Archive for December, 2005

Fable é um bom game…

Monday, December 12th, 2005

… mas a Microsoft abusa de nossa paciência.

Paulo Rebêlo
Webinsider, 13.dez.2005

Historicamente, a Microsoft nunca teve nos games uma fonte primária de lucro. E ainda não tem, mas começou a investir pesado anos atrás e o resultado era previsível: muito sucesso. No entanto, ao mesmo tempo em que consegue se firmar, as mesmas práticas pouco convencionais persistem. Entre elas, a falta de opções ao usuário, sob o argumento de facilitar a nossa vida.

Com o passar dos anos, o termo “opção” ou “personalizar” sumiu no dicionário dos súditos de Bill Gates. Evidentemente, boa parte de nós, usuários desses produtos, somos súditos não por opção, mas por necessidade ou por questões burocráticas e profissionais. É fato – e não me venham com cruzadas religiosas.

A personalização dos produtos foi diminuindo durante os últimos anos. Exemplo? Instale todas as versões do Windows, desde o 95 até o XP, para perceber como tornou-se impossível manusear a instalação. O usuário é obrigado a ter instalado coisas que nunca irá usar.

Não estamos falando apenas de discussões judiciais, como o Windows Media Player embutido; ou religiosas, como a inclusão quase carnal do Internet Explorer ao sistema; mas de coisas pequenas e irritantes, entre joguinhos sem graça e tulhas de acessórios inúteis que não temos como tirar. Custava poder tirá-los?

Com a próxima versão do Windows, o Vista, essa diretriz será levada ao extremo. A Microsoft diz que é para facilitar a vida do usuário – que não quer ficar marcando e desmarcando opções, nem ficar preenchendo dados durante a instalação. De fato, as pessoas querem simplicidade, mas uma simplicidade inteligente. A resposta da Microsoft sobre a crescente falta de personalização é uma afronta à inteligência de qualquer um. Ou à ignorância, depende do seu ponto de vista.

Quem complica, se trumbica

Não custa lembrar que a própria empresa manteve – com sucesso – as simples quatro alternativas de instalação: típica, compacta, completa e personalizada. Nesta última, podíamos escolher apenas o que iríamos usar. Na compacta, o mínimo para o software se tornar operacional. Na típica, a instalação recomendada para a maioria dos usuários domésticos.

Mais simples, impossível.

É impressionante como os produtos da Microsoft foram se tornando mais burros (ok, complicados) para instalar, principalmente os carros-chefes Windows e Office. Resultado: técnicos e administradores irritados, disco rígido mais cheio e megabytes de memória RAM desperdiçados por nada.

O Windows Vista (veja texto ao lado) é extremamente burro (digo, complicado) desde a concepção inicial. Não há arquivos de instalação, mas apenas um único e gigantesco arquivo de 600 a 700 Mb contendo o sistema operacional inteiro. No Office 2006 (veja ao lado), muitas das opções de personalização que temos hoje na versão 2003 foram para o espaço. O argumento da Microsoft é o mesmo: “estamos facilitando a sua vida”. Só falta acrescentarem o “débil mental” depois de uma vírgula.

A fábula da facilidade

Pior do que a atitude dos gênios da facilitação da Microsoft é o fato de, quase sempre, ficarmos de braços atados sem a menor alternativa para uma contra-atitude.

Falamos de games lá em cima e agora voltamos a eles. Exemplo de hoje é o Fable, um jogo para PC lançado recentemente, após um sucesso estrondoso no Xbox. A versão para console já tem um ano de idade, mas a edição portada para computadores é turbinada com melhores gráficos e novas missões, fazendo jus ao atraso.

O jogo é ótimo, mas só funciona no Windows XP e isso é péssimo.

Parece besteira? Besteira é para a mentalidade dos gênios da facilitação. Fable exige um mínimo de 256 Mb de RAM para rodar, mas recomenda 512 Mb. Se eu tenho 256 Mb de RAM, eu consigo usar o Windows 2000 com ótima performance. Tente usar o XP com 256 Mb para você ver. Fica uma mula. Assim, com 256 Mb, eu não posso jogar Fable no Windows 2000.

