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	<title>Paulo Rebêlo &#187; desenvolvimento</title>
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	<description>rebelox .:. jornalismo de precisão e crônicas imprecisas</description>
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		<title>Bastidores do documentário &#8216;Manari&#8217;</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2010 00:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Veja fotos de bastidores e da equipe durante as filmagens do documentário no Flickr. Para ler a reportagem (Carta Capital, ed. 619) clique aqui.  ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Veja fotos de bastidores e da equipe durante as filmagens do documentário no <a href="http://bit.ly/cEkejJ">Flickr</a>. Para ler a reportagem (Carta Capital, ed. 619) <a href="http://www.rebelo.org/2010/10/manari-documentario/">clique aqui</a>.</p>
<p> </p>
<p><a href="http://bit.ly/cEkejJ"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1981" title="Manari DOC" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_04451-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><a href="http://bit.ly/cEkejJ"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1978" title="Manari DOC" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_0150-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://bit.ly/cEkejJ"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-1979" title="Manari DOC" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_0182-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
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		<title>Manari por ela mesma</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2010 20:34:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Universitária nascida na pior cidade do Brasil filma a vida de seus conterrâneosPaulo Rebêlo (texto &#38; fotos)Carta Capital &#8211; ed. 619 &#8211; 27 de outubro de 2010link original no site da revistaNão foi preciso tanto tempo para a &#8220;pior cidade do Brasil&#8221; virar um pequeno oásis no meio do sertão nordestino. Manari, 400 km a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Universitária nascida na pior cidade do Brasil filma a vida de seus conterrâneos<br /></em><strong><br />Paulo Rebêlo</strong> (<em>texto &amp; fotos</em>)<br /><strong>Carta Capital &#8211; ed. 619 &#8211; 27 de outubro de 2010<br /><span style="font-weight: normal;"><em><a href="http://www.cartacapital.com.br/cultura/manari-por-ela-mesma">link original no site da revista</a></em></span><br /></strong><br />Não foi preciso tanto tempo para a &#8220;pior cidade do Brasil&#8221; virar um pequeno oásis no meio do sertão nordestino. Manari, 400 km a sudoeste de Recife, divisa entre Pernambuco e Alagoas, deixou de ser o retrato do subdesenvolvimento para transformar-se em ícone de um Brasil profundo. Tem a cara, o cheiro e o jeito de centenas de municípios que a maioria das pessoas nunca ouviu falar e nunca irá conhecer. Com segredos paulatinamente esquecidos ou enterrados.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="display: block;" title="(c) rebelo.org" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_01471.jpg" border="0" alt="(c) rebelo.org" width="400" height="266" /></p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p><span id="more-1967"></span></p>
<p>Segredos que a manariense Valéria Fagundes, 22, está prestes a revelar a partir de um sonho guardado há sete anos, desde quando Manari tornou-se nacionalmente famosa ao ser alçada pelas Nações Unidas à condição de município com o menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) do Brasil. A última colocada no ranking entre 5.507 cidades brasileiras.</p>
<p>&#8220;Não foi fácil ver na televisão que a gente era a pior cidade do Brasil. Pior ainda, ver tantas pessoas querendo tirar proveito da situação&#8221;, explica a jovem estudante de jornalismo e diretora estreante durante os últimos takes de um documentário pelo qual pretende mostrar como Manari está além dos humildes índices de saneamento, saúde e educação.</p>
<p>Forçados à condição de &#8220;coitadinhos&#8221;, viram o desenvolvimento chegar (telefone, asfalto, comércio, um pouco mais de água&#8230;) como num passe de mágica e começaram a questionar: se era tão fácil, por que nunca fizeram antes?</p>
<p>São questionamentos a perdurar desde 2003, quando foi divulgado o ranking no Atlas de Desenvolvimento Humano do PNUD. Pouco depois, Carta Capital foi até Manari (abril/2004) para verificar o curioso contraste: uma população sem emprego e sem expectativas, de fato, mas ao mesmo tempo feliz e solidária com seus pares de uma forma ímpar. Não tinham nada a reclamar.</p>
<p>Em julho de 2006, Carta Capital voltou ao município para ratificar, novamente, as reclamações da jovem Valéria: o desenvolvimento chegou, sem dúvida. Telefone que antes não existia, asfalto para ligar a cidade até então totalmente isolada (50 km de mato, barro e pedregulhos até a rodovia mais próxima) e outras melhorias.</p>
<p>Passado os holofotes midiáticos, os projetos sociais sucumbiram, os investimentos caíram e os políticos minguaram. O papo bonito de inclusão social e digital de governos (municipais, estaduais, federais) funcionou até ir parar em capas de revistas e jornais. Depois, entregue à própria sorte.</p>
<p>A população de Manari, contudo, continua a mesma. Feliz e trabalhadora do jeito &#8220;que Deus permite&#8221; e com ricas histórias de vida, a ser contada no documentário realizado com a ajuda de Flávio Gusmão (23 anos) na direção de fotografia e filmagens, Pedro Luna (27) na co-direção e produção, Luara Dal Chiavon (20) no áudio e um pequeno aporte financeiro da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1969" title="Manari DOC" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_0334.jpg" alt="(c) rebelo.org" width="410" height="272" /></p>
<p>&#8220;Batemos na porta de todas aquelas empresas, bancos e governos que faturaram em cima de uma tristeza que nunca existiu, mas não liberaram nem um real. De última hora, conseguimos aprovar um pequeno projeto na Fundarpe para cobrir uma parte dos custos&#8221;, explica Valéria, satisfeita por poder contar com a ajuda (às vezes, até mesmo financeira) de todos os manarienses. Eles relatam como surgiu o vilarejo no meio do nada, a luta pela sobrevivência ontem e hoje. E, aos poucos, ajudam a resgatar o folclore e a cultura local.<br /><strong><br />Um milhão por um tostão -<br /></strong><br />Aos 65 anos, Sebastião do Pandeiro é um dos personagens a abrir o &#8220;cofre&#8221; de sua memória pela primeira vez, repassando os relatos deixados pelo bisavô sobre as primeiras casas naquela região que, até 2003, parecia não existir no mapa. João de Hortência, 94, parece voltar à juventude quando a equipe de filmagem consegue reunir cantadores para tocar a Mazuca, dança típica, hoje esquecida pelos jovens e desconhecida por muitos pesquisadores diante da falta de representantes ainda vivos. E ele dança, dança sem parar, incansável.</p>
