Archive for August, 2005

Adobe antecipa Photoshop CS3

Wednesday, August 31st, 2005

O Photoshop CS2 mal chegou às lojas e a Adobe já faz os preparativos para o CS3, ainda sem data prevista. Um memorando da empresa foi vazado na Internet, com alguns detalhes sobre a próxima versão. O documento ainda revela que a empresa pode criar dois novos produtos: Adobe Acrobat 3D e Adobe Full Frame.

Também não há detalhes sobre os novos recursos, apenas o nome de alguns, como Camera Raw 4 e Vanishing Point 2. A Adobe pretende lançar duas versões do CS3: uma básica e uma premium, sendo a primeira mais barata. Analistas da indústria acreditam que, ao planejar oferecer uma edição mais barata do Photoshop, a Adobe estaria respondendo às recentes investidas da Microsoft com o produto concorrente, Acrylic, testado pela Folha na edição passada.

O Acrobat 3D seria uma versão turbinada do atual Acrobat 7.0, com ênfase nos recursos tridimensionais embutidos em arquivos PDF. O público-alvo seriam os atuais usuários do AutoCAD, sobretudo engenheiros e arquitetos.

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Windows 95: dez anos, mas sem festa

Wednesday, August 31st, 2005

Parece que foi ontem. O clichê é pouco para descrever o que era instalar o Windows 95 em um computador “386″ com 4 Mb de RAM, requisito mínimo para usar o sistema operacional na época de lançamento, em agosto de 1995. A instalação, quando não dava erro no final, levava pelo menos duas horas. Os felizardos com 8 ou 16 Mb de RAM riam à toa. Missão cumprida, um novo mundo se abria ao usuário de informática, até então acostumado a usar apenas um programa por vez e sem entender direito a utilidade de um segundo botão do mouse.

No dia 24 de agosto daquele ano, chegava às prateleiras mundiais o primeiro de uma saga que parece não ter data para terminar. Embalado por um clipe dos Rolling Stones, a campanha de divulgação do Windows 95 custou à Microsoft a bagatela de 300 milhões de dólares, dos quais 12 milhões foram pagos somente à banda de Mick Jagger pela música/clipe “Start me up” - uma alusão ao botão “Iniciar” (Start) do Windows.

O Brasil não chegou a ver uma série de mini-carnavais sobre o lançamento, mas nos Estados Unidos a festa promovida pela Microsoft foi grande, com direito a apresentação pública, transmitida em tempo real, via satélite, da primeira inicialização (boot) pública do Windows. Tanta firula e, hoje, a Microsoft ignora a cria. Na data de aniversário, não havia sequer uma linha no site oficial da empresa sobre a data.

Windows velho ainda atrai usuário novo

Dados do instituto AssetMetrix revelam que menos de 5% dos computadores corporativos ainda usam Windows 95. No Brasil, apesar de não haver pesquisas específicas, as empresas reconhecem que a história é outra. Tanto o Windows 95, como o sucessor Windows 98, são adotados em larga escala nos computadores domésticos e corporativos, principalmente em tarefas não muito críticas e menos dependentes de Internet.

O xodó com versões antigas já foi tema de reportagem da Folha, em novembro de 2004, quando usuários e funcionários revelaram ainda usar Win 95 e, em alguns casos, até mesmo o Win 3.1. Um dos motivos levantados é que a cada dois anos a Microsoft aparece com uma nova versão, prometendo novas funcionalidades, mais segurança, mais recursos etc. Na prática, contudo, nem sempre é assim. Na semana do lançamento do Win XP, havia pelo menos dez furos de segurança já durante a instalação.

Primeiro Windows chegou em 1985

Foi difícil fazer com que as pessoas deixassem de lado o DOS, aquele sistema operacional de tela preta e em modo texto, para migrar ao Windows 1.0 em 1985. A primeira versão foi anunciada em 1983 à imprensa, mas atrasou a ponto de chegar às prateleiras somente dois anos depois. A campanha publicitária da Microsoft foi surreal. Como na época poucos tinham acesso à Internet, a empresa mandou caixotes para revistas especializadas contendo nada menos que um convite e um limpador de janelas. De verdade.

