Mar 31 2005

Monopólio da Telemar por um fio

Tag: JornaisRebêlo @ 10:56

Os usuários da Internet rápida em Pernambuco, a chamada banda larga, estão próximos de ganhar uma bem-vinda alternativa à hegemonia da Telemar nas conexões DSL, utilizada pelo serviço Velox. É que a Telefônica, operadora de telecomunicações que atua em São Paulo, analisa a possibilidade de expandir a área de atuação para a Região Nordeste com o Speedy - conexão rápida, similar ao Velox, sob a mesma tecnologia DSL.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco

O Speedy usa a linha telefônica para conectar o usuário à Internet em alta velocidade. A linha é convertida/adaptada para receber o intenso tráfego de dados e um modem externo é ligado ao computador, através de uma placa de rede. É um processo simples e a conexão é configurada em segundos.

No Sudeste, o Speedy conta com a vantagem de ter mais planos de acesso e assinaturas, incluindo uma velocidade de conexão, residencial, de 2 Mbps - mais do que o dobro do plano mais rápido ofertado pela Telemar, de 768 Kbps. A Telefônica confirma oficialmente a expansão, mas guarda a estratégia a sete chaves e não revela detalhes técnicos ou comerciais do lançamento.

Os diretores da empresa também não podem falar à Imprensa, mas a Folha antecipa com exclusividade, de acordo com informações de bastidores e consultas a especialistas em telecomunicações, o que os internautas recifenses podem esperar do serviço.

A chegada da Telefônica pode ser uma verdadeira linha cruzada. Porque hoje, só quem oferece conexões rápidas por DSL (Digital Subscriber Line ou Linha Digital de Assinante, em português) é a Telemar. E as regras básicas de mercado são claras: em qualquer setor da economia, a empresa a deter os únicos meios de oferta tende a praticar o preço que quiser, restando ao consumidor a opção de aceitar ou não. No caso da Internet, há um agravante: as provedoras das soluções em banda larga nunca disponibilizam os serviços onde o retorno
financeiro não seja garantido.

Em São Paulo, o Speedy da Telefônica usa a mesma tecnologia adotada pela Telemar por aqui, com o diferencial de que lá existem mais opções de planos e assinaturas. Durante quase duas semanas, a Folha procurou os diretores da Telefônica, mas nenhum teve permissão para revelar detalhes da investida na Região Nordeste. No entanto,
oficialmente a empresa confirma o projeto de expansão para as capitais nordestinas, trazendo não apenas o Speedy, mas também outros serviços de telefonia e transmissão de dados. De acordo com informações vazadas à imprensa em São Paulo, a Telefônica supostamente dispõe de R$ 1,7 bilhões no orçamento reservado para investimentos em 2005.

Trata-se de uma aposta de risco. Caso concretize a idéia de se expandir para o Nordeste, a Telefônica vai encontrar uma série de “linhas congestionadas” para resolver. O primeiro problema é a infraestrutura, a qual requer um investimento alto por parte de qualquer empresa interessada na concorrência do DSL. É que a Telemar herdou da antiga Telpe, após a privatização das Teles em 1998, a infra-estrutura de linhas no Estado. A mesma vantagem também foi obtida pela Telefônica, em São Paulo, cuja herança veio da Telesp.

O presidente do Teleco (uma associação de especialistas em telecomunicações), Eduardo Tude, explica resumidamente três alternativas que a Telefônica poderia dispor: 1 - alugar da Telemar a estrutura necessária à instalação do Speedy; 2 - investir na instalação de novos cabos e fios de cobre; 3 - adotar outra tecnologia de conexão para o Speedy, mantendo apenas o nome do serviço. “É uma situação bem difícil, pois as três opções envolvem custos altos e restrições técnicas consideráveis. Além do DSL, eles poderiam tentar uma conexão via rádio, individual, mas o preço para o usuário final pode não ser atraente,” explica Tude.

Em São Paulo, quem oferece conexão individual por rádio é a Vésper, com o serviço batizado de Giro. Este tipo de conexão não é o mesmo utilizado por alguns provedores recifenses com Internet de condomínio. “Os provedores locais apenas colocam um receptor e criam uma rede local no edifício, não é uma conexão via rádio até a casa do usuário,” define. Uma possibilidade levantada pela equipe do Teleco, porém não confirmada pela Telefônica, é que a empresa possa lançar o Speedy apenas em fase-piloto, para usuários selecionados, e depois vender o serviço somente para empresas cujo tráfego de dados seja
lucrativo. “Como o uso empresarial paga bem mais do que o residencial, talvez seja uma opção financeiramente viável para a Telefônica,” pondera Tude.

Soluções: quem oferece a melhor?

