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Pernambuco, Bahia e Alagoas – Difícil saber de onde vem o brilho mais forte. Da tela de cinema ou daqueles olhos brilhantes e estáticos, congelados frente aos diálogos e imagens em movimento. Quem ainda acha que “a magia do cinema” é um termo inventado para denominar a potência do som Dolby Surround ou a nitidez de uma imagem em alta definição, certamente não faz idéia do significado de mesclar espanto, alegria e saudade ao assistir, pela primeira vez, um filme de cinema. Ou de chegar aos 80 anos tendo visto apenas novela em uma televisão de 14 polegadas – que funciona apenas quando quer, diga-se de passagem.
Casado e pai de dois filhos em Belo Horizonte, o curador Inácio Neves trabalha com cinema itinerante há mais de 15 anos. Contudo, foi apenas com a invenção da tela inflável, poucos anos atrás, que ele conseguiu realizar um antigo sonho: levar cinema a lugares remotos e desprovidos de salas de exibição. Além do Rio São Francisco, lugar onde passou pela primeira vez no final da década de 70 em barco a vapor, Neves também organiza outros projetos similares, como o Cinema nos Trilhos. “Exibimos filmes diversos, neste caso desenhos americanos também, às margens das ferrovias brasileiras, que são rincões esquecidos do Brasil”, conta.
Um ou dois curtas, uma animação e um longa metragem. Tudo nacional. Antes da exibição, contudo, a regra é exibir um pequeno vídeo sobre personagens ou histórias curiosas da cidade. O doceiro José Pereira de Lima foi o agraciado em Jatobá, mostrando como faz aqueles doces tão bons que agradam até quem não gosta de doces. A vizinhança se aproxima e, de repente, muita gente começa a identificar os vizinhos. Poucos minutos, poucas pessoas, muito orgulho.
Jatobá (PE) – Céu nublado desde o meio da tarde e relâmpagos em várias direções. As horas passam, a noite cai e os raios ficam mais intensos. Ainda não cai uma gota d’água. A equipe de montagem da tela e do áudio trabalha a todo vapor no meio da praça em Jatobá (PE), enquanto o idealizador do projeto Cinema no Rio, Inácio Neves, olha para o céu, pensativo. Não entende aquele clima justo agora, no mês de março. Ele não é o único.