Posts Tagged ‘brasil’

Eles querem restaurar a Monarquia

Thursday, November 15th, 2007

Movimento nacional, com forte presença em Pernambuco, tenta instituir sistema de governo com imperador, primeiro-ministro e parlamentarismo

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco - 15.nov.2007 (link)

O presidente se preocupa com as próximas eleições, enquanto o rei se preocupa com as próximas gerações. Eis um dos principais pontos a nortear monarquistas de vários estados, a partir de hoje (15), em um debate em São Paulo sobre o “novo” projeto político para o país. Poucos têm observado, mas neste exato momento diversas associações trabalham e discutem a restauração da Monarquia no Brasil. O modelo inclui as figuras do imperador, do primeiro-ministro e de gestores eleitos pelo povo, em regime de Monarquia parlamentarista. De forma um tanto discreta, os chamados círculos monárquicos promovem encontros e palestras sobre a viabilidade política e o momento mais oportuno para a restauração. Agora, quando se comemora 119 anos da Proclamação da República, eles se sentem preparados a enfrentar e tentar esclarecer a opinião pública. E até mesmo fazer parte do atual sistema político, por meio de um partido e de uma base no Congresso Nacional. São planos e idéias que, de hoje a sábado, constam na programação do Encontro Monárquico 2007 na capital paulista, organizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Monárquicos (Ibem).

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Zabé da Loca, rainha do pife

Wednesday, July 25th, 2007

Paulo Rebêlo*
Revista Carta Capital - Ed. 454 – 25.julho.2007

Aos olhos de um Brasil que desconhece o Brasil, a descrição de Isabel Marques da Silva se parece com a descrição de uma típica mulher do sertão nordestino. Aos 84 anos, é alcoólatra, fumante compulsiva, tem as marcas do trabalho pesado nos pés, carrega no rosto os profundos vincos formados por anos de exposição ao sol forte, criou-se e formou-se com a enxada na mão. Seus dias parecem se resumir a apreciar, à soleira da porta, a mesma paisagem seca que a acompanha há décadas, olhar as mesmas pessoas que passam por aquele distante pedaço de terra quase perdido na fazenda Santa Catarina, uma região permeada de rochas gigantes a 20 quilômetros de Monteiro, sudoeste da Paraíba.

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Amei. Amei demais.

Thursday, June 28th, 2007

No domingo (24/jun/2007), a primeira página da Folha de S. Paulo assustou leitores. Foram comprar o jornal que muitos consideram o mais sério (no sentido de carrancudo) do Brasil e ficaram em dúvida se era o mesmo jornal ou uma alternativa à revista Caras.

Entrevista exclusiva com a Mônica Veloso, a jornalista que teve um relacionamento com o Renan Calheiros (o rei do gado em Alagoas), em que ela responde aos questionamentos relacionais das repórteres. Nas palavras dela: “amei, amei muito. Ele é um homem extremamente inteligente.”

Na mesma primeira página, vemos o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, “mostrando sua intimidade à Mônica Bergamo (não à Veloso), colunista social do jornal.

O problema não é exatamente a inusitada primeira página da Folha. É o conteúdo. A entrevista com Mônica Veloso é pueril e parece um chá da tarde. E sobre o presidente do BC, sem comentários.

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Declínio do Nordeste. No futebol…

Monday, June 25th, 2007

A semana não começa nada bem para os torcedores pernambucanos. Logo de cara, a Folha de Pernambuco “brinda” o jogador do Sport Recife com uma triste, porém verídica, reportagem: a atual campanha do Sport no Campeonato Brasileiro é a pior desde 1991. A campanha do time tem sido sofrível e deprimente, o que dá respaldo ainda maior para a polêmica capa do Globo comentada aqui no blog.

O crédito da foto que ilustra este post é do glorioso Bob, vulgo Robert Fabisak, na edição desta segunda-feira do mesmo jornal. Mas a imagem não mostra o Sport, e sim o Náutico, em jogo recente. Por que? Porque no caso do Nordeste, a reportagem da Folha de Pernambuco é aquele tipo de texto que o repórter quase não tem trabalho. É mudar um detalhe aqui, outro ali, salvar e colocar o texto para rebolar. Não desmerece o trabalho de apuração, evidentemente, apenas evidencia como o futebol nordestino está capenga há muito tempo.