O Windows 1.0 levou, ao usuário doméstico, o ambiente com múltiplas janelas e uma interface bem colorida, ao menos para quem podia comprar um monitor em cores, artefato raro e bem caro para a época. O recurso de multitarefa (mais de um programa sendo utilizado) foi modestamente apresentado, com bastante restrição. Vale lembrar que era um tempo no qual a velocidade média dos processadores era de 6 (seis) MHz. Pausa para a naftalina. A versão 2.0 chegou em 1987.

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Google Talk: mais um round na luta dos mensageiros

Wednesday, August 31st, 2005

Os fãs do Google estão em polvorosa. Acaba de chegar à Internet o Google Talk, a primeira investida da empresa no setor de mensagens instantâneas. O lançamento ocorre após a popularização do Google Mail, serviço de e-mail gratuito com 2 Gb de espaço que já conquistou muita gente. Ao mesmo tempo, coincide com a chegada da nova versão (7.5) do MSN Messenger da Microsoft, hoje o mensageiro mais popular entre os internautas brasileiros. A briga só está começando, então, vale a pena conhecer as novidades do Google Talk e como dar os primeiros passos no programa.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco, 31.agosto.2005

Simplicidade. É a palavra que melhor define o Google Talk, lançado na última terça-feira em versão experimental, apenas para os atuais usuários do Google Mail. Quem ainda não tem uma conta no GMail, pode pedir um “convite” para quem já tem ou, mais fácil ainda, entrar no Orkut. A rede de relacionamentos, cuja grife também é Google, oferece gratuitamente contas de Gmail para quem quiser, é só observar os avisos na página inicial do seu perfil.

Enquanto os concorrentes incrementam cada vez mais os programas com gráficos ultra-coloridos, notícias em tempo real, comércio eletrônico e muita propaganda, o Google aboliu o excesso e apresentou um programa cuja finalidade única é o bate-papo rápido. O software quase não tem cor, é puro texto e bem leve. Além de digitar mensagens rápidas, o usuário com microfone instalado ainda pode conversar em viva voz com outro amigo cadastrado no serviço, igualzinho ao Skype.

Integração é outro fator-chave no Google Talk. Você fica sabendo quando tem mensagens novas em sua conta do Gmail e ainda pode “acoplar” a lista de contatos à barra lateral do Google Desktop Search, a ferramenta de busca offline da empresa. No quesito voz, testamos algumas conversas via microfone e a qualidade do áudio aparentou ser superior a do MSN Messenger e quase igual ao do Skype, o mais popular do setor de Voz sobre IP - tema abordado em detalhes na Folha, edição de 20 de julho deste ano.

Outro diferencial do Google Talk é o protocolo de mensagens, responsável por estabelecer a conexão usuário-usuário para as conversas. O Google adotou o “Gaim”, um protocolo universal, de código aberto, já utilizado em outros programas alternativos de mensagens rápidas. Com isso, o sistema não se torna proprietário e programadores autônomos do mundo todo podem, a partir de agora, criar novas funções e até ajudar na melhoria do protocolo. Em nota oficial, o Google promete, para as versões futuras, um pouco de interoperabilidade entre mensageiros: com apenas o Google Talk, o usuário poderia conversar com amigos do ICQ, Messenger, Yahoo e outros.

Messenger 7.5 também investe em VoIP

Não é de agora que o MSN Messenger permite conversar por voz. No entanto, somente a partir da versão 7.0 é que a Microsoft passou a investir pesado nos recursos multimídia. Na versão 7.5, antecipada em testes pela Folha e agora liberada ao público em geral, as principais novidades são voltadas, justamente, ao uso de voz e webcam. Também há pequenas mudanças na interface, a começar pela tela inicial de login.

Enquanto o usuário conversa com um contato, ele pode mandar clipes de áudio gravados anteriormente ou na hora, como se fosse uma animação ou “emoticon”. É interessante para quem tem microfone já instalado e prefere usar a voz em vez de ficar digitando, tipo um walkie-talkie. A parte ruim do novo MSN é que só funciona em Windows XP e ficou ainda mais poluído visualmente.

No quesito integração, o usuário ganhou um botão que permite pesquisas no MSN Busca sem precisar sair da janela de conversação. Hoje, o MSN é o mensageiro mais popular no Brasil. Dados da empresa revelam que há 13 milhões de usuários, número inferior apenas ao dos Estados Unidos. O interessante é que os ianques não optam pelo MSN como principal bate-papo, ficando na terceira colocação. Lá, quem lidera é o mensageiro da America Online (AIM), seguido do Yahoo Messenger.