Hoje, quem quiser se livrar do telefone só dispõe de duas opções no Recife: a Cabo Mais, com pacotes de TV por assinatura e Internet, usando conexão por cabos e com um modem específico (cable modem), e a Telemar, com o Velox, que utiliza a infra-estrutura da rede de
telefonia convencional para implementar o serviço. De acordo com especialistas consultados pela reportagem, o DSL impõe vantagens. A instalação é mais simples e depende de menos fatores externos.

Segundo Eduardo Tude, o cliente DSL tem uma garantia maior de velocidade estável. “Não tem quedas de velocidade em horários de pico”, explica. Para ele, há outras opções de qualidade no mercado, mas são caras. O DSL possui a melhor relação custo-benefício. Não à toa, é a tecnologia mais usada para conexão em banda larga (veja quadro ao lado).

Outra opção em acesso via cabo é pelo provedor Passelivre.net, também abordada em reportagens anteriores da Folha e cuja infraestrutura é a mesma da Cabo Mais, porém, sem pacotes de televisão. Fora as duas opções - cabo e DSL - quem mora em edifício pode tentar
contratar um serviço de Internet condominial. Provedores recifenses como Hotlink e Nlink instalam, mas é bom lembrar que não se trata de banda larga. É apenas uma conexão supostamente contínua, sem uso da linha telefônica, com um canal compartilhado para todo o edifício. Ou seja, naqueles horários em que várias pessoas do mesmo prédio usam a
Rede, a velocidade pode se tornar menor do que a conexão discada pelo telefone convencional.

“Existe a possibilidade de a Telefônica não se tornar exatamente uma concorrente, mas apenas querer a fatia de mercado dos usuários mais avançados e empresas com grande volume de tráfego, situações nas quais haja necessidade de 2 Mbps de conexão ou mais,” diz um técnico em telecomunicações que prefere não se identificar. Hoje, o Velox possui apenas três velocidades: 256 kbps, 512 kbps e 768 kbps. Uma conexão via modem e linha discada não ultrapassa 50 kbps. Em São Paulo, o Speedy tem seis planos residenciais, incluindo taxas de conexão de 2000 kbps (2 Mbps).

Outra opção seria investir nos bairros onde o Velox e os outros serviços de banda larga não estejam disponíveis. Muitos internautas reclamam da restrita área de cobertura da Telemar e da Cabo Mais. Bairros como Jordão, Candeias e até Piedade, além de vários outros trechos de Jaboatão dos Guararapes, simplesmente não recebem o Velox porque a Telemar reconhece, abertamente, que não há “demanda suficiente” para investir na oferta do Velox nesses locais.

Reclamações continuam altas

No Recife, a realidade do monopólio da banda larga já foi abordada em pelo menos duas reportagens recentes da Folha. A última, em outubro do ano passado, colocou usuários e representantes das empresas cara a cara, mas as reclamações dos usuários pouco repercutiram nas diretrizes das empresas. A Telemar oferece o Velox apenas em determinados bairros, deixando outros locais da cidade pendurados no gancho. Em algumas situações, a empresa chega a oferecer formalmente o serviço e, na hora de instalar, diz que o local não é atendido por motivos os quais os usuários nunca entendem.

Foi o caso do analista de sistemas Leonardo Viana, residente do Jordão Alto, que recebeu a visita de um técnico da Telemar em casa e, depois de meses sob espera, descobriu que a Telemar não instalava o Velox no Jordão. “Se não instalam, por que oferecem e fazem essas visitas?”, questiona. “A Telemar brinca com a gente, ficamos sem poder fazer nada e pagando fortunas de conta telefônica,” reclama Viana. O caso dele não foi o único apurado pela reportagem. Há situações que seriam cômicas, se não fossem trágicas. Em bairros como Candeias ou Piedade, a Telemar instala o Velox em uma determinada avenida e, nas
ruas perpendiculares, diz que não pode.

Questionada sobre a chegada de um eventual concorrente para o Velox, a Telemar se limita a responder, em nota oficial, que “a empresa acredita que a competitividade traz grandes benefícios para o consumidor e vê com bons olhos a chegada de novos competidores ao
mercado”. Na Cabo Mais, a gerente de marketing e negócios, Poliana SantAnna, revela-se um pouco cética em relação a novos concorrentes. “A gente entende que é um mercado em franca expansão e com expectativas promissoras, mas qualquer novo integrante terá que passar por todo o processo de amadurecimento até atingir o nível dos atuais (players) de mercado,” acredita Poliana.

Concorrente acumula queixas

A concorrência é muito bem-vinda, mas engana-se quem acha que a Telefônica vai resolver todos os problemas. Em São Paulo, a quantidade de reclamações contra a empresa é tão alta quanto a da concorrente por aqui. O número de usuários que não aguenta sequer ouvir o nome da operadora, sem ter calafrios ou crises de hipertensão, cresce a cada dia. Qualquer semelhança com a realidade local pode até ser mera coincidência.

