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Meia dúzia de galinhas para ajudar o complemento das refeições e dois ou três porquinhos para ajudar no trabalho pesado da roça. Era tudo o que a agricultora Maria José da Silva, 48, sempre quis na zona rural de Pombos, na mata sul de Pernambuco. Nunca conseguiu. Não sobrava nada do dinheiro repassado pelo Bolsa Família, principal sustento da agricultora, do marido José Manoel e de mais cinco pessoas debaixo do mesmo teto – dois filhos, um genro, uma nora e um neto de apenas dois meses de idade.
Em cima da moto e com o laptop (computador portátil) a tiracolo, Micaías Paiva enfrenta as precárias vias de acesso à zona rural de Pombos. O objetivo é um só: acompanhar como as famílias utilizam a renda do Bolsa Família. Desde agosto de 2006, ele sai da sala com ar-condicionado da prefeitura para conhecer e recomendar iniciativas de sustentabilidade, sugerindo ações de como elas podem separar parte do dinheiro para investir em melhor qualidade de vida. Pelas planilhas do computador, Micaías tem acesso ao cadastro, nomes e resultados de sua jornada solitária. “Procuro fazer o mínimo, não é nada diferente do que o ministério (do desenvolvimento social e combate à fome) repassa nas reuniões, mas a maioria prefere se acomodar”, pontua.
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