Qual é a opção? Só uma: comprar mais 256 Mb de RAM. Sim, porque para instalar o Windows XP e não jogar o monitor pela janela (de raiva), minha humilde sugestão é que você tenha 512 Mb.

Há uma infinidade de jogos, desta nova safra de lançamentos, que realmente só funcionam em plataforma Windows 2000/XP, como Quake 4 e Fear. Acontece também com softwares, como é o caso do Acrobat 7. A discussão é calorosa, reconhecemos. Entretanto, quando a própria fabricante do sistema operacional exclui uma das melhores versões (ou a melhor, na visão de muita gente) do Windows para um simples “joguinho”, é porque chegamos a um ponto difícil de engolir.

O Windows 2000 (atualizado com Service Pack 4) trabalha perfeitamente bem com DirectX 9, roda todos os jogos que funcionam bem no XP. Inclusive, com 512 Mb de RAM, muitos rodam melhor no 2000. Nem é preciso dizer que a arquitetura do Windows XP foi desenvolvida em cima do código do Windows 2000, mas a gente diz novamente. Foi.

E o argumento da Microsoft, a posição oficial? É que o Windows XP é o sistema que proporciona a maior segurança ao usuário. Como assim? XP, segurança? Novamente, reforço a opinião bem particular, mas com a certeza de ser compreendido por milhões de súditos de Bill Gates mundo afora, de que são argumentos para abusar da nossa ignorância.

O pior dos piores? É que o danado do Fable é bom pacas. E pode terminar fazendo você instalar o XP no lugar do 2000 só para poder jogar até o fim. Foi o que eu fiz. Quer dizer, no final das contas, a estratégia de mercado da Microsoft deu certo, pelo menos para mim. E para as duas orelhas de burro que carrego, ao menos até chegar ao fim do jogo e poder voltar ao Windows 2000.

O mais incrível é perceber a capacidade de sair por cima da Microsoft. A empresa complica e não se trumbica. Méritos dela? Talvez, apenas talvez. Leia o excelente artigo de Ricardo Banffy (ao lado) e veja que a grande culpada pode ser a própria concorrência, a mesma que tanto critica o império de Redmond. [Webinsider]

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Turbine seu Natal com jogos para PC

Wednesday, December 7th, 2005

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco - 14.dez.2005

Em dúvida sobre um bom presente para as festas natalinas? Não pense duas vezes, compre
um jogo para PC e faça uma alegria em dobro: a sua e a do presenteado. Durante os últimos
meses deste ano, as desenvolvedoras de games aceleraram a produção e hoje as lojas
dispõem de uma série de títulos novos, dentre os quais haverá pelo menos um que lhe faça
perder algumas horas semanais em frente ao monitor. Tem de tudo: ação, estratégia, tiro,
terror, corrida… A Folha Informática testou alguns. Veja também os macetes para usar na
hora do aperto.

É clichê dizer que os jogos estão cada vez mais cinematográficos, com enredos também
semelhantes a roteiros de cinema. Afinal, o setor de games é uma das indústrias nas quais
inexiste o termo “crise” ou “recessão”. Em cálculos de hoje, movimenta quase US$ 10 bilhões, um valor superior ao movimentado pelos filmes de Hollywood, de acordo com o levantamento Global Entertainment and Media Outlook 2004/2008.

Com tanto dinheiro e tanta gente se dando bem, o processo óbvio é que a festança se reflita
na qualidade dos games. Mesmo quando o jogo é ruim, às vezes faz parte de uma franquia de sucesso - como Quake, Need for Speed, Doom etc - e vende feito água, só pelo classicismo da série. Ocorre que, eventualmente, chega uma desenvolvedora e apresenta algo completamente novo, que certamente será copiado em seguida. Para quem tem memória boa, foi assim com Diablo e Max Payne, por exemplo.

Este ano, a novidade mais interessante fora das franquias de sucesso é uma mistura de ação e suspense de fazer os incautos dormirem com a luz acessa: chama-se First Encounter Assault Recon ou, simplesmente, FEAR. Apesar de seguir o padrão de tiro em primeira pessoa, ele leva o jogador a um verdadeiro filme, por sinal, bem parecido com a trilogia de terror japonês “Ringu”, que no Ocidente ganhou o remake americano “O Chamado”. FEAR obteve as melhores classificações em revistas e sites especializados, como Gamespot e Gamers Guide, além de também ter o voto da equipe da Folha Informática.

