Abr 26 2005

Tem pirata no cabo da TV

Categoria: JornaisRebêlo @ 8:21

A TV por assinatura da sua casa pode estar usando uma transmissão pirata, sem que você saiba. O assunto tem rendido calorosas discussões, campanhas e ameaças, mas os dados oficiais sobre o índice de ilegalidade ainda são frágeis. As operadoras reconhecem o problema, mas evitam comentar ou revelar detalhes. Os usuários conhecem o esquema, mas não sabem direito como funciona e têm medo de falar sobre o assunto.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco

A infra-estrutura da TV a cabo é o alvo predileto dos piratas, que oferecem planos mais baratos para assistir vários canais a um preço bem camarada. Enquanto isso, as empresas de TV por satélite se esquivam de comentários e dizem desconhecer a incidência de pirataria nos serviços, mas ela existe e está cada vez mais presente no Brasil e em Pernambuco. É bom ter cuidado para não transformar sua TV a cabo em uma “TV a gato”.

Para instalar uma TV a cabo ilegal, o procedimento é relativamente simples e não difere muito da instalação legalizada. Uma pessoa se passa por técnico ou revendedor de alguma operadora, oferece o serviço a um preço bem menor que os planos de assinatura. Por questões técnicas, é mais fácil piratear a TV a cabo do que a TV por satélite. No Recife, a Cabo Mais e a NET operam via cabo, enquanto a DirectTV e a Sky trabalham com conexões por satélite. Há duas “gambiarras” bem conhecidas: uma é quando puxam os cabos já instalados (quando o edifício já tem a infra-estrutura montada) para o seu apartamento. Outra situação é quando os técnicos não-autorizados instalam uma estrutura de recepção de sinal no edifício, oferecendo aos moradores planos individuais ou coletivos. Ação ilegal e criminosa.

Apesar do silêncio de algumas operadoras, o assunto é grave a ponto de a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) preparar a segunda campanha nacional contra o comércio pirata de sinal. A primeira, já em andamento, foi batizada de “Pirataria - Essa TV ninguém quer ver” e tem foco na conscientização dos usuários. De acordo com o coordenador da comissão antipirataria da ABTA, Antônio Salles, as empresas também podem processar os clientes ilegais se eles não aceitarem trocar o serviço pirata pelo legalizado.

As operadoras garantem que trabalham com tecnologias que permitem detectar o roubo de sinal alheio ou instalações ilegais mas, na prática, os piratas garantem que há como reverter o monitoramento das operadoras. O motivo de tanto sucesso? O preço. Há mensalidades da “TV a gato” entre R$ 10 e R$ 20, enquanto os planos oficiais custam por volta de R$ 60 na assinatura básica. Há outras “vantagens” aparentes para o consumidor pirata, como poder assistir canais pagos (Pay-per-View) sem custo adicional e ter acesso a mais canais do que o plano permite, como todo o pacote do Campeonato Brasileiro.

Vantagem do “gato” fica só no preço —

Para o coordenador da comissão antipirataria da ABTA, Antônio Salles, o consumidor é quase tão culpado quanto o técnico pirata que oferece o serviço. “Não podemos ser hipócritas, estamos falando de propriedade intelectual, de custos altíssimos em equipamentos, leis trabalhistas, benefícios para os funcionários da empresa, garantias para o cliente, atendimento e uma série de outros fatores. As pessoas sabem disso, mas é impressionante como a sociedade é conivente com ações ilegais”, critica. O coordenador ainda lembra que o pirata não tem responsabilidade alguma com o usuário e não pode oferecer uma garantia de qualidade. “Ninguém deve pactuar com essas pessoas, é crime passível de punição,” lembra.

As polêmicas não acabam por aí. É comum ver técnicos e antenistas falando sobre democratização de acesso, motivo pelo qual a TV a gato estaria crescendo cada vez mais. O advogado José Leça, especializado em telecomunicações, comenta sobre ações judiciais que, com fundamento no direito constitucional de acesso a cultura e ao entretenimento, buscam regularizar a situação de distribuidores piratas em regiões menos privilegiadas.