<p>São resgates a surpreender a própria Valéria, nascida e criada em Manari, há apenas três anos e meio estudando em Recife. &#8220;Na faculdade vi o poder de mobilização que o cinema tem e cultivei o sonho de fazer um documentário para mostrar este lado que as pessoas não conhecem. Mas nunca imaginei encontrar tamanha fartura de histórias e de cultura, pessoas com tanto a ensinar, mesmo tão isoladas&#8221;, relata.</p>
<p>Entre as surpresas históricas, a descoberta de um possível lençol freático em Manari Velho, um distrito sem estrada e, há até bem pouco tempo, sem energia elétrica. &#8220;Aqui não tem nada, mas água nunca faltou e é água da boa&#8221;, garante José Domingos Filho, 30, em cujo terreno há coqueiros em abundância, cana de açúcar, animais e uma vegetação verde de dar inveja a muito fazendeiro rico.</p>
<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_0445.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1970" style="margin: 6px;" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC_0445.jpg" alt="(c) rebelo.org" width="315" height="475" /></a>Cosme João dos Santos herdou um pequeno engenho do pai, onde realiza todo o processo de plantação de cana para fazer rapadura, mas vende apenas localmente para vizinhos e amigos. Situação bem explicada pelo comerciante Paulo Celso de França, fundador e vice-presidente da Associação Cultural Oásis, recentemente transformada em ponto de cultura: &#8220;Manari tem um milhão, mas o povo não tem um tostão&#8221;, diz, referindo-se aos investimentos que contrastam com o excesso de burocracia e a inoperância política para pequenas benfeitorias que poderiam melhorar demais a vida do pequeno agricultor e produtor. O fim da falta de água, para começo de conversa.</p>
<p>Curiosa, também, a vida de agricultores como Seu Tião (Sebastião Xaveiro de Oliveira), 63, analfabeto e hoje um orgulhoso apicultor. &#8220;Agricultor é que nem animal, não sabe nada da vida, não participa de nada&#8221;, dispara. Depois de fazer um curso da Serta sobre apicultura (nos tempos áureos das manchetes de jornais), Seu Tião mantém um pequeno apiário e engarrafa o mel do jeito que pode, mas não tem os meios para escoar a produção. Mal consegue vender na feira semanal de Manari. Tem um milhão, sem ter um tostão.</p>
<p>LEIA TAMBÉM -</p>
<ul>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2008/10/manari-nao-e-mais-a-mesma/">Manari não é mais a mesma</a> (2008)</li>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2006/07/trofeu-de-pior-idh-impulsiona-o-desenvolvimento-de-manari/">Troféu de pior IDH impulsiona o desenvolvimento de Manari</a> (2006)</li>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2004/04/manari-idh-agua-vale-ouro/">Manari, onde IDH é baixo e água vale ouro</a> (2004)</li>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2009/11/margens-transposicao/">Às margens da transposição</a> (2009)</li>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2007/12/sao-francisco-se-transforma-no-rio-da-discordia/">São Francisco se torna o rio da discórdia</a> (2007)</li>
<li><a href="http://www.rebelo.org/2006/07/em-pernambuco-area-de-baixo-idh-tem-mais-suicidio/">Em Pernambuco, área de baixo IDH tem mais suicídio</a> (2004)</li>
</ul>
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		<title>Seis horas que valem uma vida</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 14:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jovens do Sertão do Pajeú fazem visita cultural ao Recife e descobrem que o mundo real pode ser mais vibrante que as páginas dos livros didáticos Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 26.janeiro.2009 Se você tivesse apenas uma tarde para conhecer o Recife, ciente de que talvez não haja outra oportunidade de voltar, para onde você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/01/flip127.jpg" align="right" title="" width="316" height="560" border="0" hspace="5" vspace="5"/><i>Jovens do Sertão do Pajeú fazem visita cultural ao Recife e descobrem que o mundo real pode ser mais vibrante que as páginas dos livros didáticos</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
26.janeiro.2009</p>
<p>Se você tivesse apenas uma tarde para conhecer o Recife, ciente de que talvez não haja outra oportunidade de voltar, para onde você iria?</p>
<p>E se você nunca viu o mar, nunca colocou os pés na areia da praia em toda sua vida, onde valeria a pena passar a única tarde disponível? </p>
<p>Para 80 alunos do Centro da Juventude (CJ) de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú a 380 quilômetros do Recife, a parada foi certeira: o Instituto Ricardo Brennand, no bairro da Várzea.</p>
<p><span id="more-1006"></span>Para esses jovens entre 16 e 24 anos &#8211; a maioria imersa em quadros de vulnerabilidade social &#8211; a viagem de horas cronometradas transformou-se em uma grande experiência a qual dificilmente vão esquecer. Surpresos com a estrutura impecável e com a simpatia dos funcionários do Instituto Ricardo Brennand, não demorou para todos relevarem o cansaço das seis horas de viagem até o Recife. Em pouco tempo, todos voltariam para o mesmo ônibus, em direção a Afogados, à noite. Cada minuto tinha de serexplorado.</p>
<p>Aos 17 anos, o único lugar fora de Afogados que Rosemere de Brito Leite conhece é Brasília. A passeio? De forma alguma. Com apoio de uma irmã na Capital Federal, entre 2005 e 2006, a jovem resolveu tentar arrumar emprego como atendente de livraria, mandando dinheiro para a família no sítio Jiquiri. A saudade falou mais alto e ela voltou para Afogados, agora fazendo parte do CJ para terminar os estudos. Na pinacoteca do Instituto, os olhos não escondiam a surpresa ao ver, de perto, tanta coisa que só conhecia dos livros didáticos. &#8220;As pessoas falam do Recife como se fosse apenas praia, eu nunca imaginei que existisse um lugar assim&#8221;, admitiu, tentando vincular quadros e esculturas às páginas dos livros.</p>