F.E.A.R - Derrote os seus próprios fantasmas

Em F.E.A.R., você é um novato que integra um pelotão de elite para situações paranormais. A missão será a mesma do início ao fim: neutralizar Paxton Fettel, um ex-colaborador do governo que enlouqueceu e controla, mentalmente, um esquadrão de soldados clonados em uma empresa abandonada e cheia de mistério. No desenrolar do jogo, você vai conhecendo a história de Fettel (e talvez até concordar com ele) mas, sobretudo, vai lidar com situações arrepiantes ao constatar que Fettel não é o seu pior inimigo.

Além do enredo bem interessante, o maior trunfo de FEAR é a jogabilidade e a inteligência artificial dos adversários. Eles fazem emboscadas, passam instruções via rádio para os companheiros, quebram janelas e saem rolando, se escondem enquanto o reforço não chega e criam estratégias para lhe cercar quando estão em vantagem numérica. A segunda boa pedida de F.E.A.R. também é seu principal ponto negativo: os gráficos. O jogo exige uma verdadeira máquina para rodar em qualidade razoável, sendo o recomendável 1 Gb de RAM.

Para a maioria dos usuários, o jeito é configurar os detalhes gráficos para o mínimo, mas não se desespere, pois o jogo continuará bom e assustador do mesmo jeito. O que irá mudar, obviamente, são detalhes de física, como cápsulas de bala e texturas detalhadas em objetos e cenários. F.E.A.R. é tudo o que Doom 3 tentou ser e não conseguiu. Tem suspense e horror na medida certa, sem apelar para monstros e seres imaginários, com uma trama envolvente.

SERVIÇO
Requisitos mínimos:
Windows 2000 ou XP apenas
Processador de 1.7 GHz
512 Mb de RAM (1 Gb recomendado)
64 Mb de placa de vídeo
(256 Mb recomendado)
5 Gb de espaço em disco

Call of Duty 2 - Jogo retrata ritmo frenético da guerra

Vai chegar o dia em que, se outra guerra mundial não ocorrer antes, nossos filhos e netos vão terminar achando que a 2ª Grande Guerra foi um ato romântico das nações, dada a quantidade de jogos sobre o tema, sempre detalhistas e heróicos. Call of Duty (CoD) não é apenas mais um jogo de guerra, mas retrata um cenário que já demonstra sinais de cansaço: as batalhas sangrentas entre soviéticos, ingleses, americanos e alemães no período de 1942 a 1945.

A franquia CoD rendeu excelentes dividendos para a produtora com o primeiro título, que não à toa, resolveu seguir a mesma fórmula no segundo jogo.

Call of Duty é o oposto do principal concorrente Medal of Honor. Enquanto este preza por um ritmo um pouco mais lento e reflexivo, CoD não deixa tempo para respirar ou pensar. Talvez seja o maior trunfo para os fãs, realçado neste segundo game: a imersão no ambiente caótico e barulhento da guerra.

Você recebe informações pelo rádio, seus companheiros gritam, os inimigos gritam ainda mais, bombas explodem, granadas pipocam aos seus pés, balas para todos os lados, aviões passando, tanques atropelando barreiras e você bem no meio tendo que cumprir os objetivos. No quesito imersão, CoD é quase um simulador.

Os gráficos são ótimos mas, com tanta desordem no cenário, fica difícil prestar atenção em detalhes. A física do jogo não é das melhores. É comum atirar em vidraças e não ver nada quebrando, bater em objetos que não se movem e assim por diante. No mais, CoD é o extremo da diversão, principalmente porque você não é apenas um herói americano, mas encarna o papel de soldados soviéticos, alemães e ingleses, batalhando pelos vários lados da história.

SERVIÇO
Requisitos mínimos:
Windows 98/2000/ME/XP
Processador 800 MHz
(1.4 GHz recomendado)
256 Mb de RAM (512 Mb recomendado)
64 Mb de vídeo (128 Mb recomendado)
5 Gb de espaço em disco

Sniper Elite - Para os “campeiros” de Counter Strike

Quem jogava Counter Strike (CS) lembra bem da figura do “campeiro”, aquele cara que ficava em cima dos edifícios ou escondido no cenário com rifle de longo alcance, o popular sniper. Sniper Elite parece ter sido feito sob medida para essa turma. É um jogo de tiro que preza pela estratégia e sangue-frio, onde você faz o papel de um atirador de elite com missões secretas a cumprir. Durante a maior parte do tempo, você vai andar agachado ou deitado, aproveitando-se do uniforme para se camuflar no cenário e, assim, não ser detectado pelos inimigos.

