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	<title>Paulo Rebêlo &#187; agreste</title>
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		<title>Um mundo de conhecimento no caçuá do burrinho</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 12:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Projeto Livros Andantes iniciado domingo em Amaraji, transforma cesto de equino em biblioteca-móvel para incentivar o hábito da leitura Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 17.março.2009 Amaraji &#8211; Aos 19 anos, Riana Mércia sonha em entrar para a faculdade de Pedagogia, uma realidade aparentemente distante para a maioria dos seus colegas no povoado de Estivas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Projeto Livros Andantes iniciado domingo em Amaraji, transforma cesto de equino em biblioteca-móvel para incentivar o hábito da leitura</p>
<p>Paulo Rebêlo (texto/fotos)<br />
Diario de Pernambuco<br />
17.março.2009</p>
<p><strong>Amaraji &#8211; </strong>Aos 19 anos, Riana Mércia sonha em entrar para a faculdade de Pedagogia, uma realidade aparentemente distante para a maioria dos seus colegas no povoado de Estivas, na zona rural de Amaraji, a 92 km do Recife. Enquanto o vestibular de julho não chega, ela ajuda outros a sonhar. Desde domingo (15), Riana é peça fundamental de um curioso projeto chamado Livros Andantes. Pendurados no caçuá de um burrinho transformado em biblioteca-móvel, cerca de 100 livros ficam disponíveis para dramatização e empréstimo. Basta deixar o nome e devolver no domingo seguinte.</p>
<p>Riana Mércia não é autora da idéia, mal conhece os coordenadores do projeto, mas é uma das professoras da Escola Conceição Barbosa Lima e Silva, antes conhecida como Escola 1º de Agosto. A mesma onde terminou seu ensino básico e fundamental. Hoje, com o apoio da biblioteca-móvel, ela ganha um aliado para incentivar o hábito de leitura em crianças como Raiane, Fabiana, Tiago, Enderson, Edvânia, Rose, Avani e Débora. &#8220;O pessoal aqui não gosta muito de ler, mas as crianças na escola sempre perguntam sobre os livros. A biblioteca da gente é tão pequena. Até na cidade (centro de Amaraji) os livros são muito velhos e acabados&#8221;, explica a jovem.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1402" style="border: 0pt none; margin: 5px;" title="flip142" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/03/flip142.jpg" alt="flip142" width="286" height="505" /></p>
<p>São as crianças as maiores beneficiadas pelo universo da literatura móvel oferecida pelo Livros Andantes. Da escola até o centro de Estivas, a criançada acompanha o burrinho-sem-nome até uma tenda armada pelos agentes de leitura. Logo ali ao lado, há um povoado que atende pelo nome de &#8220;Não pensei&#8221;. E até agora parece que ninguém havia pensado como um simples equino poderia transformar tanto o domingo dessas pessoas. Enquanto escolhem os livros mais interessantes, um palhaço se junta aos agentes de leitura para organizar a fila dos livros e explicar a iniciativa aos pais das crianças. Incrédulos e surpresos &#8211; no dia do lançamento, quase ninguém da comunidade sabia do que se tratava &#8211; eles também se mostram interessados nas leituras ilustradas.</p>
<p>O Livros Andantes é um dos projetos aprovados pelo Funcultura, com orçamento disponível para apenas três meses. A cineasta Clara Angélica, natural de Amaraji e idealizadora da iniciativa, compartilha dos sonhos daquelas crianças e pensa longe. &#8220;A gente espera que alguém abrace a idéia e ajude a expandir para os demais povoados daqui e de outros municípios, usando o transporte mais usado em cada lugar. Hoje é um jumento ou um burrinho, mas pode ser bicicleta, navio, moto, qualquer coisa&#8221;, diz.</p>
<p>Responsável pela coordenação pedagógica, a arte-educadora e atriz Márcia Cruz explica que a proposta, embora inicialmente restrita a apenas dois povoados, vai além do incentivo à leitura. &#8220;Queremos melhorar as perspectivas das pessoas daqui, compartilhar experiências, incentivar a oralidade e as expressões de cada uma. Treinamos educadores locais para contar histórias e dramatizar, de modo a não transformar a leitura em algo obrigatório, mas em algo prazeroso&#8221;, define.</p>
<p>No percurso de apenas 100 metros entre a escola e o centro de Estivas, a criançada não esconde a ansiedade. Um palhaço as espera para montar brincadeiras sobre as histórias contadas nos livros. Todo domingo será assim, mas apenas em Estivas, a 15 km do centro de Amaraji; e em Mulungu, a 20 km. Ao final dos três meses programados, os caçuás serão doados às escolas dos dois povoados, dando início a uma biblioteca comunitária.</p>
<p>Com a nova biblioteca a partir dos caçuás, garotos como Valter, 6, vão poder ler à vontade toda a coleção de Os seres encantados, por exemplo. São histórias clássicas adaptadas com ilustrações para crianças, em meio a outras coleções de Monteiro Lobato e até Shakespeare, entre outros autores. Próximo domingo, Valter vai devolver A mula sem cabeça em companhia da coleguinha Regina, que preferiu levar Saci Sapeca.</p>
<p>No próximo domingo, parte do pequeno exército de novos leitores estará de volta. Provavelmente uniformizados como &#8220;soldados de cristo&#8221; ou &#8220;salvadores de vidas&#8221; &#8211; trajes vendidos pela Igreja Evangélica do povoado a R$ 8 cada peça &#8211; voltando para casa com os livros em mãos e alimentando a esperança de que, ao menos pelos próximos três meses, suas vidas sejam ilustradas por mais literatura e perspectiva de futuro.</p>
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		<title>Jumento-biblioteca é sensação em Amaraji</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 14:45:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Projeto cultural Livros Andantes começa a funcionar hoje com a proposta de aproximar os moradores da Zona da Mata Sul do mundo literário Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 15.março.2009 Enquanto os livros não criam asas, eles podem chegar de jumento para satisfazer a curiosidade de vários povoados rurais onde, de outro modo, ninguém teria acesso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Projeto cultural <strong>Livros Andantes</strong> começa a funcionar hoje com a proposta de aproximar os moradores da Zona da Mata Sul do mundo literário</em></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
15.março.2009</p>
<p>Enquanto os livros não criam asas, eles podem chegar de jumento para satisfazer a curiosidade de vários povoados rurais onde, de outro modo, ninguém teria acesso aos clássicos da literatura nacional e estrangeira que mudaram a vida de tanta gente na cidade grande. Por enquanto, o único município contemplado com esses jumentos-bibliotecas é Amaraji, a 90 km do Recife, na Zona da Mata Sul do estado.</p>