<p>A proposta de levar os adolescentes para o Instituto partiu da pedagoga Juliana Ferreira. Junto com a psicóloga Dayse Liberal e a assistente social Helaine Manoela, elas são as três técnicas por trás do CJ em Afogados, coordenado por Adriana Nascimento e inaugurado em julho do ano passado e mantido com recursos do governo estadual e uma contrapartida do município. A idéia foi simples. Natural de Afogados, Juliana estudou na UFPE e costumava levar alunos das escolas recifenses para visitar o Instituto. &#8220;A repercussão sempre foi muito boa, então pensei: por que não fazer o mesmo com o pessoal do CJ?&#8221;, explica.</p>
<p>O sucesso da jornada superou as expectativas das três técnicas. Responsável por coordenar o grupo na viagem ao Recife, a psicóloga Dayse Liberal era só alegria, tamanha a satisfação dos seus pupilos. &#8220;A vulnerabilidade social em Afogados é diferente da encontrada no Recife. Lá não temos tantos problemas com drogas e crimes. Por outro lado, tem fome, alcoolismo, graves conflitos familiares e sobretudo a falta de perspectiva de futuro&#8221;, lamentava, ao mesmo tempo em que tentava negociar de última hora, com a empresa responsável pelos dois ônibus, uma pequena &#8220;contravenção&#8221; para passar na Avenida Boa Viagem e mostrar a praia aos alunos. &#8220;Não está previsto na programação, mas é uma maldade&#8230;&#8221;, justificava.</p>
<p>Ao largo de tudo, um turista ilustre. Sempre calado, Domício Francisco da Silva ajuda a observar se todos os alunos estão presentes. Assistente de serviços gerais no CJ, aos 60 anos ele só esteve no Recife uma vez. &#8220;Vim quase morto, com tétano, direto para o [hospital] Oswaldo Cruz. Passei um mês internado, ninguém achou que eu fosse sobreviver. Fiquei bom e voltei para Afogados, mas não conheço o Recife&#8221;, contava, sem idéia da surpresa a poucas horas dali. </p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Abrindo horizontes com a imensidão do mar</b></font></p>
<p>Kelven Feitosa carrega o aprendizado do mundo. De jeito meio aéreo, como quem não quer nada com a vida &#8211; e dizendo que já conhece o Recife muito bem &#8211; não demora até abrir a guarda quando vê as esculturas de cera no Instituto Ricardo Brennand. &#8220;Foi a parte que mais gostei, nunca tinha visto algo assim&#8221;, humildemente admite, com a experiência de já ter rodado várias regiões do Brasil, sozinho, escondido em ônibus de linha ou de carona com desconhecidos, fugindo da família. </p>
<p>Aos 17 anos, Kelven é um dos principais exemplos do CJ sobre a possibilidade de recuperação social e, também, de como a cultura pode ampliar os horizontes de quem se encontra vulnerável. &#8220;A gente aprende muito no CJ, mas o mundo é a verdadeira escola&#8230;&#8221;, ensina, ao mostrar as letras de rap que compõe nas horas vagas. Nas músicas, fala do abandono da família, da mãe, das primeiras paixões pela &#8220;mina da escola&#8221;.</p>
<p>As portas do Instituto Ricardo Brennand estão prestes a se fechar e a psicóloga Dayse Liberal ainda não tem certeza sobre o passeiona praia. Para os alunos, a próxima parada será o CJ de Santo Amaro e o do Alto do Pascoal, para conhecer a estrutura e fazer um lanche. Dentro do ônibus, a surpresa: depois do Alto do Pascoal, o motorista topou parar &#8220;por alguns instantes&#8221; na praia de Boa Viagem.</p>
<p>A alegria é geral, embora Dayse precise se contentar com a orientação &#8220;superior&#8221; de manter os alunos apenas no calçadão. Seu Domício Francisco não ouviu o aviso, estava tirando uma soneca. Já é de noite e, meio sem saber onde está, é acordado pela euforia dos jovens diante daquele mundo de água. É o último a sair do ônibus, caminha devagar, parece receoso em ir até a areia. &#8220;Isto aqui de manhã deve ter muita gente, né? E é verdade que as mulheres usam biquini na praia?&#8221;, pergunta, altamente interessado.</p>
<p>Os estudantes vibram e Dayse não resiste: &#8220;tá bom, corram até a areia, mas só podem molhar os pés, porque vamos voltar daqui para Afogados&#8221;, sentencia, sem esconder igual felicidade por aquela oportunidade, única, para quase todos aqueles jovens. Muita correria e pulinhos de onda depois, a festa chega ao fim. Já passa das 19h e os dois ônibus aguardam para dar início à viagem de regresso. </p>
<p>Com os pés molhados pelo mar, Luis Gonzaga não esconde a satisfação, apesar de toda a timidez de quem demorou bastante a se integrar com os demais, vindo de uma comunidade indígena em Afogados. Assim como ele, a maioria realizou um sonho antigo, comum a tantos outros jovens sem perspectiva no interior. Na quarta-feira (21) da semana passada, já em Afogados, eles mandam o recado: não conseguiram dormir, tamanha a contentação e as histórias para contar aos colegas. Foram seis horas de uma tarde no Recife.</p>
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		<title>Prefeituras desperdiçam R$ 3 milhões</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 04:32:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[INCOMPETÊNCIA // Recursos existentes na secretaria estadual de Desenvolvimento Social são desprezados por gestores Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 30.novembro.2008 Incompetência técnica de gestores públicos e irregularidades na prestação de contas de vários prefeitos em Pernambuco. Eis as duas principais causas para o desperdício de R$ 3 milhões em verbas estaduais na virada deste ano. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/12/flip103.jpg" border="0" alt="" hspace="5" vspace="5" width="196" height="502" align="right" /><em>INCOMPETÊNCIA // Recursos existentes na secretaria estadual de Desenvolvimento Social são desprezados por gestores</em></p>
<p><strong>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco</strong><br />
30.novembro.2008</p>
<p>Incompetência técnica de gestores públicos e irregularidades na prestação de contas de vários prefeitos em Pernambuco. Eis as duas principais causas para o desperdício de R$ 3 milhões em verbas estaduais na virada deste ano. O dinheiro deveria ser aplicado em obras de assistência social, mas precisou ser realocado para outras áreas. Por não apresentar prestação de contas ou sequer se interessar pela aplicação das verbas, pelo menos 40 municípios perderam o contingente garantido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.</p>