Aproveite o alto de edifícios e os binóculos de longo alcance para usar a sniper e seguir adiante. Evite confrontos diretos, não tente matar todos. Apenas cumpra sua missão. Sniper Elite é um excelente jogo para quem tem paciência e gosta de bolar estratégias, não para os fanáticos por ação do tipo Call of Duty ou Quake. Não se espante se levar uma hora inteira para completar apenas uma missão, até porque, às vezes, basta um único tiro para você morrer. Os gráficos são apenas razoáveis, sem destaques. A grande sacada é mesmo a simulação, visto que na hora de dar o tiro fatal você precisa levar em consideração o efeito da gravidade, a força do vento, o foco, a distância e até mesmo a respiração.

SERVIÇO
Requisitos mínimos:
Windows 98/2000/ME/XP
Processador 1 GHz (1.4 GHz recomendado)
256 Mb de RAM (512 Mb recomendado)
32 Mb de vídeo (64 Mb recomendado)
5 Gb de espaço em disco

Quake 4 é um Doom 3 em versão melhorada

A iD Software, responsável pela franquia Doom e Quake, não soube trabalhar muito bem o desenvolvimento e o marketing por trás deste jogo que poderia ter ficado para história. Os dois primeiros títulos da série marcaram época (1996 e 1997), Quake 3 foi um fiasco em 1999 e Quake 4 segue uma fórmula batida, porém ainda em voga, de atirar primeiro e perguntar depois, mesmo que seja numa mosca. O enredo é a continuação de Quake 2, onde você novamente precisa combater a raça alienígena Stroggs.

O jogo usa o mesmo motor gráfico de Doom 3 e, de certo modo, tenta imitar um pouco a linha de assustar com grunhidos e cenas grotescas. Os Stroggs são realmente horripilantes, mas não é preciso bolar uma estratégia (além de segurar o botão de tiro) para trucidá-los. O ponto alto de Quake 4 é quando você é capturado e se transforma em um ser híbrido de humano e Strogg, mais forte e veloz.

O game não chega a ser ruim mas, de fato, não traz nada de novo ao jogador médio. Se você gostou de Doom 3 ou, mesmo não gostando, chegou até o fim, Quake 4 garante mais horas de diversão em ambientes escuros com efeitos de luz de primeira categoria, além de gráficos realmente bons e pesados. Só não espere muito do modo multiplayer, que é bem padrão e sem novidades. A iD Software planeja, para 2006, o lançamento de Quake Wars, com enfoque exclusivo em partidas online.

SERVIÇO
Requisitos mínimos:
Windows 2000 ou XP apenas
Processador de 2 GHz
512 Mb de RAM
128 Mb de vídeo
3 Gb de espaço em disco

Fable é uma fábula em tempo real da MS

Historicamente, a Microsoft não tinha a área de games como o forte dos negócios. De cinco anos para cá, a empresa resolveu investir pesado no setor e o resultado era esperado: muito sucesso. Títulos como Dungeon Siege, Halo e Age of Empires, somente para citar três exemplos, levam muita gente a chegar atrasada ao trabalho. Em Fable, a Microsoft trouxe para o PC um grande sucesso do Xbox, uma mistura de RPG com ação que trabalha o imaginário e a personalidade de cada um.

Você comanda um pequeno garotinho que, após a morte dos pais, começa a ser treinado em uma aldeia de heróis. Suas atitudes durante o jogo vão moldar o personagem, transformando-o em uma pessoa simpática e acessível ou resmungão e grosseiro, para o bem ou para o mal. Fable agrada adolescentes e adultos, sem cair na mesmice. A versão para PC é melhor do que a para Xbox, com missões extras, enredo melhorado e gráficos aprimorados.

