Archive for August, 2004

Brazilian officials destroy rare fish specimens

Wednesday, August 25th, 2004

Paulo Rebêlo
25 August 2004
Source: SciDev.Net

[RECIFE] Inspectors from Brazil’s Ministry of Agriculture have destroyed twelve specimens of marine rays that had been borrowed from an institute in Spain, alleging that they lacked the necessary paperwork to be brought into the country — and refusing to postpone their action to allow such paperwork to be prepared.

Similar events have occurred in the past, leading to growing concern among Brazilian researchers that such actions will make it more difficult to borrow biological samples from foreign scientists and their institutions.

The specimens were rare African rays belonging to the Spanish Institute of Oceanography that had been borrowed by Marcelo Carvalho, an evolutionary biologist from the São Paulo University (USP). Three belonged to uncatalogued species.

Carvalho had been attending a workshop in Spain sponsored by the Spanish government and the UN Food and Agriculture Organization, at which more than 50 specialists had gathered to put together a guide of marine fauna in the African west coast.

Inspectors seized the fish on Carvalho’s re-entry into Brazil, claiming that they lacked the required paperwork from Brazil’s Sanitary Department. Carvalho and friends from State University of Rio de Janeiro (UERJ) went to the Ministry of Agriculture seeking an agreement that the specimens would not be destroyed until they had gathered the appropriate documents. But when they got back to the airport, it was too late.

“Those specimens were very unique and rare,” says Carvalho. “Of the ten specimens, at least three were completely unknown by science and now will remain so. It’s distressing not only for Brazil, but for the whole science community.”

Similar incidents have occurred in the past, generating concern among Brazilian researchers that international research centres may become reluctant to loan or give them biological samples.

For several years, the US Smithsonian Institute had placed a temporary moratorium on shipping specimens back and forth between its research centres and Brazil. Leonard Hirsch, senior policy advisor for the Smithsonian, explains that Brazilian regulations were uncertain for a long time. However, he believes they have recently “been moving forward in a very positive way”.

“We have been working very hard with the Brazilians, and believe we can now move specimens back and forth again,” he says.

Hirsch was critical of the destruction of Carvalho’s rays. “From the report, I find it totally unacceptable that they destroyed specimens not of Brazilian origin rather than holding them or having them taken out of the country, ” he told SciDev.Net.

In 2002, 200 samples of blood from a Brazilian bird, the Ramphocelus bresilius, belonging to Denise Nogueira of UERJ were destroyed. Nogueira had gone to the United Kingdom for part of her doctoral studies, taking the blood specimens with her accompanied by full documentation from the Brazilian Institute of Environment (IBAMA).

“I had no problems leaving the country or entering England,” she says. “But when I came back, nine months later, an employee from the Agriculture Ministry said that I had left Brazil illegally, as I didn’t have a license from the ministry to carry material from an animal source.”

The IBAMA employee who released the material didn’t know Nogueira would need another license from the Agriculture Ministry. The blood specimens were confiscated and stored at the airport. They were burned a few days later, before she was able to obtain documents for their release.

In an open letter to the government, Ennio Candotti, president of the Brazilian Society for the Advancement of Science (SBPC), points out that the destruction of the marine samples has taken place at a time when the Brazilian government has indicated a commitment to reducing bureaucratic controls on science in order to stimulate its development

In June, for example, the country announced an easing of important restrictions on scientific equipment in response to demands from researchers to cut the amount of bureaucracy involved in bringing such equipment into Brazil (see Brazil eases rules on scientific imports).

“It’s absurd to have two different institutions regulating the same thing when they don’t communicate with each other. They burn material without any information on its importance and don’t let us even try to comply with their bureaucracy. The government pays us to research, collect and store; the same government is paying people to burn these materials,” says Denise.

Suêldo Vita, executive-secretary from the Support Foundation of Development at the Federal University of Pernambuco, deals with these problems every day, and says current regulations “really don’t ease the procedures of science and research”. He manages donations from foreign universities and the researchers’ requests for imports. “The current Brazilian legislation really doesn’t help much and it’s quite difficult for a foreign institution to understand why our researchers have to follow so many bureaucratic steps,” he says.

He suggests that current laws should be revised to ease the process for everyone involved and to improve Brazil’s scientific progress.

So far, the Brazilian Ministry of Agriculture has not issued a statement regarding the destruction of Carvalho’s rays.

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Conselho Federal de Jornalismo

Tuesday, August 24th, 2004

Sem consenso não há democracia

Paulo Rebêlo
Observatório da Imprensa, 24.agosto.2004

A expressão do título soa como demagogia barata. Talvez até o seja. Porém, a manutenção e o fortalecimento da democracia também são outras duas bandeiras levantadas por quem defende a criação do Conselho Federal de Jornalismo da forma como está encaminhado. Pois bem, então falemos de democracia.

