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	<title>Paulo Rebêlo</title>
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	<description>rebelox .:. jornalismo de precisão e crônicas imprecisas</description>
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		<title>Aquele tal de futuro</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 12:39:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo &#124; 18.janeiro.2012 &#8211; Quando ela perguntava se iria demorar muito para nos vermos, eu não sabia o que responder. Não entendia a importância de uma data aleatória se estávamos sempre juntos mesmo estando longe. O dia sempre chegava, geralmente mais cedo do que tarde. Quando ela perguntava o que iríamos fazer daqui a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Paulo Rebêlo | 18.janeiro.2012</strong><br />
&#8211;</p>
<p>Quando ela perguntava se iria demorar muito para nos vermos, eu não sabia o que responder. Não entendia a importância de uma data aleatória se estávamos sempre juntos mesmo estando longe. O dia sempre chegava, geralmente mais cedo do que tarde.</p>
<p>Quando ela perguntava o que iríamos fazer daqui a um ano, eu não sabia o que responder. Não entendia a expectativa, já que estava mais ansioso em ver se os olhos dela iriam brilhar de felicidade com a <a href="http://www.rebelox.com/2009/08/um-doce-para-maria/">sobremesa do restaurante</a> naquela noite.</p>
<p>Quando ela perguntava quando iríamos fazer aquela viagem, eu não sabia o que responder. Não entendia a urgência, já que todo ano tem férias. E havia tantas férias pela frente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2012/01/2185528-7876-cp2.jpg"><img class="size-full wp-image-2629 aligncenter" style="border-image: initial; margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="(c) rebelox.com" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2012/01/2185528-7876-cp2.jpg" alt="" width="514" height="290" /></a></p>
<p>Quando ela perguntava quando iríamos juntar as trouxas no mesmo armário, eu não sabia o que responder. Não entendia como ia funcionar a logística, pois em casa não tinha nem armário. E a cama era apenas um colchonete no chão frio.</p>
<p>Quando ela perguntava quando poderíamos ter um cachorro grande e peludo, eu não sabia o que responder. Não entendia a pressa, pois a média de vida de um cão é de apenas 12 a 15 anos. Teríamos tempo para ver nascer e morrer pelo menos três cachorros gigantes.</p>
<p>Quando ela perguntava por que eu não fazia planos para o futuro, eu não sabia o que responder. Não entendia o questionamento, pois meu planejamento mais importante já estava feito: ela.</p>
<p>Quando ela perguntava se eu não ficava com raiva dos pitis e chiliques infantis, eu não sabia o que responder. Não entendia a motivação, mas gostava de pensar que era uma espécie de treinamento para <a href="http://www.rebelox.com/2003/08/mudanca-filhos-e-futricos/">o filho</a> que hoje ela não queria, mas que amanhã certamente ia querer quando chegasse esse tal de futuro que só ela conseguia entender.</p>
<p>Quando ela perguntava por que somente ela tinha ciúmes, eu não sabia o que responder. Não entendia o motivo de precisarmos ser os dois adultos infantis em vez de apenas um.</p>
<p>Quando ela perguntava por que aquela sirigaita precisava me abraçar e falar que estava com saudades ali no meio da rua e na frente de todo mundo, eu não sabia o que responder. Não entendia como ela mudava de assunto quando me oferecia para ir perguntar.</p>
<p>Quando ela perguntava quando a gente ia conversar sobre o nosso futuro, eu não sabia o que responder. Não entendia porque deveríamos questioná-lo se, pela primeira vez depois de <a href="http://www.rebelox.com/2002/08/as-cinco-mulheres-de-todo-homem/">tantos anos</a>, eu estava tendo um presente.</p>
<p>Quando ela perguntou se a gente devia se separar, continuei sem saber o que responder.</p>
<p>Mas entendi que não haveria mais perguntas.</p>
<p>__<br />
<em>* link original no <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5563317-EI14598,00-Aquele+tal+de+futuro.html" target="_blank">Terra Magazine</a></em></p>
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		<title>Elixir do emagrecimento</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2011/12/elixir-do-emagrecimento/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 15:43:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[cuba]]></category>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo &#124; 28.dez.2011 Com as confraternizações de fim de ano, a gente termina reencontrando umas pessoas desaparecidas do nosso convívio. E entre abraços e tapinhas nas costas, fica comprovado pela milésima vez que o melhor remédio para emagrecer continua sendo a separação. É impressionante como quase todas que perderam peso ou ficaram mais bonitas são, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Paulo Rebêlo | 28.dez.2011</strong></p>
<p>Com as confraternizações de fim de ano, a gente termina reencontrando umas pessoas desaparecidas do nosso convívio. E entre abraços e tapinhas nas costas, fica comprovado pela milésima vez que o melhor remédio para emagrecer continua sendo a <a href="http://www.rebelox.com/2003/11/rapsodia-da-separacao/">separação</a>.</p>
<p>É impressionante como quase todas que perderam peso ou ficaram mais bonitas são, justamente, as que se separaram ou acabaram um relacionamento de longa data.</p>
<p>É verdade que uma meia dúzia sofre tanto no divórcio que entra em depressão a ponto de perder a fome. Emagrecem doentes.</p>
<p>O restante segue a cartilha da separação como se fosse um elixir. Se é para voltar ao mercado da luxúria e aos bons drinques, nada melhor do que aproveitar a passarela das confraternizações diárias de dezembro, o réveillon e o intervalo entre o fim de um ano e o início do próximo. Uma época, aliás, que todo mundo parece um pouco mais carente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/12/terra-elixir.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-2620" style="border-image: initial; border-width: 3px; border-color: black; border-style: solid;" title="(c) rebelox.com" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/12/terra-elixir-1024x680.jpg" alt="" width="574" height="381" /></a></p>
<p>Morro de medo dessas pessoas. Não sem razão. É que muitas dessas mulheres a gente já conhece do passado, quando eram casadas, perdidas no tempo e nos afazeres domésticos, sem rir das piadas sem graça dos amigos papudinhos do marido ou namorado.</p>
<p>Anos depois, você encontra essas mesmas criaturas dentro de um vestidinho preto, toda magrinha e curvilínea, linda de cabelos longos, bebendo tudo que não bebia antes e sem nenhum anel na mão. E para piorar, são simpáticas e risonhas até mesmo para a piada do tomate que atravessou a rua.</p>
<p>Tenho tanto medo que, quando vejo uma mulher dessas, finjo que não vi, me escondo no banheiro do bar ou dentro de alguma loja até elas irem embora. Porque sei que não vai dar certo uma coisa dessas.</p>
<p>O problema é que às vezes não tem como se esconder, geralmente quando os bons drinques já começam a cobrar a fatura dos neurônios. Termina não dando certo do mesmo jeito. É como se elas tivessem fugido de Cuba.</p>
<p>É verdade, também, que esse método rápido de emagrecimento não é uma exclusividade do fim de ano. Porque se é para emagrecer, divórcio vende mais do que <a href="http://youtu.be/MsFinwtiuMw">coscarque</a>.</p>
