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Sete sopros para o jazz

Posted by: rebêlo    Tags:  agreste, garanhuns, jazz, música, viver    Posted date:  março 6, 2009  |  No comment

A partir da experimentação com instrumentos de orquestra, músicos de Garanhuns criaram a primeira banda dixie de Pernambuco

Paulo Rebêlo(texto/fotos)
Diario de Pernambuco
04.março.2009

Quem nunca escutou um determinado gênero musical durante toda uma vida pode se tornar um dos seus melhores representantes em apenas um ano? Se depender de sete músicos pernambucanos de muito talento, a resposta vem de um sopro.

Por meio de uma simples experimentação com os tradicionais instrumentos da música de orquestra, surgiu em Garanhuns a primeira banda dixie de jazz em Pernambuco. Jazz clássico, jazz de rua, jazz itinerante. Tudo bem ao estilo das saudosas dixies bands norte-americanas, do início do século passado.

Nascida Orquestra de Frevo e Jazz de Garanhuns em 2008 e com nove integrantes, hoje a Garanhuns Street Jazz Band é formada por sete pessoas: Jasiel Leite (maestro, sax e tenor), Luiz Fernandes (caixa branca), Samuel Leite (percussão), Alexandre Félix (trombone), Álvaro Vinicius (clarinete), Marlos Silva (trompete) e Paulo Alves (tuba).

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Juntos, os sete “novos” representantes do jazz de rua bebem na fonte dos clássicos de Louis Armstrong, Miles Davis, Charlie Parker, John Coltrane, entre tantos outros mestres, transformando suas composições com estilo próprio e despojado. Quem os vê tocando – como ocorreu no carnaval, durante o Garanhuns Jazz Festival – é só elogios e logo tenta imaginar quanto jazz e dedicação foram necessários até chegar ao nível apresentado hoje. Dedicação, sem dúvida alguma. Jazz? Nem tanto.

Até meados do ano passado, nenhum deles sequer sabia o que era jazz. “Eu nunca ouvi falar desse tal de Miles Davis”, brinca Alexandre Félix. Mesma resposta do caçula Álvaro Vinicius, de apenas 18 anos. Félix trabalha como vigilante. Samuel Leite é auxiliar de serviços gerais, Luiz Fernandes é vendedor. Juntos, entendem mais de jazz do que muitos “especialistas”.

Embora a maioria seja músico tradicional há pelo menos uma década – da Banda Marcial do Colégio Diocesano-, somente três vivem exclusivamente da música, como é o caso do maestro prodígio Jasiel Leite, prestes a completar 25 anos. Se ele parece novo agora, imagine ao se tornar o maestro da Banda Marcial aos 17 anos? Ocupa o cargo até hoje, comandando os 60 componentes da orquestra marcial.

Uma história curiosa, contada pelo irmão Samuel Leite. “Eu já tocava na orquestra (do Diocesano) e, na época, Jasiel tinha apenas 11 anos. Um dia, peguei-o lendo partituras e brincando com a flauta doce. Depois, ele juntou dois amigos por conta própria, organizou e, quando vi, estavam tocando juntos. Não pensei duas vezes e o levei à orquestra”, explica, com sorriso típico de um orgulhoso irmão mais velho.

Quando o maestro da época foi embora, a banda ficou sem norte. Apesar da esperada resistência dos mais antigos, Jasiel assumiu e, aos poucos, conseguiu renovar a confiança dos colegas. A mesma persistência ele levou para a Street Jazz. “O tempo é curto, as dificuldades são muitas… Mas não adianta reclamar sobre problemas que todo mundo já conhece. Não estamos apenas fazendo jazz, estamos estudando jazz. Lendo, ouvindo, inovando, nos aprimorando”, explica Jasiel.

Reunidos e vestidos a caráter – roupa social e gravata, como uma verdadeira dixie band-, ninguém poderia imaginar, também, que a banda surgiu por acaso. Uma aventura que deu certo. No primeiro festival de jazz em Garanhuns, em 2008, um produtor amigo dos músicos deu a dica: tentem fazer algo para participar do festival, nem que seja para fazer uma ponta. “Então misturamos frevo e jazz, sem imaginar como seria o resultado. Deu tão certo que seguimos o caminho do próprio do jazz”, lembra Jasiel. No festival deste ano, eles foram uma das melhores novidades.

Com apresentações já agendadas pelo interior e promessas de, em breve, vir tocar no Recife, a Garanhuns Street Jazz Band prepara o próximo sopro. Na certeza de que ainda tem muito a contribuir para um gênero musical tão desconhecido quanto apaixonante.

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