<p>A partir de hoje, quem estiver de passagem pela região &#8211; vindo das redondezas de Chã Grande, Primavera, Ribeirão, Cortês ou Gravatá &#8211; deve redobrar a atenção no trânsito. Espalhados na zona urbana e rural de Amaraji, os jumentos estarão equipados com o que há de mais refinado e produtivo culturalmente: livros. De todos os gostos, pesos e tamanhos. Se depender dos donos destes jumentos do saber, os 20 mil habitantes de Amaraji podem ficar certos de que ainda há muito caminho pela frente. Vão dividir espaço com a cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, borracha, banana, batata-doce e laranja &#8211; produtos típicos da agricultura do local.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1388" title="flip140" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/03/flip140.jpg" alt="flip140" width="318" height="182" /></p>
<p>Ao utilizar os animais mais característicos da zona rural como forma de aproximar as pessoas do mundo literário, o projeto Livros Andantes promete mudar o cenário de isolamento destes municípios. Na visão de Clara Angélica, idealizadora do projeto que se inicia esta semana, pode-se esperar até mesmo um maior desenvolvimento social, separando um pouco as pessoas de universos ruins como o álcool e as drogas.</p>
<p>A proposta é que os livros fiquem disponíveis para empréstimo ou para leitura nos locais de passagem dos jumentos. Hoje, por exemplo, rodas de educadores vão promover a idéia das bibliotecas ambulantes com leituras abertas no centro da cidade. São pelo menos 100 livros amarrados no caçuá e com paradas programadas em povoados. A cada pausa, é hora de sentar, ouvir histórias e eventualmente uma dramatização dos textos. Ao final de três meses, os caçuás serão doados às escolas de cada povoado em Amaraji, dando início a uma biblioteca comunitária.</p>
<p>Livros Andantes é apoiado pelo Funcultura e pela Prefeitura de Amaraji, mobilizando 300 professores da rede municipal e estadual de ensino. Em um momento posterior, a proposta de Clara Angélica é universalizar o projeto usando os meios de transporte disponíveis no interior. &#8220;Pode ser barco, bicicleta, qualquer coisa. Aqui em Amaraji estamos iniciando este projeto-piloto com a esperança de que se amplie&#8221;, aposta.</p>
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		<title>Sete sopros para o jazz</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 05:36:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A partir da experimentação com instrumentos de orquestra, músicos de Garanhuns criaram a primeira banda dixie de Pernambuco Paulo Rebêlo(texto/fotos) Diario de Pernambuco 04.março.2009 Quem nunca escutou um determinado gênero musical durante toda uma vida pode se tornar um dos seus melhores representantes em apenas um ano? Se depender de sete músicos pernambucanos de muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A partir da experimentação com instrumentos de orquestra, músicos de Garanhuns criaram a primeira banda dixie de Pernambuco</em></p>
<p>Paulo Rebêlo(texto/fotos)<br />
Diario de Pernambuco<br />
04.março.2009</p>
<p>Quem nunca escutou um determinado gênero musical durante toda uma vida pode se tornar um dos seus melhores representantes em apenas um ano? Se depender de sete músicos pernambucanos de muito talento, a resposta vem de um sopro.</p>
<p>Por meio de uma simples experimentação com os tradicionais instrumentos da música de orquestra, surgiu em Garanhuns a primeira banda dixie de jazz em Pernambuco. Jazz clássico, jazz de rua, jazz itinerante. Tudo bem ao estilo das saudosas dixies bands norte-americanas, do início do século passado.</p>
<p>Nascida Orquestra de Frevo e Jazz de Garanhuns em 2008 e com nove integrantes, hoje a Garanhuns Street Jazz Band é formada por sete pessoas: Jasiel Leite (maestro, sax e tenor), Luiz Fernandes (caixa branca), Samuel Leite (percussão), Alexandre Félix (trombone), Álvaro Vinicius (clarinete), Marlos Silva (trompete) e Paulo Alves (tuba).</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1368" style="margin: 5px;" title="2009-03-06_0226171" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/03/2009-03-06_0226171.jpg" alt="2009-03-06_0226171" width="325" height="376" /></p>
<p>Juntos, os sete &#8220;novos&#8221; representantes do jazz de rua bebem na fonte dos clássicos de Louis Armstrong, Miles Davis, Charlie Parker, John Coltrane, entre tantos outros mestres, transformando suas composições com estilo próprio e despojado. Quem os vê tocando &#8211; como ocorreu no carnaval, durante o Garanhuns Jazz Festival &#8211; é só elogios e logo tenta imaginar quanto jazz e dedicação foram necessários até chegar ao nível apresentado hoje. Dedicação, sem dúvida alguma. Jazz? Nem tanto.</p>
<p>Até meados do ano passado, nenhum deles sequer sabia o que era jazz. &#8220;Eu nunca ouvi falar desse tal de Miles Davis&#8221;, brinca Alexandre Félix. Mesma resposta do caçula Álvaro Vinicius, de apenas 18 anos. Félix trabalha como vigilante. Samuel Leite é auxiliar de serviços gerais, Luiz Fernandes é vendedor. Juntos, entendem mais de jazz do que muitos &#8220;especialistas&#8221;.</p>
<p>Embora a maioria seja músico tradicional há pelo menos uma década &#8211; da Banda Marcial do Colégio Diocesano-, somente três vivem exclusivamente da música, como é o caso do maestro prodígio Jasiel Leite, prestes a completar 25 anos. Se ele parece novo agora, imagine ao se tornar o maestro da Banda Marcial aos 17 anos? Ocupa o cargo até hoje, comandando os 60 componentes da orquestra marcial.</p>
<p>Uma história curiosa, contada pelo irmão Samuel Leite. &#8220;Eu já tocava na orquestra (do Diocesano) e, na época, Jasiel tinha apenas 11 anos. Um dia, peguei-o lendo partituras e brincando com a flauta doce. Depois, ele juntou dois amigos por conta própria, organizou e, quando vi, estavam tocando juntos. Não pensei duas vezes e o levei à orquestra&#8221;, explica, com sorriso típico de um orgulhoso irmão mais velho.</p>
<p>Quando o maestro da época foi embora, a banda ficou sem norte. Apesar da esperada resistência dos mais antigos, Jasiel assumiu e, aos poucos, conseguiu renovar a confiança dos colegas. A mesma persistência ele levou para a Street Jazz. &#8220;O tempo é curto, as dificuldades são muitas&#8230; Mas não adianta reclamar sobre problemas que todo mundo já conhece. Não estamos apenas fazendo jazz, estamos estudando jazz. Lendo, ouvindo, inovando, nos aprimorando&#8221;, explica Jasiel.</p>
<p>Reunidos e vestidos a caráter &#8211; roupa social e gravata, como uma verdadeira dixie band-, ninguém poderia imaginar, também, que a banda surgiu por acaso. Uma aventura que deu certo. No primeiro festival de jazz em Garanhuns, em 2008, um produtor amigo dos músicos deu a dica: tentem fazer algo para participar do festival, nem que seja para fazer uma ponta. &#8220;Então misturamos frevo e jazz, sem imaginar como seria o resultado. Deu tão certo que seguimos o caminho do próprio do jazz&#8221;, lembra Jasiel. No festival deste ano, eles foram uma das melhores novidades.</p>