<p><span id="more-941"></span>Um edital publicado no início do ano garantiu R$ 7,2 milhões para obras de proteção social, divididas em duas classes: básica e especial. A básica inclui ações de atendimento às famílias pobres, transferências de renda, atendimento ao idoso, inclusão produtiva, entre outros. Em suma, iniciativas de prevenção. A especial refere-se a ações localizadas, quando os direitos básicos já foram violados. Incluemmedidas contra a violência doméstica, trabalho e prostituição infantil, tráfico de seres humanos etc.</p>
<p>De acordo com o secretário-executivo de desenvolvimento social, Acácio de Carvalho, apenas 93 dos 185 municípios pernambucanos puderam ser contemplados com projetos. Em 44 municípios, pendências fiscais impediram qualquer parceria. Há casos piores. São os municípios que, embora cientes da disponibilidade das verbas, sequer procuraram a secretaria durante o ano inteiro. É o caso de Ipojuca, Escada, Goiana, Abreu e Lima, Itamaracá, Itapissuma e Aliança &#8211; apenas algumas próximas ao Recife.</p>
<p>O edital ainda se encontra disponível no site da secretaria para consulta. O novo edital para verbas suplementares será publicado em 2009, como ocorre todos os anos na gestão estadual. &#8220;Não estamos falando de dinheiro para prefeitos, mas para o município, para obras que melhoram a vida de milhares de pessoas. Infelizmente, no final o mais prejudicado é o cidadão&#8221;, define Acácio de Carvalho.</p>
<p>A irregularidade fiscal dos municípios pernambucanos representa o principal entrave para que gestores consigam firmar convênios e alocar recursos extras para investir em melhorias e ações sociais. O despreparo técnico ou o desleixo dos governantes pode ser verificado por qualquer cidadão, via internet, no site do Tesouro Nacional. O assunto foi abordado em detalhes, com um guia didático para consulta, na edição do Diario de 26 de outubro deste ano.</p>
<p>Há casos gritantes, onde há seis anos não se comprova a aplicação de recursos constitucionais como as verbas para Saúde e Educação. Os relatórios &#8211; obrigatórios &#8211; não são enviados e fica tudo por isso mesmo. Sem a devida comprovação, ninguém sabe quando e como foi aplicado o dinheiro recebido, seja do governo estadual ou da União. A consulta pode ser feita pelo Cadastro Único de Convênio (Cauc). Um longo e penoso trabalho para os futuros prefeitos que pretendem assumir em janeiro de 2009, onde em vários lugares a palavra &#8220;transição&#8221; não consta no dicionário dos gestores.</p>
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		<title>Brazil becomes antipoverty showcase</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 04:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Christian Science Monitor Nov 14, 2008 Stories by: Sara Miller Lana Photos by: Paulo Rebêlo ( link ) In the arid, impoverished expanse of northeast Brazil, Cumaru is the town no one&#8217;s ever heard of. And once you get here, Maria Joelma da Silva&#8217;s house is a 20-minute ride beyond where the paved road ends. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/11/csmonitor.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-892" style="border: 0px solid black; margin: 5px;" title="csmonitor" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/11/csmonitor.jpg" alt="" width="180" height="139" /></a><strong>Christian Science Monitor<br />
Nov 14, 2008</strong></p>
<p>Stories by: Sara Miller Lana<br />
Photos by: Paulo Rebêlo ( <a href="http://www.csmonitor.com/photosoftheday/index.php?image=1&amp;date=specials/brazil/">link</a> )</p>
<p><span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: 22px; orphans: 2; text-align: left; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; font-family: Arial; color: #000000;">In the arid, impoverished expanse of northeast Brazil, Cumaru is the town no one&#8217;s ever heard of. And once you get here, Maria Joelma da Silva&#8217;s house is a 20-minute ride beyond where the paved road ends.<br />
[ <a href="http://www.csmonitor.com/2008/1113/p01s03-woam.html" target="_blank">read the rest here</a> ]</span></p>
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		<title>Bolsa Família ajudou a eleger muitos prefeitos</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Nov 2008 04:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Balanço // Programa virou moeda eleitoral para aliados do governo e até para oposição Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 02.novembro.2008 Com o fim das eleições, analistas e setores da oposição apressaram-se em desvincular o Bolsa Família do resultado do pleito municipal. Em parte, devido à fraca conquista eleitoral do PT nos grotões de pobreza. Em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/11/flip83.jpg" align="right" title="" width="200" height="234" border="0" hspace="4" vspace="4"/><i>Balanço // Programa virou moeda eleitoral para aliados do governo e até para oposição</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
02.novembro.2008</p>
<p>Com o fim das eleições, analistas e setores da oposição apressaram-se em desvincular o Bolsa Família do resultado do pleito municipal. Em parte, devido à fraca conquista eleitoral do PT nos grotões de pobreza. Em Pernambuco, somente oito cidades elegeram prefeitos petistas. Nacionalmente, o PT (sozinho) também perdeu nos pequenos municípios. No entanto, ao contabilizar a base de apoio do governo e somar com a oposição que &#8220;abraçou o Bolsa Família&#8221;, nota-se como o programa pode ter sido, sim, uma das principais moedas eleitorais no interior. Estudar a hipótese, contudo, é ruim para a oposição e pior ainda para o governo. Não à toa, pouco se discute o assunto.</p>
<p><span id="more-855"></span>Embora seja a principal bandeira social do governo Lula, o consenso político e acadêmico é que o Bolsa Família passa ao largo do partido há bastante tempo. Em Pombos, a 66 km do Recife, o acompanhamento é considerado um exemplo no estado. O atual prefeito Josuel Vicente Lins (PTB) perdeu a eleição para Jane Povão (PR). Ambos da base aliada. &#8220;Não sei com quem ficará a coordenação agora, tudo ainda é incerto, mas duvido que qualquer prefeito deixe de investir no trabalho que fazemos aqui&#8221;, explica o coordenador do Bolsa Família em Pombos, Micaías Paiva.</p>
<p>A principal evidência está em todas as campanhas, da capital ao interior. Se oito prefeituras petistas podem ser consideradas uma variável para analisar o efeito eleitoral do Bolsa Família, então o negativismo é ainda maior à oposição. Dos 185 municípios pernambucanos, somente 35 estão com a oposição: DEM, PSDB, PPS e PV. Este último não elegeu nenhum prefeito, enquanto PPS faturou um, os tucanos ganharam 15 e democratas elegeram 18. Sobram 149 municípios para a base aliada.</p>