As provas estão nos relatórios do Procon-SP, que no último levantamento colocou o setor de telecomunicações como líder de reclamações no Estado de São Paulo. Em 2004, foram 12.098 reclamações formais, as quais 39% referentes à telefonia. A Telefônica teve 1.042 queixas. O Procon-SP destaca, entre as reclamações, a deficiência das empresas em prestar informações ao consumidor, falta de clareza sobre contratação de planos, promoções e solicitações de serviços.

O analista de sistemas, Alexandre Monetto, mora em Sorocaba-SP e passou por uma situação idêntica a de muitos usuários recifenses. “Há quase três anos solicito o Speedy. Eles até ligam para minha casa, oferecem o serviço, mas não instalam. Já cheguei a comprar o kit deles, assinar um provedor de acesso e, na hora da avaliação técnica, diziam que não podiam instalar. Mas continuam fazendo propaganda que instalam”, relembra. Monetto explica que, em duas ruas próximas, a Telefônica instalou o serviço na casa de outras pessoas.

No ranking de reclamações do Procon-SP, mais de um terço da lista inclui operadoras de telefonia fixa e móvel, incluindo serviços de Internet. Até na lista de serviços essenciais, a telefonia continua sendo o setor com mais reclamações dos consumidores. O Procon destaca mais problemas, como inclusão nos cadastros de proteção ao crédito de consumidores que não haviam solicitado linhas, além de serviços de entretenimento e chats disponibilizados sem prévia solicitação e conhecimento dos responsáveis pelas linhas.

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Mar 18 2005

Inclusão digital: o que é isso?

Tag: JornaisRebêlo @ 20:04

Paulo Rebêlo

Na próxima terça-feira, se comemora em Pernambuco o Dia da Inclusão Digital. A data é fruto do empenho levantado pela unidade pernambucana do Comitê para Democratização da Informática CDI) e oficializada no Estado pelo projeto de lei 12.607, de autoria do deputado Raimundo Pimentel (PSDB). O dia correto seria todo o último sábado de março, mas foi antecipado por conta do feriado da Semana Santa.

Mas, afinal, o que é inclusão digital? O termo é tão popular na mídia que já se tornou um jargão. É comum ver empresas e governos falando em democratização do acesso para cá e inclusão digital para lá, sem prestar atenção se a tal inclusão promove os efeitos desejados. O problema é que virou moda falar do assunto, ainda mais no Brasil, com tantas dificuldades - impostos, burocracia, educação - para facilitar o acesso aos computadores. É que inclusão digital significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia.

A expressão “inclusão digital” nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa algo como “divisória digital”. Hoje, a depender do contexto, é comum ler expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia e outras variantes parecidas e politicamente corretas. Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em Informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Como fazer isso? Não apenas ensinando o bê-á-bá do informatiquês, mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda daquele monstrengo de bits e bytes que de vez em quando trava.

O erro de interpretação é comum, porque muita gente acha que incluir digitalmente é colocar computadores na frente das pessoas e apenas ensiná-las a usar Windows e pacotes de escritório. A analogia errônea tende a irritar os especialistas e ajuda a propagar cenários surreais da chamada inclusão digital, como é o caso de comunidades ou escolas que recebem computadores novinhos em folha, mas que nunca são utilizados porque não há telefone para conectar à Internet ou porque faltam professores qualificados para repassar o conhecimento necessário.

Desde a década de 90, acadêmicos e especialistas em Tecnologia da Informação (TI) deram início a uma série de debates sobre um quadro preocupante e que pouco mudou: os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, sobretudo os mais pobres, estão perdendo o bonde da informação. Sem os meios necessários (computadores e laboratórios) e recursos apropriados (Internet rápida, telecomunicações), esses países deixam para trás um amplo leque de opções para aquecer a economia e melhorar os baixos índices sociais.

Somente colocar um computador na mão das pessoas ou vendê-lo a um preço menor não é, definitivamente, inclusão digital. É preciso ensiná-las a utilizá-lo em benefício próprio e coletivo. Induzir a inclusão social a partir da digital ainda é um cenário pouco estudado no Brasil, mas tem à frente os bons resultados obtidos pelo CDI no País, cujas ações são reconhecidas e elogiadas mundialmente. Inclusive, por vários estudiosos consultados pela Folha, que costumam classificar as ações do Comitê como exemplo em palestras mundo afora. O presidente do CDI-PE, Marcelo Fernandes, acha que agora é o momento para reflexões e críticas às atividades desenvolvidas, pois o Comitê está completando dez anos. “Nestes últimos anos, tivemos muitas conquistas e desafios. Agora é o momento para refletirmos sobre eles e prestarmos conta para a sociedade sobre as ações que realizamos”, adianta.