<p>Com apresentações já agendadas pelo interior e promessas de, em breve, vir tocar no Recife, a Garanhuns Street Jazz Band prepara o próximo sopro. Na certeza de que ainda tem muito a contribuir para um gênero musical tão desconhecido quanto apaixonante.</p>
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		<title>Festival de jazz deu o tom em Garanhuns</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2009/02/festival-de-jazz-garanhuns/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 16:25:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Agreste // Pelo segundo ano consecutivo, a cidade das flores é palco de um carnaval marcado por uma diversidade sonora que não toca nas rádios Paulo Rebêlo (texto/fotos) Diario de Pernambuco 26.fevereiro.2009 Quando a Banda de Pífanos de Garanhuns subiu ao palco no centro desta cidade a 230 km do Recife, as duas mil pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Agreste // Pelo segundo ano consecutivo, a cidade das flores é palco de um carnaval marcado por uma diversidade sonora que não toca nas rádios</em></p>
<p>Paulo Rebêlo (texto/fotos)<br />
Diario de Pernambuco<br />
26.fevereiro.2009</p>
<p>Quando a Banda de Pífanos de Garanhuns subiu ao palco no centro desta cidade a 230 km do Recife, as duas mil pessoas presentes na praça Guadalajara talvez soubessem o que vinha pela frente. Ainda era o primeiro dia do Garanhuns Jazz Festival, realizado pelo segundo ano consecutivo, exatamente durante os três dias de carnaval no principal ponto de encontro da cidade das flores.</p>
<p>Minutos depois, contudo, Carlos Malta aparece do nada e se junta aos pifeiros de Garanhuns. Músico dos sopros e conhecido como &#8220;escultor dos ventos&#8221;, o multinstrumentista carioca parecia carregar um objetivo não-declarado: mostrar às pessoas que, daquele ponto em diante, pelos próximos três dias, a palavra de ordem seria diversidade.</p>
<p>Do sábado à segunda-feira, uma grande mistura de ritmos, culturas e tons. Diversidade que não se escuta nas emissoras de rádio e nem sempre se encontram CDs, mesmo nas principais lojas do gênero. Vantagem extra para quem aproveitou e comprou osdiscos de algumas bandas e músicos os quais, dificilmente, terão oportunidade de encontrar novamente. Resta a internet.</p>
<p><img class="size-full wp-image-1320 alignleft" style="margin: 5px;" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/flip130.jpg" alt="Garanhuns Jazz Festival 2009" width="301" height="523" /></p>
<p>Não é de hoje que jazz é o que menos se escuta em festival de jazz. As atrações são, em sua maioria, representantes de blues e todas suas variações, passando pelo rock instrumental. Além das guitarras, é comum o acompanhamento de saxofones, tubas, clarinetes e outros instrumentos mais relacionados às orquestras &#8211; ao menos para quem não conhece ou não se acostuma ao jazz tradicional. Em suma, os festivais de jazz se transformam em mostras de quase tudo instrumental que não é tão popular.</p>
<p>Neste ponto, o Garanhuns Jazz Festival não é diferente. Três entre os melhores shows do evento &#8211; do angolano Nuno Mindelis, do americano James Wheeler e dos paulistas da Igor Prado Band &#8211; são exemplos clássicos de um blues roqueiro que não deixa ninguém parado. O mesmo vale para a banda Nuages, do Equador, com um típico jazz estiloso e bem diferente, bebendo na fonte do guitarrista belga Django Reinhardt (elepróprio um cigano), com pegadas que incluem até mesmo músicas do folclore russo.</p>
<p>A exemplo do que ocorreu na apresentação durante o Rec-Beat, no Recife, os equatorianos do Nuages saíram bastante aplaudidos, sobretudo pela performance teatral de Jimmy Paez, que várias vezes jogou sua tuba para o ar e arriscou acrobacias no palco. Um contraste, se comparado ao introvertido companheiro de banda, o guitarrista David Bonilla; mas ao mesmo tempo previsível, diante da satisfação declarada de Bonilla, em conversa com o Diario antes do festival, sobre esta primeira visita ao Brasil. E, justamente, em Garanhuns. Agora, prometem voltar sempre.</p>
<p>Por outro lado, o Garanhuns Jazz supera festivais do gênero por não cair em tentação (ao menos por enquanto) e ceder espaço para músicos &#8220;populares&#8221; com o único propósito de atrair mais gente. Brasil afora, é comum ver artistas do porte de Gilberto Gil, Lulu Santos, Sandra de Sá, entre outros, nos chamados &#8220;festivais de jazz&#8221;. Para os amantes do jazz, trata-se de um disparate. Similar ao sentimento dos carnavalescos ao imaginar a Banda Calypso tocando frevo no carnaval do Recife.</p>
<p>O jazz propriamente dito, quando apresentado, ocorre em ritmo mais acelerado, umas espécies de jam sessions com outros ritmos. Quem apresenta um pouco desse viés mais contemporâneo do jazz, com maestria, são os rapazes da Garanhuns Street Jazz Band, com apenas um ano de estrada &#8211; embora todos sejam exímios músicos de orquestra há bastante tempo. Ao dividirem o palco com o saxofonista carioca Marcelo Martins, um dos melhores do Brasil, se aproximaram um pouco mais do jazz genuíno.</p>
<h2><span style="color: #ff0000;">Espaço para experimentações</span></h2>
<p>As três noites do Garanhuns Jazz Festival foram mesmo do blues e das experimentações. Blues clássicos pela gaita de Robson Fernandes em conjunto com o paulista Lancaster, pela Uptown Band com a voz eletrizante de Andréa Amorim, pelo virtuosismo da Blue Jeans (SP) e o pioneirismo dos pernambucanos da The Bluz.</p>
<p>O quarteto americano da Clay Ross Band repetiu o tom das apresentações realizadas no Recife, com ritmos de raiz como bebop e bluegrass, além de curiosos &#8220;forró com jazz&#8221; e &#8220;baião com jazz&#8221;. Só tiveram o azar de serem sucedidos por Nuno Mindelis. Faltou pouco para Mindelis ficar preso no palco pela platéia, que não queria deixá-lo ir embora.</p>
<p>Verdadeiro showman, o angolano que mora no Brasil desde o final dos anos 70 fez o dever de casa. Mindelis desceu do palco e circulou por toda a praça Guadalajara com sua guitarra insaciável. Foi todo elogios, merecidos, ao baixista Rodrigo Mantovani, que o acompanhou durante a apresentação. Discreto e em segundo plano, Mantovani foi um dos principais destaques. Sobratalento deste contrabaixo acústico da Igor Prado Band, a maior revelação do festival, com direito até mesmo a releituras de Los Lobos.</p>
<p>O próprio Igor Prado é uma curiosidade por si só. Autodidata, começou a tocar blues aos 11 anos. Aos 16, apresentava-se em bares e festivais com liminar da Justiça por causa da pouca idade. Canhoto, aprendeu a tocar a guitarra de destro de cabeça para baixo e hoje toca com as cordas invertidas do instrumento. O resultado, impossível de descrever. Só ouvindo para crer. A guitarra de Igor não segue sozinha. Além da bateria do irmão Yuri Prado, quem dá um show à parte é Denilson Martins, o saxofonista barítono da banda.</p>
