Fev 25 2005

Brazilian PC scheme founders on Linux, MS politics

Categoria: EnglishRebêlo @ 17:16

Plus you can buy a cheaper PC in a shop

By Paulo Rebêlo in Brazil: Monday 21 February 2005, 09:18
The Inquirer, 21.fevereiro.2005

THE BRAZILIAN GOVERNMENT is once again trying to push a cheap PC for lower income people who can’t afford a reasonable computer. It appears to be politics which is holding up implementation of the scheme.

The only thing in common among all the digital inclusion projects supported by the government, until now, is that none of them have worked. Some didn’t even leave the desks of the bureaucrats, but did hit the Brazilian technology press with terrific reviews, as usual.

Last year, government officials started a commotion about the cheap PC and planned to release it in December, for Christmas. The project halted and was rescheduled for March 2005. Now, they officially say it will be launched only in April. But we wonder if the papers will shuffle more than a few millimetres from the desks of the bureaucrats once more.

The current project is now called ‘Connected PC’ and intends to put machines on shelves for US$520 (R$ 1.400 Brazilian reals), but people can split the payment over 24 months paying as little as US$18 per month. During the first negotiations between government and manufacturers, last year, the bill of materials of such a cheap PC was no more than US$ 370 (R$ 1000).

Hardware and Software

But there’s no details on which processor such machines will use. According to the National Institute of Information Technology (ITI) in Brazil (the main partner of the government on the project), the basic version includes 128MB RAM and a 15-inch monitor. No hard disk details yet.

The main operating system will be a friendly version of a Linux distribution in Portuguese, probably Freedows. ITI wants to bundle 26 applications: games, text editors, browsers, e-mail, calculator and more. All free software.

However, ITI’s hard work to keep Microsoft out of the way hasn’t been working out too well. Two weeks ago, the government announced there will be at least two more editions of the Connected PC. Besides the basic and cheapest version, there will be one including Linux and Windows XP Professional and one company-oriented edition with Windows XP Professional only.

Adopting Linux as the main operating system for newbie users became quite a dilemma among tech professionals, government, companies and manufacturers. Some say it will work perfectly, since Linux distributions nowadays are just like Windows – and some say it will happen the same thing that occurred in Asia: people will download (or ‘borrow’ from a friend) a pirated-version of Windows and install it.

A very expensive Cheap PC

We did the obvious and went into local stores trying to configure a cheap computer for U$ 520 (R$ 1400), the same price of the Connected PC. Here’s what we got:

AMD Sempron 2200+
Motherboard with integrated video, modem, fax and Ethernet
128 MB RAM
40 GB hard drive
15-inch monitor
Basic CDRW
Bundled kit with mouse, keyboard, speakers and CPU case

The government’s “Connected PC” won’t come with CDRW and there are no details on processor and hard disk. Some believe it will be a 20GB disk and have a basic CD-ROM drive only. The funny thing is that the Connected PC will gain government subventions and tax relief, while commercial PCs sold in stores don’t have all these facilities. Someone might profit a lot from this. The answer is guessing exactly who stands to benefit. µ

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Fev 24 2005

O elogio da mediocridade

Categoria: InternetRebêlo @ 0:12

Paulo Rebêlo (*)
Observatório da Imprensa, 22.fevereiro.2005

Mesmo para quem não lê jornal e não assiste TV, foi difícil não se inteirar da balbúrdia que os veículos de comunicação fizeram com a vitória de Severino Cavalcanti. Vale o registro da Folha de S.Paulo, em editorial de 16 de fevereiro, tachando-o de “candidato sem estatura política, retrógrado e inexpressivo, que se especializou em negociações menores no dia-a-dia da vida parlamentar”. Foi quase um elogio.

O leitor mais atento, porém, talvez consiga perceber que alguns jornais estão achando ótima esta vitória. É uma nova oportunidade para certas publicações – e colunas – voltarem a propagar aquela equivocada noção de que o Nordeste, principalmente Pernambuco, é o grande beneficiado desta politicagem. Politicagem, aliás, que é a cara do que o governo federal vem fazendo nos últimos dois anos.

