Posts Tagged ‘documentários’

Documentários sobre ‘O Código da Vinci’

Tuesday, May 30th, 2006

Sucesso não se aproveita sozinho. Com as polêmicas sobre o livro, uma verdadeira franquia de documentários seguiu-se nos últimos dois anos, seja para desmistificar os assuntos abordados por Dan Brown em O Código da Vinci como, também, para debochar do autor e tentar classificar tudo como falácia e mentira.
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A polêmica sobre O Código da Vinci - parte 2

Wednesday, May 17th, 2006

Falem mal, mas falem de mim. Poucas máximas do marketing se aplicariam tão bem a O Código da Vinci. Proibido moralmente pela Igreja Católica e criticado ferozmente por religiosos praticantes, somente o anúncio sobre o início das filmagens criou uma expectativa vista poucas vezes na história do cinema. Não é por menos. Os números oficiais do livro impressionam: desde o lançamento em 2003, o Código da Vinci vendeu mundialmente 40 milhões de cópias e já foi traduzido para 44 idiomas. No final do ano passado, Dan Brown foi nomeado na Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, na famosa e histórica lista anual publicada pela revista americana.
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A polêmica sobre O Código da Vinci - parte 1

Wednesday, May 10th, 2006

Não se fala em outra coisa: a estréia deste filme. Quase todos os dias, há alguma pseudo-novidade. Vamos tentar entender, em partes, o motivo de tanta polêmica. Adaptação no cinema do best-seller homônimo de Dan Brown, a trama de O Código da Vinci gira em torno da clássica pintura de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, em que Jesus Cristo está sentado com os apóstolos para uma refeição. A tese defendida pelo livro/filme é que a pessoa sentada à direita de Jesus não é apóstolo João, é Maria Madalena. E ela não seria a famosa prostituta que há séculos os cristãos acreditam que seja. Seria a esposa de Jesus, esperando um filho dele, segredo que a Igreja Católica teria acobertado por 2 mil anos.
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Oscar 2006: Crash vs Bang Bang

Wednesday, March 8th, 2006

Paulo Rebêlo

Não é a primeira vez que Hollywood resolve brincar com o nome de várias celebridades reunidas para conquistar o público e garantir a bilheteria antecipada. E essa é a surpresa maior na vitória de “Crash” ao Oscar, não a derrota de “Brokeback Mountain”. Apesar das diferenças de opiniões, Crash é um bom filme, mas longe de ser um marco cinematográfico digno de Oscar. Mas, afinal, será o Oscar digno de tanta credibilidade?

Crash não choca, não revela surpresas, não expõe feridas e não abre cicatrizes. Contudo, não teria Brokeback Mountain a mesma concepção de não julgar, apenas mostrar? É uma tênue semelhança.

Afinal, o diferencial da obra de Ang Lee sobre os caubóis – o romance homossexual e as agruras do amor reprimido – pode até chocar os puritanos, só que não impressiona mais ninguém na sociedade de hoje. Brokeback não choca como as pessoas que vão ao filme esperam, não abre cicatrizes sobre a homofobia. Não foi à toa que o diretor decidiu manter o filme em 1963, seguindo o conto do qual foi adaptado.

Do ponto de vista das reflexões e questionamentos, Brokeback é uma brincadeira de criança se comparado a, por exemplo, Má Educação (La Mala Educación, 2004) de Pedro Almodóvar. O qual, aliás, foi indicado a vários prêmios internacionais, mas passou despercebido no Oscar daquele ano.

Sobre Crash, vale realçar que a xenofobia da sociedade norte-americana é uma peculiaridade já conhecida, não somente nos Estados Unidos, mas em boa parte do chamado mundo desenvolvido. Visões políticas à parte, Crash não joga luz sob a marca sombria do preconceito. Apenas mostra, na tela, em câmera lenta, os resultados e os pequenos desastres de atos preconceituosos. É um filme denso, interessante, mas talvez óbvio demais. Embora, como entretenimento, valha cada centavo do ingresso.