<p>Diversas outras variáveis, em condições simples de aferição, mostram como o PT não pode ser analisado individualmente. Além do jogo duplo de diversos prefeitos e candidatos, há o histórico político da região. Em várias cidades, apesar de não ter eleito prefeitos, o PT está com ovice. Cenários similares ao de lugares onde o PT historicamente nunca se firmou ou concedeu apoiou de forma indireta. Também há cidades sem PT, mas onde a base aliada vinculou-se ao Bolsa Família do mesmo jeito.</p>
<p>O Recife é um caso emblemático. A base aliada ao prefeito eleito João da Costa (PT) contou com nada menos que 16 partidos. E a oposição, em discursos curiosos na periferia, prometiam lutar para ampliar o Bolsa Família. Interior afora, não foi diferente.</p>
<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/11/flip841.jpg" align="right" title="" width="294" height="501" border="0" hspace="4" vspace="4"/><font color="#FF0000" size="3"><b>Conquistas da oposição nas áreas mais atendidas</b></font></p>
<p>Ao cruzar o número de habitantes com a porcentagem da população beneficiada pelo Bolsa Família, percebe-se como parte das principais cidades conquistadas pelo DEM e pelo PSDB integram a lista dos municípios mais dependentes do benefício federal. Dois casos emblemáticos são Manari, onde 63,3% da população é beneficiada; e Cumaru, com 90,9% recebendo a benesse.</p>
<p>Contrariando a lógica cartesiana de vincular apenas o PT ao programa, nos dois municípios as campanhas eleitorais tiveram o Bolsa Família como uma das principais bandeiras, sem maiores surpresas. Em Manari, onde o prefeito Otaviano Martins (PSDB) foi reeleito, a maioria atribui a ele o aumento de famílias cadastradas no Bolsa Família. Por toda a cidade, é fácil ouvir o coro: &#8220;sem a atuação do prefeito, não estaríamos na boa condição de hoje, graças ao Bolsa Família.&#8221;</p>
<p>Para o agricultor Antônio Lacerda de Oliveira, a vida ficou bem mais fácil com a segurança financeira oriunda do Bolsa Família. A filha de quatro anos, Olívia, agora só reclama da falta de água &#8211; que chegou parcialmente, ao menos no povoado de Umbuzeiro Doce, mais próximo da área urbana. Mas, hoje ,a família do agricultor consegue &#8220;economizar e investir na própria roça&#8221;, garante.</p>
<p>Em diversas cidades visitadas pelo Diario nos seis meses que antecederam as eleições municipais, a propaganda do Bolsa Família foi notória em todas as frentes: dos aliados aos mais ferrenhos opositores do governo. Em uníssono, prometeram batalhar para ampliar o número de beneficiários e, até mesmo, aumentar o valor do benefício pago.</p>
<p>Cumaru é a cidade com o maior índice de beneficiários em Pernambuco. Com quase 91% da população assistida, não surpreende que a campanha do prefeito eleito Eduardinho (DEM) também optou pelo enfoque ao programa. De acordo com Rizete Costa, gerente de proteção social e coordenadora do Bolsa Família em Pernambuco, os números indicados são ainda mais atualizados do que as estatísticas do governo federal. </p>
<p>O estudo foi feito de junho de 2007 a março de 2008, entrevistando 92 gestores e 2.247 titulares de famílias. Depois de Cumaru, os municípios líderes em adesão são Vertente do Lério (83,6%), Itapetim (81,4%), Riacho das Almas (78,2%) e Lagoa dos Gatos (74,4%). Destes, apenas em Riacho das Almas a oposição ganhou, com o prefeito Dió (PSDB). </p>
<p>Em Pernambuco, 43% de todo o estado recebe Bolsa Família. Um total de 913 mil famílias ou 3,6 milhões de pessoas, segundo a pesquisa mais recente da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Há um ano, Pernambuco era o segundo estado com mais beneficiados. Hoje, ocupa a sexta posição, atrás de Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba e Ceará.</p>
<p>Em método e aferição, excluidas as eventuais melhorias sociais gerada pelo programa, a desqualificação do Bolsa Família como moeda eleitoral é de fato antecipada. Daqui a alguns anos, talvez, novos estudos acadêmicos ou pesquisas qualificadas ajudem a jogar luz sobre um dos programas de transferência de renda mais estudados (porém pouco explicado) no mundo. (P.R)</p>
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		<title>Manari não é mais a mesma</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2008/10/manari-nao-e-mais-a-mesma/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 07:19:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[SERTÃO // Município vive bom momento com a chegada de recursos federais e estaduais Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 12.outubro.2008 Manari &#8211; Ninguém consegue mais ouvir falar de Manari, a suposta cidade com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Nem mesmo a população local, acostumada com a exagerada midiatização sobre fome [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/10/flip77.jpg" border="0" alt="" hspace="3" vspace="2" width="196" height="351" align="left" /><em>SERTÃO // Município vive bom momento com a chegada de recursos federais e estaduais</em></p>
<p><strong><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a> (<em>texto/fotos</em>)<br />
Diario de Pernambuco</strong><br />
12.outubro.2008</p>
<p><strong>Manari &#8211; </strong>Ninguém consegue mais ouvir falar de Manari, a suposta cidade com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Nem mesmo a população local, acostumada com a exagerada midiatização sobre fome e pobreza. Há três anos, no mínimo, Manari deixou de ser uma cidade isolada e pobre, diante da quantidade de projetos implementados ali.</p>
<p><span id="more-834"></span>Ao ser comparada com outras localidades em Pernambuco, este município, a 400 quilômetros do Recife, está muito bem, obrigado. Desde a publicação do ranking de desenvolvimento da ONU, em 2003, Manari tornou-se um exemplo dúbio para o Brasil. Senadores, governadores, deputados e governo federal voaram até o isolamento e anunciaram os milhões em investimentos.</p>
<p>O abastecimento de água, em parte da zona rural, foi instalado, apesar de funcionar apenas a cada oito dias, isto é, quando não há &#8220;problemas técnicos&#8221;. Durante a passagem do Diario, a cidade estava havia duas semanas sem água devido a umdefeito inexplicável. Para quem mora em regiões mais distantes na zona rural, fica a solidariedade de quem reside próximo a uma das cobiçadas torneiras azuis.</p>