<p>__<br />
* <em>link original no <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5535037-EI14598,00-Elixir+do+emagrecimento.html" target="_blank">Terra Magazine</a></em></p>
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		<title>Relações por milhagem</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2011/12/relacoes-por-milhagem/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 01:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo &#124; 14.dez.2011 Terra Magazine *** Sou contra casamento na igreja, noivado, aliança, anel de compromisso e, hoje em dia, até mesmo a morar junto todos os dias da semana. Mas sou a favor de um contrato nos relacionamentos. Com registro em cartório e reconhecimento de firma de pelo menos duas testemunhas. Teria apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Rebêlo | 14.dez.2011<br />
Terra Magazine<br />
***</p>
<p>Sou contra casamento na igreja, noivado, aliança, anel de compromisso e, hoje em dia, até mesmo a morar junto todos os dias da semana.</p>
<p>Mas sou a favor de um contrato nos relacionamentos. Com registro em cartório e reconhecimento de firma de pelo menos duas testemunhas.</p>
<p>Teria apenas uma cláusula: <em>terminada a relação, as partes concordam em se encontrar a cada quatro anos para tomar um café, uma cerveja ou um tacacá</em>.</p>
<p>A fim de evitar ciúmes dos respectivos e atuais cônjuges, se necessário o encontro pode ser filmado pelas câmeras de segurança do estabelecimento ou intermediado por uma testemunha idônea, de mútua amizade e ilibada conduta.</p>
<p>Porque é sempre uma aflição quando os anos passam e a gente não tem mais notícia de quem passou por nós. Nem por Facebook.</p>
<p>Não se trata de saber se a pessoa casou ou encalhou. Até porque elas sempre casam e procriam, é impressionante. Não necessariamente nesta ordem.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/12/DSC01250-2.jpg"><img class="wp-image-2606 aligncenter" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;" title="(c) rebelox.com" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/12/DSC01250-2-1024x685.jpg" alt="" width="655" height="438" /></a></p>
<p>Queremos apenas saber se, mesmo casada, ela está bem de verdade. Se <a href="http://www.rebelox.com/2009/09/a-mulher-infeliz/">está feliz</a>, se gosta do trabalho atual, se não apanha do marido, se já teve os quatro filhos que queria ou se já entrou no Bolsa Família. Enfim, queremos apenas o direito de também ficarmos felizes por elas. Mesmo que a gente nunca revele este último detalhe.</p>
<p>Pode ser que nada tenha mudado e ela tenha apenas <em>conquistado</em> dez quilos na balança. Ou vinte. Ou pintado o cabelo de loiro platinado.</p>
<p>Mas às vezes a platina vira chumbo e elas perderam o emprego, perderam a mãe, perderam o apartamento, sofrem assédio moral no trabalho, estão cheias de dívidas com agiotas, ficaram doentes ou clinicamente deprimidas. Completamente <a href="http://www.rebelox.com/2011/05/beleza-cansada/">perdidas e sem rumo</a> na vida.</p>
<p>Às vezes elas apenas precisam de alguém de confiança para sugerir um amigo solteiro para sair, que não seja muito feio e nem muito burro. E que tenha todos os dentes na boca, embora eu discorde desta última exigência.</p>
<p>Nem sempre sabemos <a href="http://www.rebelox.com/2002/08/as-cinco-mulheres-de-todo-homem/">onde elas estão</a>. Recebemos notícias dos amigos em comum ou de ex-patrões. Sim, porque elas têm essa mania de desaparecer, de não ter mais contato, de sumir do mapa para todo o eterno. Nem sempre por raiva ou por mágoa. Muitas vezes por orgulho, outras vezes por vergonha.</p>
<p>É claro que pode dar errado e entrar água na chopp. Depois de tantos anos, basta um copo para tudo acabar no motel. Ou na delegacia.</p>
<p>Também pode ser um choque de realidade, adiado por tanto tempo.</p>
<p>Pode ser a comprovação que lhe faltava de que ela está muito mais feliz hoje do que ontem. Que teve os filhos que você não quis ter, a casa que você não quis morar, as viagens que você não quis fazer.</p>
<p>E que apesar de todas as suas dúvidas de reconciliação e sonhos de que ela fosse voltar um dia, de que vocês se encontrariam num <a href="http://www.rebelox.com/2011/11/desembarques/">aeroporto</a> qualquer e cancelariam os voos ali na fila do check-in, bom, esse pequeno encontro contratual pode lhe mostrar que você perdeu o horário do voo.</p>
<p>Porque quando ela pega na xícara, <a href="http://www.rebelox.com/2011/06/cafe-sopa-e-mulher/">cheira o café</a> que ela tanto detestava e nem coloca mais o <a href="http://www.rebelox.com/2009/08/um-doce-para-maria/">açúcar</a> que ela tanto adorava, é o jeito simples de mostrar que as suas milhas acabaram e só você esqueceu de conferir o extrato.</p>
<p>___<br />
<em>* link original no <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5517124-EI14598,00-Relacoes+por+milhagem.html" target="_blank">Terra Magazine</a>.</em></p>
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		<title>Desembarques</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 20:32:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo &#124; 30.nov.2011 Terra Magazine *** Não me importaria se, ao chegar em casa cansado do expediente, três mulheres de vestidos floridos e cabelos vermelhos estivessem me esperando. Uma para coçar a barba, outra para coçar o bucho e a terceira para os serviços gerais. O problema é que, quando a gente chega de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Paulo Rebêlo | 30.nov.2011<br />
Terra Magazine</em><br />
***</p>
<p>Não me importaria se, ao chegar em casa cansado do expediente, três mulheres de vestidos floridos e cabelos vermelhos estivessem me esperando. Uma para coçar a barba, outra para coçar o bucho e a terceira para os serviços gerais.</p>
<p>O problema é que, quando a gente chega de viagem, queremos distância de toda a lascívia. Real ou imaginária. Mesmo que sejam vinte mulheres lindas de <a href="http://www.rebelox.com/2007/10/vestidos-e-unhas/">vestidos de botão e unhas grandes</a>.</p>
<p>Porque não importa quantos aeroportos a gente conheça ou quantas vezes já tenhamos feito a mesma viagem ou roteiro. Todo desembarque é um ato solitário que enfraquece até a mais sólida das solidões.</p>
<p>Não faz diferença se é um voo de 45 minutos ou 14 horas de trem. O desembarque deixa qualquer um meio perdido e, em todos os lugares, me parece a mesma tristeza de sempre com aquelas pessoas alteradas e apressadas para ir embora.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/11/desembarques.jpg"><img class="size-full wp-image-2589 aligncenter" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="Estação Ferroviária de Porto-São Bento, Portugal. Foto: Paulo Rebêlo" src="http://www.rebelox.com/wp-content/uploads/2011/11/desembarques.jpg" alt="" width="500" height="335" /></a></p>
<p>Talvez por isso ninguém consiga explicar direito a pequena grande alegria de você se enfiar no meio daquela multidão e encontrar uma pessoa que lhe espera. Dar um abraço em silêncio e um cheiro prolongado. Para enfim sair andando calmamente.</p>
<p>Quem sabe essa pessoa nem goste mais tanto assim de você, talvez não signifique nada de fato. Não obstante, se desloca até os nossos <a href="http://www.rebelox.com/2006/08/viagem-de-aviao/">distantes aeroportos</a>, caros estacionamentos, longas filas de espera e corriqueiros atrasos de voo.</p>
