Posts Tagged ‘inclusão’

Obras da Kabum têm início no Recife

Wednesday, November 16th, 2005

Paulo Rebêlo

Começaram as obras - de verdade - para construir uma unidade da Kabum no Recife, a escola de tecnologia e arte da Telemar. A iniciativa conta com apoio da Prefeitura da Recife, da ONG Auçuba e da Unesco, estando localizada à Rua do Bom Jesus nº147, onde existia o bar Calypso nos tempos áureos da revitalização do bairro. A previsão de agora é que as aulas tenham início em março de 2006. A gerente do Instituto Telemar, Maria Arlete Gonçalves, não cansou de citar a beleza e a importância histórica e cultural do bairro, durante a apresentação do projeto, na última quinta-feira.

A Kabum é uma rede de escolas da Telemar, criada em 2003, com um projeto de inclusão social a partir da informática e da arte. Ganhou visibilidade com o projeto piloto no Rio de Janeiro, em parceria com a ONG Spetaculu, criada pelo renomado cenógrafo Gringo Cardia. No Recife, oferecerá cursos gratuitos para jovens entre 16 e 19 anos que sejam residentes de comunidades com baixos índices sociais. Os cursos serão de design, computação gráfica, vídeo e fotografia.

“Com a Kabum, queremos democratizar o acesso da juventude popular urbana das grandes cidades ao conhecimento e à tecnologia de ponta no tratamento de imagem, e contribuir para a descentralização da produção multimídia, além do eixo Rio-São Paulo”, explicou Arlete, acrescentando que os professores serão selecionados pela Auçuba entre profissionais qualificados que atuem no mercado de trabalho.

Projeto foi adiado várias vezes

Uma das propostas mais interessantes da Kabum é que, ao término do curso, os jovens estejam profissionalizados e aptos até mesmo a abrir escritórios autônomos de prestação de serviços. Um dos alicerces desse processo é o uso de equipamentos de qualidade, como computadores Macintosh para estações gráficas, televisores, DVDs, ilha de edição, softwares de manipulação de imagens, scanners e equipamentos de som.

O projeto, no entanto, foi anunciado duas vezes somente este ano. Juntando com o ano passado, soma quase meia dúzia. Em janeiro de 2004, a Telemar já divulgava que a Kabum no Recife sairia do papel até agosto. Em julho do mesmo ano, a empresa anunciava que os computadores já estavam comprados mas, com um pequeno atraso, até o final do ano as turmas teriam início. No primeiro semestre de 2005, a Kabum foi novamente apresentada em caráter oficial pela Telemar. A expectativa mais recente é março de 2006.

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Telecentro em Solidão ganha novas máquinas

Wednesday, November 16th, 2005

Paulo Rebêlo

SOLIDÃO (PE) - Ninguém imaginou que “simples” computadores pudessem mudar tanto a vida das pessoas, mas é o que está acontecendo neste município de 5.500 habitantes, a 411 km do Recife. Inaugurado em maio deste ano, o laboratório de informática de Solidão é a representação máxima da chamada “inclusão digital”, tema abordado em diversas reportagens na Folha Informática.

Sábado passado, os moradores de Solidão tiveram outro motivo para comemorar. O projeto do telecentro foi beneficiado com uma volumosa doação da Fundação Banco do Brasil, repassando oito computadores novos, com bem mais recursos, que se juntam aos seis já existentes. E no sábado ocorreu a inauguração oficial dos micros, que vão beneficiar mais alunos nas turmas de informática básica e internet.

As estações de trabalho têm 128 Mb de RAM, processador AMD de 800 Mhz, portas USB e serial, slots PCI, placa de som e o kit básico de teclado, mouse e monitor de 14 polegadas. Todas estão ligadas ao servidor, uma super máquina com processador de 2,5 GHz, 2 Gb de RAM, slot AGP 8x e HD de 40 Gb. Tudo roda em software livre, com distribuição Linux pré-instalada e configurada para obter um visual quase idêntico ao Windows, além de programas gratuitos de escritório, jogos e aplicativos diversos. O local ainda conta com impressoras e conexão internet em banda larga, via satélite.

O programa inicial do telecentro surgiu a partir de recursos do projeto de combate à desertificação, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma) de Pernambuco. “Demos o pontapé inicial, os moradores estão se mobilizando e alguns até foram convidados para fazer curso fora. A idéia é que, de agora em diante, o telecentro se torne auto-sustentável e gere receita para manutenção”, comemora o Gerente do Projeto de Combate a Desertificação, Sérgio Mendonça. “Isso vai acontecer com uma série de serviços que a informática e a internet oferecem. Antes do telecentro, o pessoal precisava se locomover e pagar por coisas simples, como verificar as multas no site do Detran”, exemplifica Mendonça.