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		<title>Garanhuns Jazz Festival 2009</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Feb 2009 17:43:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[íntegra das notas publicadas parcialmente no Diario de Pernambuco durante o carnaval, entre 22 e 25 de fevereiro de 2009. NOTA 01 Apesar do atraso de uma hora, não poderia ter sido melhor a noite de abertura do Garanhuns Jazz Festival, a 230 km do Recife. Quando a Banda de Pífano de Garanhuns subiu ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>íntegra das notas publicadas parcialmente no Diario de Pernambuco durante o carnaval, entre 22 e 25 de fevereiro de 2009.</em></p>
<p>NOTA 01</p>
<p>Apesar do atraso de uma hora, não poderia ter sido melhor a noite de abertura do Garanhuns Jazz Festival, a 230 km do Recife. Quando a Banda de Pífano de Garanhuns subiu ao palco às 21h, o público ainda se acomodava entre as cadeiras da Praça Guadalajara para conferir o que, afinal, aquele pessoal queria mostrar de diferente em pleno sábado de Carnaval. Não demorou até o carioca Carlos Malta animar a platéia com experimentações de frevo e marchinhas de carnaval estilizadas. Mas o tão badalado jazz veio apenas com o quarteto norte-americano da Clay Ross Band. Embora tenha aberto a apresentação com um rápido (e típico) forró, a segunda música logo enveredou pelo bluegrass e daí em diante o público passou a conhecer um pouco das raízes da música americana. Alternando entre jazz, blues e uma guitarra suavemente roqueira, Clay Ross animou a platéia com sua performance, antes de chamar a diplomata Kate Bentley e seu repertório de blues clássico e &#8220;uma fusão de jazz com baião&#8221;.</p>
<div id="attachment_1314" class="wp-caption aligncenter" style="width: 209px"><img class="size-full wp-image-1314" title="Clay Ross em performance no palco" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres03.jpg" alt="© rebelo.org" width="199" height="300" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>NOTA 02</p>
<div id="attachment_1313" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-1313" title="Nuno Mindelis, o melhor show do evento" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres07.jpg" alt="© rebelo.org" width="400" height="266" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>O angolano Nuno Mindelis mostrou como conseguiu ser eleito a &#8220;melhor guitarra do mundo&#8221; pela revista Guitar Player Magazine. Fugindo um pouco do tradicional jazz, Mindelis conseguiu fazer o público pular das cadeiras na Praça Guadalajara, no centro de Garanhuns. Alternando entre o rock e um blues mais pesado, Mindelis destilou clássicos do gênero e por várias vezes foi acompanhado pela platéia, que não resistiu aos apelos do músico e rapidamente se aproximou do palco para cantar. Ponto alto da festa, o angolano não poupou energias (e nem horário) ao fechar sua apresentação com &#8220;I Know What You Want&#8221;. Achando pouco, desceu do palco e circulou pela praça com sua guitarra, fazendo a festa das câmeras e filmadoras digitais. Com os pedidos de saideira, o carioca Carlos Malta volta ao palco e divide uma última música com Nuno, que sai ovacionado pelos blueseiros em Garanhuns. No domingo, as atrações incluíram a banda Nuages (Equador), Igor Prado Band (SP) e a Dixie Square Band (SP).</p>
<p>NOTA 03</p>
<div id="attachment_1312" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-1312" title="Lancaster (guitarra) e Robson Fernandes (gaita), de SP" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres06.jpg" alt="© rebelo.org" width="400" height="241" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>O veterano guitarrista James Wheeler mostrou o verdadeiro blues de Chicago, numa das noites do Garanhuns Jazz Festival, a 230 km do Recife, em pleno período carnavalesco. Atração mais aguardada do domingo, o americano entrou no palco pouco depois da meia-noite e dividiu as primeiras canções com o paulista Lancaster, que pouco antes havia arrebatado à platéia com seu &#8220;Late Night Blues&#8221;, título do segundo álbum do blueseiro. Na companhia de James Wheeler – que já acompanhou B.B. King e Etta James – os dois guitarristas não pouparam as energias de uma lotada Praça Guadalajara, no centro de Garanhuns. Lancaster mostrou que &#8220;funk&#8221; não é apenas o carioca dos batidões, mas os genuínos funks dos anos 70, de James Brown &amp; Cia. Segunda-feira foi a vez da banda paulista Blues Jeans, do trio Marcelo Martins (RJ), Robson Fernandes (SP) e Uptown Band (PE) colocar o público para dançar. Izzy Gordon (SP) encerra o festival com chave de ouro, num show baseado em seu primeiro disco solo.</p>
<p>NOTA 04</p>
<div id="attachment_1311" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-1311" title="Jimmy Paez, do Nuages Jazz" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres05.jpg" alt="© rebelo.org" width="400" height="266" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>O performático Jimmy Paez, da banda Nuages Jazz (Equador) conseguiu colocar a chuva para correr com sua tuba e suas acrobacias no palco, seguido pela guitarra de David Bonilla. Pela primeira vez tocando no Brasil, eles se apresentaram no Garanhuns Jazz Festival e, embora tenham feito um som mais desconhecido do que os demais, quase não pararam de tocar, tamanha a satisfação do público e os pedidos de &#8220;mais um&#8221;. A banda paulista Igor Prado Band também não deixou por menos, pela guitarra do próprio Igor Prado, a bateria do irmão Yuri Prado e o sax de Denilson Martins. Acompanhado do contrabaixo acústico Rodrigo Mantovani – que também havia dividido o palco com o angolano Nuno Mindelis, num dos melhores shows do festival – a Igor Prado Band foi só elogios à organização do festival e a Garanhuns. A temperatura de 18C e a chuva durante o domingo inteiro não espantaram o público, que compareceu em peso à Praça Guadalajara.</p>
<p>NOTA 05</p>
<div id="attachment_1310" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-1310" title="Izzy Gordon" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres04.jpg" alt="© rebelo.org" width="400" height="266" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>Um dos nomes mais esperados durante os três dias do Garanhuns Jazz Festival, a 230 km do Recife, Izzy Gordon fechou a programação do evento com chave de ouro. Na terça-feira, Garanhuns voltava ao &#8220;normal&#8221; com a promessa da terceira edição para o próximo carnaval em 2010. Filha de Dave Gordon e sobrinha de Dolores Duran, Izzy Gordon dedicou parte de seu repertório à tia, já que o show em si é uma homenagem. Uma longa apresentação que não deixou ninguém parado na praça Guadalajara. Pouco antes, Izzy tinha sido precedida pelas outras atrações da última noite de festival. O saxofonista carioca Marcelo Martins, um dos melhores do país, dividiu o palco com o gaitista e blueseiro Robson Fernandes, de São Paulo. Juntos, voltaram a destilar blues clássicos. O melhor dueto, contudo, foi de Marcelo Martins com o saxofonista Jasiel Leite, da Garanhuns Street Jazz Band, na abertura dos shows, segunda-feira à noite. E de improviso, já que os dois não tinham ensaiado o suficiente ainda.</p>
