Posts Tagged ‘lula’

Lula ataca postura de médicos

Saturday, September 6th, 2008

Presidente socorreu Eduardo Campos ao questionar os profissionais de saúde que com movimento grevista prejudicam a população

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco - 05.set.2008

Petrolina - Sem verbalizar o nome do estado de Pernambuco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou abertamente o movimento grevista dos médicos. De modo contundente e quase aos gritos, deixou a modéstia de lado ao se considerar o melhor sindicalista do Brasil nos anos 70, mas que “sempre teve dúvida sobre greve de médico e de metrô, porque quem paga a conta é o mais pobre”. A crítica direta foi o auge do evento de inauguração do campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), ontem à tarde, em Petrolina. O presidente discursou após o governador Eduardo Campos (PSB), que não fez referência à crise na saúde.

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Apoio político é tudo na terra de Lula

Monday, August 25th, 2008

CAETÉS // Primo do presidente, José Moura de Melo, fortalece a oposição no município

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco
24.agosto.2008
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CAETÉS, PE — Famosa por ser a terra natal do presidente Lula e pela pobreza traduzida com o penúltimo lugar no ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) das Nações Unidas, este município a 252 quilômetros do Recife consegue ser ainda mais inusitado nesta campanha eleitoral. Apesar de toda a máquina dos governos estadual e federal em apoio a Sampainho (José Luiz de Sá), é o candidato da oposição Lindolfo Almeida (PSDB) que conta com o apoio explícito de um dos primos mais conhecidos do presidente da República, José Moura de Melo.

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O elogio da mediocridade

Thursday, February 24th, 2005

Paulo Rebêlo (*)
Observatório da Imprensa, 22.fevereiro.2005

Mesmo para quem não lê jornal e não assiste TV, foi difícil não se inteirar da balbúrdia que os veículos de comunicação fizeram com a vitória de Severino Cavalcanti. Vale o registro da Folha de S.Paulo, em editorial de 16 de fevereiro, tachando-o de “candidato sem estatura política, retrógrado e inexpressivo, que se especializou em negociações menores no dia-a-dia da vida parlamentar”. Foi quase um elogio.

O leitor mais atento, porém, talvez consiga perceber que alguns jornais estão achando ótima esta vitória. É uma nova oportunidade para certas publicações – e colunas – voltarem a propagar aquela equivocada noção de que o Nordeste, principalmente Pernambuco, é o grande beneficiado desta politicagem. Politicagem, aliás, que é a cara do que o governo federal vem fazendo nos últimos dois anos.

A interpretação é simples: o presidente da República e o da Câmara são pernambucanos; o presidente do Senado (Renan Calheiros) é alagoano; e o 1º secretário da Câmara (Inocêncio Oliveira) também é pernambucano. Para um Sul-maravilha rico e poderoso, até que estamos bem na fita. Bem o suficiente para propagar o conhecido ufanismo, digno da mais Polyanna das Polyannas, de que o Nordeste é o grande beneficiado.

Brasília deseduca

A bancada nordestina em Brasília sempre foi poderosa. Sempre. O problema é que ninguém parece ter memória. O equívoco jornalístico de agora não é muito diferente do ocorrido na metade dos anos 1990, quando o também nordestino Marco Maciel foi vice-presidente da República. Entre outros exemplos recentes.

Nem por isso – e talvez principalmente por isso – a região Nordeste viu nenhuma de suas seculares mazelas ser extinta ou sequer amenizada. Como se diz por aqui, “nem um tiquinho”.

Quanto mais poder os políticos nordestinos possuem, mais distante a região fica de melhorias nos deprimentes índices de pobreza e educação, para dizer o mínimo. O poder emanado de Brasília nos ajuda somente a deseducar. Pois somente deseducando e alienando é que continuaremos votando nestes ilustres representantes da democracia.

Cabresto e coronelismo

Poderíamos gastar uma tese para citar exemplos, mas vamos nos ater aos mais conhecidos.

** A seca continua cruelmente presente em toda a região, sem mudança alguma de paradigmas. Usada como gancho para políticos de reduto ganhar notoriedade e votos de pobres-coitados, quando estes recebem cestas básicas e poéticos carros-pipa. Sempre em caráter emergencial, é claro.

** Quando um pesquisador sério chega para falar sobre as possibilidades de amenizar o sofrimento da seca, com projetos baratos de irrigação ou mínimos investimentos em tecnologia (só dois exemplos), rapidamente o assunto cai no esquecimento – dos políticos e dos pauteiros. Uma incrível coincidência. E também seria esperar demais que os jornalões do sul maravilha “comprassem” a causa, pois nem a gente é tão ufanista assim.

** Nas capitais – que politicamente não passam de províncias – o saneamento básico existe para menos de 30% da população. O problema é que tem jornalista que, se for questionado, não sabe nem explicar o que é saneamento básico.

** Os maiores hospitais públicos são tidos, muitas vezes, como a última porta antes de colocar o pé na cova. Ou a última porta para o paraíso dos céus, se quiserem contextualizar (alienar) religiosamente.

** E os livros didáticos ainda ensinam que o voto de cabresto acabou e que o coronelismo foi extinto. Quer dizer, só nas escolas particulares, porque nas públicas vai ser difícil encontrar até professor, quanto mais livros.