No caso, em locais onde não há cobertura oficial da empresa fornecedora do sinal da TV, nem de TV aberta. “A Anatel tem propostas em análise sobre o assunto. É uma iniciativa nobre, mas ainda é preciso realizar adequações no projeto,” pondera Leça, que faz parte da Associação Brasileira de Direito de Informática e Telecomunicações e acompanha o assunto. Hoje, estima-se que haja no Brasil cerca de 300 mil ligações clandestinas e que as TVs por assinatura estão perdendo R$ 300 milhões por ano com a pirataria.

Operadoras investem na fiscalização –

A trambicagem no sinal da TV a cabo é relativamente fácil de ser realizada. Ao menos é o que dizem os técnicos consultados pela Folha e o próprio coordenador antipirataria da ABTA, Antônio Salles. Uma das fragilidades das operadoras a cabo é que a transmissão é analógica, e não digital, como a transmissão por satélite. A operadora descobre a gambiarra a partir das reclamações dos usuários sobre a qualidade do serviço. “Ao mesmo tempo, as empresas estão investindo em fiscalizações, mandando técnicos para averiguar as ligações e a infra-estrutura,” revela Salles.

No Recife, a Cabo Mais promove as duas ações (fiscalização e campanhas), tentando legalizar os eventuais usuários ilegais que encontre pelo caminho. A empresa não revela, porém, a incidência desses casos. “Os piratas não oferecem material de qualidade, então deixam rastros e ruídos na rede. Aí a gente vai atrás,” diz a gerente de marketing e negócios da empresa, Poliana SantAnna. Mesmo assim, a ABTA revela que as operadoras a cabo estão convertendo o sinal analógico para o digital, a depender da demanda ou necessidade. Assim, fica mais fácil rastrear e impedir a pirataria comercial.

Levantamentos independentes mostram que somente no Rio de Janeiro pode haver um número de assinantes piratas três vezes maior do que os legalizados. Segundo o gerente de marketing local da Cabo Mais, Caetano Fregapane, o índice de penetração pirata é de 2% a 18%, a depender da cidade. Em Pernambuco, 5% do mercado estaria tomado pelos usuários informais. Durante mais de uma semana, a Folha procurou a diretoria da NET para comentar sobre o caso, mas a empresa não retornou as solicitações.

O consultor de marketing e webdesign, A.R.S, 26 anos, já recebeu a oferta mirabolante de um plano com todos os canais no edifício onde mora. Com medo de represálias, ele prefere não se identificar, apesar de não ter aceito a proposta. “Eu já conhecia o esquema e, confesso, fiquei tentado. É bem mais barato e a gente tem acesso a todos os canais, incrível. Mas fiquei com medo e não aceitei, continuo apenas com a TV aberta”, completa.

Em São Paulo, a TVA acaba de lançar o número 0800-707-2350 para auxiliar no combate à pirataria de sinal, fraudes e venda de decodificadores frios. O trabalho conta com a parceria no combate a pirataria do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) e Distritos Policiais. As denúncias também podem ser feitas por e-mail acessando o site www.antipirataria. com.br. De acordo com dados da empresa, há uma média de 255 denúncias por mês em São Paulo e na região Sul do País, dos quais pelo menos 70 casos foram solucionados durante os anos de 2003 e 2004.

Discurso das operadoras por satélite é frágil –

Procurada pela Folha, a DirecTV foi enfática ao afirmar que “desconhece a incidência de pirataria de sinal nos serviços oferecidos pela empresa”. Representantes da empresa, por meio de sua assessoria de comunicação, chegaram a recomendar que a reportagem procurasse conversar com as operadoras de TV a cabo, pois elas é que sofreriam com o mercado ilegal. “Nosso sinal é digital, por satélite, não tem jeito de o pirata burlar o sistema ou oferecer um serviço comercial ilegal”, dizem em comunicado oficial.

Na prática, porém, a verdade é outra. As operadoras por satélite estão igualmente sujeitas às ações piratas e, talvez, até de um jeito mais fácil de ser assimilado pelos clientes. O kit de assinatura dessas operadoras inclui uma antena de recepção e um decodificador de sinal (decoder), para ser instalado na televisão. Dentro do decodificador, há um cartão magnético pessoal, com um chip exclusivo para cada usuário. Caso a pessoa troque o cartão ou tente forjar um, o sistema não funciona e o sinal não é reconhecido.