<p>NOTA 06</p>
<div id="attachment_1309" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-1309" title="Andrea Amorim" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2009/02/lowres02.jpg" alt="© rebelo.org" width="400" height="285" /><p class="wp-caption-text">© rebelo.org</p></div>
<p>Ela cantou apenas duas músicas na última noite do Garanhuns Jazz Festival, mas foi o suficiente para fazer todo mundo pular como nunca. Natural de Garanhuns e já conhecida do público blueseiro no Recife (onde reside atualmente), a cantora Andrea Amorim energizou a apresentação da Uptown Band, liderada pelo baterista Giovani Papaléo – ele mesmo, o produtor e organizador do próprio Garanhuns Jazz Festival. Com seu timbre de voz alucinante e de cabelos vermelhos, Andrea não parou um minuto sequer e alternou as canções com a cantora Adriana Nascimento, também de Pernambuco, acompanhando a Uptown. Pode não ter sido o melhor show da noite, mas sem dúvida foi o mais animado e contagiante. Em seguida, a banda paulista Blues Jeans, apesar do nome, tocou mesmo foi um contemporâneo jazz, só instrumental, entre guitarras e sax. Uma ótima apresentação, talvez a mais conservadora (em termos de jazz) do festival, mas nem por isso menos elogiada e aplaudida.</p>
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		<title>Iati é fiscalizado pelo TCE e CGU</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 10:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 10.outubro.2008 Prefeito eleito com 53% dos votos válidos, Alexandre Tenório (PP) irá assumir a prefeitura de Iati, no Agreste, com dois pesos extras para carregar. O primeiro, velho conhecido da cidade, é o parecer sobre a rejeição das contas da prefeitura pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). E o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/10/flip75.jpg" align="left" title="" width="101" height="184" border="0" hspace="3" vspace="2"/>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
10.outubro.2008</p>
<p>Prefeito eleito com 53% dos votos válidos, Alexandre Tenório (PP) irá assumir a prefeitura de Iati, no Agreste, com dois pesos extras para carregar. O primeiro, velho conhecido da cidade, é o parecer sobre a rejeição das contas da prefeitura pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). E o segundo, a fiscalização em curso pela Controladora Geral da União (CGU) sobre irregularidades na aplicação de recursos públicos da União.</p>
<p><span id="more-826"></span>Nenhum dos impedimentos, contudo, é novidade para o prefeito eleito. O sobrenome Tenório governa a cidade há mais de quatro décadas, inclusive, com adversários políticos entre si. O prefeito eleito, Alexandre, é primo do atual prefeito Hernani e filho de Luis Tenório, ex-prefeito e a quem todos respondem, na prática. Ainda hoje, Luis é chamado de &#8220;prefeito&#8221; por todos na cidade, embora ocupe o cargo de Secretário de Administração nesta gestão.</p>
<p>É a segunda vez que o TCE sugere a rejeição das contas num curto intervalo de tempo. Desta vez, os conselheiros recomendam à Câmara a não aceitação da prestação de contas do prefeito Maurílio Rodolfo Tenório de Souza referentes a 2005. De acordo com o relator do processo, Adriano Cisneiros, foram identificadas várias irregularidades pela equipe técnica de auditoria, entre as quais contratação de pessoal sem concurso público, processos licitatórios em desacordo com a lei, não aplicação do percentual mínimo das receitas tributárias na área de saúde, gastos com a folha acima do limite, entre outros.</p>
<p>Em 2007, o TCE também emitiu parecer recomendando a rejeição das contas de Luiz Tenório, relativas ao exercício de 2003. Procurado pelo Diario, o prefeito não atendeu às ligações. Em agosto, durante visita do Diario à cidade, a prefeitura também optou em não comentar o relatório final da Controladoria Geral da União sobre as irregularidades na aplicação dos recursos do Ministério da Saúde em Iati.<br />
___<br />
<b>LEIA MAIS:</b> </p>
<ul>
<li><a href="http://www.rebelo.org/archives/2008/a-prefeitura-com-um-so-sobrenome/">Iati, a prefeitura com um só sobrenome</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://www.rebelo.org/archives/2008/banheiros-fantasmas/">Banheiros Fantasmas</a></li>
</ul>
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		<title>O triunvirato do Agreste</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 10:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Poder // Há praticamente três décadas, Caruaru vem sendo comandada por três prefeitos Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco &#8211; 07.set.2008 Caso vença as eleições municipais em Caruaru, o deputado estadual José Queiroz (PDT) irá selar uma hegemonia de poder que chega a 30 anos. A prefeitura tripartite tem sido comandada por apenas três nomes: além [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/09/flip66.jpg" align="left" title="" width="198" height="244" border="0" hspace="3" vspace="2"/>Poder // Há praticamente três décadas, Caruaru vem sendo comandada por três prefeitos</p>
<p><a href="mailto:imprensa@rebelo.org">Paulo Rebêlo</a><br />
Diario de Pernambuco &#8211; 07.set.2008</p>
<p>Caso vença as eleições municipais em Caruaru, o deputado estadual José Queiroz (PDT) irá selar uma hegemonia de poder que chega a 30 anos. A prefeitura tripartite tem sido comandada por apenas três nomes: além do próprio Queiroz, o atual candidato a vereador Tony Gel (DEM) e o atual vice-governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PDT) completam o trio.</p>
<p><span id="more-802"></span>Para Queiroz, a questão é simples e trata-se da vontade dos eleitores. &#8220;Quando o povo se manifesta e quer que continue, não se discute. O povo é sábio. Quando não quer, reprova [nas urnas]&#8220;, acredita. No pleito de 2004, Tony Gel venceu a disputa com 65.863 votos, contra os 65.090 de João Lyra Neto. Uma diferença de apenas 773 votos. Em abril, Gel abriu mão da prefeitura para se candidatar à Câmara Municipal. Hoje, Tony Gel apóia a ex-secretária de Educação de Caruaru, Ivânia Porto (DEM). O terceiro candidato, Rivaldo Soares (PPS), teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e está fora da disputa.</p>
<p>É a primeira vez que uma mulher disputa a prefeitura em Caruaru. &#8220;É um diferencial, mas não creio que seja tão crucial&#8221;, diz Ivânia. Ao considerar as eleições sempre acirradas, a democrata acredita que os caruaruenses votam no perfil de um candidato, não nos apoios recebidos. Uma alusão clara à campanha de Queiroz, cujo apoio vem dos governos estadual e federal.</p>
