Ago 31 2006

A Brazilian in Bp

Categoria: EnglishRebêlo @ 17:13

Paulo Rebêlo
The Budapest Sun - 31/08/06 - [link original]

WHEN I first decided to move to Budapest, I made up my mind that I wouldn’t try to discover anything about life in Hungary and wouldn’t use the Internet to make friendly contacts before arriving.

The impression the average Latin America citizen has of Hungary is limited to its famous city Budapest where people breathe history, culture and beauty - and that was enough for me. By chance, someone also told me how most Hungarians seem to like the Brazilian culture.

It has been only a week since my arrival and it was rather easy to figure out that, differently from most western European countries, Hungary has many more similarities with Brazil than the average Hungarian would think. However, the first resemblance as a first-time visitor wasn’t exactly a cultural one. It truly freaks me out how the Tourism Office of Budapest puts emphasis on how foreigners should protect themselves against pickpockets and burglars on the streets, including at public transportation spots.

Although the orange-colored informative called Well-informed in Budapest states that the Hungarian capital does not belong in the same bad category of many other European cities, in terms of public safety, at each topic it seems to repeat over and over how cautious you should be.

After reading it a couple of times, I went looking for bigger tourist-oriented informatives and noticed that same emphasis that, usually, the western and Latin American tourist doesn’t expect to find when visiting one of Europe’s most famous cities.

The first thought that came to mind was, “Wow, am I in Rio de Janeiro?” After all, it is no news that, despite all of its natural beauty, Brazil is one of the most dangerous countries for the average tourist who doesn’t keep an eye on his wallet and pockets.

For anyone who comes from abroad, it’s nonsense how a city that breathes culture, history and beauty must keep warning visitors about issues that, perhaps, could be simply solved. One could say that Budapest’s officials are just being honest when stating things like, “some precautions are warranted if you’re traveling on a crowded vehicle, as these are often frequented by pickpockets […] have your bags and purses zipped all the time […] we suggest you have only a small amount (of money) on you, only as much as you deem necessary to be able to spend the day comfortably.”

Yes, indeed, it is quite honest. But one could also ask how on earth a visitor would know how much he deems necessary to spend a day in Budapest, especially when the Hungarian forint is so undervalued when compared to the Euro.

Also, if there are so many pickpockets at train stations (which seem to be always crowded in the summer after all), how safe would you feel to stop and ask someone for directions, as I have so many times in the last few days? After reading this stuff, and always being in a crowded trains or buses, those words keep bumping in my head and when I look up to see who has just stumbled on me (one more time), I can’t help thinking: was he trying to get my wallet? But people are always stumbling into one another on trains! Does that make them all potential pickpockets? I guess not.

I still have no familiarity with Budapest at all, am still getting lost on the streets and stations and one thing that keeps buzzing in my head is a suggestion from the very few Hungarians I’ve met so far: whatever you do, don’t get a taxi by yourself, especially at the airport, because you will probably be overcharged when they notice you have no idea where you are.

Well, I am a Brazilian and, as I said before, Budapest is already feeling like home. And I’m just loving that. So far.

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Ago 18 2006

Desenvolvimento de games para as massas

Categoria: Internet, JornaisRebêlo @ 15:43

Com o recente anúncio da Microsoft de oferecer, gratuitamente, uma versão reduzida do XNA Game Studio, muita gente começa a se mexer de ansiedade na cadeira. De acordo com a empresa, a ferramenta poderá ser baixada a partir desta semana e vai servir para desenvolver seu próprio game - sem recursos de última geração - para rodar no PC e na plataforma online do Xbox, o console de jogos da Microsoft. Serão jogos mais simples, cujo fator diversão dependerá mais da criatividade do autor do que da tecnologia propriamente dita.
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Ago 08 2006

O consumidor é a última das prioridades

Categoria: InternetRebêlo @ 20:53

A polêmica sobre as TVs de plasma no Brasil é apenas a ponta do iceberg na desrespeitosa relação entre indústria e consumidor. Dos países subdesenvolvidos, o Brasil é historicamente um dos melhores parceiros comerciais dos Estados Unidos em vários setores da economia. Em matéria de eletrônicos e tecnologia, somos campeões de importação - não por querer, mas por necessidade. O problema é que, junto aos produtos, vem também toda uma mentalidade corporativa de que o consumidor fica por último na fila das prioridades, apesar do investimento em propagandas que dizem o contrário.
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Ago 05 2006

Pirataria levada a sério. Ou quase.

Categoria: RevistasRebêlo @ 15:58

Paulo Rebêlo
Revista Backstage - agosto/2006

Poderíamos usar milhentas páginas para explicar o por quê de ser necessário levar a pirataria fonográfica a sério. Ocorre que os sindicatos, representantes e porta-vozes da indústria e das associações já fazem o serviço. Seja em campanhas na mídia, entrevistas na imprensa, palestras públicas ou conversas informais com empresários, os argumentos são polidos e fazem sentido. Razoável parcela foi, inclusive, abordada nesta coluna nos últimos três anos: incentivo ao contrabando, tráfico de drogas, criminalidade, evasão de divisas, dentre tantos outros amplamente divulgados por entidades como a BSA (Business Software Alliance), ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco), ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), RIAA (Recording Industry Association of America) e assim por diante.

Como toda moeda tem dois lados, além da densa camada do meio, é democraticamente razoável e compreensível que tenhamos o direito de analisar e publicar amiúde a realidade mais humano-salarial, para usar uma metáfora, digamos assim, rasteira, sobre a questão da pirataria de CDs e de conteúdo digital como um todo. Se é para elegar uma entidade com discurso, ficamos com a EFF (Electronic Frontier Foundation). Se a idéia fosse nulificar por completo os argumentos e o assunto, nem seria preciso uma página escrita. Bastaria seguir o padrão-mensalão-de-argumentação, aquele cujas bases consistem no bom e velho “se todos fazem, então não é crime”. E para tal, melhor exemplo não há do que o DVD pirata do filme ‘2 Filhos de Francisco’ que foi parar na comitiva presidencial e rendeu elogios do Presidente da República. O caso foi amplamente conhecido.