O problema é que os piratas de plantão vendem cartões importados que funcionam em alguns decodificadores, liberando o acesso total à programação, incluindo Pay-per-View e canais especiais. Pior ainda, o usuário não precisa nem comprar o decodificador e a antena, já que aparelhos usados podem ser adquiridos no mercado sem maiores obstáculos. A Folha localizou um pirata que vende o cartão importado por R$ 350 e o kit completo, com antena e decoder, por R$ 550. De acordo com ele, o sinal chega diretamente na antena e as operadoras não têm nunca como descobrir. Obviamente, ele não quis ser identificado. Confira a entrevista ao lado.

“Operadoras não descobrem”

Como funciona a pirataria por satélite?
Importamos os cartões dos Estados Unidos. As operadoras só trocam de cartão a cada dois anos, em média, então o usuário nem precisa se preocupar. O cartão libera todos os canais e, se a pessoa não for assinante, nem precisa. Também vendo a antena e o decodificador à parte, usados.

E não tem perigo de a operadora descobrir?
Não, desde que você não ligue o telefone no decoder. O cabo telefônico fica plugado no aparelho para comprar pacotes Pay-per-View, mas o cartão importado libera tudo, então, não precisa.

Então o cabo telefônico não serve para mais nada?
Serve para a operadora monitorar o sinal e descobrir se você está usando equipamento ilegal ou tentando burlar o sistema.

Que garantia se tem?
Não tem garantia, mas o cartão funciona em todos os estados brasileiros. Se não funcionar, o cliente devolve para a gente e devolvemos o dinheiro.

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Abr 19 2005

Índios e Informática: assunto polêmico

Categoria: JornaisRebêlo @ 17:20

Além das eternas disputas por terras e reconhecimento, ainda hoje, as aldeias enfrentam um grave problema de comunicação. Com a Internet, o contato e a troca de informações entre tribos e cidades poderiam se tornar bem mais fáceis, além de ajudar a comunidade a manter sua própria história e a divulgar ao mundo a cultura e as tradições indígenas. O problema é que o acesso aos computadores continua sendo um tabu. Projetos governamentais e de ONGs enfrentam uma série de dificuldades e, muitas vezes, os índios não sabem a quem recorrer. O mais grave ocorre quando iniciativas funcionam, dão certo, mas depois são abandonadas.

Paulo Rebêlo - email
Folha de Pernambuco

Até hoje, dois projetos isolados se destacaram em Pernambuco. O primeiro se chama InfoTaba e surgiu em 1999, com intermédio da Secretaria de Educação do Estado. No entanto, ficou estagnado nos últimos anos e somente agora, em 2005, o governo parece ter recomeçado as negociações para ampliar a área de atuação. O InfoTaba atende apenas a comunidade Fulni-ô em Águas Belas, a 310 km do Recife. O segundo nasceu de uma iniciativa do Movimento Tortura Nunca Mais (MTNM), em 2000, para informatizar a comunidade Xukuru em Pesqueira, a 216 km da capital. A empreitada durou apenas um ano.

Os problemas são muitos e as expectativas são poucas. Há dificuldades técnicas e financeiras, mas também há um empecilho o qual poucos prestam atenção: a cultura indígena. “A inclusão da informática nas aldeias sempre causa polêmica, pois ainda existem os que preservam a cultura tradicional com afinco. Para estes, colocar um computador conectado a uma rede global é quase uma heresia,” explica a pesquisadora, Eula Taveira Cabral.

Não apenas em Pernambuco, mas em todos os estados brasileiros onde a informática chegou em determinadas aldeias, a vida da comunidade mudou por completo. Hoje, com boa parte das iniciativas paradas ou com o descaso das autoridades, os índios ficam de mãos atadas e sem o poder de comunicação da Internet.

