Posts Tagged ‘férias’

Hospedaria para o corpo e a alma

Tuesday, April 8th, 2008

Irmãs salesianas da cidade da Mata Norte do estado aproveitaram o espaço do colégio desativado para abrir o Juvenato Maria Auxiliadora

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco - 07.abril.2008
foto: Juliana Leitão/DP

Em Carpina, a 56 quilômetros do Recife, na Mata Norte, as irmãs salesianas da cidade resolveram agregar forças bem terrenas para lutar contra as dificuldades financeiras. De forma simples e eficaz, oferecem hospedagem com estrutura invejável para os viajantes. Tudo sem perder o clima de serenidade que se espera de um ambiente de convívio religioso, bastante utilizado para retiros individuais e em grupo. O Juvenato Maria Auxiliadora se apresenta como uma “Casa de Encontros e Retiros das Irmãs Salesianas do Nordeste do Brasil”. Para quem vai da capital para o interior, fica bem próximo da entrada de Carpina.

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Big Cesar Brasil

Monday, January 17th, 2005

Não é novidade que o Brasil inteiro está ligado na quinta versão do reality show Big Brother Brasil (BBB), mas a partir de agora você pode “conectar-se” ao BBB e participar de um jogo interativo pelo celular. Basta ser cliente da Oi, Claro ou TIM e ter um aparelho mais avançado para fazer o download do jogo Meu Big Brother.

São 45 modelos de celular habilitados para rodar o aplicativo, que foi totalmente desenvolvido no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) pela Meantime Games, incubada da instituição. O jogo permite que o usuário tome conta de um dos personagens da casa, apresentados em forma de tamagotchie. O objetivo é, através de mensagens de texto (SMS), manter os personagens alimentados, limpos, bem humorados e
disciplinados. Durante o jogo, o usuário recebe notícias em tempo real dos integrantes da casa. Made in Pernambuco, o joguinho promete fazer tanto sucesso quanto o programa.

Paulo Rebêlo
rebelo@folhape.com.br

Incubada criou o jogo em três meses
Pernambucana Meantime elaborou aplicação inovadora em Java para game BBB

Não é novidade que o Brasil inteiro está ligado no quinto Big Brother Brasil (BBB), mas, a partir de agora, você pode “conectar-se” ao BBB e participar de um jogo interativo pelo celular. Basta ser cliente da Oi, Claro ou Tim e ter um aparelho de celular mais avançado para fazer o download do jogo Meu Big Brother. São 45 modelos de celular habilitados para rodar o aplicativo, que foi totalmente desenvolvido no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) pela Meantime Games, incubada da instituição.

Basta olhar os números da audiência para imaginar o sucesso que o game Meu Big Brother pode fazer. Para se ter uma idéia, durante a última edição do BBB foram 60 milhões de visitas no site oficial do reality show, um recorde na Internet brasileira. A aposta da Globo em convergência celular-televisão não é de agora. No BBB4, realizado no começo do ano passado, os telespectadores já podiam enviar mensagens de texto pelo telefone durante as votações. Foram mais de 15 milhões de mensagens.

Segundo o diretor da Meantime, Haim Mesel, a Globo.com entrou em contato com a incubada em setembro do ano passado para fechar o contrato de desenvolvimento do game, após vários meses de negociações e conversas. “Colocamos dez pessoas da nossa equipe para se dedicar ao desenvolvimento e, em três meses, estava tudo pronto, incluindo a fase de testes, para que os usuários não tenham problemas ou encontrem defeitos na hora de jogar,” explica Mesel. Apesar de ainda ser novidade para os telespectadores, a equipe da Meantime já comemora o sucesso que o game vem fazendo. Sem revelar maiores detalhes, Mesel antecipa que novos contratos devem ser firmados com a Globo.com para o desenvolvimento de outros aplicativos e soluções. Nenhuma das duas empresas revelam, no entanto, valores investidos na parceria.

Na opinião do coordenador de games da Globo.com, Henrique Olifiers, o jogo desenvolvido em Pernambuco “é um conceito novo, um modelo inédito no mundo dos jogos para celular e se apóia sobre um formato de negócio nunca antes testado. Vencer os desafios durante a criação deste projeto foi gratificante”. O gerente de Tecnologia Móvel da Globo. com, Sérgio Berson, explica que há inovações tecnológicas na arquitetura do game para permitir ao usuário ficar sempre atualizado com notícias do BBB5, brincar com as perguntas no Quiz, votar no paredão e outras interatividades. “Pode também recarregar seus créditos para dar continuidade ao jogo. É tudo muito inovador. Como é compatível com vários aparelhos e operadoras, torna-se uma aplicação com o que há de mais avançado em Java no mercado brasileiro de celulares”, comemora.