Simplicidade demais, funções de menos

A interface espartana do Google Talk assusta, no início, os adeptos de mensageiros concorrentes. Tanta simplicidade pode, inclusive, deixar de lado usuários novatos ou com menos experiência, visto que há uma série de funções básicas deixadas de fora. Não dá para mandar arquivos ou usar “emoticons” (aquelas carinhas de alegre, triste etc.) durante a conversa.

“O programa é leve, legal e eficiente, mas o Google não poderia esperar um pouco mais e lançar algo mais avançadinho? Eu adoraria sugerir o Talk para meus amigos não-nerds, mas do jeito que está eu sei que eles não gostarão. E se meus amigos não usam o software, não adianta eu usar também”, conclui o publicitário Carlos Eduardo Bonini.

Um dos porta-vozes do Google, Daniel Lemin, explica que a estratégia da empresa é nunca perder o bonde das inovações e oferecer ferramentas que estejam em constante evolução. Ao ser questionado pela Folha sobre a coincidência do lançamento com o anúncio da Microsoft sobre o Messenger 7.5, Lemin é enfático ao dizer que o “Google não tem o menor foco em competir com produtos concorrentes, mas apenas oferecer produtos leves e eficientes a quem estiver disposto a usar”, explica.

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Diablo e Starcraft não vão ter seqüência

Wednesday, August 24th, 2005

Há quase cinco anos, fãs do jogo Diablo 2 e Starcraft aguardam uma seqüência para os games. A Blizzard, produtora de ambos, fez jus ao nome e jogou um balde de água fria na expectativa dos fãs, ao desmentir os boatos sobre o lançamento de Diablo 3 e Starcraft 2. Os rumores permeavam os fóruns na Internet há vários meses, a partir de uma informação - confirmada pela própria Blizzard - que estava desenvolvendo um projeto secreto de game a ser lançado em 2006. A empresa também é responsável pela grife Warcraft.

Em nota oficial, a Blizzard garante que o “projeto secreto” agora já pode ser revelado: um pacote de expansão para o jogo World of Warcraft, um RPG de estratégia jogado online, em esquema de multiplayer, a exemplo de Ragnarok e outros do gênero. O anúncio oficial ocorrerá apenas em outubro, durante o evento anual de jogos patrocinado pela produtora dos games.

Diablo 2 foi lançado em 1999 e, agora em 2005, a Blizzard lançou mais um patch de correção para bugs. São mais de cinco anos de sucesso, a exemplo de Starcraft com a expansão “Brood War”. Ainda hoje, sites especializados em Diablo e Starcraft promovem campeonatos e batalhas online no Battle.net, o servidor da Blizzard para multiplayer. Mesmo com o desmentido, os fãs na Internet ainda acham que, em 2006, as primeiras telas de Diablo 3 vão aparecer. O jeito é esperar.

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Nanotecnologia recebe reforço de R$ 71 milhões

Wednesday, August 24th, 2005

O Governo Federal acaba de anunciar o Programa Nacional de Desenvolvimento da Nanociência e Nanotecnologia, com investimento de R$ 71 milhões para o biênio 2005/2006. Em parceria com o Ministério da Ciência Tecnologia (MCT), os recursos serão distribuídos em todo o Brasil, para universidades e laboratórios, incluindo projetos de novos pesquisadores e trabalhos já consolidados na área.

Mas, afinal, o que é nanotecnologia? Para onde vai o Brasil nesse campo tão cobiçado do meio científico e aparentemente tão distante das pessoas comuns? Confira, na reportagem a seguir, o que podemos esperar das pesquisas em nanociências e os produtos já disponíveis no mercado, a começar pelo destaque internacional de Pernambuco no setor.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco, 24.agosto.2005

Em resumo, nanotecnologia pode ser definida como a ciência do pequeno. No caso, do extremamente pequeno, visto o termo que a define - nano - ser a bilionésima parte do micrômetro, que é, justamente, a medida adotada na microeletrônica que está por trás dos minúsculos chips de computador e de todo material eletrônico. Se hoje a microeletrônica é a base de quase todas as ferramentas de trabalho ao nosso redor, as ciências do nanômetro (nanociências) nos revelam o que está por vir.