A interpretação é simples: o presidente da República e o da Câmara são pernambucanos; o presidente do Senado (Renan Calheiros) é alagoano; e o 1º secretário da Câmara (Inocêncio Oliveira) também é pernambucano. Para um Sul-maravilha rico e poderoso, até que estamos bem na fita. Bem o suficiente para propagar o conhecido ufanismo, digno da mais Polyanna das Polyannas, de que o Nordeste é o grande beneficiado.

Brasília deseduca

A bancada nordestina em Brasília sempre foi poderosa. Sempre. O problema é que ninguém parece ter memória. O equívoco jornalístico de agora não é muito diferente do ocorrido na metade dos anos 1990, quando o também nordestino Marco Maciel foi vice-presidente da República. Entre outros exemplos recentes.

Nem por isso – e talvez principalmente por isso – a região Nordeste viu nenhuma de suas seculares mazelas ser extinta ou sequer amenizada. Como se diz por aqui, “nem um tiquinho”.

Quanto mais poder os políticos nordestinos possuem, mais distante a região fica de melhorias nos deprimentes índices de pobreza e educação, para dizer o mínimo. O poder emanado de Brasília nos ajuda somente a deseducar. Pois somente deseducando e alienando é que continuaremos votando nestes ilustres representantes da democracia.

Cabresto e coronelismo

Poderíamos gastar uma tese para citar exemplos, mas vamos nos ater aos mais conhecidos.

** A seca continua cruelmente presente em toda a região, sem mudança alguma de paradigmas. Usada como gancho para políticos de reduto ganhar notoriedade e votos de pobres-coitados, quando estes recebem cestas básicas e poéticos carros-pipa. Sempre em caráter emergencial, é claro.

** Quando um pesquisador sério chega para falar sobre as possibilidades de amenizar o sofrimento da seca, com projetos baratos de irrigação ou mínimos investimentos em tecnologia (só dois exemplos), rapidamente o assunto cai no esquecimento – dos políticos e dos pauteiros. Uma incrível coincidência. E também seria esperar demais que os jornalões do sul maravilha “comprassem” a causa, pois nem a gente é tão ufanista assim.

** Nas capitais – que politicamente não passam de províncias – o saneamento básico existe para menos de 30% da população. O problema é que tem jornalista que, se for questionado, não sabe nem explicar o que é saneamento básico.

** Os maiores hospitais públicos são tidos, muitas vezes, como a última porta antes de colocar o pé na cova. Ou a última porta para o paraíso dos céus, se quiserem contextualizar (alienar) religiosamente.

** E os livros didáticos ainda ensinam que o voto de cabresto acabou e que o coronelismo foi extinto. Quer dizer, só nas escolas particulares, porque nas públicas vai ser difícil encontrar até professor, quanto mais livros.

República dos 100

Assim caminha a humanidade nordestina. Os políticos ficam mais poderosos, os jornalistas mais temerosos e os cidadãos mais melindrosos. O poder e a notoriedade crescem, enquanto os discursos de melhorar a vida do nordestino seguem. Desde que a gente vote neles, claro.

Bem longe das obras brasilienses de Oscar Niemeyer e dos corredores da Esplanada, o que o Brasil de verdade enxerga é a exponencial melhoria na vida deles, dos influentes paladinos que irão ajudar o Nordeste. Mas, para nos ajudar, eles também vão precisar da nossa ajuda.

Ajuda para melhorar o pobre salário mensal de 12 mil reais e a aumentar as benesses humanitárias: passagens aéreas, auxílio-moradia, auxílio-paletó, verba de gabinete, gasolina, carro, celular…

Aliás, já ajudamos. E não foi com a eleição de Severino, não. Porque o poder que nos representa é, sim, uma representação fidedigna e palpável do Brasil de verdade, uma República dos 100: sem instrução, sem ética e sem memória.