<p>Tudo isso por um desembarque que só dura vinte minutos. Todo esse processo que poderia ser resumido de um jeito tão mais simples e objetivo (olha quem fala) que é esperar dentro do carro, do lado de fora do aeroporto, com o motor ligado, a porta aberta e o GPS já programado para lhe deixar no hotel.</p>
<p>Mas talvez a pessoa que lhe espere não pense assim, tão objetivamente. E esteja ali porque para ela significa mais do que a sua pequena grande alegria.</p>
<p>E durante aqueles poucos passos que separam a porta do desembarque e o abraço daquela mulher, você não sabe direito para onde olhar porque é impossível não pensar que ela também estava ali sozinha no meio daquela multidão de famílias saudosas. Talvez pensando mil coisas ruins e sofrendo de mil memórias que gostaria de esquecer. Esperando a porta de vidro se abrir e com a respiração acelerada até conseguir encontrar, no meio da manada, aqueles últimos fios de cabelo de uma careca que ela consegue identificar de longe.</p>
<p>Por vezes o desembarque lhe mostra que a solidão parece ser maior de quem estava do lado de fora, muito mais sozinha do que todas as outras pessoas com suas micaretas baianas de faixas e bandeiras. Muito mais sozinha do que você puerilmente supõe quando desembarca sem rumo e sem endereço fixo.</p>
<p>Porque afinal o desembarque é apenas um lado desse momento todo, daqui a alguns dias chega a hora e a euforia do próximo embarque. E como todos os outros embarques de todos os outros anos e de todos os outros aeroportos e outras rodoviárias, a gente vai embora enquanto a multidão fica.</p>
<p>E ela novamente se vê sozinha no meio de tudo aquilo, agora também na sala de embarque, perdida como se nunca fosse sair do aeroporto, mas pior ainda, sem conexão e sem escalas para se sentir mais próxima de tudo que ela sente. Tendo que abraçar apenas a ponta de esperança que o voo seja cancelado por algum motivo, que a porta de vidro se abra e a gente desembarque de volta.</p>
<p>Não que ela tenha dúvidas se haverá outro desembarque, pois ela tem a falível certeza que você vai continuar assim. Desembarcando na vida dos outros. Mas sobretudo porque ela sabe que o próximo desembarque pode não ser mais o mesmo. Para você e, principalmente, para ela.</p>
<p>______<br />
* link original no <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5495345-EI14598,00-Desembarques.html" target="_blank">Terra Magazine</a></p>
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		<title>A palavra-chave para o futuro da Apple</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2011/10/a-palavra-chave-para-o-futuro-da-apple/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 01:13:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo // Webinsider 06.out.2011 link Para o mercado, nada muda com a morte de Steve Jobs. Em termos de inovação, porém, o futuro da Apple reside em apenas uma palavra-chave: conivência. Grandes empresas de tecnologia como Apple, Google, Facebook e Microsoft funcionam como nações presidencialistas e sem um federalismo forte. Não importa quantos prefeitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Rebêlo // Webinsider<br />
06.out.2011 <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/10/06/a-palavra-chave-para-o-futuro-da-apple/" target="_blank">link</a></p>
<p>Para o mercado, nada muda com a morte de Steve Jobs.</p>
<p>Em termos de inovação, porém, o futuro da Apple reside em apenas uma palavra-chave: <strong>conivência</strong>.</p>
<p>Grandes empresas de tecnologia como Apple, Google, Facebook e Microsoft funcionam como nações presidencialistas e sem um federalismo forte. Não importa quantos prefeitos e governadores reivindiquem decisões. A decisão final sempre irá passar pelo crivo do presidente.</p>
<p>Você pode ter dez ministros corruptos. Eles só continuam no cargo se você for conivente. O mesmo vale para programadores e engenheiros de software. A conivência com falhas é universal para cargos e funções.</p>
<p>Desde que Bill Gates deixou o cotidiano da empresa para se dedicar apenas à filantropia, o mundo nunca mais viu sequer um grande produto da Microsoft. Trinta anos depois, a Microsoft tornara-se uma empresa sem orientação clara e definida, mesmo tendo alguns dos melhores engenheiros do mundo.</p>
<p>Quem ainda escuta alguma coisa do Yahoo? Perdemos as contas de quantos presidentes e CEOs começaram a dar as cartas, sempre com as decisões questionadas ou emperradas por vários “governadores”. Qual foi o último grande produto do Yahoo, aliás?</p>
<p>Temos a America Online (AOL) que durante anos foi sinônimo de internet e há anos ninguém sabe quem dá as cartas por lá. Aliás, muita gente nem sabe que a AOL ainda existe.</p>
<p>O Huffington Post surgiu do zero e só se transformou no gigante que é hoje por causa de um nome: Ariana Huffington. Para o bem ou para o mal, nada acontece sem passar por ela. Ariana tirou do sério ninguém menos que o editor-executivo do New York Times, Bill Keller. Ele deixou o jornal em setembro de 2011.</p>
<p>Facebook e Google, com seus milhares de programadores e engenheiros geniais e incríveis, não colocam nada no mercado sem o aval de seus presidentes-fundadores. Nada.</p>
<p>Todas essas pessoas são diferentes entre si, mas têm algo em comum além da inteligência: elas <strong>não são coniventes com a mediocridade</strong>.</p>
<p>E não há nada de sobrenatural ou sagrado nisso.</p>
<p>Não são coniventes com produtos que não mostrem algo de novo e inovador ao mundo. Mesmo que não funcione hoje – e a Apple é um ótimo exemplo – mas que apresente um conceito não explorado que irá funcionar amanhã. E se funciona hoje, que funcione do jeito mais eficiente e simples que se pode conseguir com a tecnologia disponível hoje.</p>
<p>A celeuma sobre a genialidade de Steve Jobs deixa passar a questão mais prática e humana na inovação: a conivência com resultados, produtos e ações medíocres.</p>
<p>Todo esse blá blá blá de “campo de distorção da realidade” que o Steve Jobs tinha, bom, é de fato um assunto ótimo de comentar, estudar e procurar entender. No dia a dia, na hora de fazer acontecer, Steve Jobs podia ser tudo, menos conivente com falhas e mediocridade. Daí surgiram, inclusive, todos os relatos de ex-funcionários da Apple que foram profissionalmente humilhados em público na empresa.</p>
<p>É por isso que é inútil questionar, hoje, se Tim Cook – o novo CEO da Apple – é um substituto à altura. Não se trata disso. Antes de mais nada, o que o mercado e os usuários vão descobrir, em breve, é se Tim Cook conseguirá manter a política de não-conivência com falhas que a Apple parece ter perdido em 2011.</p>
<p>Steve Jobs deixou o comando da Apple bem antes de morrer. Quando ele apareceu no keynote de lançamento do iPad, foi uma grande surpresa. Mas a questão era clara: o iPad foi o último produto verdadeiramente abraçado por Jobs, do rabisco (conceito) ao lançamento. Era um filho, como tantos outros.</p>
<p>Desde então, o fragmentado comando da Apple passou a ser bem mais conivente.</p>
<p>Essa conivência permitiu a Apple lançar um sistema operacional feito o Mac OS X Lion, um produto longe de ser bem acabado e mais longe ainda das expectativas da própria empresa.</p>
<p>A mesma conivência tem levado a Apple a demorar inexplicáveis meses para corrigir bugs simples do Lion. A mesma conivência permite à empresa fazer um barulho enorme para lançar um iPhone 4S. Que é o mesmo telefone – inclusive, com as mesmas medidas e peso – trazendo um hardware repaginado.</p>