Eula Cabral explica um outro fator de exclusão, que é a separação entre os índios “legítimos” e “misturados”. Os “legítimos” são os tradicionais, cuja realidade é apenas aquela da aldeia e nada mais. Enquanto os “misturados” se encontram em uma posição complicada, porque às vezes nem eles sabem qual é a realidade em que se encontram. “Eles vivem como qualquer outra pessoa, com direitos e deveres. Para eles, ter um computador e acompanhar a economia, a política e as novas tecnologias é uma necessidade. As raízes se enfraqueceram e, hoje em dia, não há mais todo o referencial dos antepassados. Ao mesmo tempo, afirmar que estão cobrando acesso às tecnologias é culturalmente complicado para eles,” diz. Ela ainda questiona se, de certa forma, a informatização das aldeias não é mais uma imposição “nossa”, em vez de uma cobrança ou necessidade dos próprios índios.

Para Roberto Saraiva, da coordenação do Centro Indigenista Missionário (CIMI) no Recife, a discussão tem sido deixada de lado pelo governo e pelas empresas. “Aqui, parece que é assim, quando uma coisa funciona e dá certo, os recursos acabam e ninguém se lembra mais”, critica. Saraiva recorda que o projeto encabeçado pelo MTNM beneficiou as 23 aldeias Xukurus, mas não houve continuidade e muitos computadores estão quebrados e sem manutenção.

De acordo com a presidente do MTNM, Amparo Araújo, o projeto foi desenvolvido para durar apenas um ano com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), mas já era esperado que, depois desse tempo, a aldeia andasse com as próprias pernas ou procurasse parcerias.

“Mesmo assim, continuamos prestando assessoria política para os Xukurus. O projeto terminou em 2001, mas foi muito proveitoso. Os professores foram da própria aldeia e passaram seis meses em treinamento com técnicos em Arcoverde, de modo a repassar o conhecimento na comunidade,” relembra Araújo.

Táticas de informatização recebem críticas —

Não é difícil identificar a problemática da informatização indígena. Quando nem a Fundação Nacional do Índio (Funai) dispõe de informações ou projetos em andamento sobre o assunto em Pernambuco, é porque a situação é mesmo séria. Marcos Xukuru, da aldeia Xukuru, em Pesqueira, relata o descaso das partes envolvidas. “Na aldeia tem uma antena para conexão à Internet por satélite, que deve custar muito caro. E está parada há mais um de um ano, não podemos nos comunicar pela Rede”, revela.

A informatização com os Xukurus, liderada em 2000 pelo Movimento Tortura Nunca Mais (MTNM), consistiu na instalação de um laboratório com 12 computadores conectados à Internet via satélite, pela Embratel. Eram sete turmas por dia, de duas horas cada, com 22 alunos por sessão. Os índios aprenderam noções básicas, uso de Internet e pacotes de escritório. “As crianças aprendiam a digitar com os próprios livros da aldeia, como uma forma de escrever a própria história”, lembra a presidente do MTNM, Amparo Araújo.

Amparo explica que o projeto acabou, não havia como continuar. “A gente conseguiu várias parcerias e tínhamos os recursos do FAT, mas o prazo era de um ano. Nunca recebemos pedido de ajuda dos Xukurus sobre os computadores depois disso, não nos recusaríamos a ajudá-los em procurar outros parceiros, mas o projeto terminou oficialmente em 2001. Formalmente, não podemos mais fazer a manutenção,” rebate. Para ela, o cenário ideal seria um laboratório móvel, com estrutura para rodar várias aldeias no Estado e não apenas comunidades fixas, mas faltam os recursos.

Em Águas Belas, a Secretaria de Educação de Pernambuco implementou o InfoTaba para os Fulni-ô, com dez computadores. Somente no final do ano passado é que as máquinas foram conectadas à Internet, via satélite. “Fizemos a capacitação de duas pessoas da aldeia e agora elas repassam o conhecimento aos demais, como multiplicadores”, adianta o superintendente de Tecnologia da Informação da Secretaria, Benedito Parente. “As ações ainda são poucas, mas estamos fazendo novas reuniões para expandir o InfoTaba a outras aldeias”, adianta.

Se por um lado os Xukurus estão desconectados da Internet, por outro, os Fulni-ô tiram proveito das novas tecnologias com o InfoTaba. O índio Luciano Barbosa, que também tem um grupo de música índigena, tece vários elogios ao programa. “As crianças adoram, os adultos tiram proveito, todo mundo usa. Serve para a gente se comunicar com a cidade por e-mail e para divulgar nosso trabalho”, comemora.