(*) Jornalista no Recife (www.rebelo.org)

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Fev 23 2005

Exportar vai ficar mais fácil

Categoria: JornaisRebêlo @ 0:07

Paulo Rebêlo
rebelo@folhape.com.br

Impostos e tributos em excesso impedem o crescimento econômico, é o que diz a maioria dos economistas quando questionados sobre os países em desenvolvimento, como o Brasil. As empresas de informática e tecnologia também sofrem com a tributação, principalmente quando vão tentar vender para outros países o software desenvolvido aqui.

O Governo Federal deve, em breve, sancionar uma nova lei que libera todas essas empresas de Tecnologia de Informação para exportar o máximo possível. O projeto, batizado de Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação, pode beneficiar a economia de Pernambuco e, sobretudo, as empresas embarcadas do Porto Digital. O Brasil não é nenhuma Índia, mas também é referência em desenvolvimento de software e cabeças pensantes.

A base do projeto do governo é simples: se o País quer se tornar uma potência comercial na exportação de serviços, então é preciso prover novos incentivos às empresas e mostrar que pode ser bem lucrativo desenvolver para exportação. Por conta do alto valor pago em impostos, grandes empresas às vezes recorrem a ações pouco benéficas para o País, como abrir filiais e subsidiárias no exterior, de modo a se livrar de pesada carga tributária. Ao fazer isso, o Brasil deixa de arrecadar dinheiro e, principalmente perde a oportunidade de se destacar no cenário internacional e atrair investimentos mais altos em tecnologia.

Na última sexta-feira, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial finalmente aprovou a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação, que prevê regime especial para exportadores de serviços, isentando-os dos impostos. De acordo com o Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, a plataforma cobre as áreas de informática, telecomunicações e engenharia, sendo capaz de gerar 60 mil empregos nesses setores e transformar o Brasil em um ícone da exportação em tecnologia. O Conselho deseja livrar as empresas dos tributos federais, como IPI e PIS/ Cofins, e até de impostos estaduais e municipais.

No entanto, nem toda exportadora poderá aderir ao programa, pois a idéia é que se dediquem quase integralmente à atividade. Para participar, 80% dos serviços prestados precisam ser, especificamente, destinados à exportação. Ou seja, uma empresa que exporta apenas como “diferencial de mercado”, possivelmente ficará de fora. Uma das críticas ao programa é que a exigência pode excluir as médias e pequenas empresas.

É o caso de algumas embarcadas do Porto Digital, que tiram parte do faturamento através de exportações. A recifense Daccord é uma delas, exportando versões em inglês dos softwares desenvolvidos desde 2003. De acordo com o diretor-executivo da empresa, Americo Amorim, cerca de 50% da receita vem dessas exportações, um número bem significativo. “Diminuir a carga de impostos e tributos é uma luta antiga do setor, mas só acredito vendo”, pondera Amorim, avaliando que exportar 80% da receita para se enquadrar é uma exigência muito alta.

De acordo com representantes do Ministério da Economia, vai valer a pena o investimento, pois, além da isenção dos impostos, a empresa ainda receberá incentivos para comprar equipamentos.

O diretor-executivo do Porto Digital, Valério Veloso, acredita que a isenção para empresas exportadoras pode ter um impacto violento na economia, a começar pela de Pernambuco, por causa do pólo de tecnologia, embora ainda esteja um pouco cético. “O Ministério apresentou o projeto. Vamos aguardar para ver no que vai dar,” conclui.

Empresas questionam exigências do projeto

Quando se trata de Governo, os profissionais de TI costumam arregalar os olhos. É que nem sempre os projetos relacionados ao setor saem do papel ou, até deslancham, mas não são aprovados. Na prática, não há garantias de que agora seja diferente. Em notas oficiais, o Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, garante que a transformação acontecerá este ano. Por outro lado, é válido lembrar que o projeto ainda vai seguir para duas votações (Congresso e Senado) para, só então, poder ser sancionado pelo Presidente da República. Nesse tempo, ainda poderá sofrer mudanças, mas a esperança é que não caia no esquecimento.