<p>A estrutura superior e o volume de recursos da campanha de Queiroz, visivelmente superiores, são reconhecidas até mesmo pela equipe de Ivânia. Coordenador de campanha da democrata, Tony Gel admite a disparidade ao mesmo tempo em que lembra faltar 30 dias para o pleito. &#8220;Ela não é tão conhecida, mas por onde passa é sempre muito bem recepcionada, vamos ver se o eleitorado entende isso&#8221;, arrisca. &#8220;É preciso renovar&#8221;, completa Gel, cujas pesquisas revelam vitória quase certa para vereador. Ivânia, ainda inexperiente em eleições, foi uma surpresa administrativa nas duas gestões (2000-2007) de Tony Gel, tanto na Educação quanto na pastade Ação Social.</p>
<p>José Queiroz classifica a disputa contra Ivânia como a &#8220;última partida de Copa do Mundo&#8221;, referindo-se à seriedade com a qual sua campanha tem sido conduzida. Na última sexta, Queiroz e outros candidatos da base aliada em Pernambuco participaram de gravações para o guia, na casa do governador Eduardo Campos, com a ajuda do presidente Lula em visita ao Recife. O vice de Queiroz, Jorge Gomes, é o ex-secretário de Saúde do estado &#8211; pasta assumida pelo vice-governador João Lyra Neto, acumulando os dois cargos.</p>
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		<title>Política de duas famílias</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 07:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em Angelim, cidade de João da Costa, os Salgado e Calado vêm se alternando no poder Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 24.agosto.2008 _____ ANGELIM, PE &#8211; Duas famílias rivais dominam o cenário político de Angelim, a 214 km do Recife, no agreste meridional. Os sobrenomes Salgado e Calado se alternam no poder desde os primórdios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/08/flip57.jpg" title="" width="203" height="461" border="0" hspace="3" vspace="2"/><i>Em Angelim, cidade de João da Costa, os Salgado e Calado vêm se alternando no poder</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
24.agosto.2008</p>
<p>_____<br />
ANGELIM, PE &#8211; Duas famílias rivais dominam o cenário político de Angelim, a 214 km do Recife, no agreste meridional. Os sobrenomes Salgado e Calado se alternam no poder desde os primórdios de Angelim e, no meio do tiroteio, uma figura inusitada: o candidato do PT a prefeito do Recife, João da Costa. </p>
<p><span id="more-780"></span>Nascido na cidade em 6 de novembro de 1960, é filho de João da Costa Bezerra, que já foi vereador, prefeito e presidente da Câmara Municipal. A família de João da Costa que ainda reside em Angelim, no entanto, não suporta ouvir sequer o nome do partido do filho ilustre, o PT. São adversários declarados do atual prefeito Samuel Salgado (PT), candidato à reeleição contra Marcos Calado (DEM).</p>
<p>O contexto político ganha ares novelescos quando se descobre, por exemplo, que foi o pai de João da Costa que lançou Marcos Calado na política. &#8220;Meu pai era político, meu avô era político, mas eu não quis saber de política e fui ser bancário. Só em 1988, com apoio e incentivo de João da Costa (pai) é que entrei e não saí mais&#8221;, diz Calado, ex-prefeito de Angelim entre 1997 e 2004.</p>
<p>Na campanha de 2004, não podendo concorrer novamente, lançou seu vice Josemir Miranda (PTdoB) contra Samuel Salgado, que ganhou a eleição com uma diferença de 123 votos. &#8220;A cidade é realmente dividida entre as duas famílias, mas durante um tempo éramos apenas adversários políticos, hoje tem muita gente que não fala mais comigo&#8221;, diz Salgado, com certa razão. Josemir Miranda, adversário em 2004, já foi vice-prefeito de Samuel Salgado quando ele ocupou a chefia do executivo entre 1982 e 1988. &#8220;Rompemos no ano seguinte por divergências políticas&#8221;, desconversa.</p>
<p>O atual prefeito conta com o apoio das máquinas estadual e federal por ser o candidato da situação. Os cartazes com a imagem clássica &#8211; reproduzida Pernambuco afora &#8211; de Eduardo Campos e Lula estão espalhados por toda parte. &#8220;Por conta da divisão entre famílias, o apoio deles é fundamental&#8221;, acredita o prefeito, com um acentuado zeloem relação ao apoio formal do governo.</p>
<p>Sobre a família de João da Costa, também desconversa. &#8220;Eles nunca nos apoiaram, sempre foi assim, a família é conservadora e esteve sempre com o PFL (atual DEM). Mas João da Costa é diferente, é nosso aliado político e surpreendeu a todos nas pesquisas de intenção de voto no Recife&#8221;, comemora discretamente. </p>
<p><b>Pesquisas &#8211; </b>Nem mesmo a família de João da Costa acreditava que ele fosse crescer nas pesquisas &#8211; uma opinião abalizada por uma das tias do ex-secretário de planejamento, Dolores Bezerra da Costa, ainda residindo na cidade.</p>
<p>A tia Dolores lembra os tempos de adolescência do sobrinho. &#8220;Aqui ele é Joãozinho, é Janja; João da Costa é o pai, que faleceu em 2003&#8243;. Dolores faz questão de frisar que &#8220;Joãozinho&#8221; é de esquerda desde novo e nunca gostou do partido do pai. &#8220;Não votamos no PT, nem nesse candidato que está aí, ele vive mudando de partido e vai para onde o poder está. Apoiamos Joãozinho porque é do sangue, só por isso&#8221;, completa.</p>
<p>O candidato Marcos Calado não acredita que o apoio da família de João da Costa exerça tanta influência em sua campanha. &#8220;Nem Lula e nem Eduardo influenciam demais o eleitor em Angelim. E João da Costa menos ainda. Ele sempre foi completamente ausente daqui&#8221;, resume.</p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Prefeito confiante na vitória de João</b></font></p>
<p>O prefeito-candidato Samuel Salgado (PT) não esconde seu receio em relação às eleições do Recife. Entrevistado pelo Diario em janeiro deste ano, quando João da Costa ainda patinava nas pesquisas, mostrou-se cético em relação ao futuro político do PT na capital. &#8220;Competente ele é, bastante, é um excelente técnico. Mas apenas isso não ganha eleição, o partido reconhece que João da Costa não é um político tradicional&#8221;, disse.</p>
<p>Hoje, Salgado não apenas confia na vitória do aliado como pretende aprovar, na Câmara de Vereadores, um projeto para batizar com o nome do pai de João da Costa a primeira Academia das Cidades em Angelim. Ironias à parte, o prefeito garante que o pedido da homenagem partiu pessoalmente de Humberto Costa. Ambos são da Unidade na Luta, bloco interno do PT contrário ao do prefeito do Recife, João Paulo, e do próprio João da Costa. A inauguração deve ocorrer antes de outubro, segundo o prefeito, com a presença de Humberto, Secretário das Cidades no governo estadual.</p>
