Fev 20 2004

Red tape on imports ‘is stifling Brazilian research’

Tag: EnglishRebêlo @ 22:26

Paulo Rebêlo
20 February 2004
Source: SciDev.Net

[RECIFE] Brazilian scientists are campaigning to reduce the bureaucracy involved in bringing scientific equipment into the country.

In a declaration to be presented shortly to the ministry of science and technology, more than 300 Brazilian researchers state that “countless scientists have been waiting for years to receive equipment. Customs policies produce a lot of bureaucracy just to obtain a few microlitres or a simple reagent”.

The scientists call for new customs procedures that simplify and reduce the cost of bringing equipment and reagents into the country. Import taxes on scientific equipment should be abolished, and systems should be put in place to ensure that all equipment takes no more than 24 hours to pass through customs, they say.

According to Stevens Kastrup Rehen of the Federal University of Rio de Janeiro and the US-based Scripps Research Institute, delays are so severe that by the time scientists receive reagents the chemicals have often expired. “And when we get our hands on equipment, it’s already outdated,” he says.

“Fees to import and store equipment aren’t cheap and, what’s worse, they are being paid with government money as part of research grants,” adds Rehen, who currently lives in the United States and is a key member of the group that wrote the declaration. “Public money is being used for something that often we can’t even use.”

Thereza Christina Barja-Fidalgo of the pharmacology department of the State University of Rio de Janeiro, recently wrote in the Brazilian Jornal da Ciencia that “in the United States and most European countries, the interval between purchase and delivery of a reagent takes no more than 72 hours. The same reagent in Brazil costs at least twice its price in US dollars and, if you’re lucky, takes a month to be delivered. It’s hard to work and compete like this.”

The declaration also calls for a simple, fast and efficient way for foreign institutions or individuals to donate scientific materials to Brazil. “Sometimes universities can’t even get hold of donated equipment because customs tax are prohibitively high. On other occasions, universities just don’t have enough infrastructure to make use of scientific donations,” adds Barja-Fidalgo. “How can we explain this to a foreigner contributor who wants to help us? It’s tragic.”

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Fev 17 2004

Brazilians love to share

Tag: EnglishRebêlo @ 21:55

Top bloggers become top photo exhibitionists

By Paulo Rebêlo in Brazil
The Inquirer, Tuesday 17 February 2004, 10:15

ALL YOU NEED TO DO is open Fotolog’s web site in order to notice a mass domain of fotologs from Brazil. No one knows exactly why this happens.
As for number of fotologs (flogs), Brazil stands in the first place with 165,448 registered pages. It’s more than half of the full database, which totals 295,114 fotologgers. In 2nd place comes the U.S. with 19,051, about eight times lower. United Kingdom is way below, with 1,314 flogs.

Industry analysts usually say this could be caused by the digital cameras boom in Brazil, since recent researches show a ten-fold sales increase in 2003, when compared to 2002. Last Christmas, sales of digital cameras were up 170% over 2002’s Christmas.

But such figures aren’t enough. It’s evident that the digital camera is becoming common in countries like Brazil, it has already become a mere commodity in richer nations like the U.S. or the UK.

Moreover, one doesn’t necessarily need a digital camera to become a flogger. Since it’s all about uploading pictures, there are plenty of flogs carrying random images captured over the Internet and, often, scanned sketches and paintings.

It remains obscure what makes Brazilian users the top dogs of flogs. According to Fotolog’s officials, Brazilians are more outnumbered than we might expect. For example, there are many flogs registered as being held in Afghanistan that are updated by Brazilian people.

“Fotolog’s service is slow and most internet connections in Brazil are dial-up. This empire of Brazil’s fotologgers is funny and somewhat mysterious. Maybe we like to show off more? Who knows…” says Haidée Lima, a designer in Brazil who owns three different flogs.

Rumours
With such success in Brazil, it’s now clear that Fotolog administrators are planning a commercial initiative in the country. What’s still unknown is what sort of business are they up to. For more than a month, Fotolog’s owners have been refusing to answer e-mails or agree to interviews. At least with us.

Meanwhile, new registrations are halted and an official announcement says that one of the owners is, “already working on closing a deal with potential partners in Brazil — something that is necessary to continue to support members there”.

Years ago, similar situation happened with blogs. Blogging became so popular in Brazil that www.globo.com, one of the biggest ISPs in the country, decided to customize a Portuguese version of Blogger, in partnership with Pyra Labs itself. It was and still is a huge success. µ

Paulo Rebêlo is a journalist in Brazil – www.rebelo.org.

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Fev 10 2004

Os vírus somos nós

Tag: InternetRebêlo @ 9:44

Paulo Rebêlo (*)
Observatório, 10.fevereiro.2004

Quem abre anexo desconhecido no e-mail dentro da rede da empresa é tão nocivo quanto quem cria vírus. A ladainha se repete. Nova infestação. Centenas de e-mails infectados nos últimos dias na caixa postal de todo mundo. Servidores congestionados, roteadores parados, sítios fora do ar.