Um dos temores do setor é que os benefícios ajudem apenas multinacionais e gigantes. Executivos da HP e IBM, por exemplo, já mostraram interesse ao governo em instalar uma base no Brasil para serviços de tecnologia. Possivelmente, com o projeto do Conselho aprovado e sancionado, eles terão ainda mais motivos para tal. A equação é simples. Hoje, grandes empresas evitam abrir fábricas e filiais no Brasil principalmente por dois motivos: a burocracia governamental e a incidência de muitos impostos e tributos. Por conta disso, as gigantes do setor acabam buscando facilidades oferecidas em outros países.

Para Americo Amorim, da Daccord, não tem sentido exigir das empresas 80% do faturamento em exportação. “Poucas empresas conseguem exportar sequer 50%, como é o nosso caso”, afirma. Para ele, o ideal é que a isenção fosse escalonada, com incentivos variados de acordo com o nível de exportação de cada empresa. Por exemplo, quem exportasse 50% ou 60% não teria isenção total, mas uma redução. E quem exportasse menos, também teria incentivos, só que menores. “Nivelar por alto vai terminar fazendo com que abram empresas apenas para exportar e talvez não ajude tanto a economia local” diz.

A posição da Daccord também é fácil de entender. Como as exportações ocorrem em moeda estrangeira (dólar), qualquer empresa que resolve se fortalecer apenas no mercado externo fica à mercê das alterações de câmbio e da credibilidade da economia do País. E como estabilidade econômica continua a ser um grande tabu no Brasil, eis aí o grande viés. Veloso, do Porto Digital, completa: “poucas empresas de software exportam nesse nível, o jeito é aguardar a aprovação final do projeto”.

Brasil quer aumentar sua “fatia do bolo”

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) levantou alguns números sobre o mercado mundial de software. Hoje, representa US$ 700 bilhões, dos quais US$ 100 bilhões dizem respeito a produtos e US$ 600 bilhões a serviços.

Na avaliação do Ministro Furlan, as empresas estrangeiras que atuam no Brasil vão responder por mais de US$ 1 bilhão na exportação de serviços, valor que, somado à exportação das companhias nacionais, pode chegar a US$ 2 bilhões até 2007. Parece pouco, quando comparado aos números mundiais, mas representa um primeiro passo a um grande avanço em um mercado que o Brasil, até poucos anos atrás, sequer sonhava em participar com destaque.

Durante a reunião em que o projeto da isenção foi aprovado pelo Conselho Nacional, na semana passada, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Alessandro Teixeira, lembrou que este é apenas um dos vários projetos voltados para software dentro da chamada “nova” política industrial do governo. Ainda há um programa de formação de recursos humanos, que teve o número de bolsas ampliado agora em 2005, além do novo Prosoft, programa de financiamento operado pelo BNDES para desenvolvedoras de software.

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Fev 23 2005

Provedores pagam por navegação

Categoria: JornaisRebêlo @ 0:06

Paulo Rebêlo
rebelo@folhape.com.br

O cenário da Web brasileira está passando por outra reviravolta. Novos provedores de acesso estão iniciando atividades, com o diferencial de oferecer acesso gratuito e pagar em dinheiro ao usuário, a depender da quantidade de horas navegadas. Até parece piada, mas não é. O provedor Orolix abriu as portas na semana passada com uma proposta bem diferente: além de pagar aos clientes pelas horas navegadas, a diretoria não quer que o número total de usuários ultrapasse 250 mil clientes em todo o Brasil, para manter a mesma qualidade “uniforme”. “Não queremos fazer como os outros provedores, que não conseguem atender a demanda e tratam o usuário como um número qualquer, sem respeito,” explica o diretor-geral da Orolix, Nagib Mimassi.