<p>O apoio dos figurões do PT noRecife também faz parte da agenda do atual prefeito contra o adversário Marcos Calado (DEM). &#8220;Não tem uma semana que conversei com João da Costa por telefone, ele quis saber quando seria o melhor momento para o prefeito João Paulo visitar Angelim&#8221;, alfineta. A visita do governador Eduardo Campos (PSB) e do Ministro de Relações Institucionais, José Múcio (PTB) era esperada para este final de semana em Angelim.</p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Mudança de lado</b></font></p>
<p>A presença emblemática e forte do pai de João da Costa, na direita expressa pelo PFL, não é encarada pelas tias de João da Costa como uma discórdia familiar. &#8220;O pai sempre respeitou as opções de Joãozinho. Incentivou que fosse buscar o que achava certo, tomar as rédeas da carreira&#8221;, garantiu Ivonete Bezerra, uma das tias que mora no Recife, em entrevista para a reportagem publicada no Diario em 27 de janeiro de 2008.</p>
<p>João da Costa Bezerra, o pai, não viu a reeleição de João Paulo (com João da Costa nos bastidores), nem o filho conquistar mandato de deputado estadual como terceiro mais votado em Pernambuco (65.240 votos) e o mais votado no Recife (42.998). O pai já era vereador quando João da Costa tinha apenas seis anos, em 1966. Toda a família sempre militou na direita, desde a época da Arena &#8211; que depois tornou-se PDS, em seguida PFL.</p>
<p>Pelas ruas de Angelim, o Diario reencontra também a primeira namorada de João da Costa, na época do ginásio. Hoje funcionária da prefeitura, não quer aparecer em foto, mas continua fã de carteirinha do hoje candidato à prefeitura do Recife. &#8220;Agora com internet, dá para acompanhar toda a campanha no Recife, né? É melhor do que recortar jornal&#8221;, brinca.</p>
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		<title>Apoio político é tudo na terra de Lula</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2008/08/apoio-politico-e-tudo-na-terra-de-lula/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 11:53:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CAETÉS // Primo do presidente, José Moura de Melo, fortalece a oposição no município Paulo Rebêlo Diario de Pernambuco 24.agosto.2008 ____ CAETÉS, PE &#8212; Famosa por ser a terra natal do presidente Lula e pela pobreza traduzida com o penúltimo lugar no ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) das Nações Unidas, este [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2008/08/flip56.jpg" align="left" title="" width="296" height="470" border="1" hspace="3" vspace="2"/> <i>CAETÉS // Primo do presidente, José Moura de Melo, fortalece a oposição no município</i></p>
<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco<br />
24.agosto.2008<br />
____<br />
CAETÉS, PE &#8212; Famosa por ser a terra natal do presidente Lula e pela pobreza traduzida com o penúltimo lugar no ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) das Nações Unidas, este município a 252 quilômetros do Recife consegue ser ainda mais inusitado nesta campanha eleitoral. Apesar de toda a máquina dos governos estadual e federal em apoio a Sampainho (José Luiz de Sá), é o candidato da oposição Lindolfo Almeida (PSDB) que conta com o apoio explícito de um dos primos mais conhecidos do presidente da República, José Moura de Melo.</p>
<p><span id="more-776"></span>Ele é primo de 2º grau de Lula. Sua mãe, Lourdes Ferreira, é prima legítima do presidente. José Moura ficou famoso na região por conta da proximidade com o parente ilustre, principalmente durante as visitas de Lula a Garanhuns e Caetés. E reluta em apoiar Sampainho, 28 anos, filho do ex-prefeito Zé da Luz (José Luiz Sampaio). Ambos do PSB.</p>
<p>Sampainho foi vice-prefeito do pai por dois mandatos consecutivos (2000-2008), numa dobradinha que teve fim no primeiro semestre, com o lançamento de Zé da Luz para a prefeitura de Garanhuns, a 18 km de Caetés. Desta vez, a família enfrenta uma oposição extra: Ednaldo Pulsa (PMDB) rompeu politicamente com Lindolfo após a eleição de 2004 e saiu candidato contra o grupo de Zé da Luz. Embora adversários no certame, Lindolfo e Ednaldo prometem quebrar a hegemonia e o apoio formal do governador Eduardo Campos (PSB) e da vinculação à imagem de Lula e de Eduardo Campos.</p>
<p>Moura, o primo famoso, respira política dia e noite &#8211; mas prefere manter-se longe do voto. &#8220;Fui candidato a vereador uma única vez, em 1996 por Garanhuns, porque o Lula me pediu pessoalmente. Tem que ter muito dinheiro, eu prefiro apoiar e participar da campanha dos candidatos que acredito. Subo mesmo no palanque, faço comício&#8221;, diz. O ressentimento com Zé da Luz é nítido. &#8220;De todos os candidatos, ele foi quem mais eu ajudei e quem mais me traiu&#8221;. Eles romperam a relação política em 2002.</p>
<p><b>Apoio -</b> Caminhoneiro por 15 anos e hoje envolvido com construção civil, Moura garante perder dinheiro quando decide ajudar na campanha de algum candidato. Separado da mulher, mora em um sítio a 15 km do centro de Garanhuns, onde guarda várias fotografias e recortes de jornal junto ao presidente. Questionado sobre o poder da imagem de Lula em Caetés, é enfático: &#8220;o povo vota no candidato, não no partido ou em quem dá apoio. O vínculo com Eduardo Campos e Lula não vai trazer mais votos para Sampainho. A maioria da família de Lula nem mora mais em Caetés, só uns primos distantes que nunca nem viram o presidente na vida&#8221;, releva.</p>
<p>O jovem Sampainho não acredita no poder de persuasão de Moura na campanha de Lindolfo. &#8220;Há outros familiares de Lula que também nos apóiam, isso é besteira. Muita gente saiu do nosso governo e agora diz que não somos boas pessoas, claro, porque foram para a oposição. Mas antes falavam maravilhas de nós, como é isso?&#8221;, retruca.</p>
<p>Moura credita sua &#8220;independência&#8221; política pelos apoios que concede.&#8221;Na campanha para governador em 2006, recusei-me a apoiar Humberto Costa. Ele não é preparado para um cargo majoritário, não apoiaria nem para prefeito&#8221;, dispara, sem querer comentar sobre as eleições municipais no Recife. </p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Ontem aliados e hoje rivais</b></font></p>
<p>Os rompimentos políticos em Caetés são dos mais diversos. O vice de Lindolfo Almeida (PSDB), Lucivalter Santana &#8220;Galego&#8221; (PR), era secretário de agricultura na prefeitura até abril. Saiu do governo para integrar a chapa de Lindolfo, acusando o ex-prefeito de querer &#8220;impor o nome de sua preferência para ser candidato&#8221;. Para Lindolfo, &#8220;Zé da Luz fez que nem João Paulo no Recife, empurrou o candidato dele passando por cima de todo mundo, não foi um processo democrático, ouvindo as bases&#8221;.</p>
<p>Quem vê os três candidatos à prefeitura de Caetés, soltando farpas entre si, deve voltar um pouco no tempo e entender como todos já foram aliados de unha e carne. Ednaldo Pulsa (PMDB) perdeu as eleições de 2000 e 2004 contra Zé da Luz (PSB), mas apoiou o hoje adversário na campanha de 1992 e também o próprio Lindolfo Almeida. No ano seguinte, rompeu politicamente com Zé da Luz.</p>