<p>Com a política de não-conivência de Jobs, particularmente também duvido que os novos Macbooks (Air e Pro) tivessem sido lançados, nesta versão de 2011, apenas como meras repaginações de hardware. Sem absolutamente nada de novo, nada de inovador em relação às edições anteriores, nada para encher os olhos. Um (des)feito inédito em toda a história da linha de Macbooks.</p>
<p>É memorável o e-mail (leia <a href="http://techcrunch.com/2008/08/06/full-steve-jobs-mobileme-e-mail/" target="_blank">aqui</a>) que Steve Jobs enviou aos funcionários da Apple, em 2008, quando lançaram o serviço MobileMe. Havia tantos bugs que Jobs mandou tirar tudo do ar até os programadores resolverem. Deixou milhares de usuários na mão, mas quando o MobileMe voltou a ser oferecido, tornou-se um dos melhores recursos para quem depende do Macbook para trabalhar.</p>
<p>E do MobileMe surge a atual grande aposta da Apple: a migração para o iCloud, por onde vamos guardar na “nuvem” nossos arquivos, músicas, filmes e bibliotecas do iTunes, iPhone, iPad e tantos outros aparelhos.</p>
<p>Com Steve Jobs, as coisas funcionavam assim. Como também funcionam para Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Ariana Huffington e como funcionou para Bill Gates até um tempo atrás.</p>
<p>E como funcionam para tantos outros presidentes. Porque eles não são meros presidentes de uma firma. A empresa é a vida deles, a essência e razão de existir. Um produto medíocre não é apenas uma falha comercial, não representa apenas um prejuízo financeiro, não é algo para se colocar a culpa em terceiros. É uma falha de competência deles. Representa um atestado de conivência com a mediocridade.</p>
<p>E a última coisa que um profissional acima da média aceita é ser <strong>vinculado a resultados medíocres</strong>.</p>
<p>Ninguém sabe, ainda, até que ponto Tim Cook será conivente com falhas de um punhado de pessoas que talvez estejam ali para “fazer carreira” e pagar as contas no final do mês.</p>
<p>Ele é ex-funcionário da IBM, que durante anos enfrentou o mesmo dilema e levou mais tempo ainda para se reerguer. Como usuário, igual a qualquer outro, eu apenas torço que ele tenha aprendido alguma coisa lá.</p>
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		<title>Namorando a vovó</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 13:25:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Terra Magazine 05.outubro.2011 Segunda-feira, a jovem manceba chega ao escritório com o sorriso na testa. Antecipa-se a todos para dizer que &#8220;beijou muito&#8221; no fim de semana. Foi para todas as baladas, dançou, esfregou, pegou geral. As colegas aplaudem, comentam, pulam, incentivam. E se aquelas donzelas preferissem trocar toda a pegação da balada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Rebêlo<br />
Terra Magazine<br />
05.outubro.2011</p>
<p>Segunda-feira, a jovem manceba chega ao escritório com o sorriso na testa. Antecipa-se a todos para dizer que &#8220;beijou muito&#8221; no fim de semana. Foi para todas as baladas, dançou, esfregou, pegou geral.</p>
<p>As colegas aplaudem, comentam, pulam, incentivam.</p>
<p>E se aquelas donzelas preferissem trocar toda a pegação da balada por um final de semana em casa, assistindo Zorra Total na televisão, com um pote de häagen-dazs no colo e um namorado coxinha que segure a mão delas enquanto ri com as piadas super engraçadas do Chico Anysio ao telefone com a Dilma?</p>
<p>E elas acordariam cedo no domingo para brincar de casinha: ir ao mercado fazer a feira da semana, comprar iogurte light, frutas frescas e verduras orgânicas. Para depois ir almoçar com os pais TFP do coxinha, em verdadeira comunhão familiar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="margin-top: 2px; margin-bottom: 2px; border-width: 2px; border-color: black; border-style: solid;" src="http://img.terra.com.br/i/2011/10/04/2049098-4732-cp2.jpg" alt="(c) rebelox.com" width="514" height="290" /></p>
<p>Não é ficção. Ainda não consegui entender como tanta gente, cada vez mais jovem, sonha com uma vida assim já tão cedo.</p>
<p>Mesmo depois de todas as revoluções culturais, sociais e sexuais que tivemos nas últimas décadas. Justamente para que nossos filhos e netos pudessem ter a liberdade que a gente não teve.</p>
<p>Essas moças e rapazes podem fazer tudo que nossas avós nunca puderam. Mas entre desbravar o mundo com as próprias pernas ou arrumar um &#8220;namorido&#8221;, escolhem o primeiro coxinha que aparece.</p>
<p>É como se o Luciano Huck tivesse se transformado no modelo de marido ideal.</p>
<p>É natural a gente querer um pouco de chão. Nem que seja um chão com colchonete e sem ventilador. Mas quem sonhava com isso aos 20 e poucos anos eram nossas avós. Quando era pecado passível de queimar no fogo dos infernos uma mulher <a href="http://www.rebelox.com/2001/09/mulheres-de-30/">passar dos 30</a> sem marido.</p>
<p>Nunca tivemos tanta liberdade para fazer tudo. E quanto mais liberdade se tem, mais fico com a impressão que elas estão parecidas com nossas avós.</p>
<p>Nunca botaram os pés para fora de casa, mas já querem uma vida de novela. Com casa própria, armários para roupas e sapatos, TV por assinatura, internet rápida, carro zero, roupas que aparecem na televisão e um sapato para cada ocasião diferente.</p>
<p>Mas se você perguntar onde fica a padaria mais próxima no bairro, não sabem responder.</p>
<p>Não sei se há culpa de novelas ou de seriados enlatados. Sei apenas que o <a href="http://www.rebelox.com/2009/11/discursos-sinceros/">discurso</a> das neo-vovós é assustador. No dia a dia, na vida contada aos amigos, tudo é muito moderno. Baladas, alta gastronomia e sexo toda hora e em todo lugar. Na prática, sonham com a vidinha que a vovó se orgulharia.</p>
<p>Sem nunca pular para o outro lado do cordão de segurança no carnaval de Salvador. Viajar sem planejar, sem destino e sem mapa? Pode acontecer uma tragédia. Elas viram no Fantástico que essas coisas acontecem.</p>
<p>Deve ser muito difícil namorar uma vovó.</p>
<p>________<br />
<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5394019-EI14598,00-Namorando+a+vovo.html" target="_blank">Link original</a> no Terra Magazine.</p>
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		<title>Honesta gravata</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 19:04:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Terra Magazine 21.setembro.2011 Não gosto de usar paletó. Falando assim, parece o velho clichê de querer ser informal ou tentar reafirmar a condição de homem primitivo. Mas é apenas uma aflição ideológica. Não sei o motivo, mas as pessoas costumam me tratar muito bem quando estou de paletó. E isso faz o nó da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Rebêlo<br />
Terra Magazine<br />
21.setembro.2011</p>
<p>Não gosto de usar paletó. Falando assim, parece o velho clichê de querer ser informal ou tentar reafirmar a condição de <a href="http://www.rebelo.org/hipopocaranga/2006/o-homem-primitivo/">homem primitivo</a>.</p>
<p>Mas é apenas uma aflição ideológica. Não sei o motivo, mas as pessoas costumam me tratar muito bem quando estou de paletó. E isso faz o nó da gravata apertar demais a minha garganta.</p>
<p>Sempre me questiono por que não recebo o mesmo tratamento de estranhos quando estou com minhas calças de pano e meu kichute genérico? É a mesma pessoa.</p>