Apesar da boa vontade, alguns empecilhos representam um grave problema à melhor socialização de comunidades carentes. O coordenador-executivo do CDI-PE, Diego Garcez, elege a carência de infra-estrutura como um dos piores obstáculos no Brasil e em Pernambuco. “Por exemplo, acontece de chegamos em uma comunidade de baixa renda e não termos como levar Internet até lá, porque não há fiação telefônica ou instalação elétrica adequada,” cita. Outro problema apontado por Garcez é a baixa escolaridade dos instrutores, que às vezes são os jovens da própria comunidade. E é justamente aí que entra o papel da inclusão digital como indutor à inclusão social. Chico Science já dizia que os computadores fazem arte. Os especialistas concordam e acrescentam: também fazem cidadania.

É preciso focar o crescimento social

Pensadores como Manuel Castells, um dos ícones nos estudos sociais a partir de novas tecnologias, pondera que a sociedade está passando por uma revolução informacional que pode ser comparada às grandes guinadas da História. Na clássica trilogia “A Era da Informação”, o autor é enfático em mesclar economia, cultura e informação a partir de uma inclusão digital de verdade. Muitos imaginam que, em países pobres, não se deveria nem falar em inclusão digital enquanto há pessoas com fome e desempregadas na rua. O problema é que são as nações pobres as quais, justamente, costumam se beneficiar melhor das ações includentes.

Mark Warschauer, professor na Universidade da Califórnia e integrante do Centro de Estudos em TI e Organizações (CRITO, do inglês), descreve que em países como o Brasil, a inclusão digital precisa ser acentuada com mais prática e menos teoria. O pensamento é compartilhado por William Mitchell, autor do livro E-Topia, que também se dedica a estudar o impacto social via inclusão digital. “Comunidades de baixa renda tendem a atrair menos investimentos em infra-estruturas de telecomunicações e tecnologias, gerando menos motivação de empresas e governos. Em lugares assim, há um risco óbvio de diminuir ainda mais as ofertas de bons empregos e serviços para todos daquela comunidade,” enfatiza Mitchell, em um cenário bastante conhecido no Brasil.

O professor Adilson Cabral, doutorando em Comunicação Social e estudioso do tema, considera até impreciso utilizar o termo inclusão digital atualmente, porque não mostra à sociedade o contexto social envolvido na questão. “Preferimos a idéia de apropriação social das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), cuja relação direta é a tomada de consciência e cidadania nas comunidades”, explica. Ele critica a atuação de muitos laboratórios públicos de informática, alguns chamados de “telecentros”, porque muitas vezes os próprios organizadores não têm noção de objetivos e propósitos na hora de ensinar pessoas a usar o computador.

“Não adianta apenas oferecer acesso à Internet e editor de textos. A gente precisa transformar a perspectiva de vida das pessoas, buscar soluções práticas que melhorem a vida desses novos usuários”, sugere Cabral. A crítica é compartilhada por Warschauer, que durante a última visita ao Brasil, ficou espantado com a falta de objetivos claros dos inúmeros telecentros instalados pelos governos nas cidades, especialmente em São Paulo, embora tenha elogiado bastante as atividades do CDI.

Projetos locais ajudam comunidades

Além do CDI em Pernambuco, há outras iniciativas públicas e privadas para incluir digitalmente regiões mais pobres da cidade. O Porto Digital comanda uma das mais interessantes, o Projeto Informar, que tenta promover a inclusão social de jovens em situação de risco em Peixinhos e na Comunidade do Pilar. Além de ensinar o informatiquês, o Informar trabalha com os jovens criando uma espécie de agências de notícias na Internet, entre outras atividades.

Durante eventos culturais, é comum os alunos do Informar montarem um site ou um blog onde atualizam as notícias em tempo real. Foi o que aconteceu durante o Porto Musical, mês passado, com uma cobertura noticiosa que deixou muito jornalista de carteirinha com ciúmes. São 150 jovens, de 14 a 24 anos, recebendo noções de organização, socialização, liderança e desenvolvimento da cidadania.

No projeto Programa para o Futuro, que foi capitaneado pelo Porto Digital, a primeira turma teve 64% dos alunos alocados no mercado de trabalho, enquanto o restante foi realizar curso técnico a partir de uma parceria com o Ibratec.

A Secretaria de Educação do Estado também propõe programas de inclusão digital nas escolas públicas. No projeto Informática para a Comunidade e no Escola Aberta, em parceria com as Nações Unidas, são instalados laboratórios nas escolas para que os alunos possam realizar pesquisas pedagógicas e aprender noções básicas de informática.

Uma rápida pesquisa feita pela Folha encontrou, no entanto, uma série de dificuldades. Enquanto algumas escolas municipais e estaduais da Região Metropolitana do Recife utilizam bem a informática, com o incentivo de professores mais interessados, há outras situações onde as máquinas estão paradas, quebradas ou, simplesmente, não chegaram.