A estudante Adriana Gomes é uma das principais mobilizadoras da iniciativa, tendo viajado a Brasília pela Fundação Banco do Brasil para aprimorar conhecimentos e repassar aos monitores e alunos. “E continuamos sempre nos atualizando, a equipe mantém contato por e-mail, recebemos apostilas e aprendemos coisas novas”, explica. * O jornalista viajou a convite da Sectma SERVIÇO Leia especial da Folha sobre inclusão digital: www.folhape.com.br/informatica/inclusao.pdf

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Brazil’s bumpy road to the low-cost PC

Tuesday, November 15th, 2005

Paulo Rebêlo
Special to CNET News.com

[link original]
03.novembro.2005

It was an idea everyone loved: Develop a cheap PC that would let large numbers of Brazilians connect to the Internet. Literacy would rise, the economy would improve and the country’s emerging tech sector would get a boost.

Unfortunately, it’s been about six years and counting.

From 1999 to the present, the Brazilian government has made several attempts to foster cheap computers for the masses, but the efforts have foundered in a sea of red tape, political infighting, hardware issues and pricing that’s still out of reach for many.

The latest incarnation, a program called “Computer for Everyone,” unveiled in March by President Luiz Inacio Lula da Silva, aimed to sidestep some of the problems of past programs, but so far it’s garnered little support from manufacturers or consumers.

“When it comes to (bringing) computers to the poor, Brazil makes a soap opera of it,” said Rogerio Goncalves, a telecommunications specialist and Webmaster in Rio de Janeiro. “Every single project of digital inclusion, from the very first one until now, has never left the desk.”

Brazil’s experience will likely also serve as a sobering example for others in the process of launching their own programs for burgeoning populations in emerging markets. Currently, efforts are under way to bring $100 computers to the masses in India, the Caribbean and Africa. Meanwhile, Nicholas Negroponte and the Media Lab at MIT of which is he is a co-founder, have plans for widespread deployment in developing nations of a windup-powered laptop targeted at children.

India’s first cheap computer, the Simputer, stumbled because of inadequate technology. Sources in India have also said that the Personal Internet Communicator, a more sophisticated device launched by Advanced Micro Devices last year, has yet to gain much momentum. The PIC has recently debuted in a few cities in Brazil.

On the software side, Microsoft has begun offering low-cost, stripped-down versions of Windows XP to fight back against both software piracy and incursions by open-source software.

Like mainland Asia a few years ago, Latin America is an exploding but difficult market. In the third quarter, PC shipments grew by 22 percent in the region, one of the fastest paces in the world, according to market researcher Gartner. The growth in part came from declining prices, consumer spending and a government-sponsored initiative in relatively prosperous Chile.

Market research firm IDC expects Brazilians to buy 5.2 millions computers this year, a 28 percent rise from 2004.

PC penetration, however, remains low compared to the overall population, and part of the reason is price. The average person simply doesn’t have a sufficient level of disposable income. Minimum wage adds up to around $120 a month.

The problem is compounded in Brazil because of shipping costs and a host of taxes, which can make PCs in Brazil more expensive than those in developed nations. A PC with a 1.5GHz processor, 128MB of memory, a 40GB drive and a 15-inch monitor might go for $600. In the U.S., vendors flog similar PCs, sometimes with dial-up access, for $450 or less after rebates.

Although the Brazilian government began to champion widespread PC use in 1999, the first official program was the “Popular PC” campaign of 2001.

The Popular PC was supposed to be a $250 box. To get around Brazil’s high import taxes, many of the components were going to be made domestically. Researchers from the Federal University of Minas Gerais presented a prototype with a flash drive instead of a hard drive, no CD-ROM and no floppy. The prototype proved unworkable and government support for further research fizzled.

A more conventional PC architecture was tried next, but that caused the price to balloon. The first Popular PCs came out in 2002 with a price tag of around $600, higher than even the promises of a $500 box. The national government changed hands in 2002, leaving the program stranded.

“The government can’t change a lot of things. Worse, many projects are left behind at every change of administration,” saddling the private sector with the burden of popularizing computers, said Gilberto Galan, the Latin America representative for the Computing Technology Industry Association, or CompTIA.