Se você cumprir apenas as missões primárias do jogo, Fable dura apenas umas dez horas seguidas. O diferencial é ir descobrindo cenários e missões escondidas, conversando com as pessoas e se aprimorando. Lembre-se que o destino do personagem é seu: da infância até a fase adulta. E o mais legal é ir percebendo como isso vai mudando durante o enredo. É um jogo diferente, de comandos simples e cenários bem coloridos.

SERVIÇO
Requisitos mínimos
Windows XP apenas
Processador 1.4 GHz (2.5 GHz recomendado)
256 Mb de RAM (512 Mb recomendado)
64 Mb de vídeo (128 Mb recomendado)
3 Gb de espaço em disco

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Entenda as tecnologias por trás dos processadores

Thursday, December 1st, 2005

Paulo Rebêlo
especial para o UOL Tecnologia (link original c/ imagens)

O processador é a parte mais importante do computador, pois é ali onde será interpretado e executado uma série de instruções fornecidas pelos aplicativos (softwares) que você usa, como o sistema operacional e o editor de textos, por exemplo. Por isso é comum ouvir dizer que, quanto mais rápido o processador, mais veloz ficará sua máquina.

Apesar de o processador sozinho não ser responsável pela performance como um todo, é a partir dele que devemos começar a olhar quando pensamos em trocar de PC. Também conhecido como CPU (do inglês Central Processing Unit ou Unidade de Processamento Central), a velocidade do processador é medida pelo seu clock em GHz (gigahertz) ou, para as unidades mais antigas, em MHz (megahertz).

A taxa de clock

Cada hertz equivale a um “ciclo-por-segundo” ou, para entendermos melhor, uma “instrução-por-segundo”. Logo, 100 Hz são 100 instruções/segundo. Como os processadores para PC trabalham com o prefixo mega (MHz), precisamos saber que equivale a um milhão de hertz. Ou seja, 100 MHz são 100 milhões de instruções por segundo. Mil megahertz (1000 MHz) equivalem a um gigahertz (1 GHz) que, por sua vez, significa um bilhão (!) de instruções por segundo.

Por que vale a pena entender a taxa de clock? Para entender que 1 GHz é uma quantidade absurda de processamento. O poder de fogo alardeado pela propaganda dos processadores mais caros é, quase sempre, subutilizado por 95% dos usuários que simplesmente não vão precisar nunca de tantos GHz ou, pior ainda, não trabalham com softwares onde haja demanda de vários GHz.

Saiba como escolher um processador

Até o final dos anos 90, era bem fácil escolher um processador. Bastava procurar o modelo com o clock mais rápido e adaptar ao orçamento. Hoje, o cenário é bem diferente e a gente lida com uma verdadeira salada de nomes e tecnologias embutidas - além do tradicional clock, é claro.

Para escolher, leve em consideração três principais fatores: a sua demanda pelo equipamento (o que você vai usar?), a relação custo/benefício (preço) e a tecnologia. Se quiser, adicione um quarto fator, que é a flexibilidade para upgrades, ou seja, uma opção de compra superior ao que você precisa, de modo a não precisar trocar daqui a um ano.

Intel ou AMD?

A Intel sempre teve o monopólio dos processadores, não é novidade. Com a entrada da AMD no mercado com processadores de baixo custo, o quadro foi se revertendo e, ao mesmo tempo, a própria AMD foi mudando o público-alvo. Hoje, apesar de os processadores da empresa serem consideravelmente mais baratos do que os da Intel, eles também são voltados ao usuário em busca da melhor performance.

Fato é que, infelizmente, a escolha entre Intel e AMD tornou-se um embate quase religioso, a exemplo do que ocorre na disputa entre Windows e Linux. Para fins didáticos, não há para onde correr: apesar de apresentarem números diferentes para seus processadores, a tecnologia de ambas são equiparáveis e apresentam o que há de melhor em processamento para os usuários. Resta a você optar entre a relação custo/benefício e a demanda. Ou, se preferir, escolher pela marca que mais lhe agrada.

Demanda x Tecnologia

São quatro os modelos-base das fabricantes. Intel vende o Pentium e o Celeron, enquanto AMD trabalha com Athlon e Sempron. Em resumo, Celeron e Sempron são as chamadas “versões de entrada” dos processadores: são menos potentes e têm menos recursos de processamento avançado. Atendem perfeitamente todos os requisitos básicos, sem fazer muito feio nos quesitos avançados, como jogos de última geração e softwares com demanda tridimensional. O Pentium e o Athlon são as edições mais caras e, não somente por causa do clock mais alto, mas por conta de tecnologias embutidas como a memória cache, que agiliza o ciclo de processamento em funções avançadas.

