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RECURSOS HÍDRICOS // População que vive às margens do São Francisco não aceita os argumentos sobre prejuízos e benefícios
Tornou-se praxe afirmar que a transposição do rio São Francisco é um sonho que data do Império e, agora, pode se transformar na redenção do Nordeste. Pouco se discute, contudo, sobre a crueldade imposta pela seca desde tempos imemoriais, assim como as promessas eleitorais de pôr fim ao martírio. Seria a transposição o início de um desenvolvimento concreto ou mais uma das promessas?
Em outra ponta da polêmica, no destino final do Eixo Leste, a esperança por uma vida melhor em Monteiro (PB) atende por um nome só: transposição. Os olhos dos agricultores parecem brilhar a cada nova notícia para que as obras sejam aceleradas. Vlamir Japyassu, Silvia Tavares e seu marido, Airton, dizem em coro: “a gente não quer dinheiro, só quer água para plantar, comer, produzir”. Se por convicções ideológicas ou por meio de lideranças políticas, quase todos em Monteiro não agüentam sequer ouvir sobre índios trukás, que prometem não deixar o governo completar o canal em Cabrobó. Alegam que as construções estão em terras indígenas e que não foram indenizados, nem consultados. As terras sequer foram demarcadas, mas o governo já indenizou os donos que possuíam as escrituras.