<p>É o caso do agricultor Antônio Lacerda de Oliveira e sua filha, a pequena Olívia, 4, no povoado de Umbuzeiro Doce. &#8220;As pessoas vêm aqui e pegam a água, o problema é só a fila. Mas já melhorou muito&#8221;, comemora, ainda sem saber como será no período da seca. Quando a água encanada não chega às casas, restam os baldes e as longas caminhadas.</p>
<p>O laboratório de informática, tão aguardado durante anos, funciona desde 2005, mas também está parado por causa de uma enchente em 2007. Previsão de conserto? Até agora, nenhuma. Para os 50 quilômetros de estrada de acesso, por exemplo, foram R$ 10,8 milhões. Iniciada em 2006, até setembro deste ano sobravam 25 km incompletos. Hoje, está pronta e consegue atrair comerciantes e vizinhança para a feira pública, uma vez por semana, na praça.</p>
<p>De um lado, Manari apresenta um avanço perceptível nos últimos anos, a maior parte com recursos federais e estaduais. Escolas reformadas, laboratórios de informática, estradas e Bolsa Família. Muito Bolsa Família. Sobrou a política.</p>
<h2>Gestão nova, política velha</h2>
<p>Manari segue o exemplo de tantas outras cidades pernambucanas, onde as eleições municipais do último domingo ajudam &#8211; de novo &#8211; a comprovar os desmandos administrativos que se perpetuam impunes.</p>
<p>O atual prefeito de Manari, Otaviano Martins (PSDB), foi reeleito com o dobro de votos do adversário, o ex-prefeito &#8220;Santo Vieira&#8221; (PR). Ambos já foram presos pela Polícia Federal e ainda respondem a processos administrativos e penais, numa longa lista de irregularidades apontadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do estado em tempos nada recentes.</p>
<p>Além do Bolsa Família, a fatura política dos projetos instalados em Manari, conforme reza a cartilha eleitoral nos municípios, recai sobre os chefes do executivo. Para a maioria da população local, nada seria possível sem o empenho do atual prefeito Otaviano Martins.</p>
<p>Em 2004, logo após a divulgação do ranking do IDH, ouvia-se a mesma coisa nas ruas sobre o então prefeito Santo Vieira. Sem água, sem estrada e sem comércio, a população abençoava o prefeito -o nome não surgiu à toa &#8211; que pagava &#8220;do próprio bolso&#8221; carros-pipa e comida.</p>
<p>Figura das mais conhecidas da cidade, Luciano Vieira (sem parentesco com o ex-prefeito) ensina informática para os estudantes e, há pouco, resolveu montar dois computadores para dar aulas em casa. &#8220;Temos vários problemas e carências, sem dúvida, mas aguardamos com ansiedade a revisão desse ranking [do IDH] pela ONU, porque basta chegar aqui para ver que não há nada disso&#8221;, pontua.</p>
<p>Imemorial problema do sertanejo, a falta de água em Manari é vista, a priori, como um problema prestes a acabar. Com o benefício, os agricultores podem encher as cisternas instaladas pelo governo federal e não mais depender de carros-pipa bancados pela prefeitura e, muitas vezes, faturados politicamente por vereadores.</p>
<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/10/flip78.jpg" border="0" alt="" hspace="3" vspace="2" width="98" height="239" align="left" /><span style="color: #ff0000; font-size: small;"><strong>A esperança do Bolsa Família </strong></span></p>
<p>Dida Santos nunca teve uma geladeira na vida. &#8220;A gente se acostuma, não tinha comida extra para guardar, só as que a gente cozinhava na hora e comia. As verduras duram alguns dias fora da geladeira&#8221;, explica, em frente ao eletrodoméstico adquirido há um ano, graças às economias do Bolsa Família, em Manari.</p>
<p>Ela e o marido Josivan Cordeiro de Araújo creditam o desenvolvimento ao empenho da prefeitura, via de regra a responsável pelo gerenciamento das famílias cadastradas no programa. Admitem usar quase todo o dinheiro para comprar alimentos, situação quase unânime nacionalmente, segundo pesquisas dos governos federal e estadual.</p>
<p>Com as sobras, é possível comprar panelas e eletrodomésticos. Um cenário pouco usual, diante da baixíssima renda da maioria das famílias beneficiadas no Nordeste. De acordo com o coordenador do Bolsa Família em Manari, Lucas Vieira, das quase quatro mil famílias contabilizadas em Manari, cerca de 3 mil recebem o benefício.</p>
<p>Aos 18 anos, o jovem Lucas &#8211; irmão de Luciano Vieira esem parentesco com o ex-prefeito Santo Vieira &#8211; gerencia todo o cadastro. E não esconde a empolgação com a gestão do atual prefeito Otaviano Martins (PSDB), reeleito no último domingo com o dobro de votos do adversário, o ex-prefeito Santo Vieira (PR). Ambos respondem por irregularidades na gestão (leia mais na página A12).</p>
<p>A fatura do Bolsa Família é igualmente percebida no comércio local. A vendedora Geraldina Pereira resume bem a situação: &#8220;as pessoas compram mais e a gente tem mais segurança de que vai receber. A única crítica é que muitas pessoas ficaram mais preguiçosas, já que não precisam mais trabalhar porque sabem que terão o dinheiro garantido&#8221;, diz.</p>
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		<title>Novo ranking classifica desenvolvimento municipal</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Sep 2008 10:35:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pesquisa // Estado perdeu duas posições enquanto oito cidades cresceram mais do que 50% Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco // 31.agosto.2008 Lagoa do Ouro, Jurema, Jucati, Orobó, Vertentes, Frei Miguelinho, Brejão, Lagoa de Itaenga. Nem todo pernambucano sabe onde ficam estes oito municípios no interior do estado, espalhados geograficamente e à primeira vista sem nada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/08/flip63.jpg" title="" width="198" height="348" border="0" hspace="3" vspace="2"/><i>Pesquisa // Estado perdeu duas posições enquanto oito cidades cresceram mais do que 50%</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco // 31.agosto.2008</p>
<p>Lagoa do Ouro, Jurema, Jucati, Orobó, Vertentes, Frei Miguelinho, Brejão, Lagoa de Itaenga. Nem todo pernambucano sabe onde ficam estes oito municípios no interior do estado, espalhados geograficamente e à primeira vista sem nada em comum. Para os governos, contudo, podem representar uma oportunidade de aprendizado sobre políticas públicas e desenvolvimento. Ao menos no que depender do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), uma nova classificação elaborada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, cobrindo os 5.564 municípios brasileiros.<br />
´<br />