Computadores como fonte de renda e cidadania

Há uma série de iniciativas de inclusão digital que merecem destaque nos chamados “países pobres”, que ilustram como o acesso às tecnologias e uma pitada de boa vontade podem mudar um cenário de pobreza.Em Honduras, uma ONG instalou estações de trabalho em comunidades rurais, cujos computadores funcionavam por energia solar — já que não havia energia elétrica naquela área. Também não havia infra-estrutura de telecomunicações, ou seja, nada de telefones ou conexões à Internet.

Então começaram a usar conexão via satélite, cujo valor ainda é bem alto. Ocorre que toda a parafernália pode se tornar auto-sustentável, com a própria comunidade arcando os custos de manutenção. Após o pontapé inicial — ensinando as pessoas a usar as ferramentas e como tirar proveito delas — os agricultores e artesões começaram a vender seus trabalhos pela Internet. Jovens da comunidade ainda conseguem usar salas de bate-papo para ensinar espanhol a europeus.

A Índia é um país-ícone quando se fala de tecnologia, mas é bom lembrar que também representa uma nação com terríveis índices de pobreza e desigualdade. Hoje, aquele país exporta software e exímios especialistas em tecnologia, cobiçados pelos países ricos e contratados a peso de ouro. Parece incrível, mas os números sociais da Índia são piores do que no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo governo, apenas 0,5% da Índia está conectada à Web. Com uma população beirando um bilhão de pessoas, parece muita gente, mas em termos relativos está longe de chegar aos 11% que existe no Brasil, segundo o Ibope/ Netratings. No setor de telefonia, a Índia tem apenas 2,2 linhas telefônicas para cada cem habitantes, em média.

Outro exemplo é a Costa Rica, um país com a economia baseada em agricultura. Hoje, exporta mais circuitos integrados (chips) do que produtos agrícolas, uma situação impensável anos atrás. O país carrega o apelido de “A República do Silício, pois hospeda uma fábrica da Intel desde 1998. Na época, a gigante dos processadores sondou o Brasil, mas impostos e burocracia fizeram a empresa procurar outro lugar — informação confirmada pelo próprio presidente da Intel, durante sua última visita ao Brasil. Em 1999, os chips da Intel já eram responsáveis por metade dos 8,4% de crescimento no PIB e por 37% das exportações costa-riquenhas. Uma façanha.Tailândia, Filipinas, China, África do Sul. O ponto em comum entre as iniciativas é a mesma base: o computador é uma ótima diversão, mas também é uma fonte de renda e de cidadania. Mark Waschauer se mostra descrente, contudo, com o populismo que alguns governos de países em desenvolvimento fazem com a inclusão digital. Brasil incluso.

Projetos só mudam de nome

Agora em março, o Governo publicou no Diário Oficial da União o decreto que constitui a coordenação nacional do Casa Brasil, um projeto que reúne todas as iniciativas governamentais de inclusão digital. O problema é que as idéias por trás do Casa Brasil têm circulado desde 2003, sem nada concreto. Antes deles, projetos com nomes diferentes já existiam, sempre no papel.

É uma situação similar ao que ocorre com o projeto do PC Conectado, um computador popular para pessoas de baixa renda. Conforme a Folha apurou na edição de 2 de fevereiro, o conceito não tem nada de novo. De acordo com informações da Agência Brasil, o projeto Casa Brasil de agora quer estabelecer as diretrizes e os critérios de seleção das localidades que serão beneficiadas com recursos federais, além de acompanhar a implementação.

Em entrevista à agência, o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sérgio Amadeu, considerou o decreto como o reconhecimento que a inclusão digital deve ser uma política pública relevente. O Instituto é o maior parceiro do governo no PC Conectado, adiado pela terceira vez em apenas três meses.

Não basta “empurrar computadores”

Mark Warschauer é professor de Educação e de Informação & Ciência da Computação na Universidade da Califórnia, além de fazer parte do Centro de Estudos em Tecnologia da Informação e Organizações. Há anos estudando o impacto social das ações de inclusão digital em países da América Latina, ele já estave mais de uma vez no Brasil para conhecer as atividades do CDI, dos Telecentros em São Paulo e de outros projetos paralelos. Autor do livro “Tecnologia e Inclusão Social: repensando a divisória digital”, ele também edita o periódico Aprendizado de Linguagem & Tecnologia e concedeu entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco.

Quais os projetos brasileiros de inclusão digital que você mais conhece?

Para elaborar o livro, viajei para o Brasil e conheci bastante o Sampa.org, o CDI, o Projeto Clicar e alguns telecentros do Governo de São Paulo. Fiquei particularmente impressionado com o trabalho do CDI, pois há muita coisa ali que realmente funciona e são bem atraentes. Primeiro, porque eles estão conseguindo atingir locais e comunidades onde há, de fato, uma necessidade de inclusão digital. Segundo, conseguem recursos de várias fontes, induzindo à inclusão social de jovens pela digital.