Na última sexta-feira, em Campinas, o presidente Lula bateu o martelo, junto ao ministro Sérgio Rezende, do MCT, para liberar os R$ 71 milhões relacionados ao Programa Nacional de Desenvolvimento da Nanociência e Nanotecnologia.

De acordo com o ministério, ainda não está definido o volume de recursos para cada universidade, pois haverá processos de licitação e os recursos serão divididos entre este ano e o próximo. Dados do governo mostram que, entre 2001 e 2002, foram investidos R$ 3 milhões em nanotecnologia, valor que aumentou para R$ 11,7 milhões em 2003 e R$ 14,6 milhões no ano seguinte.

A nanotecnologia está presente nos laboratórios e institutos de pesquisa brasileiros há vários anos, mas só recentemente é que os investimentos começaram a aparecer em peso, assim como as primeiras aplicações práticas para uso cotidiano.

PE está em rede mundial de pesquisas

Pernambuco se destaca com a Rede de Nanotecnologia Molecular e de Interfaces (Renami), cuja sede se encontra na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). São dezenas de instituições nacionais e seis do exterior, todas interligadas pela Renami, que estuda e desenvolve nanoestruturas. Parece complicado, mas o resultado prático é fácil de entender.

O coordenador de inovação da Renami, Petrus Santa Cruz, explica que a nanotecnologia está em todas as áreas do conhecimento: Medicina, Meio-Ambiente,Energia, Agricultura, Informática e assim por diante. “Vários produtos já estão no mercado hoje, desde medicamentos como o DaunoXome, até vidros que se limpam sozinhos, sensores, protetores solares especiais, monitor de computador flexível e ultra-fino utilizando eletrônica molecular, roupas com tecidos especiais que não sujam, produtos anti-chamas, anti-radiação, superfícies que não riscam, baterias de longa duração a base de hidrogênio ou metanol e que não poluem”, completa Santa Cruz, que também é sub-chefe do Departamento de Química Fundamental da UFPE.

Entre as criações propostas pela nanotecnologia, em breve as pessoas poderão comprar medicamentos de precisão nunca antes imaginada, cápsulas contendo nanorobôs que, uma vez ingeridas, soltam os bichinhos para filmar seu organismo e até mesmo resolver problemas de saúde, como desobstruir artérias ou fazer micro-operações no seu corpo. Além de carros bem mais leves e computadores ainda menores e mais rápidos. No quesito informática, os segmentos que mais prometem são o de materiais semicondutores e o de armazenamento de dados. São as nanomáquinas, dispositivos em escala molecular, milhões de vezes menores do que um fio de cabelo para integrar placas e chips.

Parece ficção científica, mas é real

Quando os cientistas e pesquisadores falam em nanotecnologia, parece filme. Os investimentos bilionários dos países desenvolvidos em pesquisa, contudo, provam que as aplicações nanocientíficas não apenas estão cada vez mais próximas do cidadão comum como, também, podem representar uma revolução no jeito de se trabalhar. “O Brasil errou no passado e perdeu a oportunidade de se tornar um país-referência em eletrônica e setores afins, mas com a nanotecnologia é diferente. Nós também somos pioneiros e, hoje, quando se fala em nanotecnologia no País, o Nordeste é um referencial”, comemora Petrus Santa Cruz, da UFPE.

Ele explica ainda que toda essa mudança está assustando os países que acumularam conhecimento e destaque no cenário mundial, pois as nanociências mudam a forma como se lida com átomos e estruturas. “É uma grande chance para países como o Brasil, cuja comunidade científica se destaca em nanotecnologia. Há um interesse sem precedentes do setor industrial e empresarial, porque todos estão percebendo que a mudança será radical e quem não investir na área ficará para trás”, profetiza Santa Cruz, que conta com o respaldo de inúmeros cientistas e pesquisadores mundo afora, que classificam a nanotecnologia como a nova revolução industrial.

A notoriedade da UFPE é reconhecida internacionalmente no setor. A universidade detém a patente de seis dispositivos nanotecnológicos, como um desenvolvido para diminuir os índices de infecção e rejeição de implantes dentários, por exemplo. Também é a primeira universidade brasileira a incluir uma disciplina eletiva de nanotecnologia voltada ao ensino.