Participantes da casa viraram tamagotchies

Em Meu Big Brother, você transforma os integrantes da casa em tamagotchies e pode controlá-los diariamente: alimentando, mantendo o personagem sempre bem-humorado e disciplinado. A jogabilidade é por SMS (mensagens de texto) e cada mensagem corresponde a uma ação. O principal objetivo do game é manter o personagem sempre saudável e com a conta cheia de estalecas — a moeda do BBB.

Com o jogo ativado, você escolhe qual personagem (são 14 moradores na casa) quer cuidar, protegendo ou torturando. O download de Meu Big Brother é gratuito, mas para jogar é preciso desembolsar uns trocados. Compre um pacote de estalecas, que equivale a dez ações por R$ 3,00. Feita a compra, você literalmente passa a depender do seu tamagotchi BBB, sendo obrigado a ficar de olho na fome, higiene, humor e disciplina do personagem — quase igual à televisão. Dá para escolher até mesmo a comida do dia, tendo cuidado se a opção vai deixar o boneco irritado ou satisfeito.

Enquanto você joga, o celular recebe notícias em tempo real do programa. Caso o personagem seja eleito líder ou anjo, a atualização é feita no aparelho durante a próxima sincronização com a rede da operadora. Se o personagem for vencedor nas provas, a vitória é revertida — no celular — em novos créditos de estalecas para continuar jogando. Agora, tenha cuidado: se o morador deixar a casa durante o reality show, o jogo termina para você, mas dá para escolher outro protegido e começar tudo de novo.

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Férias e jogos violentos: mistura explosiva

Monday, January 10th, 2005

Paulo Rebêlo - rebelo@folhape.com.br

Com o lançamento recente de jogos bem violentos como Doom 3, Half-Life 2 e Pacific Assault, pais e psicólogos redobram atenções ao papel que os jogos podem representar na educação de crianças e adolescentes. A polêmica sobre o efeito da violência ganha mais força agora, período de férias escolares, e também porque os jogos mais cobiçados geralmente são os mais agressivos, onde imperam cenas com bastante sangue, assassinatos, roubos e situações moralmente questionáveis. São dúvidas reincidentes sobre até onde as crianças são influenciadas pela imersão no computador e se a violência gera reflexos na vida real, transformando a garotada em crianças violentas e irritadas. O assunto não é tão simples quanto parece, pois envolve questões de educação doméstica e acompanhamento familiar. O argumento costuma ser o mesmo, de que a violência nas telas pode induzir seu filho a cometer atrocidades nas ruas. No caso, violência contra mulheres e assassinato de policiais, por exemplo, como ocorre em alguns jogos. E se isso acontecer de verdade, seria culpa da influência dos games ou da educação que os filhos recebem dos pais, incluindo falta de diálogo e acompanhamento? Veja o que eles e os especialistas dizem disso.

Cada família com suas regras

O único consenso existente entre psicólogos e pais preocupados é que uma boa educação doméstica, aliada ao convívio harmonioso com os filhos, são os melhores remédios contra qualquer tipo de efeito multimídia da violência, seja do computador ou da televisão. Evidente, a regra tem exceções e não é incomum uma criança vir a apresentar mudanças de comportamento sob efeito dos jogos. Para muita gente, porém, a polêmica não passa de bobagem e, às vezes, pode servir apenas como desculpa pela ausência de pais que não dão a devida atenção aos filhos.

O auditor fiscal, Marcelo Nunes, fez questão de repassar os “conhecimentos” de jogos para o filhos Pedro, de 4 anos, e Caio, de 9. Pedro joga Counter-Strike e outros jogos tidos como violentos desde os 3 anos, apesar de preferir os de corrida. Por ser muito novo, o pai movimentava o personagem e avisava a hora certa para Pedro “dar o tiro”, clicando no mouse e fuzilando terroristas e policiais. O mesmo vale para Caio, que gosta de GTA, onde o personagem trafica drogas, rouba carros e mata policiais. “É uma bobagem, a criança não vai virar ladrão, ficar violenta ou sair batendo nos amigos por causa de um jogo. Qualquer pai que acompanha o crescimento e a educação dos filhos sabe reconhecer quando algo está errado. Tem muita coisa pior na rua,” opina Nunes. Ele ainda questiona a eficácia de proibir as crianças de jogar o que gostam e de brincar se, no colégio, os colegas vão comentar sobre o assunto de qualquer jeito. “É inútil, as crianças reconhecem o que é realidade e ficção no jogo,” completa.