<span id="more-795"></span>Divulgado neste mês de agosto, o IFDM revela que Pernambuco caiu duas posições no ranking de desenvolvimento humano, saindo da 11ª posição nacional para 13º. Ocorre que diversas cidades apresentaram uma melhoria considerável. Os oito municípios em questão são aqueles que, entre 2000 e 2005, tiveram uma melhora superior a 50% nas variáveis de estudo do IFDM: emprego &#038; renda, educação e saúde.</p>
<p>Emtodo o Brasil, o ranking da Firjan destacou-se por comprovar que o avanço socioeconômico tem sido mais visível no interior do país, com destaque para as cidades de médio porte. Entre as 100 melhores cidades do país, 82 têm menos de 300 mil habitantes &#8211; apenas duas capitais aparecem na lista: Curitiba (PR) e Vitória (ES). A maioria dos 184 municípios de Pernambuco obteve melhoria na classificação. Ou seja, 95,1% estão numa situação melhor do que a encontrada em 2000, segundo o ranking.</p>
<p>O crescimento nacional também se comprova no estado. Entre as de médio porte, Caruaru e Petrolina tiveram o maior crescimento pelo ranking da Firjan. A primeira saiu do 9º lugar em 2000 para ocupar a terceira colocação. E Petrolina pulou da 14ª posição para a quarta, na frente de Olinda (6ª) e Jaboatão dos Guararapes (5ª).</p>
<p>Com mais variáveis do que o famoso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), o IFDM trabalha com mais indicadores sociais e, conseqüentemente, consegue detalhar mais os resultados finais. A diretora de desenvolvimento econômico da Firjan, Luciana de Sá, explica que no IDH é considerado apenas o PIB per capita. &#8220;Quando você entra com geração de emprego e salário médio do trabalho formal, tem uma noção maior e mais próxima da realidade&#8221;, acredita.</p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Olinda e Jaboatão abaixo da média</b></font></p>
<p>Em 2000, o Recife ocupava a terceira colocação no ranking de desenvolvimento da Firjan, atrás de Olinda e Jaboatão. Estes dois municípios conseguiram ir contra a maré do desenvolvimento nacional, regredindo para 5ª e 6ª colocação, respectivamente. A constatação foi o suficiente para, pouco depois da divulgação dos números, deputados questionarem os dados na Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe), receosos dos prejuízos políticos em plena campanha eleitoral.</p>
<p>Ao calcular a média das três variáveis da metodologia adotada pela Firjan, nove municípios pernambucanos apresentaram variação negativa entre 2000 e 2005: Jaboatão, Camaragibe, Santa Filomena, Amaraji, Angelim, Olinda, Floresta, Cupira e Ipojuca, em ordem crescente. Diversos outros mostram resultados favoráveis quando comparados a 2000, o que não significa que tenham uma boa qualidade de vida.</p>
<p>Um outro estudo, desta vez do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea), divulgado poucos dias antes ao da Firjan, mostra que as cidades médias brasileiras, de100 mil a 500 mil habitantes, também arcaram com maior crescimento populacional e econômico entre 2000 e 2007. Enquanto 236 cidades médias estudadas pelo Ipea apresentaram crescimento populacional de 2% e do PIB de 5,27%, as grandes (com mais de 500 mil habitantes) obtiveram índices de 1,66% e 4,63%.</p>
<p>Profissionais e especialistas consultados pelo Diario, em agosto, atribuem o &#8220;êxodo desenvolvimentista&#8221; a causas bastante conhecidas da população: insegurança, qualidade de vida e crescimento habitacional desordenado.</p>
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		<title>Brigas e ameaças entre o prefeito e o candidato</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2008/08/brigas-e-ameacas-entre-o-prefeito-e-o-candidato/</link>
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		<pubDate>Sun, 31 Aug 2008 13:26:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[TUPANATINGA // Clima esquenta entre as duas famílias que se revezam no poder da cidade Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco // 31.agosto.2008 Tupanatinga - O cérebro do maligno. É assim que o candidato Duca Feitosa (PSB) define o atual prefeito Manoel Roque (PMDB). A militância de Feitosa é acusada, pelo prefeito, de ter orquestrado uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/08/flip60.jpg" title="" width="198" height="452" border="0" hspace="3" vspace="2"/><i>TUPANATINGA // Clima esquenta entre as duas famílias que se revezam no poder da cidade</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco // 31.agosto.2008</p>
<p><b>Tupanatinga -</b> O cérebro do maligno. É assim que o candidato Duca Feitosa (PSB) define o atual prefeito Manoel Roque (PMDB). A militância de Feitosa é acusada, pelo prefeito, de ter orquestrado uma suposta tentativa de assassinato contra ele. Ambos se revezam na chefia do municipal &#8211; e na disputa eleitoral &#8211; há quase 20 anos neste pequeno município no entroncamento entre Buíque, Itaíba e Ibimirim, a 320 quilômetros do Recife.</p>
<p><span id="more-789"></span>Manoel Roque, reeleito em 2004, tenta emplacar seu vice, Manoel Tomé (PT), com o apoio de sete vereadores entre os nove integrantes da Câmara Municipal. Duca Feitosa, eleito em 1996, perdeu as eleições para Roque em 2000 e 2004. A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) chegou a enviar um ofício ao Palácio do Campo das Princesas, na última terça, pedindo providências sobre casos de ameaças a políticos no interior. Contundo, o suposto atentado em Tupanatinga tem versões conflitantes. </p>
<p>Duca Feitosa acusa Roque de oportunismo político. O advogado Joaquim Neto, filho de Feitosa, explica ter havido uma confusão entre partidários, que brigaram e puxaram armas. &#8220;É ele, o prefeito, que fica fazendo gestos obscenos e pegando nas partes íntimas quando nosso carro-de-som passa&#8221;, diz.</p>
<p>Para Feitosa, que se apresenta como evangélico e filho de pastor, o grupo político liderado por Roque opera com &#8220;as forças do maligno&#8221; porque estão sempre envolvidos em falcatruas e até homicídios. Ele acusa o vice-prefeito e candidato, Manoel Tomé, de ter assassinado dois rapazes em praça pública, anos atrás. Segurando um dossiê com oito páginas, datilografadas e com firma reconhecida, Feitosa reclama que a cidade não tem lei, justiça e fórum. &#8220;Aqui vivemos sem Deus e sem autoridade. Desde 1999 recebo ameaças, em Tupanatinga só se ganha eleição comprando voto&#8221;, ataca.</p>
<p>Manoel Roque nega as insinuações. Procurado durante três dias, o candidato Manoel Tomé nunca estava disponível, tampouco retornou os recados deixados em sua residência e pelo telefone.</p>