Nanoeletrônica também se destaca no Estado

Mesmo com o conhecido atraso brasileiro na microeletrônica, uma série de pesquisadores investem em estudos avançados na chamada nanoeletrônica para desenvolver dispositivos de escala nanométrica - e controlá-los a partir de softwares de computador. No Departamento de Eletrônica da UFPE, a equipe liderada pelo Prof. Edval Santos no Laboratório de Dispositivos e Nanoestruturas (LDN) é um bom exemplo.

No LDN, eles já desenvolveram até uma placa de computador feita exclusivamente dos estudos da equipe. “Nosso foco maior são as técnicas como a nanolitografia eletrônica (processo de gravura em plano) e programas de modelagem para nanodispositivos”, explica Santos, que também pesquisa e desenvolve, junto com a equipe, uma série de nanosensores. E o que são nanosensores? Nada mais do que sensores com apuração e precisão nanométrica.

Em aeroportos e agências de Correios, por exemplo, os nanosensores poderiam varrer toda a região para encontrar armas químicas e biológicas, como o gás sarin e o antraz. Além de deslanchar novas memórias de computador, compostas de nanopartículas para armazenar uma biblioteca inteira em um dispositivo do tamanho de um chaveiro.

Exemplos práticos no nosso dia-a-dia

Dá para imaginar um vidro que não precise de limpeza? Com a nanotecnologia, já é realidade. Nanopartículas de dióxido de titânio são aplicadas nesses vidros e, a partir daí, reações fotoquímicas são feitas, modificando a superfície do vidro de modo que as partículas de sujeira se decomponham e desapareçam. É um processo similar ao que ocorre com roupas que usam nanotecnologia na fabricação, a partir de tecidos que também não sujam.

Outro exemplo tem como base as nanopartículas fluorescentes, que servem para ajudar em diagnósticos clínicos e tratamentos de doenças mais complexas. Com as nanopartículas, os médicos podem “enxergar” o medicamento dentro do organismo humano. Agora em 2005, o órgão regulador americano de alimentos e remédios, o Food and Drug Administration (FDA), liberou a comercialização do Abraxane, um medicamento à base de proteína em nanoescala para o tratamento de metástase de câncer nos seios.

Em informática, hoje, a IBM já dispõe de uma tecnologia que armazena 25 milhões de páginas em um dispositivo do tamanho de um selo postal. Batizado de milipede, o sistema registra os dados em filmes de plástico com furos de dimensões nanométricas. Em termos comparativos, os furos que a tecnologia de gravar CDs usa, armazenando 700 Mb em um disco ou 4.7 Gb em um DVD, podem ser considerados buracos enormes quando comparados às dimensões do milipede. Os entusiastas apostam que, antes do que possamos imaginar, essa tecnologia estará nas prateleiras.

Estudos iniciaram há quase um século

Com toda a celeuma sobre nanotecnologia, vale realçar que uma parte dos processos já são usados pela ciência há um certo tempo. Há pelo menos um século que partículas de carvão, do tamanho de alguns nanômetros, são usadas como aditivo reforçado em pneus automotivos. Os próprios conceitos da nanotecnologia são antigos: foram expostos pelo físico Richard Feynman em 1959, durante palestra na American Physical Society. Na época, a platéia - todos cientistas - caíram na gargalhada, achando que as idéias de Feynman fossem piadas para descontrair o ambiente. Ele ganhou o Nobel da Física em 1965.

Outro caso atual reside nas proteínas nanométricas usadas em vacinas comuns. Os “fios nanométricos” também existem há um bom tempo e servem para integrar nanocircuitos eletrônicos - o único problema é que até agora ninguém ainda conseguiu criar um dispositivo que faça uso do recurso, a não ser em experimentos de laboratório. Do laboratório a um produto comercial, cientistas acreditam que saia algo nos próximos dois a três anos.

O tamanho cada vez menor dos circuitos é o trunfo para a informática. Cientistas da IBM e da HP apostam que o silício, peça-chave na fabricação dos chips (processadores) de hoje, esteja aposentado nos próximos quinze anos. O substituto seria um dispositivo nanotecnológico. Os mesmos nanodispositivos poderiam ser aplicados em naves e ônibus espaciais para reduzir tamanho e peso e em processos industriais ecologicamente corretos. E claro, também em armas biológicas ultra-compactas e eficientes, além de aparatos militares peso-pena. Não à toa, os Estados Unidos são os líderes no investimento financeiro em nanotecnologia.

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