telemar, sob o comando do mesmo grupo, associou-se à Gamecorp, produtora de jogos eletrônicos que tem como sócio Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Com a fusão Brasil Telecom – Oi (BrOi), o discurso é que os serviços vão melhorar.
Após a fusão, somente no Distrito Federal foram 1.467 demissões, mas o número nunca foi revelado pela Oi, e sim pelo Ministério do Trabalho depois de muita pressão. Muita. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do DF (Sinttel-DF), Brígido Ramos, calculou em agosto, em entrevista para os jornais do DF, que o número de demissões pode chegar ao dobro se forem somados os trabalhadores indiretos dispensados.
Nos demais Estados brasileiros, contudo, nem o governo tem informações precisas e nem a empresa divulga qualquer número que seja. [Webinsider]
1 Set
Todo dia, tento resistir à tentação de abrir minha página inicial do Twitter. É que, assim como a febre dos blogs entre 2001 e 2005, ler a tuitada alheia passou a despertar um sentimento aparentemente muito feio e mesquinho em mim: a inveja.
Se na época dos blogs eu achava que todo mundo tinha parado de trabalhar para viver blogando o que faz da vida, hoje em dia, com o twitter, eu quero é o emprego de todo mundo.
Eu vi um pombo cor-de-rosa na janela. Tuíte. Meu chefe chegou, hora de trabalhar. Tuíte. Cinco minutos depois, o chefe foi embora. Tuíte. Bom dia a todos. Tuíte. Vou ali almoçar. Tuíte. Tô cansado, hoje trabalhei demais. Tuíte. Até amanhã, twitters. Tuíte. Tuíte. Tuíte. Tuíte.
Se a ferramenta diz que cada pio deve ter 140 caracteres, não entendo por que metade das pessoas não se contenta e escreve três, quatro, cinco tuítes de uma vez só como se fosse um post de blog? Daqui a meia hora, vão escrever mais três ou quatro seguidos.
Não sou inteligente o suficiente para dizer que são burras e que é para tuitar uma vez só. Não sou médico para dizer que é um problema de TOC. Nem sou psicólogo para afirmar que deve ser uma grande carência dizer ao mundo que o sobrinho meteu o dedo no nariz e tirou uma catota linda. Sem esquecer de colocar uma foto do celular nesse tal de Twitpic.
Vejo coisas bacanas no Twitter. Quem vive de escrever ou escreve por prazer, consegue atrair um contingente de leitores que antes não conseguia. No meu humilde site de crônicas, quando jogo um link no Twitter a audiência sobe coisa de 50%, mas apenas por 24h, raramente por dois dias. Os especialistas em novas mídias têm toda uma tese para explicar esse ronaldo, digo, fenômeno.
(Sim, porque todo mundo que usa internet para trabalhar agora é um especialista em novas mídias, novas tecnologias, noves fora a casa de chapéu.)
O problema é encontrar os links e comentários interessantes perdidos no meio de 489 tuítadas de uma dúzia de pessoas. E aqui vem o problema maior: os brios alheios.
Por mais que eu goste daquele meu amiguinho virtual, não dá para abrir minha página do Twitter e ver que ele tomou conta de metade da minha tela num intervalo de quatro horas. Esse tipo de comportamento você não consegue reverter nem usando um leitor de RSS.
Se juntar com mais outra meia dúzia de pessoas que tuítam como quem bebe água, eu vou precisar apertar 87 vezes na tecla Page Down até começar a ler outras pessoas. Isto é, se você olhar o seu Twitter todos os dias. Se passar um dia sem olhar, multiplique a conta por oito.
E foi aqui que o Twitter me ensinou o que, hoje, tem sido o maior aprendizado internético libertador de toda minha extensa vida online: abrir mão de saber das catotas alheias.
Falar é fácil, mas quando você depende de internet para pagar aluguel, a conta da padaria e o fiado do bar, é muito difícil abrir mão de clicar em links que os outros dizem ser interessantes. Ou simplesmente ficar sabendo o que fulano e beltrano acham das (me perdoem) “novas mídias”.
Não é fácil, mas também não é impossível. Difícil mesmo é explicar aos amiguinhos virtuais (aquele povo que você nunca viu na vida, talvez nunca veja e até desconfia se existem de verdade) o motivo de você ter clicado em REMOVE (em caps lock mesmo, com força) no nome deles.
Como o Twitter também é cultura e aprendizado, levei toda essa ampla bagagem de conhecimento avançado em novas mídias para outras ferramentas digitais e redes sociais que uso, mesmo sem saber exatamente se uso ou não. Porque, de acordo com os gurus diplomados dos cursinhos cheio de grifes, só usa rede social quem interage. Quem apenas olha, não está fazendo nada.
Quando estou online, geralmente entro no MSN Messenger e/ou no Gtalk. Não por necessidade, apenas por hábito. Acontece que há muitos anos eu não abro a janela para saber quem está online, de modo que ontem eu não fazia a menor idéia quem eram as pessoas que contavam por 80% da minha lista de contatos.
Exportei a lista e tinha 472 criaturas, onze ou doze anos depois de eu fazer uma conta no Hotmail. Devo realmente trocar umas idéias com meia dúzia. Tem gente que lembro, é verdade, de quem trabalhou comigo há dez anos, de quem trabalhou no mesmo lugar por apenas três meses, de quem apareceu do nada e nunca mais reapareceu. Enfim, tem de todo tipo, mas em comum, 99% dos contatos não troca uma palavra comigo (olha a carência da catota do sobrinho) há meses, quiçá anos.
No Twitter, mesmo que ninguém conheça ninguém, você pode dormir feliz da vida se achando um verdadeiro sucesso social por ter 300 mil seguidores. Mas e no MSN, que apenas você tem acesso? DELETE (em caps lock de novo) neles, de com força e com os dois pés, que nem tirador de coco na praia.
Devo ter apagado 90% da minha lista no MSN e 50% no Gtalk, que por natureza (e por ser mais novo) já tinha. Isso também evita, ou vai evitar, aquele inútil hábito de digitar bêbado na janela de alguém achando que é outra pessoa. Hoje eu voltei a abrir a janela do MSN para ver quem está online. E é um alívio indescritível ver que tem apenas meia dúzia de pessoas online e, diante do júri, poder dizer exatamente quem são elas e como elas chegaram ali.
Minha próxima hercúlea missão é organizar minhas três contas de e-mail. Com quase seis meses sem conseguir olhar direito a caixa postal onde recebo releases, propagandas e boletins, hoje meu Outlook tem exatos 6200 pretinhos. Os pretinhos são aquelas mensagens negritadas que significam “não lidas”. Fora outros milhares da caixa de spam automático, mas estas prefiro nem olhar. Os falsos negativos que me perdoem. E eu adoro ler boletins, não sei como o Outlook foi chegar a esta conta incrivelmente absurda.
Todo dia, abro o Outlook, respiro fundo e fico a apenas um clique do botão LIMPAR TUDO. Mas tenho esperado. Talvez eu precise entrar mais vezes no Twitter, aprender mais. Até porque, se nem o Belchior encontrou uma solução para fugir das dívidas tão fácil, não sou eu que irei conseguir transformar 6200 emails em um tuíte de 140 caracteres.