A advogada Ana Silva* pensa diferente. Preocupada com os filhos, uma menina de 4 anos e um menino de 6, ela restringe o acesso a jogos violentos e até a programas de televisão. “Não os deixo ver telejornais, filmes adultos, novelas, seriados do tipo Malhação e proíbo alguns canais de desenhos da TV a cabo”, diz. Na opinião da advogada, eles são muitos novos e já têm acesso a um volume grande de informação. “As crianças não têm discernimento para várias coisas, incluindo informação visual”, explica. Um ponto polêmico levantado pela advogada é a questão do autocontrole. “Ao jogar, fico profundamente irritada quando morro durante o jogo. É frustrante esperar este autocontrole da criança, é esperar demais”, avalia.

No Núcleo de Pesquisas de Psicologia em Informática da PUC, os psicólogos não concordam que jogos violentos sejam completamente responsáveis por estimular a violência entre crianças, mas apenas se ela já tiver uma predisposição a ser violenta. E, neste caso, não apenas jogos podem influenciar, como também a televisão, o comportamento dos pais, entre outros fatores externos. Por outro lado, há o consenso de que, cada vez mais, jogos e televisão estão tornando a violência algo muito banal e cotidiana.

*Nome fictício. A personagem preferiu não se identificar

Realismo é questionado

O escritor equatoriano, Oscar Echevérri, costuma ser referência em pesquisas sobre violência urbana. Na obra “La Violencia: ubicua, elusiva, prevenible”, de 1994, Echevérri já afirmava que mais de 3 mil estudos mostram uma correlação entre assistir violência e possuir uma conduta violenta. Os jogos com armas contribuem, segundo o autor, para legitimar condutas violentas e pode ajudar na formação de personalidades anti-sociais. Por outro lado, Echevérri lembra que não se deve repreender ou castigar atos errados com violência, pois o efeito pode ser o mesmo e talvez até ajude a criar, no jovem, a idéia de que atos violentos são aceitáveis.

O publicitário Eden Wiedemann está entre os que não vêem com bons olhos a idéia genérica de que jogos violentos fazem mal à educação das crianças. O filho, Filipe, joga desde os 3 anos de idade (hoje tem 5), vários jogos no PC e no Playstation. “O principal é a criança ser orientada a separar o real da ficção, saber de que se trata de jogo. Talvez ajude o fato de que estou sempre presente, mostrando o que é certo ou errado,” explica Wiedemann.

“Não acredito nessas generalizações de que o impacto dos jogos mude ou transforme meu filho. Se ele fosse sozinho no mundo, sem orientação, talvez fosse influenciável, mas não como algumas pessoas pregam por aí,” desabafa o publicitário. O filho não apenas gosta de jogar, como joga bem. Adora o Counter-Strike, onde terroristas lutam contra policiais. “A televisão exibe cenas tão fortes quanto os jogos. Vários desenhos animados mostram sangue espirrando, novelas apresentam cenas simuladas de sexo e muito mais,” alfineta.

O doutor em Sociologia, Valmor Bolan, explica que existe uma certa empolgação nos adolescentes vinda de jogos que estimulam fantasias extravagantes. Jogando, eles supostamente dão asas a desejos que não podem se manifestar no mundo real, geralmente expressões de transgressão e crueldade: eliminar adversários, estraçalhar corpos, ensangüentar vítimas, exterminar criaturas. E o problema, na opinião de Bolan, é quando certos jovens não conseguem deixar esse mundo da fantasia e querem repetir os atos no mundo real. “Devemos ter um discernimento que permita fazer prevalecer uma ética da vida, que seja capaz de erradicar o joio da violência e desabrochar o respeito à vida humana em todos os aspectos,” sugere Bolan.

O analista de negócios para a Sony Latin America, René de Paula Jr., lembra que é preciso acrescentar um outro componente ao debate: o excesso de realismo nos jogos de última geração. “O hiper-realismo, o tiro em estéreo, o joystick que vibra, a agonia escandalosa e berrante dos baleados. Isso mexe com estruturas primárias, com instintos profundos. Você morre mas renasce, você mata mas não paga os pecados,” pondera. René questiona se esse aprendizado dos jogos violentos serve para alguma coisa, se a capacidade de ser feliz ou bem-sucedido no mundo aumenta por causa disso. “Se estivéssemos no século XII, talvez. Ou na pré-história. Ou na Rocinha”, responde.

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