É possível falar em inclusão digital em um País como o Brasil, onde os índices sociais são baixos, a economia é desigual e o desemprego é gritante? Projetos de computadores populares, como ocorre há anos por aqui sem sair do papel, funcionam?

Depende. Os projetos de inclusão digital são de extremo valor para melhorar esses índices, desde que coordenados de forma apropriada, sem populismos e sem discursos vazios. Por outro lado, a idéia tipicamente governamental de empurrar computadores em todas as casas pode ser um tiro no pé e gerar um efeito exatamente contrário à melhoria social. O Brasil não é a única nação do mundo a tentar fazer isso, então, deveriam olhar o que foi feito lá fora, em cenários semelhantes, para não cometerem os mesmos erros.

Como assim?

Empurrar computadores nas casas apenas com incentivos governamentais não é produtivo, porque o dinheiro investido na idéia poderia ser utilizado em projetos de economia social e desenvolvimento, os quais podem envolver tecnologia ou não. Mas vender computador por vender, independente do preço, não melhora a qualidade de vida de ninguém. O acesso à ferramenta [computador] é importante, porém, com um sentido mais amplo e coletivo de melhoria social.

E qual seria a solução?

O acesso às mídias digitais não é uma exclusividade da elite. Há vários caminhos de melhorar o cenário atual de exclusão, com relações custo-benefício razoáveis. A instalação de computadores nas escolas, por exemplo, é uma das alternativas que se mostraram mundialmente eficientes nos países em desenvolvimento — desde que seja levada a sério, com instrutores, equipamentos funcionando e diretrizes claras. São essas as grandes dificuldades. Em geral, o pessoal envia os computadores, discursa, sai no jornal e pronto. Cada um que se vire. Com diretrizes sérias, o aluno não apenas aprende o que tem que aprender na sala de aula, mas também sai da escola com um ofício. A longo prazo, é notória a inclusão social que ações assim podem gerar.

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Mar 14 2005

Pentium, Sempron, Celeron, Athlon? Entenda.

Tag: JornaisRebêlo @ 9:11

Um resumo didático sobre a confusão entre os processadores disponíveis no mercado e os usuários a que se destinam. Antes de comprar uma máquina nova é bom saber as diferenças.

Paulo Rebêlo
Folha de Pernambuco
republicação no Webinsider

O processador é a parte mais importante do micro e é com base nele que as pessoas costumam escolher o computador na hora da compra. Quanto maior a velocidade do chip, mais rápida a máquina, dizem os lojistas. Hoje, o consumidor pode optar por processadores da Intel e da AMD, as duas gigantes do setor. A primeira oferece os processadores Pentium e Celeron; enquanto a segunda chega com Athlon e Sempron. Mas cadê o Duron, que até pouco tempo atrás imperava nos anúncios dos jornais?

O Pentium IV é o processador top de linha, objeto de cobiça entre gamemaníacos, entusiastas e usuários avançados. Uma de suas principais vantagens em relação aos concorrentes é a velocidade do barramento (FSB, de Frontside Bus), responsável pela comunicação entre o processador e o restante dos componentes.

As versões novas do Pentium rodam a 800 MHz de barramento, enquanto o concorrente Athlon vai a 400 MHz. A memória cache do processador, responsável por instruções especiais, muito utilizadas em jogos e aplicativos 3D, também costuma ser maior no Pentium. Para quem trabalha com edições de vídeo, o Pentium IV conta com recurso de “HyperThreading”, que simula o uso de dois processadores simultâneos no micro e melhora o tempo de resposta quando algum processo esteja em atividade intensa.

No entanto, técnicos e consultores em informática costumam concordar sobre o principal problema desta cobiça: o preço. O supervisor técnico Tarcizo Júnior acredita que a performance do Pentium não justifica o alto preço, às vezes o dobro da concorrência. Sobre a velocidade do barramento, ele ressalta que nem sempre a diferença é perceptível. “Em alguns jogos e aplicativos 3D, a performance do Pentium é melhor, mas não em todos. Às vezes o Athlon (AMD) é mais rápido, varia demais. É no preço que está o problema, a diferença é muito grande”, avalia.

No geral, por este aspecto, o Pentium IV não é recomendado para ambientes de trabalho (empresas) e para usuários que precisem apenas usar programas de escritório, internet e, talvez, uns joguinhos. O preço não compensa e há outras opções mais baratas no mercado.

Já o processador Celeron, a opção de baixo custo da Intel, sofre no mercado porque apresenta uma performance inferior aos demais e nem sempre é o mais barato. “O problema volta a ser o custo, porque hoje o consumidor pode comprar, por quase o mesmo preço, um Athlon com performance superior”, explica o técnico Felipe Loyo.

Ciente dos problemas, recentemente a Intel lançou uma nova linha de processadores Celeron. Batizados de Celeron D (para desktop) e Celeron M (para notebooks), com tecnologia nova e mais velocidade.