Se você tem um orçamento restrito e precisa de um computador funcional, para atender todas as demandas de casa e do escritório, não jogue dinheiro pelo ralo ao comprar um processador top de linha para ficar usando Internet e Office. Por outro lado, se você acha que não vai resistir a um jogo de tiro ou estratégia com gráficos cinematográficos, é bom começar a escolher entre o Pentium 4 ou Athlon64.

Pentium 4 vs. Athlon64

Cada um usa tecnologias distintas, porém, ambos com a mesma finalidade: proporcionar o que há de mais rápido no mercado atual. Na hora da compra, vá até onde o seu bolso permita. Lembre-se que, por uma questão de marca e mercado, os processadores Intel são bem mais caros que os da AMD e, nem por isso, são melhores - apesar de a Intel não concordar oficialmente com a constatação.

A maioria dos técnicos e especialistas consultados pela reportagem foi unânime em recomendar os modelos Athlon64 em vez dos Pentium 4. Inclusive, muitos até aconselham cogitar a compra dos modelos novos do Sempron que, em várias aplicações e jogos, ficam a poucos % atrás do Pentium 4 - a um custo quase três vezes menor.

O Pentium 4 tem uma versão top de linha, a chamada “Extreme Edition”, com mais memória cache e clock mais alto, chegando a 3.8 GHz. A desvantagem é o preço, incrivelmente caro, às vezes chegando a custar o dobro de um Pentium 4 convencional. A AMD responde com os modelos FX do Athlon64, também top de linha e mais memória cache (1 ou 2 Mb).

Uma vantagem do Pentium 4 é o recurso de HyperThreading, no qual o processador se divide em duas unidades “lógicas” (não-físicas) e o sistema operacional interpreta como se fossem dois processadores. Na prática, ajuda um pouco em tarefas cotidianas, mas pouco influencia em jogos e aplicativos com demanda computacional alta. A resposta da AMD é a tecnologia “on-die” que, entre outros fatores, proporciona aos Athlon64 uma menor dependência da memória cache para apresentar performance de topo.

Cache e barramento frontal

O barramento frontal (FSB) é a medida com que o processador “agüenta” a comunicação entre a memória RAM e todos os outros componentes do computador com o processador. Em tese, quanto mais rápido o FSB, maior será a sinergia com os outros periféricos e mais capacidade o processador terá de ter seu clock aumentado.

Os Pentium 4 sempre tiveram - e ainda têm - mais memória cache e um FSB superior aos Athlon. Na versão top, o Extreme Edition da Intel trabalha até com o dobro de cache do que o Athlon64-FX. Na prática, vários testes de benchmark revelam que o detalhe é quase sempre supérfluo, não interferindo na performance final em softwares e jogos de última geração. Aqui é onde entra a velha briga religiosa entre Intel e AMD.

As versões atuais do Pentium 4 rodam a 800 MHz de barramento e, as mais novas, a 1066 MHz. Só recentemente os Athlon64 passaram a rodar a 800 MHz e 1066 MHz, mas boa parte das unidades à venda nos lojas brasileiras ainda trabalham a 400 MHz (AMD) e 533 MHz (Intel), então é bom ficar atento para não comprar produto ultrapassado. Em testes de performance, a mudança de velocidade em jogos intensos sempre é bem pouca.

Vale considerar que a velocidade do barramento frontal não é tão importante para os processadores AMD quanto é para os da Intel. Recentemente, a resposta da AMD foi a tecnologia HyperTransport (nada a ver com HyperThreading) integrando o controle de memória ao processador.

Vale a pena conhecer dois testes independentes de performance (em inglês) com Athlon64 e Pentium 4 rodando Doom III, um dos jogos mais sanguessugas da atualidade.