Giving manufacturers a break

In January 2003, Lula became president, and within a year was championing computers for the poor. The first program was called Connected PC, which, before it actually got off the ground, morphed into Computer for Everyone.

Instead of trying to avoid import duties by manufacturing components domestically, the program gave participating manufacturers a tax break. Manufacturers essentially got a 9.25 percent reduction on PIS and Confins, two obligatory taxes, for qualifying PCs costing less than $1,000. The cost reduction is supposed to be passed on to consumers–the PCs come with a sticker announcing that 10 percent was lopped off the list price thanks to Computer for Everyone.

Additionally, consumers could buy these PCs on installment plans, paying, say, $25 a month for 24 months for a $600 PC. Internet service wasn’t bundled in the price, but was supposed to be available for $4 a month. Supporters cautiously applauded the program.

Software talks get heated

“Yes, technology innovation demands a lot more, but reducing PIS and Confins taxes is a very reasonable start to advance,” Ronald Martin Dauscha, president of the National Association of Research, Development and Engineering, said in an open letter to President Lula that was also signed by Luiz Fernandes Madi, president of the Brazilian Association of Technology Research Institutions.

The first problem? Only a few manufacturers applied for government approval, which came out as a “temporary provision” that the national senate had not initially endorsed. The senate recently gave its approval, so more manufacturers may apply.

Then there’s the matter of pricing. The PCs still cost around $600, more than most Brazilians can afford. The $4 monthly ISP rate has proved difficult to implement because of charges associated with telephone access.

The last eight months of struggle between industry and government on Computer for Everyone also involved heated, and as yet unresolved, discussions about which kind of software should be bundled.

To obtain the tax cut, Lula initially stated that manufacturers and stores had to provide the computer with a Linux distribution–in Portuguese and user-friendly–and a whole set of free software applications, such as an office suite.

Heavily supported by Sergio Amadeu, who was until recently president of the National Institute of Information Technology, the proposal brought counterproposals from Microsoft. The Redmond, Wash.-based behemoth also began to promote Windows XP Starter Edition for Brazil.

It’s not clear which way users would trend. While some say Linux does the job, others argue that, as in much of Asia, pirated versions of Windows would capture the day.

Those issues could still be in up in the air the next time a cheap PC program emerges, skeptics say.

“We have some marvelous approaches from private companies and civil associations,” said Goncalves, the Webmaster in Rio de Janeiro, “but they just can’t provide enough access to those who need it.”

CNET News.com’s Michael Kanellos contributed to this report.

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Projeto capacita turma de Peixinhos

Wednesday, October 19th, 2005

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco, 19.outubro.2005

Os alunos do projeto Informar, iniciativa de inclusão digital e cursos profissionalizantes do Porto Digital, estão felizes da vida. É que a primeira turma do projeto na comunidade de Peixinhos acaba de se formar, com expectativas renovadas para seguir adiante na busca por empregos e capacitação. A cerimônia de formatura ocorreu segunda-feira, no Teatro do Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda.

O Informar ganhou destaque nacional e internacional ao incluir socialmente os jovens da comunidade do Pilar, com capacitações em diversas áreas técnicas e de informática. De acordo com a gerente de projetos sociais do Porto Digital, Julianne Pepeu, agora foi criada uma rede de relacionamento entre as duas comunidades, Pilar e Peixinhos.

“Nossa proposta é que, a partir dessa formatura, os alunos do Pilar que já têm mais experiência, contribuam com Peixinhos em orientação técnica. Por outro lado, Peixinhos poderá contribuir com sua experiência em organização, com uma estruturada relacionada às questões comunitárias e participação de seus líderes de associações, e com sua aptidão cultural, já que abriga muitos músicos e artistas locais”, explica Pepeu.

O curso teve duração de 960 horas para capacitação em computação básica, pesquisa social, webdesign, fotografia, vídeo, reforço em português e matemática, entre outras atividades para os alunos, que têm como requisito básico para participar do projeto estar matriculado em alguma escola. Além das disciplinas teóricas e práticas, durante a capacitação, os jovens contaram com o acompanhamento social e psicológico.