CELEBRIDADES – A fusão de nomes conhecidos de Hollywood é um chamariz antigo. E Crash segue o modelo, adotado pelo razoável “Onze Homens e Um Segredo” (Oceans Eleven, 2001) e seguido pelo fiasco da continuação em 2004. A celebridade em Crash é uma faca de dois gumes, pois são os atores menos conhecidos do grande público que seguram a trama.

Ao mostrar como tantas histórias podem estar interligadas por pequenas atitudes, o diretor Paul Haggis consegue, de fato, prender sua atenção do primeiro ao último minuto. E no final, a questão permanece: como uma sociedade segregacionista ao extremo é admirada pelo resto do mundo? Há muito a se pensar, mas Crash não põe fogo no debate.

As histórias entrelaçadas lembram muito Robert Altman e seu clássico “Cenas da Vida” (Short Cuts, 1993). A diferença é o elenco, visto que Crash destaca os atores do tipo blockbuster. Na época de “Cenas da Vida”, quase todos eram desconhecidos. Em Crash, até Don Cheadle, que tinha um perfil mais sóbrio, virou popstar após o excelente Hotel Ruanda (Hotel Rwanda, 2004) e aplica a fama para o Oscar.

Simplesmente, não há explicação para Sandra Bullock – que mal aparece no filme, mas está em destaque nos créditos – e a presença pouco convincente de Brendan Fraser, no papel de um importante Procurador que quer se tornar político. Esqueceram que Fraser não consegue perder aquele jeito de garotão recém-saído do colegial ou da escolinha de futebol americano.

Por tantas falhas no elenco e pouca reflexão, surpreende o Oscar. Mas muito longe dos clichês da crítica sobre a derrota de Brokeback, ao estampar que o resultado é “homofóbico”, “conservador” e tantos outros adjetivos batidos que ninguém agüenta mais.

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Kung Fusão é o escracho chinês

Friday, December 23rd, 2005

Paulo Rebêlo
Revista Pipoca Moderna / dezembro.2005

Stephen Chow é um cara de sorte. Em Kung Fusão (Kung Fu Hustle, 2004, China/HK), ele repete o estilo de comédia escrachada que o consagrou na China mas, estranhamente, consegue replicar o sucesso no Ocidente com uma bilheteria monstruosa. Para se ter idéia, o filme dirigido, produzido, escrito e atuado por Chow teve a maior quantidade de salas durante a estréia nos cinemas americanos para uma produção estrangeiro, ficando à frente de obras primas como Herói e Clã das Adagas Voadoras. No Brasil, a recepção também foi calorosa, até mesmo para os críticos tradicionais de cinema – o que é, de fato, surpreendente.

Estamos falando de uma comédia politicamente incorreta, com piadas sobre defeitos físicos, feiúra e trejeitos. No entanto, o carro-chefe é mesmo o estilo peculiar e nonsense de Chow, sua marca registrada, e também o que lhe diferencia das comédias politicamente incorretas de Hollywood. No script, temos um vilarejo na China rural sob ameaça de ser invadido por uma gangue urbana. Com a iminente invasão, os moradores trapalhados acabam se mostrando mestres de kung fu e cheios de segredos do passado. A exemplo de outros filmes de Chow durante a década de 90, Kung Fusão mistura uma ternura simples para todo mundo entender, com pitadas de filosofia marcial nas entrelinhas, a qual só os iniciados talvez consigam pegar.

Boa parte das piadas se perdem na tradução das legendas e na cultura chinesa, principalmente durante algumas paródias de filmes asiáticos. Mas, também há zombaria com Hollywood. Impagável é a cena que simula Matrix e a luta contra milhares de Mr. Smith. O estilo de Chow é considerado deveras nonsense até na China, onde chamam de “Mo Lei Tau”. Quem quiser conferir algumas das obras clássicas de Chow, vale a pena procurar Shaolin Soccer (China/HK, 2001) que ganhou distribuição pela Miramax em 2003. Em 2006, chega a seqüência de Kung Fusão.

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