AMD investe no Athlon de 64 bits

O Athlon é o atual concorrente direto do Pentium, tem velocidade e performance um pouco inferior ao Pentium IV, mas pode apresentar resultados iguais ou melhores em alguns tipos de jogos. A AMD está abrindo mão do Athlon para ceder o lugar ao novo processador de 64 bits, o Athlon-64.

Análises de sites especializados colocam o Athlon-64 lado a lado com o Pentium IV, sobretudo porque tem instruções de 64 bits que o concorrente da Intel não tem – com a exceção de uns novíssimos Pentium IV que estão chegando ao mercado com as extensões 64 bits. Ganha um doce quem achá-los à venda nas lojas brasileiras.

A gerente de Marketing da Nagem, Iara Espíndola, aposta todas as fichas no Athlon-64. “O mercado local já vende o processador e até o modelo mais novo, o 64-FX, ainda mais rápido”, antecipa.

Um dado interessante: de acordo com ela, hoje em dia apenas 30% das vendas em processadores AMD são de Athlon. Os 70% restantes vão para o Sempron, a menina dos olhos da AMD ou, se preferir, a galinha dos ovos de ouro. O processador é o substituto do Duron na categoria baixo custo. É a opção recomendada para a maioria dos usuários, em casa ou no trabalho.

O técnico em informática Renato Queiroz é um dos fãs do Sempron. “80% dos meus clientes usam processadores Athlon e Sempron, por causa do custo. O Sempron é o mais barato e oferece a melhor relação custo-benefício entre todos os processadores”, afirma. É a mesma opinião entre os técnicos da Infobox e outros consultados pela eeportagem.

O segredo do Sempron é que ele é baseado no Athlon, porém, com menos instruções especiais voltadas para jogos muito avançados e aplicativos 3D pesados. Resultado: atende perfeitamente as necessidades básicas das empresas, em programas de escritório, internet e, de quebra, não responde tão feio assim em jogos. “O Sempron veio substituir o Duron, mas é bem melhor e consegue desbancar o Celeron”, avalia Felipe Loyo.

A AMD está para lançar um novo modelo do Sempron, com mais memória cache, que irá concorrer com o próprio Athlon – que será enterrado de vez, deixando a lacuna de processadores de alta performance apenas para o Athlon 64. Enquanto isso, a Intel ataca com os novos Pentium IV c/ EMT64 (suporte a 64 bits) para usuários domésticos. E com muito dinheiro.

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Mar 14 2005

Gravatas Iluminadas

Tag: RevistasRebêlo @ 7:35

Paulo Rebêlo
Backstage, coluna de fevereiro/2005

O discurso da indústria fonográfica é similar ao fenômeno da manipulação estatística, também conhecido como verdade estatística. Com as palavras certas, é fácil colocar as estatísticas para trabalhar a nosso favor. Reza o ditado: os números não mentem. Mas o discurso, sim. Para quem gosta de fazer conta, basta prestar atenção em como são diferentes os discursos de, por exemplo, uma ONG que revela o descaso do governo em determinado setor, enquanto do outro lado o governo mostra que está fazendo bastante. Às vezes, são as mesmas pesquisas e os mesmos números, revelando situações distintas quando bem empregados. Até parece que falam de água e vinho, quando ambos estão tratando de óleo.

A indústria começou o ano de 2005 reafirmando que o setor musical vive a pior crise da história. De acordo com dados oficiais divulgados à imprensa, nos primeiros nove meses houve uma queda na venda de CDs da ordem de 10,7% em volume e 12,2% em valor. Os empresários do ramo continuam a atribuir o decesso ao download ilegal pela Internet. O que os sabichões não explicam à plebe rude é o real significado dessas porcentagens. Falam em volume, em valor… números, muitos números. Pior ainda, colocam os números em evidência, para mostrar a crise financeira, a partir de uma metodologia conceitualmente errada: a da previsibilidade de um eventual, porém nunca confirmado, volume de vendas. Já tratamos deste assunto em colunas anteriores.

Quando você ler sobre grandes indústrias tendo prejuízos milionários por causa da própria incompetência, disfarçada de ilegalidade da sociedade civil, pode anotar: é pura falácia. Quem está do lado de lá não pode admitir, pelos motivos óbvios; e para quem está do lado de cá, o mínimo a ser feito é não cair em mais um conto do vigário. Nós, brasileiros, já estamos tão anestesiados com seguidos contos do vigário, sobretudo na política, que não precisamos ficar importando outros.

POEIRA EM ALTO MAR – Considerável parcela do empenho da indústria fonográfica contra o download de músicas tem sido em vão, eficácia próxima de zero na repressão às cópias não-autorizadas distribuídas na Internet ou vendidas a preço de banana logo ali na esquina. O motivo, qualquer criança semi-alfabetizada, e com noções de adição e subtração, consegue entender: ninguém recebe salários iguais, sequer parecidos, com as remunerações pagas aos sabichões da indústria. O assunto é batido, mas não adianta fugir: um CD a 25, 30 reais? Para ouvir quarenta ou cinqüenta minutos de música? Bomba neles.