Baixo custo: Sempron x Celeron

Enquanto muita gente se divide entre Pentium 4 e Athlon64, a opinião sobre os processadores de baixo custo é mais unânime: o Sempron, da AMD, é uma iguaria. Ciente do poder de fogo que tem, a AMD resolveu turbinar ainda mais esses processadores e hoje o mercado já conta com Semprons quase equivalentes ao Athlon64 ou Pentium 4 em performance e tecnologia. Vale lembrar que o Sempron é o sucessor do Duron, também da AMD.

Durante um tempo, a Intel sofreu bastante com a não-aceitação dos Celeron porque eles esquentavam demais - problema similar ocorreu com o início da popularização da AMD, no final dos anos 90. O problema foi resolvido e, hoje, o Celeron “D” (modelo mais novo) é bem superior aos antecessores. Vale a pena ver o teste de Anandtech entre o Celeron D e dois modelos de Sempron.

32 bits vs 64 bits

Todos os Athlon64 possuem suporte nativo à computação de 64 bits. Você precisa? Não. Por dois motivos:

1) a arquitetura 64 bits ainda não proporciona performance superior a atual (32 bits), mas apenas uma maior capacidade de memória. Por exemplo, hoje o limite é ter 4 Gb de RAM na arquitetura de 32 bits, enquanto que com 64 bits você pode chegar a 32 Gb de RAM.
2) Ainda não há softwares específicos para tirar proveito de 64 bits. A expectativa da indústria é que somente a partir de 2007 - com o lançamento do novo Windows Vista no final de 2006 - é que vamos começar a ter softwares turbinados para essa arquitetura

Se todo Athlon64 suporta a novidade, por que se preocupar? Porque os processadores Pentium só ganharam o suporte nativo a 64 bits mais recentemente. Na hora da compra, veja se o processador da Intel tem extensão EM64T que, traduzindo, significa que você pode instalar a versão 64 bits do Windows e de aplicativos. Hoje, todos os processadores novos trabalham com arquitetura 64 bits, é algo que ninguém vai voltar atrás.

Dual Core x Single Core

A novidade do momento são os processadores de dual core. Em português, significa dois núcleos. São dois núcleos de processamentos embutidos em um único chip. Não equivale exatamente a ter dois processadores simultâneos, mas chega bem perto e o resultado final é bem interessante, principalmente para quem trabalha com várias janelas e aplicativos ao mesmo tempo.

Na prática, o uso de dual core ainda não tem utilidade para jogos, mas para aplicativos de Internet e “nervosos” que adoram dezenas de programas ao mesmo tempo, existe uma certa diferença no ganho de performance, mas não muita. Nesse patamar, a AMD trabalha com o Athlon X2 e a Intel com o Pentium D. No Brasil, ainda é mais fácil achar poeira em alto mar do que esses processadores, graças a “ótima” visão de mercado que as empresas locais possuem.

Nos Estados Unidos, após uma certa polêmica, a AMD resolveu liberar um comunicado oficial no qual confirmou que, para gamemaníacos, o modelo Athlon FX 55 e 57, de núcleo único (single core) e topo de linha, continua sendo o principal e mais vantajoso para performance em jogos.

O motivo? O gerente de tecnologia da AMD no Brasil, Roberto Brandão, explica: “a falha não é necessariamente dos processadores, mas da arquitetura dos jogos e dos softwares em geral. O jogo precisa de todo o poder de processamento do chip, mas ainda são desenvolvidos de modo a tirar proveito de apenas um núcleo. Quando novos jogos aparecerem no mercado, tirando proveito da arquitetura de dois núcleos, então o usuário vai poder sentir a diferença,” explica.

Vale a pena notar, porém, que isso não significa que os núcleos duplos sejam responsáveis por diminuir de forma notável a performance em jogos. Apenas não têm, ainda, como mostrar todo o poder de fogo. No comunicado da AMD, o Athlon FX 55 mostra-se de 15% a 20% mais rápido em jogos, quando comparado aos modelos X2. Ainda.

O que vem por aí

O próximo passo na escalada dos processadores já foi anunciado: em vez de dual core, as fabricantes começam a produzir as unidades multicore. No lugar de apenas dois núcleos de processamento, haverá quatro, seis, oito núcleos. em um único chip. A Intel já anunciou oficialmente os primeiros protótipos com o processamento paralelo, mas ainda não há previsão de chegada ao mercado. Possivelmente, só a partir do final de 2006.

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