Barco superou falta de estrutura –

Um dos projetos mais interessantes de informatização das aldeias ocorreu no Estado do Amapá. No entanto, a exemplo de tantos outras iniciativas do gênero, caiu no esquecimento após os primeiros anos. A idéia - batizada de Navegar - consistia em um barco-laboratório cruzando o arquipélago do Bailique, para dar acesso à Internet nas aldeias indígenas que sequer tinham energia elétrica ou água encanada.

Do lado de fora, o barco é bem típico da região Norte do País, feito de madeira. Com três andares, tinha uma antena de comunicação via satélite, oito computadores, um sistema de GPS (localização por satélite), uma câmera digital, um scanner, uma impressora jato de tinta e duas webcams. Ainda sobrava espaço para a movimentação de 20 instrutores. Como as vilas do Bailique estão ligadas apenas por rios, as comunidades ficam separadas por dois ou três dias de viagem - usando barcos, o único meio de transporte disponível. Com a Internet, a comunidade troca e-mails e se mantém informada sobre o que está acontecendo nas vilas e aldeias vizinhas. O arquipélago do Bailique fica a 112 km de Macapá, umas 12 horas de barco.

Hoje, o site do Navegar está desatualizado e abandonado. O site Índios Online foi, até o ano passado, uma excelente referência cultural para estudantes e pesquisadores. As pessoas podiam conversar em tempo real com os índios nas aldeias. Hoje, várias comunidades estão desconectadas do programa, mas a previsão é de que, até o final deste mês, a ONG Thydêwá consiga firmar novas parcerias e reconectar várias aldeias. Contam com apoio das comunidades Tupinambá, Kiriri, Pataxó Hãhãhãe e Tumbalalá, na Bahia; Kariri-Xocó e Xucuru-Kariri em Alagoas; e Pankararu em Pernambuco.

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Abr 07 2005

AMD quer Web para 50% da população

Categoria: JornaisRebêlo @ 7:40

Paulo Rebêlo *
Folha de Pernambuco, email

SÃO PAULO — Conhecida por ter mudado vários paradigmas no mercado de tecnologia, com processadores rápidos e mais baratos do que a concorrência, a AMD agora concentra atenções na inclusão digital em
países menos desenvolvidos. A iniciativa foi batizada de 50×15, um acrônimo para expressar a idéia de conectar 50% da população mundial até o ano de 2015. Projeto ambicioso quando se observa os atuais índices de continentes como África, América do Sul e Ásia.

Os conceitos do 50×15 tem rodado o mundo e agora chegam ao Brasil, durante visita do presidente e diretor-executivo da AMD, Hector Ruiz. Ele apresenta a proposta de inclusão digital nos chamados “mercados emergentes”, mostrando como a computação pode mudar a vida das pessoas, social e culturalmente. “A tecnologia só é poderosa se for acessível. Isso acarreta em ganhos de educação, informação e um
senso de comunidade que podem ajudar no combate à AIDS, desnutrição, ignorância e até negligência”, enfatiza.

Um dos pilares da AMD, na estratégia de inclusão digital, é o chamado PIC - Personal Internet Communicator. É uma espécie de caixa, um computador de tamanho bastante reduzido com conexão à Internet. Ligado a um monitor, funciona como se fosse um computador padrão, com sistema operacional Windows. O PIC tem sido anunciado pela AMD desde o ano passado e estava previsto para chegar ao Brasil no início deste ano, mas até agora a empresa não sabe confirmar quando começará a ser comercializado.

Além do acesso à Internet via linha discada ou banda larga, a “caixa” esverdeada da AMD oferece pacotes de escritório (Word, Excel…), e-mail, visualização de imagens e arquivos multimídia. O computadorcaixote
é lacrado, opera sem “cooler” (sistema de ventilação) e tem limitações no gerenciamento de arquivos. O usuário não corre o risco de apagar alguma coisa interna do sistema, por exemplo. Sem monitor, o preço sugerido nos Estados Unidos é de US$ 185 (cerca de R$ 503). Para o Brasil, ainda não há detalhes sobre preços e disponibilidade.

