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Recife-Miami por US$ 700 a partir desta sexta-feira

Posted by: rebêlo    Tags:  economia, EUA, turismo    Posted date:  setembro 29, 2008  |  No comment

TURISMO // Tarifa promocional da American Airlines, que estréia vôo direto, vai até novembro

Paulo Rebêlo
Diario de Pernambuco – 29.setembro.2008

MIAMI - Seis horas e US$ 700 separam o Recife de Miami a partir da próxima sexta-feira. A tarifa promocional da American Airlines, que começa a operar o vôo diário e sem escalas para os Estados Unidos, tem validade apenas até o final de novembro. Depois, o preço duplica e pode chegar a US$ 1.400 a depender das datas de viagem.

Os vôos da Delta, sem escalas ida e volta para Atlanta, começam apenas no dia 22 de dezembro, até o momento sem tarifas promocionais. Por US$ 1.300, em média, o pernambucano poderá embarcar às segundas, quartas, sextas ou sábados. Os valores foram repassados na última semana às operadoras de turismo e obtidos pela primeira missão empresarial de Pernambuco aos Estados Unidos, desde o último dia 17 em solo americano.

As duas companhias aéreas, aliadas aos governos brasileiro e pernambucano, apostam alto na oferta das novas conexões. Há nove anos o Recife não dispõe de vôos diretos para os EUA, obrigando a maioria dos turistas locais a enfrentar três horas até São Paulo e outras dez até uma cidade na América. O custo ainda é alto, bem diferente dos US$ 900 cobrados até meados dos anos 90, quando o Recife perdeu suas ligações diretas para os EUA.

A retomada de agora vai bem além de uma simples oferta de novos destinos. Trata-se de uma aposta inusitada para os dois países: atrair o turista americano a visitar o Nordeste do Brasil. Durante quase uma semana, os integrantes da missão empresarial pernambucana tentaram encaixar as peças do quebra-cabeça entre operadores e agentes de viagem. O resultado é controverso. Organizada pelo Recife Convention & Visitors Bureau e pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), a comitiva serviu, de certo modo, como válvula de escape a uma série de críticas contra as políticas da Embratur de promoção ao turismo.

Para Edson Alessi, da agência Fredson Travel em Miami, o problema não é apenas governamental, mas cultural. E cita um exemplo prático: “A quase totalidade dos hotéis não tem a menornoção de como se vender. O turista americano procura na internet e encontra pouca informação até do quarto onde irá se hospedar, porque o hotel só coloca as suítes de luxo no site. Quando chega ao destino, sai frustrado”, define Alessi, há 18 anos operando a agência em Miami.

Diplomacia - Nenhuma das várias críticas ouvida pela missão empresarial foram mais enfáticas do que a exigência de visto para ingressar no país. Como o brasileiro precisa de visto (de turista ou negócios) para entrar nos EUA, o Brasil também exige o mesmo do americano. “Mas na prática não funciona, porque as embaixadas não fiscalizam nada, é uma formalidade que só faz o turista procurar outro destino”, reclama Miguel Mazza, da Tropi Tour em Miami.

Para Alessi (Fredson) e Marques (Brol), a dificuldade para o turista americano aumenta ainda mais com o suposto descaso dos consulados brasileiros. “Eles mal atendem telefone. Cansamos de ouvir reclamações [dos americanos] de que só passam informação pessoalmente. O visto tanto pode sair em 48h como eles podem esquecer e não ligar de volta”, pondera Marques, em coro com Edson Alessi.

No Brasil, o visto para turista leva três meses, em média, após um longo processo. O agente do Consulado Brasileiro em Miami, Roberto Parente, atribui à “falta de informação de ambos os lados” as críticas contra a exigência de visto. “O problema é que muitos chegam aqui querendo o visto na hora”.

A situação está longe de ser resolvida. Na ponta do lápis, o visto para entrar no Brasil sai por US$ 100. Parece pouco, mas para o americano do interior que não dispõe de vôos fáceis até Miami ou Atlanta, o valor pode representar dois ou três dias a mais em outra localidade, por exemplo. Floriana Martinez, da American Airlines, cita o exemplo do Chile. “Lá o turista recebe o visto na hora em que entra no país. E na Austrália, tudo pode ser feito até pela internet”, sugere.
______
l O repórter viajou a convite da Amcham e do RCVB.

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