<p style="text-align: center;" align="center"><a href="http://www.flickr.com/rebelo/" rel="http://www.flickr.com/rebelo/"><img class="alignnone" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid; margin: 2px;" src="http://img.terra.com.br/i/2011/09/21/2031819-6531-in.jpg" alt="(c) rebelo.org" width="450" height="300" /></a><em><br />
</em></p>
<p>Não é uma aflição recente. Comecei a reparar na diferença quando, ainda bem jovem, ouvi de uma moça que <em>nenhuma mulher resiste a homem de paletó</em>. Não quis nem saber o motivo. Quase corri na loja mais próxima para comprar vinte paletós e quarenta gravatas.</p>
<p><span id="more-582"></span></p>
<p>Com o passar dos anos e por força eventual do ofício, percebi que não eram apenas as mulheres que me olhavam diferente.</p>
<p>Se as mulheres parecem olhar com mais interesse, os homens parecem falar com mais respeito, reverência ou medo. Às vezes é difícil diferenciar uma coisa da outra.</p>
<p>Dependendo do lugar e do momento, o paletó transforma-se na Matrix. Uma realidade paralela onde um simples terno e gravata ajuda não apenas a abrir portas, mas também pernas.</p>
<p>Na rua, ninguém sabe se você está de paletó porque é vendedor de seguros ou porque é uma pseudo-autoridade. Na dúvida, ninguém quer descobrir. Vai que ele é advogado? Deputado? Vai que é assessor do presidente? Não faz diferença. Se o cara está de paletó, deve ser doutor. Deve ser alguém importante. Deve ter dinheiro.</p>
<p>Na lanchonete, é como se o <a href="http://www.rebelo.org/2010/01/garcom/">garçom</a> tivesse a obrigação de servir um café de primeira, um almoço caprichado, um suco feito na hora. E sempre com um sorriso, doutor.</p>
<p>E o cara que está ali na minha frente, às vezes pagando mais caro do que eu, ninguém nem pergunta se ele gostou da comida ou se quer mais alguma coisa.</p>
<p>Na delegacia, os policiais tratam bem para disfarçar a raiva nessa quebra da hierarquia de poder. O problema é que funciona. Vá tentar resolver qualquer coisa de tênis e calça jeans e depois tente ir de paletó. Você nunca mais vai entrar numa delegacia sem o terno. Você vira uma autarquia andante.</p>
<p>À noite, no restaurante, é como se ninguém mais trabalhasse no planeta e apenas os homens de paletó fizessem o trabalho pesado. Só eles merecem mais atenção, merecem receber a carta de vinhos sem perguntar, merecem aquele aperto de mão do gerente. E na hora da conta ainda tem a disputa para ver quem entrega a dolorosa. Claro, porque um cara de paletó sempre pode deixar uma gorjeta melhor.</p>
<p>Fico me perguntando se talvez não seja um medo coletivo de que a gente &#8211; por estar usando um terno preto &#8211; dê voz de prisão a qualquer momento. Ou então somos gerentes do Banco do Brasil e podemos fazer uma ligação e lhe conceder um crédito a juro zero em duzentas prestações.</p>
<p>Resolvi abolir de vez a vestimenta quando, certa vez, uma outra moça disse que minha barriga ficava bem menor com o terno e gravata. Ou seja, não basta vestir a Matrix. Agora eu tinha virado parente do David Copperfield.</p>
<p>Dá o maior trabalho conservar essa pança e, de repente, por causa de uma mera ilusão de ótica, perde-se todo o sentido de coçar a barriga enquanto se toma um chopp. Não pode ser normal uma coisa assim.</p>
<p>Encostei a paletó no armário até criar teia de aranha.</p>
<p>Admito minha fraqueza e reconheço que, às vezes, faz falta. É comum me servirem <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5199976-EI14598,00-Cafe+sopa+e+mulher.html">café frio</a>. Não me oferecem a carta de vinhos. A conta demora a chegar. Nenhum gerente quer ser meu amigo de infância. E, claro, encontro mais pernas fechadas do que abertas.</p>
<p>Não é fácil. Mas pelo menos ninguém se ilude por baixo dos panos.</p>
<p>__________<br />
<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5362068-EI14598,00-Honesta+gravata.html" target="_blank">Link original</a> no Terra Magazine.</p>
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		<title>O homem backup</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2011/08/homem-backup/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Aug 2011 02:04:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Terra Magazine 03.agosto.2011 A gente nunca admite por vergonha, mas estamos quase sempre procurando &#8211; ou esperando &#8211; alguém para substituir algo que perdemos. Os amigos são os mesmos. Família, trabalho e problemas, também. Arquivos do acaso, alguém puxa o mesmo livro que o seu na prateleira da livraria e, sem ninguém lembrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Rebêlo<br />
Terra Magazine<br />
03.agosto.2011</p>
<p>A gente nunca admite por vergonha, mas estamos quase sempre procurando &#8211; ou esperando &#8211; alguém para substituir algo que perdemos.</p>
<p>Os amigos são os mesmos. Família, trabalho e problemas, também. Arquivos do acaso, alguém puxa o mesmo livro que o seu na prateleira da livraria e, sem ninguém lembrar direito como isso acontece, estão os dois sentados tomando um café, uma cerveja ou aquele copo de uísque sem gelo.</p>
<p>Humanamente impossível não passar pela cabeça dela, sequer por um segundo: <em>será que ele vai me ajudar a esquecer&#8230;?</em></p>
<p>Quando o &#8216;ele&#8217; em questão é você, é melhor suspender as ilusões platônicas e mandar trazer o gelo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class=" aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; border-width: 0px;" src="http://img.terra.com.br/i/2011/08/03/1975684-3416-cp2.jpg" alt="(c) rebelo.org" width="514" height="290" /></a></p>
<p>Porque em momentos assim, tudo que nós precisamos ser é alguém para ajudar a colocar uma pedra naquela cicatriz meio aberta, meio fechada, mas exposta o suficiente para ela não ter mais se interessado de verdade por ninguém. Até agora.</p>
<p>É quando nos tornamos uma espécie de cópia de segurança psicológica. Afinal, ela tem todos os motivos do mundo para não precisar conhecer, e muito menos se interessar, por gente nova.</p>
<p>Não faz diferença há quanto tempo acabou o casamento ou o namoro. Importa que ninguém conseguiu preencher, ainda, a lacuna daquele homem que passou. Pouco ou nada adiantou a série de curtições na balada com as amigas, os encontros cegos que elas marcaram, os pretendentes de plantão.</p>
<p>Faremos nós a diferença?</p>
<p>Ela não quer mais um <a href="http://www.rebelo.org/hipopocaranga/2003/o-azeitador-de-maquinario">azeitador de maquinário</a>. Aliás, nem precisa. Há aos montes. Não quer conselhos e nem consolos. Para tal, as amigas bastam.</p>
<p>Quer apenas um pouco mais de segurança. O mínimo, uma fatia, uma porção júnior para não precisar acordar, todo dia, sem fazer ideia de como serão as próximas manhãs, tardes e noites.</p>
<p>Enquanto elas falam, gesticulam, logo ali à frente, a única coisa que passa pela minha cabeça é tentar descobrir o que passa pela cabeça delas em relação a nós.</p>
<p>Será que a fazemos lembrar do ex? Será que temos o tom de voz parecido? Será que torcemos para o mesmo time? Temos as mesmas convicções e preconceitos?</p>
<p>E quando os olhos dela começam a brilhar, será que é um encanto sincero ou um choro contido? Talvez por ter lembrado de algo que não gostaria, apenas pelo jeito de como chamamos o <a href="http://www.rebelo.org/hipopocaranga/2010/garcom/">garçom</a>.</p>