Há algo claro como a luz do dia: se temos metade a favor e outra metade contra, então não há consenso. E se não há consenso, há democracia?

Nunca vimos um assunto relacionado ao próprio umbigo da imprensa ter tanta repercussão. Até cansou ver tanta gente diferente falando e escrevendo sobre a mesma coisa e com tantas agressões gratuitas em debates pela internet. O fato é que a criação do Conselho está a anos luz de um consenso. O mínimo de humildade que se pode ter numa hora dessas é aceitar isso.

Quem irá arcar com a responsabilidade de aprovar um projeto assim? Não é preciso ir longe para perceber a divisória. Enquetes foram realizadas em vários sites de jornais e revistas, inclusive neste Observatório, e só mostraram o esperado: metade para lá, metade para cá.

Afora as enquetes virtuais, basta entrar em uma redação ou em qualquer boteco com presença de jornalistas e perguntar. As opiniões serão as mais divergentes possíveis. Se o governo arcar com a responsabilidade de aprovar o projeto deste modo, muitas pedras ainda irão rolar.

Fazendo-o, é quase como seguir o mesmo exemplo tão criticado dos americanos quando “elegeram” o Bush-caubói, sem consenso, sem vitória de verdade, sem democracia. E o resultado todos estamos vendo.

A melhor definição que li até agora, sobre o projeto, peço perdão por já nem mais lembrar quem escreveu: é um “cadáver insepulto”. O risco é “esqueceram” do assunto e, daqui a meses, o aprovarem na surdina.

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Controle Público vs. descontrole privado

Tuesday, August 10th, 2004

Paulo Rebêlo
Observatório, 10.agosto.2004

O site Controle Público (www.controlepublico.com.br) foi retirado do ar repentinamente [veja remissão abaixo para nota de Ricardo A. Setti quando da estréia do site]. Criado em 2002 pela Folha de S.Paulo e o UOL (Universo Online), o projeto prestava um importante serviço à sociedade ao reunir um extenso banco de dados com informações eleitorais, pessoais e patrimoniais de mais de cinco mil políticos brasileiros que participaram das eleições de 1998, 2000 e 2002.

De acordo com o site/blog AdVillage, o serviço foi cortado nos recentes planos de reestruturação do Grupo Folha. Durante o ano de estréia, Controle Público ganhou menção de “Melhor Contribuição à Imprensa” no Prêmio Esso de Jornalismo. No mesmo ano, Fernando Rodrigues, autor do projeto, levou o troféu do Prêmio Líbero Badaró na categoria de “Webjornalismo”. Sem contar diversas honrarias e menções durante congressos de jornalismo mundo afora.

Falta-me competência para opinar sobre as nuanças dos cortes no Grupo Folha, porém, é lamentável e muito sinistro que em plena véspera de eleições o Controle Público tenha saído do ar sob argumento de contenção de despesas. Também não faço a menor idéia de quanto custa para manter o site funcionando e como é o esquema de manutenção.

No entanto, parcos conhecimentos técnicos me permitem dizer que o custo é irrisório para manter qualquer site no ar, sem atualizações ou manutenção, apenas para consulta das pessoas. A quantidade de sites e “canais” medíocres que são mantidos, inclusive no próprio UOL, apenas nos faz lamentar ainda mais.

Por quê?

Às vésperas de eleições, o mínimo que poderiam fazer é deixar o site no ar do jeito que estava, com o banco de dados disponível para consulta. Nem que fosse apenas até o fim do próximo pleito. Não ia custar quase nada. Não é um site a consumir tanta banda assim.

O mínimo de consideração seria o Grupo Folha ter avisado aos leitores que o site sairia do ar. Assim, daria tempo de salvar alguma coisa no computador (em PDF, HTML etc.) ou, simplesmente, usar um programa para armazenar as páginas localmente no computador. Sorte de quem fez isso enquanto era tempo.

Também não adianta ir no site Web Archive, um serviço para resgatar páginas que não existem mais. O Web Archive, além de ser lento, não tem a capacidade de puxar informações a fundo ou via banco de dados. É um serviço interessante para ver a capa ou o visual de sites antigos que não existem mais, contudo não serve para consultas.

É difícil de engolir uma mãe que alimenta filhos tão bem, vendo-os crescer, ganhar prêmios, prestar um precioso serviço à sociedade para depois afogá-los. Depois os gênios da economia e os superconsultores se perguntam “por que a conta nunca fecha?”.

(*) Jornalista, no Recife; (www.rebelo.org)

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