O problema maior é que também não muda o noticiário da imprensa, sobretudo a dita especializada. Especializada em traduzir do internacional, talvez. É a abordagem de sempre. O mesmo tom alarmista. E, evidente, vários links para baixar a solução contra o novo vírus da moda, além de entrevistas com os especialistas sobre os prejuízos causados.

Ninguém discute a incompetência de alguns administradores de redes. Não se questiona a displicência de funcionários (e seus respectivos chefes) dentro de uma empresa com vários computadores em rede e conectados à internet. Pior ainda, ninguém ousa debater um fato nítido: a quantidade de usuários relaxados parece só aumentar. Não aparece um para colocar em xeque o pedestal da entidade chamada “usuário”, aquela que tudo pode. Mesmo quando prejudica um coletivo enorme.

Não se trata do usuário leigo, que não sabe operar Windows; e sim do internauta padrão, que sabe, sim, da necessidade de um antivírus e firewall. E não usa. Lê sobre o assunto sempre, mas acha que nunca vai acontecer com ele. Usuários assim, por incrível que pareça, são a maioria. Computador deu problema? Sempre tem o cara da assistência técnica que cobra baratinho para resolver ou o sobrinho do amigo para formatar tudo.

Debater políticas internas da empresa em relação à internet; questionar se os funcionários podem usar o computador da empresa como se fossem seus; exigir um curso básico de internet; entre outros assuntos, parecem temas proibidos na imprensa. Basta aparecer o primeiro a questionar para, logo, ser apedrejado pelos falsos moralistas dizendo que a “natureza” da internet não é assim. São os donos da verdade, ao menos no mundinho pontocom.

Pior do que os donos da verdade, são os cavaleiros da emoção. Aqueles que volta ou outra aparecem para falar/escrever somente o que o leitor-usuário quer ouvir, mesmo quando não há a menor consistência técnica. Bastou o noticiário publicar que as empresas de antivírus estão faturando milhões de dólares para os especialistas começarem com insinuações mais velhas do que a tataravó do Matusalém: de que pode haver “algo” proposital nesses vírus de internet, por parte das empresas de antivírus.

Escuto esse papo desde que comecei a usar DOS 3.3, em meados de 1993, quando os terrores da época eram vírus como cascata, pingue-pongue e natas.

É óbvio e ululante que empresas de antivírus estão faturando milhões. Existem programas de antivírus gratuitos para quem quiser usar, com eficácia idêntica (e até melhor, às vezes) do que aquele “super” antivírus que custa uma pequena fortuna. Acontece que os antivírus gratuitos não pagam viagens e oba-oba para imprensa. Quando sai uma versão nova, a cobertura do noticiário parece ser igual no país inteiro. São coloridinhos, têm figurinhas e consomem caminhões de memória do computador.

Na verdade, talvez não haja motivos para questionar nada disso. Afinal, daqui a seis meses vai acontecer novamente. Vão continuar distribuindo links para os remédios e antivírus. A repercussão será grande. Depois, a maré se acalma e fica tudo igual… até chegar a próxima tempestade.

Não há mocinhos. Mas ninguém vai questionar o usuário ou a imprensa. Ninguém vai bater de frente com o supervisor que não sabia “que um simples vírus de computador podia fazer tanto estrago”. O problema é que, muitas vezes, os vírus somos nós.

Bactérias

Pois, se nós somos os vírus, é bom ficar sabendo que tem muita bactéria por aí fazendo papel de antibiótico. Quando as infestações aparecem, muitas empresas de tecnologia correm à imprensa e às autoridades para exigir investigações sobre o criador do vírus. Exigem a prisão do cara, demandam por “justiça”. Aparentemente, se colocam do lado do usuário, proclamando revolta contra os prejuízos causados.

Também nunca há um questionamento sério em relação à parcela de culpa dessas empresas. Ninguém quer colocar os engravatados para responder sobre o assunto.

As correções de segurança, para programas e sistemas operacionais, só aparecem depois que algo grave acontece – ou quando um hacker ou um grupo especializado coloca a boca no trombone. Até a conclusão de um remendo (patch), muito estrago já foi feito.

Agora, aparece a Microsoft para anunciar uma recompensa de US$ 250 mil por informações que possam levar à prisão e condenação dos responsáveis pela criação do MyDoom. Para o público, diz que a medida reforça o compromisso da empresa em garantir proteção contra ataques criminosos aos seus clientes.

É quase uma afronta à inteligência (ou ignorância) de todos nós. Só pode. Infestações de vírus e códigos maliciosos, a partir de aberrantes falhas de segurança no Windows, não são novidade. Muito pelo contrário. Ocorrem desde sempre. O Windows XP, menina dos olhos da Microsoft, ao ser instalado do zero em um computador, sem nenhum programa extra, possui nada menos do que 35 furos de segurança oficialmente considerados “graves”. Tudo documentado, na base de dados da Microsoft disponível ao público. Sem contar outros furos, os “menos graves”.

É nessa barca que estamos navegando. O colete salva-vidas é só para quem sabe nadar.

(*) Jornalista no Recife – www.rebelo.org;
(**)este texto é uma versão estendida de artigo publicado no Diário de Pernambuco

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