<p>Basta um pequeno gesto, seu, para reviver um batalhão de memórias supostamente mortas. Pode ser o jeito de segurar o copo, de oferecer o primeiro gole, de ter medo de multidão, de não encontrar o carro no estacionamento, de tropeçar sempre no mesmo degrau, de levantar apenas uma sobrancelha, de coçar a cabeça, de roer as unhas.</p>
<p>Como vamos saber?</p>
<p>E depois de pagar a conta, será que iremos nos encontrar novamente porque somos parecidos a alguém que ela tanto amou? Ou será porque somos exatamente o oposto dele?</p>
<p>Se estamos no cinema, será que o nosso ombro tem aquela simetria perfeita à qual ela se acostumou tão bem?</p>
<p>Quando deitamos juntos, será que por instantes ela vai lembrar de todas as noites em que eles dormiram durante meses, durante anos? E agora ela está prestes a fazer o mesmo, sem ele?</p>
<p>E depois, quando ela encosta a cabeça em nosso peito ofegante de cansaço, será que conseguimos passar toda a segurança que ela supõe precisar?</p>
<p>Nenhum homem passa incólume a esses questionamentos.</p>
<p>Mas, no fundo, a gente não quer saber a resposta. Para um dia não ter que responder o mesmo.</p>
<p>_______<br />
<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5277468-EI14598,00-O+homem+backup.html" target="_blank">Link original</a> no Terra Magazine.</p>
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		<title>Lion não é o rei da selva</title>
		<link>http://www.rebelox.com/2011/07/lion-nao-e-o-rei-da-selva/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Jul 2011 14:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paulo Rebêlo Webinsider/UOL, 21.jul.2011 (link) Se você é semi-cardíaco feito eu, o Mac OS X Lion é quase um atentado às pontes de safena da humanidade. Interessante notar que, se depender dos sites especializados em Apple e a legião de adoradores de Steve Jobs, o Lion é praticamente a última coca-cola no deserto. A bala que matou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Paulo Rebêlo</strong><br />
Webinsider/UOL, 21.jul.2011 (<a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/mac-os-lion-rei-da-selva/" target="_blank">link</a>)</p>
<p>Se você é semi-cardíaco feito eu, o Mac OS X Lion é quase um atentado às pontes de safena da humanidade. Interessante notar que, se depender dos sites <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/mac-os-lion-rei-da-selva/#" rel="nofollow">especializados</a> em Apple e a legião de adoradores de Steve Jobs, o Lion é praticamente a última coca-cola no deserto. A bala que matou Kennedy. A gilete da Vera Fischer.</p>
<p>Já mostramos as <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/">principais novidades</a> deste novo Mac OS. Agora, vejamos os sustos que podem lhe tirar um pouco de paciência. Pequenos problemas presentes desde a primeira versão beta do Lion (<em>testamos todas</em>) até a versão final que você pode comprar na App Store por 29 dólares.</p>
<p><span id="more-2260"></span></p>
<p>A questão maior é que o Lion está longe de ser um sistema operacional realmente novo ou instigante. Além de ter bugs visíveis demais.</p>
<p>Com o Lion, a Apple mantém a velha cruz de três letras: FFF ou, para quem chega agora, Fix the Fucking Finder. Uma sigla que os macmaníacos não gostam de falar. Faltam argumentos.</p>
<p>O Lion fecha um ciclo de dez anos de Mac OS X. Tanto tempo depois, a Apple não teve a decência de consertar ou aceitar as milhares de sugestões enviadas pelos usuários em relação ao Finder, o equivalente ao Windows Explorer do Mac.</p>
<p>Conseguiram o impossível: piorar um Finder que ninguém acreditava que pudesse ficar pior. Ficou mais pesado (o Finder do Snow Leopard é uma bala), mais poluído, com novos atalhos desnecessários e “apagou” atalhos importantes da versão anterior, como o “hoje”, “ontem” e “semana passada” para você ter acesso rápido apenas aos arquivos modificados hoje, ontem ou durante a semana.</p>
<p>E se você esperava que a Apple fosse finalmente organizar a visualização e separar as pastas dos arquivos comuns, esqueça. Não foi desta vez.</p>
<p>Quase todos os defeitos do Finder permanecem.</p>
<p>Você deve ter lido por aí que o Lion oferece “250 novidades” em relação ao atual Snow Leopard. Esse número redondo é exatamente o que Steve Jobs falou na palestra de apresentação do Lion. O problema é que, para a Apple, mudar a moldura da imagem de login (de quadrada para redonda) parece contar como uma novidade. Mudar o formato da barra de rolagem, outra. Oferecer novos papéis de parede, também é novidade. E assim sucessivamente.</p>
<p>No uso prático, o Lion é uma atualização do sistema operacional para deixar tudo mais ou menos com a cara de iOS, ou seja, de iPad. Poderia ser oferecido de graça no Software Update do Snow Leopard.</p>
<p>Se o iPad é uma espécie de <strong>iPhone de Itu</strong>, o Lion quer transformar seu Macbook no <strong>iPad do Gargamel</strong>.</p>
<p>Também não se iluda no quesito performance. O Lion é, de fato, mais rápido e mais leve: desde que você tenha 4 GB de RAM ou mais. E, mesmo assim, a interface do Lion não é tão responsiva quanto o Snow Leopard em diversas ocasiões. A começar pelo bendito Finder.</p>
<p>A pessoal da Apple não fez questão de esconder que adotou o mesmo truque que a Microsoft empurrou no Windows 7 com bastante sucesso: mesmo que você não use, boa parte dos componentes do Lion são pré-carregados na RAM antes mesmo da demanda, como se fosse uma grande memória cache. O atual Snow Leopard também faz isso, porém, de um jeito bem mais precário.</p>
<p>Por enquanto, essa velocidade maior só funciona com os componentes do MacOS: Safari, Mail, enfim, o sistema operacional como um todo. É mais do que suficiente e causa uma excelente impressão. Sobretudo ao considerar que, entre usuários de Mac, a maioria só usa basicamente o que já vem dentro do MacOS para o <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/mac-os-lion-rei-da-selva/#" rel="nofollow">trabalho</a> cotidiano.</p>
<p>Funciona? Sim, funciona porque a memória RAM é mais rápida do que o acesso ao disco rígido. Mas, se você usa Macbook Air com disco SSD, não vai notar diferença alguma. Porque o SSD já faz o Snow Leopard ficar uma bala. O Lion não consegue fazer, ainda, essa distinção e usa uma regra universal para tudo.</p>
<p>De certo modo, performance melhor sem precisar comprar outro computador até paga a atualização para o Lion, independente das novidades. Mas, se você usa muitos aplicativos de terceiros, não se apresse. Os desenvolvedores vão precisar atualizar cada programa externo para se adequar ao novo convívio do Lion. A começar pelo Office e pelos browsers alternativos, como Firefox e Chrome.</p>
<p>No caso do Chrome, o Google já avisou que vai “demorar um pouco”. A Microsoft, até agora, não se pronunciou em relação ao Office.</p>
<p>Outro susto: se você depende do Address Book como agenda de endereços ou anotações, reze por paciência. A exemplo do Finder, a Apple piorou uma ferramenta que já não era grande coisa, mas funcionava perfeitamente.</p>
<p>Não adianta explicar muito se você não usa com frequência (tenho 4.890 fichas no meu Address Book do Mac), mas vou tentar resumir.</p>
<p>A agenda de endereços “ganhou” um visual similar a um caderno, uma viagem psicodélica-retrô da Apple que lembra o Lotus Organizer em 1995.</p>
<p>Como se não bastasse, é um caderno de tamanho fixo: você não pode mais aumentar a janela para o tamanho desejado, agora há um limite. E depois de virar a página no endereço clicado, vai ter que usar um clique a mais para voltar ao início. Complicou uma ferramenta, até então, simples e funcional.</p>