República dos 100

Assim caminha a humanidade nordestina. Os políticos ficam mais poderosos, os jornalistas mais temerosos e os cidadãos mais melindrosos. O poder e a notoriedade crescem, enquanto os discursos de melhorar a vida do nordestino seguem. Desde que a gente vote neles, claro.

Bem longe das obras brasilienses de Oscar Niemeyer e dos corredores da Esplanada, o que o Brasil de verdade enxerga é a exponencial melhoria na vida deles, dos influentes paladinos que irão ajudar o Nordeste. Mas, para nos ajudar, eles também vão precisar da nossa ajuda.

Ajuda para melhorar o pobre salário mensal de 12 mil reais e a aumentar as benesses humanitárias: passagens aéreas, auxílio-moradia, auxílio-paletó, verba de gabinete, gasolina, carro, celular…

Aliás, já ajudamos. E não foi com a eleição de Severino, não. Porque o poder que nos representa é, sim, uma representação fidedigna e palpável do Brasil de verdade, uma República dos 100: sem instrução, sem ética e sem memória.

(*) Jornalista no Recife (www.rebelo.org)

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Lula no Nordeste

Sunday, February 20th, 2005

Oba-oba e pautas perdidas

Paulo Rebêlo (*)
Observatório da Imprensa, 15.fevereiro.2005

Cada visita, cada inauguração é uma oportunidade ímpar para os jornais fazerem jus ao poder que possuem junto à sociedade. As melhores pautas estão sempre debaixo do nariz dos jornais, mas ninguém quer sentar o traseiro e questionar o carismático presidente Lula.

Em contrapartida, seguem a comitiva do presidente interior afora, acompanham os discursos, as promessas faraônicas e publicam exatamente isto: os discursos, as promessas e a festa ao redor do carisma do personagem-presidente frente ao povo que ali está, feliz e sorridente, diante da presença ilustre.

Passados dois anos, parte da imprensa parece ainda se iludir com a eleição do metalúrgico que veio da pobreza para acabar com a fome e a desigualdade. Poucos presidentes visitaram tanto o Nordeste quanto Lula, em tão pouco tempo de mandato. Vez por outra, ele está aqui a inaugurar obras e discursar sobre como o Brasil melhorou. Todo governo faz oba-oba e este de agora não é diferente.

O problema é quando a imprensa – que supostamente deveria questionar para informar – enche as páginas com matérias cujo teor nada mais é do que um reles e pífio oba-oba. Não questiona. Logo, não informa.

Semana passada, Lula esteve em Pernambuco para inaugurar três etapas da barragem de Jucazinho, em Surubim, e a Clínica Asa Branca, em Caruaru. A clínica, supostamente especializada em diagnosticar câncer bucal, ainda deverá oferecer tratamento odontológico à população do Agreste.

Na cobertura midiática, durante os dois dias do oba-oba presidencial, o que se viu na imprensa não passou de uma espécie de agenda oficial com o respaldo da credibilidade dos jornais. Ora, para publicar o que o presidente falou e deixou de falar existe a assessoria oficial.

Em tese, o papel dos jornais seria investigar e questionar a viabilidade e a funcionalidade das inaugurações, de modo a oferecer informações úteis à população. Informações que, de fato, repercutam em suas vidas. E não apenas a festa de palanque.

À noite de sexta-feira, passadas as inaugurações, colegas de bar me questionaram: o que diabos aconteceu (de verdade) durante a visita do presidente a Pernambuco. Ouso arriscar que são dúvidas a permear a cabeça da grande maioria dos leitores, os quais, desavisados, compraram os jornais e leram a agenda oficial do pop-star Lula.

** O que é câncer bucal?

** Por que uma clínica especializada especificamente em câncer bucal no interior?

** Existe algo parecido na capital? Não existe no interior?

** O que leva uma pessoa a ter câncer bucal? Como se prevenir?

** Barragem de Jucazinho: dizem que vai beneficiar milhões de pessoas. Como?

** Sempre inauguram barragens e projetos para melhorar a água que chega à população, mas na prática ninguém vê melhorias e a seca persiste e piora a cada ano.

Estamos fartos

Nenhum jornal arriscou-se a responder, parcial ou integralmente, qualquer das questões acima. São coisas tão simples, tão transparentes, mas o leitor não encontrou. Não precisava uma reportagem especial, apenas uma reportagem simples e direta para responder dúvidas que, certamente, nem os repórteres saberiam responder caso fossem indagados na hora.

Outra dúvida reincidente, esta mais séria, é sobre a continuidade dos serviços na clínica.

Explica-se. Inaugurar obras e posar para fotos, vestido de dentista e com um voluntário sentado na cadeira cirúrgica – como Lula fez e os jornais publicaram – é fácil. O que a população quer (ou deveria querer) saber é se os aparelhos da clínica funcionam de verdade, quais são eles e qual o perfil de paciente indicado para a nova clínica.

Há funcionários tecnicamente aptos a operar os aparelhos? Ou as máquinas vão ficar inativas, jogadas às traças, como inúmeras vezes a gente vê acontecer Brasil afora?

Obra inaugurada, oba-oba registrado pela imprensa e tchau. Agora, a população, ou melhor, o Brasil Sorridente que se vire, caso aconteça de a nova clínica cair na mesma ala comum de tantas outras inaugurações: a falta de estrutura e o abandono. Estamos fartos de ver isso acontecer. E não é somente no interior, não.

(*) Jornalista no Recife (www.rebelo.org)

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