De acordo com Ruiz, a AMD está tentando desenvolver um trabalho em parceria com fabricantes e provedores de serviço, de modo a oferecer o PIC às famílias brasileiras em sistema de crédito ou financiamento, para desonerar o custo final. O PIC é uma parceria da AMD com a Microsoft, que embutiu o Windows.Samsung, Macromedia e Seagate também participam da iniciativa.

* o jornalista viajou a convite da AMD.

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Abr 02 2005

Conheça o Windows XP 64-bit

Categoria: JornaisRebêlo @ 7:26

Agora em abril, a Microsoft vai mudar um paradigma da informática com o lançamento da versão 64-bit do Windows XP. A plataforma entra no lugar do padrão 32-bit, que teve início com o lançamento do Windows 95 e, ao que tudo indica, ainda irá levar um certo tempo para cair em desuso. Por enquanto, sobram especulações sobre o XP 64-bit (XP64), mas a médio prazo há um leque de possibilidades em jogos, programas e segurança. A Folha testou a última versão de testes do XP64, antes do lançamento oficial, antecipando o que vai mudar a partir de abril. Isto é, se a Microsoft não atrasar o cronograma mais uma vez.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco

Engana-se quem acha ser necessário correr até a loja mais próxima e atualizar o computador para entrar no mundo 64-bit. É verdade que XP64 só roda em processadores com suporte à nova plataforma, mas pouquíssimos usuários vão se beneficiar de um upgrade agora ou a médio prazo. O motivo é simples: o sistema operacional é 64-bit, mas os softwares disponíveis no mercado ainda não são.

A Microsoft testa o XP64, internamente, há dois anos. E um processador para usuário doméstico já existe desde o final de 2003, comercializado pela AMD (Athlon64). Entretanto, quase nada tem sido discutido sobre jogos e programas para desfrutar, de verdade, do poder de processamento dessas máquinas. O XP64 roda a maioria dos aplicativos atuais, a começar pelo pacote Office, programinhas para Internet e jogos, simulando um ambiente 32-bit sem perder velocidade.

No quesito visual, não há o que comentar. É igual ao Windows XP de hoje, com apenas uma ou outra singela modificação. Na performance, também é basicamente igual. Para instalar, você vai precisar de um processador Athlon64 vendido há tempos nas lojas do Recife ou de Pentium IV com suporte 64-bit, praticamente impossível de encontrar na cidade. Outra opção é procurar pelo Xeon, também da Intel, voltado a servidores e estações de trabalho. Ao usar o sistema operacional, cai por terra o maior mito sobre 64-bit: o de ser mais rápido do que os sistemas atuais que a gente usa em casa e no trabalho. No teste, vimos que isso não é verdade.

O ganho de velocidade é imperceptível e há uma série de fatores envolvidos. Até porque o trunfo de um computador rodando a 64-bit não é a rapidez, mas o volume de dados e memória que podem ser processados ao mesmo tempo. De acordo com o especialista em Windows, Paul Thurrott, com 64-bit você gerencia um fluxo de arquivos e memória bem maior. Situação ideal para se trabalhar com banco de dados e planilhas bem grandes, além de servidores. Evidente que o usuário final, especialmente aquele ávido por novidades, também vai querer aproveitar. Afinal, é uma tecnologia melhor a substituir outra.

A quantidade de memória RAM é um fator-chave para o XP64. Com os computadores atuais 32-bit, o sistema não reconhece mais do que 4 Gb de RAM. Agora, o Windows agüenta o tranco de até 32 Gb de RAM e, de acordo com as promessas da Microsoft, a versão final poderá gerenciar até 128 Gb. Para o usuário final, o limite de 4 Gb de RAM parece uma situação impossível de acontecer, mas para servidores, não. Porque o volume de dados e de RAM é um requisito essencial às empresas, cujas necessidades consistem em trabalhar com documentos gigantescos ou com operações intensas de disco.

Falhas precisam ser solucionadas –

A Microsoft faz os últimos ajustes para lançar o XP64 ainda em abril e, enquanto isso, prepara versões de testes do Longhorn, sistema operacional que irá substituir a saga do XP não antes do final de 2006. De acordo com Paul Thurrott, o Longhorn terá um uso bem mais direcionado aos usuários domésticos em 64-bit, transformando o XP64 de hoje quase numa prévia do que está por vir. Uma espécie de “adaptação forçada” para que desenvolvedores de jogos e softwares comecem a produzir especificamente para a plataforma. É como uma antecipação da morte anunciada do 32-bit.