<p>Quer infartar mesmo? Essa agenda de endereços do Lion continua sem diferenciar acentos na busca. Ou seja, com minhas quase 5 mil fichas cadastradas, se eu procuro alguém do “Pará”, o Lion vai me retornar centenas de <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/mac-os-lion-rei-da-selva/#" rel="nofollow">resultados</a>: ele não diferencia “Pará” de “para” na hora de fazer a busca em tempo real. Bug tão ridículo que me faz questionar de onde vem o ácido desses programadores que não consertaram isso no Lion.</p>
<p>O Launchpad, um dos truques para transformar o Mac em iPad do Gargamel, é um conceito interessante, porém, de uso complicado. Se você tiver paciência de passar duas horas organizando o Launchpad de acordo com a sua demanda de aplicativos mais usados, talvez (um dia) ele se torne útil. Porque sozinho o Launchpad não vai organizar nada e vai poluir com páginas e mais páginas de atalhos e ícones que você nunca vai usar.</p>
<p>O Launchpad funciona bem em tablets, no iPhone de Itu. Para um computador com dezenas de aplicativos, vira uma confusão.</p>
<p>Particularmente, continuo usando a aba de “Aplicativos” e, mais ainda, os atalhos de teclado. Não tem como ser mais simples do que isso. Fica ao gosto do freguês.</p>
<p>Outro truque pró-Gargamel é o Mission Control. Quando me perguntam a utilidade, não sei responder. É praticamente a mesma coisa que existe hoje com o Spaces e Exposé, apenas com o adicional de separar os aplicativos abertos de um lado e os aplicativos em tela cheia com <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/mac-os-lion-rei-da-selva/#" rel="nofollow">destaque</a> na parte superior da tela. Você vai usar isso tanto quanto usava o Spaces. Para fazer basicamente a mesma coisa de um jeito mais estiloso.</p>
<p>A inversão do scroll do mouse (mudou o sentido, de baixo para cima e de cima para baixo) pode ser desativada sem maiores problemas nas preferências do sistema. Tem muito <em>guru</em> falando que leva pouco tempo para se habituar com a “novidade”. Com o touchpad, talvez haja alguma verdade nisso. Quem usa mouse externo (ex.: Magic Mouse), vai se complicar um bocado.</p>
<p>Os novos “gestos” (gestures) do touchpad podem ser bacanas, isto é, caso você encontre alguma utilidade que já não tinha antes no Snow Leopard. No uso diário, vale muito a pena (e realmente fica mais rápido) se você usa o Safari e outros aplicativos em tela cheia, pois agora pode-se avançar ou recuar uma página instantâneamente usando dois dedos. Se novas versões de Chrome, Firefox e Opera resolverem adotar o recurso, será outro ponto positivo para o novo gesto no touchpad.</p>
<p>Por falar em mouse e touchpad, a maior mancada do Lion é limitar o gosto do usuário: ou você configura o botão direito para ser acionado com dois dedos ou configura para o canto inferior direito (ou esquerdo) do touchpad. A diferença é que, no Snow Leopard, ele aceita os dois modos de entrada: dois dedos ou canto inferior do touchpad. Com o Lion, usar os dois dedos anula a opção de usar o canto inferior do touchpad. Não tem sentido algum, zero mesmo.</p>
<p>Novesfora toda essa rabugice, o Lion tem um precinho camarada e você pode instalar em vários Macs. Mas está muito longe de ser uma atualização necessária, por enquanto.</p>
<p>Veja que ironia: com o Lion, a maioria das empresas precisará adotar a mesma segurança secular com os lançamentos da Microsoft. Ou seja, não fazer a migração até que saia a primeira grande atualização (Service Pack, no caso do Windows) do sistema operacional.</p>
<p>O Lion oferece recursos poderosos e um visual bacana, como vimos no review. Mas, hoje, deveria se chamar apenas Mac iOS e ser uma interface permutável do atual Snow Leopard, um componente adicional. Nada mais do que isso.</p>
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		<title>Por dentro do Mac OS X Lion</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 16:44:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rebêlo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conheça as principais novidades do novo sistema operacional da Apple, os cuidados e perigos antes de instalar, requisitos mínimos, dicas de sobrevivência na selva e como fazer um pendrive de boot para instalar o Lion em várias máquinas. Paulo Rebêlo Webinsider/UOL &#8211; 21.jul.2011 (link) Pelo preço de um mouse sem fio (29 dólares), você já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Conheça as principais novidades do novo sistema operacional da Apple, os cuidados e perigos antes de instalar, requisitos mínimos, dicas de sobrevivência na selva e como fazer um pendrive de boot para instalar o Lion em várias máquinas.</em></p>
<p><span id="more-2259"></span></p>
<p><strong>Paulo Rebêlo</strong><br />
Webinsider/UOL &#8211; 21.jul.2011 (<a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/" target="_blank">link</a>)</p>
<p>Pelo preço de um mouse sem fio (29 dólares), você já pode comprar o novo Mac OS X Lion e atualizar o seu atual Snow Leopard no Macbook, iMac, Macmini, Mac Pro ou Macbook Air. Sem sair de casa.</p>
<p>Os requisitos mínimos são 2 GB de RAM e processador a partir do Intel Core 2 Duo, além de 8 GB de espaço livre em <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/#" rel="nofollow">disco</a>.</p>
<p>Até meados de agosto, o Lion só pode ser instalado via App Store, dentro do atual Snow Leopard. Você faz o download do sistema usando seu login e senha, espera baixar o arquivo de 3.7 GB e segue as instruções na tela. Muito fácil e sem burocracia ou discos.</p>
<p>Embora seja possível burlar esse esquema – <em>veja no final deste texto</em> – a Apple deverá vender um pendrive com o Lion a partir de agosto, para instalação via USB.</p>
<p>A atualização para o Lion é de uma facilidade incrível, desde que o seu Snow Leopard esteja <strong>totalmente</strong> atualizado com todos os updates disponíveis. Configurações, documentos, arquivos e programas são migrados para o Lion durante o processo.</p>
<p>Como de praxe, há diversos relatos de pessoas que não conseguiram atualizar tão facilmente, ao melhor estilo loteria. Reza o velho ditado: antes de abrir a boca do Lion, faça um backup dos seus arquivos e documentos importantes, não custa nada.</p>
<p>Para saber se todos seus aplicativos vão funcionar no Lion, você pode experimentar o <a href="http://metaquark.de/appfresh" rel="externo" target="_blank">AppFresh</a>  e conferir os <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/#" rel="nofollow">resultados</a>.</p>
<h2></h2>
<h2>Vale a pena atualizar?</h2>
<p>Se você tiver apenas 2 GB de RAM, evite. A não ser que use o Macbook apenas para digitar textos e ler alguma coisa na internet. Não há meio termo neste sentido: 4 GB de RAM é o mínimo para se ter uma experiência interessante com o Lion.</p>
<p>Na prática e uso diário, o Lion é muito mais uma repaginação do atual Snow Leopard do que um sistema operacional novo. Ele vai fazer seu Macbook se aproximar do iOS, o sistema operacional usado no iPad e no iPhone. Para o bem e para o mal.</p>
<p>Dois novos recursos — Launchpad e Mission Control — estão ridiculamente perdidos no contexto de um notebook ou desktop. O Launchpad é ainda pior, pois é complicado organizar os ícones dos aplicativos nele e o Lion, sozinho, não faz o serviço por você. O Mission Control é a junção do Spaces e Exposé com novos ícones.</p>