A inscrição é bem simples, não difere muito de outros provedores gratuitos. O usuário faz o cadastro online, baixa um discador bem pequeno e começa a navegar. Em uma hora de navegação, o discador contabiliza até 24 Oros (a “moeda” do provedor), sendo que cada Oro equivale a um centavo de real. Ao final de cada mês, o usuário pode sacar o dinheiro pelo banco. A Orolix tem convênio com os principais bancos brasileiros, então às vezes não será preciso pagar nem mesmo o custo da transferência. O sócio-diretor, Índio Brasileiro, explica que é preciso ter Oros o suficiente para sacar um mínimo de R$ 5. O valor é cumulativo, o usuário pode receber na hora que quiser.

Por enquanto, o serviço está disponível apenas para acesso por linha discada, mas o provedor garante que, em breve, clientes de banda larga também vão poder participar. Enquanto isso, os adeptos da Internet rápida podem se inscrever e ganhar uns trocados indicando novos clientes. Por indicação, você recebe 20% sobre os Oros acumulados pelos indicados. A Orolix também oferece e-mail com 25 Mb de espaço, agenda (Oromix) e outros serviços.

Como o provedor ganha? O diretor, Mimassi, explica: “Ao usar o telefone, todo provedor recebe pelas horas que o internauta passa online. A diferença é que nós repassamos uma parte da quantia para os usuários e ficamos com outra, enquanto os outros provedores ficam com tudo”, garante. De acordo com ele, a Orolix fica com apenas 50% do que recebe das operadoras, repassando a outra metade para os usuários.

Anterior ao Orolix desde maio de 2004, porém com menos propaganda, é o Cresce.net. Para atrair ainda mais gente, recentemente houve uma renegociação com as telefônicas e o provedor agora paga um pouco mais aos usuários. Antes, cada 100 horas de navegação valiam R$ 10. Agora, valem R$ 12. A cota mínima de 30 horas por mês foi cortada, então, agora todo minuto é contabilizado. O Cresce.net ainda oferece um cartão exclusivo do provedor, para facilitar o resgate do dinheiro, apesar de também haver a opção de depósito em conta corrente.

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Fev 23 2005

Gratuitos e parecidos com o Office

Categoria: JornaisRebêlo @ 0:04

Software livre - parte 2/3

Paulo Rebêlo
rebelo@folhape.com.br

Na última quarta-feira, a Folha começou a publicar uma série de matérias sobre as opções de softwares além do Windows. Depois do sistema operacional, a maior necessidade do usuário é um bom pacote de escritório para as tarefas cotidianas, em casa e no escritório. Quase todo mundo usa o Microsoft Office, em suas mais variadas versões e edições. No entanto, é bom saber que existem alternativas boas e de graça para download na Internet. Quatro se destacam: OpenOffice, EasyOffice, KOffice e StarOffice.

Instrutor de informática de um centro comunitário, Gaspar de Souza ensina gratuitamente em um laboratório com 14 computadores, todos rodando Linux, softwares livres e acesso rápido à Internet. “Usamos o OpenOffice e o KOffice, depende da aula, ambos são ótimos. As pessoas precisam se conscientizar que, com o Linux, copiar é legal. No sentido jurídico e funcional da palavra”, ironiza.

O administrador de sistemas, Francisco de Assis, é outro que incentiva o uso de software livre. “Apesar da relutância das pessoas em usar alternativas que não o Microsoft Office, com o tempo elas vêem que a compatibilidade é boa,” explica Assis, que trabalha no Núcleo de Tecnologia da Informação da UFPE. Ele realça que o OpenOffice foi criado para usar com formatos próprios, mas funciona sem maiores dores de cabeça para abrir arquivos da Microsoft. “Talvez ainda precise de alguns aprimoramentos para uso mais profissional, mas atende bem”, explica.

Usuários não conhecem todos os recursos

Institutos de pesquisas em software não cansam de publicar pesquisas eventuais sobre o que as pessoas realmente fazem no computador. O Microsoft Word é tido como o mais poderoso editor de textos no mercado, mas as estatísticas mostram que raríssimos são os usuários a usar sequer 10% do que o produto oferece. A maioria apenas digita textos simples, como artigos, currículos, cartas, memorandos e relatórios sem muita complexidade. Para tal, qualquer editor de textos serve, até mesmo o Wordpad, já incluso no Windows.