Ideologias à parte, às vezes dá gosto comprar CD pirata. A gente quer presentear alguém com “gosto refinado”, vai na loja e nos jogam um álbum nacional por 25 reais. Se for importado, não sai por menos de 40 reais. Por “gosto refinado”, entenda qualquer coisa que não esteja passando no Faustão ou no Gugu. Ou compramos o lixo que nos empurram a dez reais ou aprendemos a usar a massa cinzenta e compramos um caolho de primeira por cinco reais. O consumidor vai preferir o quê? O mundo gira, mas sempre pára no mesmo lugar. Os ricos ficam mais ricos, e nós plebeus ficamos cada vez mais rudes. Não dá para invejar quem tem dinheiro (e usa) para comprar um CD por mês; é para ter pena. Quase remorso.

A única conclusão que podemos tirar disso tudo é que a indústria fonográfica criou um monstro. E agora não consegue mais controlá-lo. Falam em acabar com os programas de compartilhamento de arquivos (P2P). Falam em proibir os provedores de acesso a livre entrada de usuários em sistemas de trocas de arquivos. Falam isso ou aquilo. Falam demais.

Falam tanto, que terminam fazendo parte do que dizem que vão fazer e daí surgem monstros incontroláveis, como podem ser chamadas as redes P2P anônimas facilmente utilizadas hoje em dia, na Internet. Quanto mais a indústria promove o caça às bruxas nos lugares errados, mais sofisticados esses programas vão ficando; mais difíceis vão ficando os usuários de serem encontrados; mais fácil se torna filtrar os agentes fiscalizadores. Onde isso tudo chegará, só eles sabem. Eles, os sabichões da indústria. Sabem tudo, esses engravatados iluminados.

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Mar 11 2005

Fantasma do Super11 de volta

Tag: InternetRebêlo @ 9:26

Novo provedor deseja utilizar marca ligada ao acesso gratuito.

Paulo Rebêlo
Webinsider

Estão alimentando mais uma bolha e é bom ficar atento. Agora em março, o provedor Super11 voltou a funcionar na mesma velocidade com que foi retirado do ar pela Justiça. Em tese, segue o esquema de pagar os usuários pela quantidade de horas navegadas, a exemplo do Cresce.net e do Orolix – veja matéria Provedores querem pagar por horas navegadas, ao lado.

As atividades iriam começar esta semana. A empresa por trás do provedor é a BSB Internet, com sede em Caxias do Sul (RS), mas uma liminar concedida pela sistema judiciário daquele Estado impediu a utilização da marca Super11.

Para quem não lembra, o Super11 foi um dos primeiros provedores gratuitos, na época em que a febre de não pagar mensalidade de acesso teve início. No entanto, o provedor inovou ao oferecer um número 0800 para conexão. Ou seja, o usuário não pagava mensalidade e nem os pulsos telefônicos.

Em setembro de 2000 (veja matéria ao lado), a empresa não agüentou e faliu, deixando funcionários revoltados, em São Paulo, ao serem proibidos de entrar no edifício até mesmo para recolher pertences pessoais. Ninguém havia sido avisado de nada e todos foram pegos de surpresa quando chegaram para trabalhar. A briga foi feia e as pendengas judiciais ainda não terminaram.

A peculiaridade da história é que, na época, o diretor do Super11 era Nagib Mimassi – justamente o atual sócio-diretor do Orolix, provedor que também remunera usuários por horas navegadas. Procurado pela reportagem, Mimassi não quis se pronunciar sobre a volta do Super11, dizendo até desconhecer a “nova” empresa.

Sobre as questões judiciais movidas por ex-funcionários, o executivo declara que “não há confusão trabalhista, mas ações em andamento que estão sendo conduzidas juridicamente dentro das leis brasileiras”.

Analistas da indústria começam a questionar o modelo de pagar usuários por horas navegadas, pois o mesmo pode não se sustentar a médio prazo. Em um cenário ruim, o resultado seria similar ao que houve no Super11. Mimassi discorda. “Trata-se de um modelo inovador e que está sendo muito bem recebido pelo mercado. Não estamos cientes das críticas”, diz.

O novo Super11 ainda vai levantar outras polêmicas. O site continua fora do ar, mas os responsáveis já disseram por aí que vão recorrer da decisão. Os concorrentes, Orolix e Cresce.net, garantem que estão caminhando bem e o que o lucro é certo.

Ninguém duvida que, em breve, vai ter provedor conhecido tentando entrar no mesmo esquema – igualzinho a antes, quando os grandes também inventaram de prover acesso gratuito e se deram mal.

No final, alguém sempre sai lucrando em cima da ingenuidade alheia.

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