<p>Se você ainda usa algum software escrito para a plataforma PowerPC (antes da era Intel na Apple), esqueça o Lion. Acabou o suporte para essa plataforma, pois até o Rosetta (emulador de PowerPC dentro do MacOS) foi aniquilado de vez.</p>
<h2></h2>
<h2>Principais novidades</h2>
<p>Como se fosse um iPad gigante, todos os aplicativos e componentes do MacOS agora podem rodar em tela cheia. Por enquanto, o recurso não vale para softwares de terceiros. Espera-se que novas versões de Chrome, Firefox, Microsoft Office… comecem a chegar para tirar proveito da novidade.</p>
<p>A ideia, supostamente, é evitar distrações e aproveitar melhor o espaço em tela. Para alguns, é uma novidade bem-vinda. Para outros, uma inutilidade retrô nos dias de hoje com resoluções de tela altíssimas e acostumados a<a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/#" rel="nofollow">trabalhar</a> com múltiplas janelas.</p>
<p>Pegando carona no recurso de tela cheia, os novos gestos (gestures) do mouse e touchpad aproveitam ao máximo o uso e gerenciamento das janelas dos aplicativos. Você pode alternar entre todas as janelas ou apenas os aplicativos em tela cheia. É interessante, embora depois de brincar com isso perca um pouco a graça.</p>
<p>Ao desligar o computador, o Lion pode salvar todas as janelas abertas no momento. Ao ligar novamente o Macbook, você voltará para o mesmo lugar de antes – até mesmo a posição exata dentro de um texto ou site. Para usuários de Macbook Air (a partir dos modelos 2010), este recurso não tem muito sentido: graças ao disco SSD, o Air pode ficar em standby por quase 30 dias sem acabar a bateria. Para iMacs e Macminis, contudo, é deveras interessante.</p>
<p>Um dos novos recursos mais poderosos é o Auto Save, gravação automática do seu <a href="http://webinsider.uol.com.br/2011/07/21/por-dentro-do-mac-os-x-lion/#" rel="nofollow">trabalho</a>. Ao começar um documento, basta que você salve a primeira vez (para colocar o nome do arquivo) e pronto. Todo documento aberto e salvo uma vez será, automaticamente, sendo salvo em frações de segundos sem que você perceba.</p>
<p>É o fim do desespero quando faltar energia ou o cachorro passar por cima da tomada. Nada se perde.</p>
<p>Outro novo recurso extremamente poderoso e útil é o Airdrop. Pelo Finder – que continua horrível e até piorou – você pode visualizar outros Macs que estejam próximos de você e, assim, enviar e receber arquivos via WiFi.</p>
<p>O Airdrop só funciona entre usuários do Lion. Para uso corporativo ou em redes internas dentro de casa via roteador WiFi, é interessantíssimo.</p>
<p>No gerenciamento de arquivos, uma preciosa atualização do Lion: ao arrastar uma pasta para outra com o mesmo nome, agora o MacOS finalmente vai mesclar o conteúdo de ambas em vez de apagar o anterior e sobrescrever com a pasta nova. Só quem já passou por isso vai saber dar o devido valor a esta mais do que atrasada novidade.</p>
<h2></h2>
<h2>Internet no Lion</h2>
<p>Nos aplicativos, o Safari e o Mail são os grandes destaques.</p>
<p>Pouca gente usa Safari, com certa razão. No Lion, vale a pena experimentar um pouco esse navegador.</p>
<p>O ‘reader’ do Safari pode armazenar links para leitura posterior, como se fosse uma pequena biblioteca. Em geral, sempre foi preciso um software externo para fazer isso.</p>
<p>Ao fazer download de arquivos, há um novo ícone no canto superior direito do Safari que lhe permite rápida visualização do progresso da transferência e outras funções. Prático e economiza tempo.</p>
<p>Ao usar o Safari em tela cheia, você fica conhecendo como funciona – na prática – os novos gestos do touchpad e mouse. Adiantar ou voltar páginas na internet ficou bem mais rápido, pois agora fica tudo em cache interno do MacOS/Safari.</p>
<p>Se o Finder piorou no Lion, o Mail ficou bem melhor. Curiosamente, os principais elogios ao Mail devem-se ao fato de a Apple ter cedido, finalmente, ao visual de três painéis adotado pelo Outlook da Microsoft anos atrás. Além do agrupamento de conversas, como ocorre no Gmail. Ganha-se em espaço de tela e velocidade.</p>
<p>O Calendário (iCal) divide opiniões. O visual ficou mais bonito, porém perdeu em simplicidade que era o trunfo da edição anterior. Mesmo problema com a agenda de endereços (Address Book) que piorou consideravelmente.</p>
<h2></h2>
<h2>Expectativas e bugs</h2>
<p>Qualquer semelhança pode até ser coincidência, mas o fato é que o Lion não é um produto pronto. Há bugs visíveis, mas nada que atrapalhe os fundamentos do novo sistema.</p>
<p>No entanto, vale frisar: boa parte dos novos recursos do Lion só estão disponíveis dentro dos componentes do Mac OS. Que são, a grosso modo, o que a maioria usa.</p>
<p>Softwares de terceiros vão precisar se adaptar aos novos gestos de mouse, tela cheia e outras firulas. A própria Apple está correndo contra o tempo, lançando updates “experimentais” do iTunes e do iWork para o Lion, por exemplo.</p>
<p>Para o mercado, é dado como certo um update geral do Lion já em agosto, para corrigir bugs que passaram neste lançamento precipitado na App Store.</p>
<p>Há outras pequenas firulas que você irá descobrir aos poucos. Algumas úteis, outras nem tanto. Não esqueça de fazer logo sua conta no iCloud, serviço que substitui o MobileMe para sincronizar e armazenar arquivos, contatos, endereços, emails etc. Você pode acessar direto nas preferências do sistema.</p>
<h2></h2>
<h2>Como instalar do zero via USB</h2>
<p>Se você baixar o Lion pela App Store e instalar na hora — do jeito que a Apple quer — você vai perder o arquivo de instalação. Depois de instalado, o arquivo é apagado. Caso precise instalar o Lion em outro Mac, terá que fazer novo download dos 3.7 GB.</p>
<p>Para evitar isso, fique atento: depois de baixar o arquivo completo da App Store, <strong>antes</strong> de prosseguir com a instalação, abra o Finder, vá na pasta de Aplicativos e haverá ali o “Install Mac OS X Lion”. Basta copiar esse arquivo para um HD externo, como se fosse um backup.</p>
<p>Se você é um pouco mais destemido e quer instalar o Lion do zero (clean install), não é difícil. Dentro do arquivo “Install Mac OS X Lion” que você acabou de copiar agora, clique com o botão direito do mouse e escolha a opção “Mostrar conteúdo” (Show Contents) no Finder. Haverá uma pasta chamada SharedSupport e, dentro dela, o arquivo InstallESD.dmg que contém todo o sistema operacional.</p>
<p>Formate um pendrive de pelo menos 8 GB no Disk Utility, usando o sistema de arquivos padrão: MacOS Extended Journaled. Agora, crie um drive/partição qualquer no pendrive, vá na aba “Restaurar” (Restore) e use aquele InstallESD.dmg como “origem” e arraste a única partição do seu pendrive para o campo “destino”. Clique em OK e o Mac OS irá zerar (apagar) todo seu pendrive e copiar o Lion.</p>
<p>Tenha muita atenção para restaurar no pendrive, não em outro disco, sob o risco de perder todos seus arquivos. O Disk Utility irá zerar completamente o disco de destino.</p>
<p>Aguarde a restauração terminar e, depois, é só reiniciar seu Macbook. Ao ouvir o som de inicialização, segure o botão ALT-OPTION do teclado para escolher o disco de boot. Escolha o pendrive (Mac OS X) e aguarde. Será muito parecido à instalação do Snow Leopard e você pode usar o Disk Utility para formatar discos, reparticionar e instalar o Lion do zero, sem fazer atualização.</p>
<p>Esse mesmo truque do pendrive também serve para o Snow Leopard. O nome do arquivo (InstallESD.dmg) é o mesmo.</p>
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