Desta vez, nem precisamos ir longe no nosso banco de dados. Há apenas dois anos, o Jornal do Commercio publicou uma extensa reportagem sobre o declínio do futebol pernambucano. Era dezembro de 2005 e o texto abre assim:

Má gestão administrativa, calendário ruim, economia pobre e desmonte de categorias de base reveladoras de jogadores e oportunidade de bons negócios. Essas são as causas principais apontadas por dirigentes e especialistas que ajudam a explicar a queda do futebol nordestino, que vê ano a ano seus times excluídos das Séries A e B. O Nordeste está sumindo do mapa do futebol. Após perder ano a ano representatividade na Série A, a segunda região mais populosa do País aquela que concentra cerca de 30% dos brasileiros , agora perde força também na Série B, a parte intermediária da pirâmide futebolística. A realidade é dura. Se antes a briga era para não cair para o purgatório da Segundona, agora o perigo é despencar para o inferno da Terceirona.

A reportagem do JC ainda pode ser encontrada online, para assinantes do jornal ou do Universo Online, seguindo este link. Entre diversos fatores apontados pela reportagem, alguns parecem vir dos livros de História do século passado: paternalismo, coronelismo e tantos outros ismos no futebol nordestino.

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Chacal brasileiro

Saturday, June 23rd, 2007

O bafafá sobre Lamarca traz à tona uma sugestão interessante para quem gosta de ler. Lamarca liderou a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), com ações guerrilheiras como assalto a bancos e seqüestros. A menção à VPR nos obriga a deixar a dica de leitura do livro-reportagem O Homem que Morreu Três Vezes, do colega Fernando Molica, que trata da figura do advogado gaúcho Antonio Expedito Carvalho Perera, o “Chacal brasileiro”.

Antonio Perera é uma figura pouco conhecida dos livros de história, mas teve papel crucial no desenvolvimento da VPR. O mais interessante no livro-reportagem do Molica é a metamorfose pela qual Perera passa, de um advogado fuinha e conservador, até o auge de carregar a alcunha de Chacal brasileiro. O livro é facilmente encontrado nas livrarias online, como Submarino, Saraiva etc.

Quem foi o verdadeiro Chacal?

Sobretudo para os mais jovens, o “verdadeiro” Chacal é conhecido por causa do cinema com o filme O Chacal (The Jackal, 1997, EUA) com os famosos Richard Gere, Bruce Willis e Sidney Poitier. Em termos de qualidade, o filme de 1997 zela apenas pelo teor estilizado.

Bom mesmo é o original The Day of the Jackal, de 1973, dirigido pelo Fred Zinnemann e baseado no livro de Frederick Forsyth. São 145 minutos de uma obra de arte, no auge da época de ouro do chamado cinema de espião.

Não existe o verdadeiro Chacal. Atribui-se o nome Chacal ao terrorista Ilich Ramirez Sanchez, que é conhecido como Carlos, o Chacal. O nome ‘Carlos’ ele ganhou como codinome ao juntar-se à Frente Popular de Liberação da Palestina. Durante a década de 70 e início dos anos 80, foi um dos terroristas mais procurados no mundo.

Ilich Ramirez Sanchez, o Chacal, foi preso pela polícia e, logo em seguida, a imprensa britânica o batizou de Carlos, o Chacal. Supostamente, porque encontraram o livro de Forsyth na casa de Sanchez, que era tido pelas autoridades como um mercenário, a exemplo do personagem Chacal. Sanchez sempre optou pelo termo revolucionário.

Nunca se confirmou que o livro fora realmente encontrado na casa de Sanchez. Supostamente, o livro foi escrito baseado no personagem de Sanchez, o que também não condiz com os fatos, porque Forsythe publicou muito antes de Sanchez sequer ser conhecido nos antros terroristas.

O livro é de 1971, Sanchez tornou-se conhecido, principalmente, em 1975 após um ataque em Vienna à sede da OPEC, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Sanchez nasceu em 1949 em Caracas, Venezuela. Foi preso no Sudão (África) em 1994, após passar por uma cirurgia nos tésticulos. Bizarro. O julgamento de Sanchez teve início e fim no ano de 1997, quando foi sentenciado à prisão perpétua. Cumpre a pena na França.

Para saber mais -

- Carlos, o Chacal: a trilha do terror. Tudo sobre a história, da Biblioteca do Crime, nos EUA.
- Correspondência com o Chacal, por Anthony Haden-Guest. New York Press.
- Chacal processa o governo francês, reportagem da CNN no ano 2000.

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