Se você não quer usar o Word mas, ao mesmo tempo, deseja ter funções extras dignas de um processador de textos poderoso, saiba que também há opções fora dos pacotes de escritório. A Folha testou dois programas que atendem os requisitos: Abiword e Atlantis Nova.

O primeiro é completamente gratuito e, se não fosse pela interface gigantesca (ícones grandes e feios), seria perfeito. O editor possui todas as funções básicas, incluindo contagem de palavras, corretor, tabelas, entre outras. E o melhor, consegue converter e abrir documentos de diversas plataformas, até mesmo da Microsoft. Com apenas 10 Mb, pode ser usado em um chaveiro de memória USB sem necessidade de instalação.

Até pouco tempo atrás, o Atlantis tinha duas versões: uma completa e paga; outra gratuita, com menos recursos. Em geral, a gratuita atendia a maioria dos usuários, com as funções básicas. Enquanto a completa era para os mais exigentes.

Hoje, o editor de textos possui apenas uma versão, shareware, que pode ser utilizada por 30 dias sem custos. De todos os programas de texto testados pela Folha, o Atlantis é o que mais se destacou. Leve, visual limpo, rápido e bastante funcional.

Escolha o pacote ideal

O OpenOffice é, sem dúvida, o mais popular dos quatro pacotes de escritório selecionados pela Folha. A começar porque ele é multiplataforma, ou seja, funciona no Linux e no Windows. Nasceu do desenvolvimento do StarOffice, que foi comprado pela Sun Microsystems. Hoje, o StarOffice é pago - bem mais barato do que o Office da Microsoft - e restou para o OpenOffice a posição de preencher a necessidade dos usuários que não querem ou não podem arcar com despesas extras.

O melhor do OpenOffice é a versatilidade. Em um arquivo de apenas 70 Mb, você desfruta de editor de textos, planilha eletrônica, apresentações e banco de dados. Para se ter uma idéia, a versão básica do Microsoft Office, com os mesmos programas, ocupa quase 500 Mb no computador. Vale lembrar que os documentos criados no pacote da Microsoft podem ser abertos no OpenOffice e vice-versa.

Em arquivos com muita formatação e firulas gráficas, a conversão pode não ser 100%, mas não compromete.

Por outro lado, o visual deixa a desejar. Quem está acostumado com os ícones coloridos da Microsoft, vai ficar um pouco frustrado. As telas do OpenOffice são bem mais simples. Outro fator negativo é a integração com o português do Brasil. O dicionário do Word já não é uma maravilha e do OpenOffice ainda é um pouco pior.

O KOffice, por outro lado, só funciona para usuários do ambiente KDE no Linux. Daí o “k” no nome. Quem usa Linux e quiser adotar, terá um ambiente tão ou mais poderoso do que o OpenOffice. O pacote inclui os mesmos programas básicos de escritório e outras ferramentas extras, como um programa para desenhar vetores, um editor gráfico cheio de recursos, um gerador de relatórios, entre outros.

Mais visual dos quatro, o EasyOffice está disponível em versões gratuitas e pagas. Basta arranhar um pouco no inglês para ver que não é preciso muito tempo para se habituar. Atende bem as atividades rotineiras de um usuário doméstico ou escritório básico, por exemplo, mas muita gente garante que é comparável ao Microsoft Office.

Também com os programas habituais, traz ainda assistentes e suporte multiusuário. O download da versão grátis é grande, 92 Mb, mas há vários programas do EasyOffice com versão em português do Brasil.

Única alternativa paga, o StarOffice atende as necessidades daquelas pessoas que preferem pagar pelo pacote e, assim, ter um suporte técnico mais personalizado. A Sun vende o StarOffice 7.0, que tem a mesma cara do OpenOffice.

No entanto, os corajosos podem fazer o download da versão beta (de testes) da 8.0, no site oficial, de graça. Não estão cobrando para usar a versão nova, ao menos enquanto o período de testes não acaba. Vale a dica.

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