De tal modo, não é nossa intenção nivelar por baixo o debate. Apenas a de abrir outros prismas e contextos, deixando de lado a universalidade de que apenas a indústria está sempre correta aos ditar as regras de consumo: nos dizendo o que é bom de se ouvir e qual o preço justo de se pagar.

TÃO SÉRIO QUANTO – O exemplo do DVD pirata presidencial é apenas mais um, dentre tantos outros, cujo resultado é refletido nas antiqüíssimas máximas de Confúcio, há quase 3 mil anos atrás, sobre política e gestão social. Uma das máximas confucianas que sobrevivem até hoje é aquela que prega: se pretendes organizar um país, primeiro organiza tua cidade. Se pretendes organizar tua cidade, primeiro organiza teu bairro. Se pretendes organizar teu bairro, primeiro arrume a casa. É o mesmo alicerce adotado séculos depois por Sun Tzu, hoje o queridinho do mundo corporativo ocidental após inúmeras traduções e adaptações: como podes querer comandar um exército se não consegues comandar tua própria família?

E de província em província, para Confúcio tornou-se fácil reconhecer os bons governantes. Bastava aceitar uma xícara de chá. Destarte, é meio ridículo levarmos a sério o discurso das gravadoras e associações sobre pirataria, contrabando e tráficos de drogas por conta dos CDs piratas do camelô quando, do outro lado da rua de um Ministério Público, vemos uma carreata de carrinhos e barracas com os últimos lançamentos.

Para as gravadoras, é reconhecidamente uma luta inglória esta contra o sentimento de inatividade e impunidade. No entanto, a inglória é mútua, referendando-se os devidos valores entre indústria e cidadãos comuns, pobres mortais assalariados que encontram um CD nas lojas por R$ 25 e lembram que, ao atravessar rua, com o mesmo valor poderão comprar cinco discos cujo conteúdo – a música – é idêntico. E aqui entra todo aquele discurso da “capinha” original, do encarte, das letras e uma série de outros fatores cujas discussões, em 90% do tempo, restringem-se a uma classe média (em diante) razoavelmente esclarecida. Ou seja, uma minoria.

IMPUNIDADE – Particularmente, é bem difícil levar a sério o discurso de gravadoras e associações quando demonizam o comprador de um CD pirata no camelô, quando demonizam o download de MP3, mas se calam diante da impunidade dos mega-distribuidores piratas que contam com apoio, muitas vezes, de funcionários de autarquias públicas. Quando se calam diante da morosidade judicial, da falta de aplicações de leis detalhadas e de jurisprudências. É difícil levar a sério quando falamos de internet, de um mundo cujo conteúdo está cada vez mais digitalizado e, ao mesmo tempo, voltamos à idade da pedra lascada quando vemos se concretizar a boa e velha teoria de que a corda só rompe do lado mais fraco.

Antes de reciclar as políticas comercias e de distribuição – além de aprender a usar os meios digitais de forma um pouco mais inteligente – o que as gravadoras precisam, em caráter de urgência, é atualizar o discurso voltado ao consumidor padrão, aquele que não está necessariamente na camada da classe média razoavelmente esclarecida mas que, a priori, não é o típico pagodeiro de plantão e nem está interessado na coletânea do Araketu por R$ 9,90.

Antes de repensar valores e estratégias é preciso, urgentemente, repensar a quem estamos tentando ludibriar, enganar e convencer de que, ano após ano, debate após debate, lei após lei, desemprego após desemprego, ainda seja justo pagar o preço atual por um pedaço de plástico e papel, cujo interior consiste em um CD com tecnologia defasada, espaçosa e, em determinados casos (vide o último álbum da Marisa Monte), uma baita dor de cabeça e descaso com a boa vontade do consumidor “honesto”.

REFLEXOS – O mercado informal de hoje parece não ter fim. Os tentáculos dos camelôs e dos piratas tornou-se infinito. Nada mais é do que um reflexo da realidade comercial de um país, de uma nação. É o mesmo alicerce que rege o setor de software para computador: cobram aqui praticamente o mesmo valor, convertido em reais, do que cobram em países desenvolvidos, com uma realidade socioeconômica radicalmente diferente. É insano.

No final das contas, o que a gente vê são mais postos informais de trabalhos criados do que todas as promessas de aumento de emprego proferidas por todos os políticos juntos em época de campanha. E na atual conjuntura política nacional (leia-se: corrupção, compra de votos, mensalão, CPIs) é ridículo e causa ojeriza um engravatado da indústria fonográfica querer convencer a população de que comprar CD pirata gera “sonegação de impostos”, “desemprego”, “financia o tráfico de drogas”.

Na visão das políticas corporativistas importadas, o Brasil pode até ser um país de iletrados, incultos e ignorantes, categoria a qual eu deveria me incluir, mas deveras não somos bobos. Somos, principalmente, vítimas do que se faz com os impostos que não sonegamos; protagonistas dos empregos que perdemos, dublês de carne e osso do tráfico que congela uma nação de medo com ajuda de desvio de dinheiro da República.

Se comprar um CD pirata for dizer ‘não’ ao discurso vazio sem propostas claras, objetivas e que não menosprezem o cérebro da nação de jeca-tatus que somos, serei o primeiro a pagar R$ 30 para reservar meu lugar na fila dos interessados em comprar do camelô um disco por R$ 5,00.

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