<p>Lindolfo, que migrou do PPS para o PSDB, já foi prefeito de Caetés eleito em 1996 com apoio de Zé da Luz e ajudou em sua campanha vitoriosa em 2000. &#8220;Ninguém pode crescer mais do que ele, quem não se curvar é descartado&#8221;, alfineta. Procurado pelo Diario, Zé da Luz não foi localizado, apenas seu filho, Sampainho, vice-prefeito e atual candidato da situação.</p>
<p>Enquanto o tempo e as futricas políticas passam, Caetés continua submersa na pobreza e na ausência de desenvolvimento na zona rural. No Índice da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Caetés aparece como antepenúltima cidade menos desenvolvida de Pernambuco, na frente apenas de Saloá e Manari. </p>
<p><font color="#FF0000" size="3"><b>Figurões dos partidos longe de Caetés</b></font></p>
<p>Nenhum dos três candidatos &#8211; Sampainho, Lindolfo Almeida e Ednaldo Pulsa &#8211; espera pela presença de figurões de seus partidos durante a reta final de campanha. No caso de Sampainho, o maior apoio presencial parte da deputada federal Ana Arraes (PSB), mãe do governador Eduardo Campos. Os demais contam com o sentimento de que a política no interior é decidida individualmente.</p>
<p>Prova desta certeza parte de Edson Olímpio (PSB), pela primeira vez candidato a vereador na chapa de Sampainho. Envolvido com política e liderança comunitária desde 1993, diz que o governador ainda não veio a Caetés, mas prometeu. &#8220;A imagem de Eduardo e Lula é forte, claro que a gente conta com a presença do governador no palanque&#8221;, deixa o recado.</p>
<p>Ednaldo Pulsa (PMDB) sequer sonha com a presença do senador Jarbas Vasconcelos. Ele está na disputa pelo PMDB com apoio do PRP e do PV. A coligação de Lindolfo conta com o PSDB, PR e PTdoB. Galego, vice de Lindolfo, migrou do PSB para fundar o PR em Caetés em 2007, graças ao deputado federal Inocêncio Oliveira. </p>
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		<title>A força eleitoral do pós-assistencialismo</title>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2008 22:11:19 +0000</pubDate>
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<p>Paulo Rebêlo<br />
Diario de Pernambuco &#8211; 18.maio.2008</p>
<p>Dinheiro não cai do céu, mas receber uma quantia fixa todo mês, sem contrapartidas e sem critérios passíveis de fiscalização concreta por parte do poder público é quase uma ajuda divina. Logo, não chega a surpreender que até as eleições de outubro se acentue o destaque ao Territórios da Cidadania. Espécie de evolução conceitual do Bolsa Família, o programa entra na pauta de quase todos os políticos aliados do presidente Lula e faz tremer as bases da oposição. Na sexta-feira (16), novamente o Territórios foi lançado, agora em Pernambuco, com a presença do governador Eduardo Campos, secretários estaduais, representantes do Planalto, prefeitos e parlamentares.<br />
<span id="more-2239"></span><br />
Das 60 regiões cobertas pelo &#8220;novo&#8221; programa, 44 estão sob o comando de governadores da base aliada. Juntos, eles devem receber quase R$ 8 bilhões somente este ano, o que representa pouco mais de 70% do total de recursos previstos. Criticado por todos os lados devido ao caráter assistencialista, o Bolsa Família começa, aospoucos, a ceder espaço para o Territórios, pelo qual se pretende desenvolver a infra-estrutura de rincões do Brasil &#8211; implantando saneamento básico, energia elétrica e outras ações.</p>
<p>Não à toa, tanto a oposição quanto a maioria dos analistas políticos concordam que, enquanto o Bolsa Família existir, o presidente Lula e qualquer candidato apoiado por ele ganham fácil qualquer eleição no Nordeste. Desta vez, o governador Eduardo Campos e sua comitiva partiram rumo ao Agreste Meridional, a fim de cumprir agenda nas cidades de Garanhuns e Caetés, onde participaram de mais um lançamento.</p>
<p>O pré-candidato do DEM à prefeitura do Recife, Mendonça Filho, é um exemplo interessante. Ele já antecipou que durante o seminário &#8220;Realidade Social no Recife e Políticas Sociais&#8221;, a ser realizado nesta segunda-feira (19) no Sebrae, irá reafirmar o apoio integral ao Bolsa Família. O prefeiturável acusa o PT de espalhar boatos nas comunidades dizendo que ele vai acabar com o programa. Em todos os seus discursos pelos bairros, Mendonça defende com peculiar altivez que não irá mexer no benefício caso seja eleito. Não é o único. Os pré-candidatos Brasil afora usam as críticas dos partidos da oposição como moeda eleitoral, até mesmo insinuando que os &#8220;outros&#8221; irão acabar com o Bolsa Família.</p>
<p><b>Orçamento &#8211; </b>No total, o Territórios da Cidadania engloba 135 ações, das quais nenhuma é nova. Espalhadas por 15 ministérios e direcionadas a 958 municípios brasileiros, os recursos financeiros já fazem parte dos orçamentos dos ministérios, aprovados há bastante tempo, mas agora com nova maquiagem. Para este ano, são R$ 11,3 bilhões previstos. O Pará, da governadora Ana Júlia (PT), é o estado que mais receberá recursos (R$ 1,2 bilhão), seguido pela Bahia (R$ 1 bilhão) de Jaques Wagner (PT). </p>
<p><b><font color="#FF0000" size="3">Programa atenua desigualdades</font></b></p>
<p>O economista José Márcio Camargo, um dos primeiros a formular a proposta de renda mínima que supostamente deu origem ao programa, irá falar sobre o assunto na TV Câmara, neste domingo, às 20h. Professor da PUC do Rio de Janeiro e doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, ele reconhece publicamente que já foi criticado por setores do próprio PT por ter idéias &#8220;consideradas neoliberais&#8221;, ao mesmo tempo em que economistas da ala liberal costumam ver com desconfiança suas preocupações sociais.</p>
<p>São 11,1 milhões de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família no Brasil, das quais quase metade estão na Região Nordeste e 1,1 milhão em Pernambuco. Exemplos como o município de Pombos, no Agreste, onde as famílias são direcionadas a aplicar o dinheiro do programa em ações auto-sustentáveis, infelizmente ainda são pequenas exceções pelo país. O caso foi abordado pelo Diario na edição do dia 2 de março deste ano.</p>
<p>Renda &#8211; O economista alagoano Cícero Péricles de Carvalho, um das maiores estudiosos sobre os impactos do Bolsa Família, garante que sem esses programas a situação da maioria dos estados seria ainda pior do que é hoje. Professor na Universidade Federal de Alagoas, ele realça que são 350 mil famílias atendidas naquele estado. &#8220;É o maior número proporcional do Brasil&#8221;, esclarece. Um estudo deste ano do Centro Internacional da Pobreza, vinculado à ONU e ao Ipea, mostrou que aumentar o benefício ou o número de atendidos nos programas de transferência ajuda a derrubar a desigualdade de renda.</p>
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