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Desligaram o PC Conectado

Wednesday, October 19th, 2005

Desconectaram a esperança de quem pretendia comprar um computador mais barato e financiado. Em um retrocesso gritante, o projeto de um aparelho a custo acessível emperrou novamente no fisiologismo de Brasília e, a partir de agora, não há mais previsão de quando sairá do papel. Inicialmente chamado de PC Popular, depois batizado de PC Conectado e, mais recentemente, repatriado sob a codinome de “Computador para Todos”, o resultado nunca chegou às prateleiras, mesmo depois de oito meses de anúncios oficiais e campanhas ufanistas por parte do Governo Federal e de setores da mídia. Pior ainda, o financiamento chegou a ser anunciado oficialmente na semana passada, deixando todos a ver navios. Acompanhe o caso e entenda desde o início.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco, 19.out.2005

Para sair do papel, o “Computador para Todos” dependia da aprovação de uma medida provisória do Governo Federal, a 252/05, que estava em tramitação no Congresso há exatos quatro meses. Após os 120 dias, a medida perdeu a validade e, com ela, perdeu-se a esperança de um computador mais barato e financiado, promessa feita desde março e acompanhada pela Folha Informática. O último prazo do governo era que, ainda esta semana, as regras para o financiamento seriam publicadas, mas não foram.

Entre outros fatores, a MP 252/05 reduzia uma série de tributos de setores diversos da economia, incluindo o de eletroeletrônicos, pontapé inicial para que um PC razoável chegasse ao mercado a um custo acessível, com o governo providenciando o financiamento em até dois anos a parcelas fixas de R$ 50, em média. Não à toa, a medida também é (era) conhecida como a “MP do Bem”.

Em nota oficial, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Ruy Salles Cunha, lamenta a expiração do prazo para votação da medida. “Isso trará prejuízos a todo trabalho que vinha sendo desenvolvido para a implementação do programa de incentivo às exportações de software e serviços, além do importante programa do Computador para Todos, que já apresentava os primeiros resultados à indústria instalada no País”, afirma Cunha.

Para o reitor e diretor da Unibratec, David Stephen, a situação é muito clara: “o governo precisa da iniciativa privada mas, mesmo reconhecendo a necessidade, marginaliza os empresários, não aceita o diálogo e quer que o mercado banque o prejuízo para concretizar projetos falhos do próprio governo”, comenta. “Vejo muita falação, muito anúncio, mas a conta sempre termina sobrando para a iniciativa privada. O governo tem que ouvir a indústria”, sugere Stephen, que lastima a derrocada do projeto.

Computadores já estão mais caros

Enquanto a medida provisória estava em trâmite no Congresso, a indústria podia se beneficiar de algumas reduções tributárias (impostos) para oferecer computadores mais baratos, desde que o produto custasse entre R$ 1.400 e R$ 2.500. Caso a MP do Bem fosse votada no Congresso no tempo devido, o governo iria oficializar a aquisição de computadores com alíquota zero dos impostos de PIS/Pasep e da Cofins para máquinas de até R$ 2.500 reais.

Agora, com a perda de validade da MP, quem oferecia descontos para essas máquinas terá que voltar atrás e praticar os preços antigos, ou seja, um pouco mais caros. O líder do PT na Câmara, o deputado Henrique Fontana (RS), disse que o governo irá enviar um outro projeto de lei com o conteúdo original da MP. No entanto, até que isso ocorra - e que outra validade seja perdida - o futuro é incerto para quem pretende comprar um computador mais barato.

A Itautec, por exemplo, já começou a vender computadores cerca de 10% mais caros, por causa da MP. Reajuste similar será dado pela HP no Brasil. Com o fim dos descontos, ganha força novamente o mercado ilegal de computadores e os chamados “PCs Frankstein”, com peças oriundas de contrabando. “É engraçado, o governo parece achar que o empresário precisa trabalhar no prejuízo para bancar deficiências da iniciativa pública”, desabafa David Stephen, da Unibratec.

Comunicado oficial não é cumprido

Na semana passada, o próprio Governo Federal divulgou um comunicado oficial, por meio da Agência Brasil, em que garantia o financiamento do computador popular. Na nota, lê-se que “está liberado o financiamento para a compra de computador de até R$ 1,4 mil. O consumidor poderá pedir à Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil financiamento em até 24 parcelas”.

Para variar, na prática a história foi outra, bem diferente. Mesmo tendo envolvido o nome dos bancos estatais, as agências bancárias não souberam dar informações aos leitores que procuraram o Banco do Brasil e a Caixa Econômica para obter o financiamento.

Entre idas e vindas, só no governo atual foram mais de três anos de negociações entre indústria nacional, Congresso, Planalto, Receita Federal e o BNDES, este último responsável pelo financiamento. Cada um joga a culpa para um lado diferente mas, de concreto, só ficou o discurso bonito. E vazio.

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