<p>A exemplo de boa parte do interior, os dois candidatos fazem campanha grudados à imagem do governador Eduardo Campos (PSB) e do presidente Lula (PT). O prefeito usa apenas a imagem do presidente e Duca utiliza os dois. Questionado sobre um eventual apoio de Campos, Roque diz que já falou com o governador quatro vezes, recentemente, mas nunca sobre política. &#8220;Eduardo não quer confusão, ele vai apoiar quem ganhar a eleição&#8221;, ironiza.</p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Pobreza é a marca do município</b></font></p>
<p>Tupanatinga conta com quatro povoados na zona rural (Cabo do Campo, Mata Verde, Boqueirão e Baixa Grande) e seu território se localiza no principal cinturão de pobreza de Pernambuco. Com quase 19 mil habitantes (IBGE 2007), encontra-se entre os 20 menos desenvolvidos do estado, de um total de 185 municípios, segundo o índice Firjan de desenvolvimento e o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.</p>
<p>Em novembro de 2006, o prefeito Manoel Ferreira dos Santos (Manoel Roque) foi preso pela Polícia Federal, a partir de uma operação conjunta com a Controladoria Geral da União (CGU), pela chamada Operação Alcaides. Também foram detidos Otaviano Ferreira Martins, prefeito de Manari; Nomeriano Ferreira Martins, prefeito de Águas Belas; o ex-prefeito de Itaíba, Bras José Nemézio Silva; e o deputado estadual Claudiano Martins. </p>
<p>A Operação Alcaides desmontava esquema de corrupção envolvendo prefeituras do interior em ações de desvio de verba. As 21 pessoas envolvidas foram acusadas de formação de quadrilha, uso dedocumentos falsos, crimes de responsabilidade fiscal e outros. Todos os acusados foram liberados dias depois. </p>
<p>Em comum entre os municípios onde os prefeitos ocupavam o cargo, todos tem baixo índice de IDH e altos índices de criminalidade. Os irmãos Martins (Nomeriano, Claudiano e Otaviano) também foram alvos de denúncias e investigações da CPI do Narcotráfico e da Pistolagem, em 2000, quando Itaíba, Tupanatinga e Águas Belas ficaram conhecidas no estado como o &#8220;Triângulo da Pistolagem&#8221;. </p>
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		<title>A preocupação comum de homens e mulheres</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 16:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PESQUISA // Recifenses apontam saúde como principal problema para o próximo prefeito resolver Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco &#8211; 10.agosto.2008 A segunda parte da pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe), ligado à Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), revela quais os principais anseios da população, em subcategorias. Desta vez, os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/08/flip51.jpg" title="" width="197" height="404" border="0" hspace="4" vspace="2"/><i>PESQUISA // Recifenses apontam saúde como principal problema para o próximo prefeito resolver</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco &#8211; 10.agosto.2008</p>
<p>A segunda parte da pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos do Macroambiente Empresarial de Pernambuco (Gemepe), ligado à Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire), revela quais os principais anseios da população, em subcategorias. Desta vez, os entrevistados foram classificados por faixa etária, sexo, nível de escolaridade e ocupação. A primeira parte, com os números gerais relativos a Recife, Olinda, Jaboatão e Paulista, foi publicada pelo Diario na edição do <a href="http://www.rebelo.org/archives/2008/os-problemas-do-cidadao-recifense/">último domingo</a>.</p>
<p><span id="more-761"></span>Ao separar o grupo de entrevistados entre homens e mulheres, os técnicos do Gemepe observaram que a prioridade é idêntica para ambos &#8211; saúde pública &#8211; com incidência maior entre as mulheres (28,6%) em relação aos homens (22,5%). Em seguida, as mulheres optaram por pavimentação (12,07%), segurança (11,72%) e geração de empregos (10,69%), enquanto o sexo masculino citou segurança (14,76%), pavimentação (12,18%) e educação (11,07%), respectivamente. </p>
<p>Saúde também foi o tema de grande preocupação em todas as faixas etárias, sobretudo entre os desempregados &#8211; estes se preocuparam menos com geração de empregos (13,5%) &#8211; independente do nível de escolaridade. Educação foi mais observada entre jovens de 16 a 35 anos e acima de 60 anos.</p>
<p>O maior diferencial da pesquisa elaborada pela Faculdade é o leque de possibilidades de desmembramento dos resultados. Nesta segunda parte, as quatro variáveis de classificação se juntam às anteriores, que foram divididas por classe social e ajudam a comprovar teses e estudos sobre os problemas mais conhecidos nos municípios da Região Metropolitana do Recife. </p>
<p>As entrevistas foram realizadas entre os dias 3 e 7 de julho com 565 pessoas, distribuídas entre os municípios da RMR e com quotas proporcionais ao número de moradores conforme os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso específico do Recife, respeitou-se também a proporcionalidade das populações distribuídas nas Regiões Político-Administrativa (RPA).</p>
<p>Para o coordenador técnico da pesquisa, Uranilson Carvalho, a proposta do Gemepe/Fafire é contribuir ao debate vigente, em virtude das eleições municipais de outubro. A partir desta semana, todos os candidatos a prefeito irão receber, formalmente, o conteúdo integral do levantamento. Ele explica que não houve indução nos questionários, pois cada habitante escolheu por conta própria o que considerava mais importante. Também foi utilizado o Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP), que estima o poder de compra das pessoas e famílias urbanas.</p>
<p><b><font color="#FF0000" size="3">Os anseios da população</font></b></p>
<p><b>Mulheres</b><br />
Saúde 28,62%<br />
Pavimentação 12,07%<br />
Segurança 11,72%<br />
Emprego 10,69%</p>
<p><b>Homens</b><br />
Saúde 22,51%<br />
Segurança 14,76%<br />
Pavimentação 12,18%<br />
Educação 11,07%</p>
<p><b>De acordo com a faixa etária</b></p>
<p>16 a 25 anos<br />
Saúde 18,79%<br />
Educação 16,11%<br />
Segurança 15,44%<br />
Pavimentação 14,77%</p>
<p>26 a 35 anos<br />
Saúde 24,24%<br />
Saneamento 15,15%<br />
Pavimentação 12,88%<br />
Educação 11,36%</p>
<p>36 a 45 anos<br />
Saúde 35,58%<br />
Emprego 12,50%<br />
Saneamento 11,54%<br />
Segurança 9,62%</p>
<p>46 a 60 anos<br />
Saúde 27,27%<br />
Pavimentação 18,18%<br />
Segurança 15,15%<br />
Saneamento 8,08%</p>
<p>Acima de 60 anos<br />
Saúde 35,09%<br />
Segurança 24,56%<br />
Educação 8,77%<br />
Pavimentação 7,02% </p>
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