Para se ter uma idéia da confusão, o XP64 vem com duas versões do Internet Explorer: uma 32-bit e outra 64-bit. A primeira é a mesma que as pessoas usam hoje em dia, enquanto a segunda é igualzinha, porém, não tem suporte para adicionais (plug-ins) ou recursos extras disponíveis na Rede para acoplar ao IE. Por exemplo, a barra de ferramentas do Google (Google Toolbar) e do ICQ são ferramentas 32-bit, então só funcionam no IE 32-bit. Para quem não usa nenhum adicional, até vale a pena usar o IE de 64-bit, mas a performance será notadamente a mesma.

Em tese, 64-bit deveria proporcionar mais segurança. Na prática, quem instalar o XP64 vai ficar suscetível a vírus. Os antivírus do mercado simplesmente não funcionam neste Windows. As fabricantes prometem versões adaptadas/atualizadas até o lançamento oficial do XP64, porque será preciso mudar a forma como o antivírus “enxerga” o sistema operacional.

Outro grave problema são os “drivers” - instruções para que o sistema operacional reconheça as placas do computador, como as de vídeo e de som.

Para fazer uso dos recursos mais avançados, as fabricantes das placas trabalham em constante atualização dos drivers, liberados para download gratuito na Internet. No caso da placa de vídeo, drivers novos chegam a melhorar a performance em jogos e resolver problemas de compatibilidade. Com o XP64, o usuário fica preso aos drivers embutidos do Windows, pois não é possível instalar as versões atuais nesta edição do XP. É preciso esperar até resolverem escrever drivers direcionados à plataforma - algo que ainda não ocorreu no mundo Windows - mas apenas no universo Linux, que trabalha com 64-bit há mais tempo.

Fabricantes famosas, como ATI e NVidia, já possuem drivers em versões de testes (beta) para download, mas recomendam que o usuário use por risco próprio. Ambas não confirmam se até o final de abril haverá um driver em versão final e garantida para o XP64. Então, o jeito é esperar.

O processamento 64-bit incide em ganhos de resoluções gráficas (qualidade da imagem visível na tela) maiores do que as atuais. No caso de resoluções maiores de imagem, é o sinal verde para o desenvolvimento de uma nova geração de jogos ainda mais realistas e bonitos. O problema é que até agora ninguém fala sobre programas ou jogos 64-bit e, de acordo com analistas da indústria nos Estados Unidos, quem for apressadinho vai terminar gastando dinheiro à toa, fazendo upgrade no computador.

Popularização vai demorar —

O futuro do 64-bit ainda não é agora, mas é tido como certo a médio prazo. Quando as desenvolvedoras mais conhecidas, como Adobe, Corel e a própria Microsoft, colocarem no mercado programas escritos especificamente para o XP64, os usuários poderão começar a notar a diferença. E o mesmo vale para as produtoras de jogos. Algumas já se pronunciaram, mas nada concreto até agora. A Epic Games, por exemplo, promete uma versão de testes, desde o ano passado, do Unreal Tournament 2004 64-bit.

O mundo 64-bit é novidade apenas para usuários domésticos, grande parte por conta do lançamento, em setembro de 2003, do primeiro processador da AMD voltado ao usuário final. Até a chegada do XP64, o Athlon64 era apenas um elefante branco perdido em uma floresta desconhecida. Trata-se de um processador poderoso e rápido, concorrente direto do Pentium IV, mas sem nenhuma funcionalidade de 64-bit, já que não rodava em um sistema operacional apropriado. Agora, isso mudou.

As tentativas anteriores foram frustradas. A Intel vendia o processador Itanium e a AMD respondia com o Opteron, ambos 64-bit, mas com um grave problema: não eram compatíveis com a plataforma 32-bit, ou seja, não funcionavam com sistemas operacionais e softwares antigos. No caso da Intel, somente a partir de fevereiro deste ano é que a empresa começou a vender as versões do Pentium IV com suporte às instruções 64-bit (EMT64).

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